E aí, exerceu o seu direito cívico hoje?
Eu compareci, com uma preguiça monstruosa, ao mesmo prédio em que fiz o ginásio e o colegial (como eram chamados, no meu tempo, o ensino médio de hoje). Nenhuma grande lembrança, exceto o fato de ter votado na mesma sala onde estudei em 1993. As carteiras e cadeiras são outras. As paredes foram repintadas. Até deram um jeito na quadra de futebol de salão. Bateu um sentimento estranho de nostalgia e saudade. Mas aí, passou. Ainda bem.
Não me empolgo mais com eleições. Não me entenda errado: acho importante tomar parte das decisões e acontecimentos. Mas me parece que o debate não tem nenhuma profundidade, tanto ideológica quanto prática. Talvez, se votar fosse mais um direito do que uma obrigação, as pessoas levassem mais a sério. Cansei de discutir em mesa de bar e não ver a coisa chegar em lugar nenhum. Já fui engajado, compareci a muitos comícios, bati panela pelas eleições diretas. Atualmente, ando me ausentando das polêmicas. Está mais fácil. Mas faça o que eu digo, não faça o que eu faço…
***

A notícia do final de semana foi o anúncio do lançamento oficial de Taikodom. Se você não sabe o que é, talvez não tenha acompanhado a imprensa especializada nos últimos quatro anos. Porque desde 2004 se fala sobre este game brasileiro, um simulador espacial massivo criado pela produtora catarinense Hoplon Infotainment.
E aconteceu de tudo com o jogo nesses quatro anos: ele apareceu em eventos, ele teve betas lançados, ele recebeu novos aspectos que alteraram drasticamente a idéia inicial, ele ganhou novos investidores e perdeu o apoio de outros. Houve quem não acreditasse que ele pudesse finalmente ser lançado. Houve quem o chamasse de o Chinese Democracy dos games brasileiros, em uma referência ao jamais-lançado disco do Guns N’ Roses.
Bem, deixemos a empresa explicar tudo:
A Hoplon Infotainment anuncia o lançamento do Taikodom, game massivo online, 100% brasileiro, focado no público jovem e adulto, para o dia 15 de outubro. O produto é resultado do maior projeto de jogo desenvolvido no Brasil: foram R$ 15 milhões em investimentos e quatro anos de trabalho de uma equipe que hoje conta com mais de 70 profissionais.
No Taikodom, milhares de jogadores cooperam e lutam entre si para ganhar a vida em um universo único e compartilhado entre todos. Após criar seu personagem, o jogador “incorpora” em um avatar e pilota sua própria nave em tempo real, escolhendo a posição que vai assumir: pirata, patrulheiro, transportador, entre outros papéis.
Os desafios são infinitos e há inúmeros sistemas estelares por onde navegar. Cada jogador escolhe seus próprios objetivos, que podem ser simples, como explorar o espaço em busca de riquezas, ou extremamente complexos, como construir e gerenciar megacorporações espaciais. A história do universo é determinada pelas atividades dos participantes. (…)
Com o game, a Hoplon pretende buscar para o Taikodom a popularidade que filmes e seriados de TV deram a outros universos de ficção científica mundial, ao exemplo de Star Wars e Star Trek. Para desenvolver a história que abrange um quarto de milênio, os criadores resolveram seguir o exemplo das grandes franquias, contratando escritores profissionais de peso: primeiro o renomado escritor de ficção científica Gerson Lodi-Ribeiro, que trabalha com a Hoplon desde 2004. Mais recentemente, o jovem escritor João Marcelo Beraldo.
O rico e detalhado universo ficcional já tem em produção a minissérie em quadrinhos “Eterno Retorno” e diversos livros que agora começam a ser publicados em parceria com a Devir Editora – o primeiro deles, “Taikodom: Despertar”, estará à venda em outubro.
O modelo de negócio estabelecido pela Hoplon oferece acesso gratuito aos usuários, mediante cadastro e download. A receita virá da cuidadosa integração de publicidade ingame – que permitirá às empresas colocarem sua marca no game no mesmo estilo discreto dos filmes de James Bond -, da venda de itens e, principalmente, da venda de pacotes de benefícios para melhorar a performance dos participantes que têm menos tempo para jogar.
“A perspectiva da Hoplon é recuperar o investimento em três anos”, explica Tarqüinio Teles, acrescentando que o jogo deve alcançar 100 mil jogadores ativos em três a quatro meses, sendo o principal público alvo jovens de 18 a 34 anos, classe AB.
Nos próximos meses mais dois games serão entregues – um tático e um estratégico – além do mundo virtual, todos integrados para que os jogadores circulem entre esses diferentes estilos, livres para participar do game da maneira que preferirem. O game de ação é só o início do que será o primeiro MSG – Massive Social Game – já desenvolvido. O diferencial dos MSGs é unir diferentes estilos de game em um só universo, mesclando os metaversos com os MMOGs (Massively Multiplayer Online Games), o que permite a participação de milhares de jogadores em um mesmo mundo virtual.
Um evento deve marcar o lançamento de Taikodom nos próximos dias. Confesso que estou curioso para ver no que isso tudo vai dar. Será que iniciativas que envolvem sonho, perseverança e muito esforço dão certo no Brasil? Eu costumava ser otimista há alguns anos…