Entrevista da Semana: Peer Schneider (IGN) – Parte 2

Conforme o prometido, leia a seguir a entrevista com Peer Schneider, vice-presidente sênior do portal IGN.com. Nesta segunda parte do papo, ele fala sobre jornalismo de games, produção de conteúdo por parte do público, e até se arrisca a falar sobre o Brasil (infelizmente, desmentindo uma informação que dei neste blog há uns bons dois anos). Leia, pense, reflita a respeito e comente no final.
Gamer.br: Quando vocês olham para todo o conteúdo editorial que produzem, é levado em consideração que muitos de seus leitores não moram nos Estados Unidos ou Canadá e não falam inglês? Em resumo, quem é o público-alvo do IGN e quais são as diretrizes editoriais que vocês seguem nesse sentido?
PS: Apesar de termos muitos visitantes de todas as partes do mundo, nós estamos atualmente focados no mundo falador de inglês. Nós temos equipes e sites nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e na Austrália – mas isso não quer dizer que não queremos estender nossos tentáculos para outros mercados no futuro. Com um site com nosso tamanho e abrangência, não é nada fácil localizar todo o conteúdo.
Atualmente, os usuários não são apenas consumidores, mas se tornaram criadores de conteúdo – eles fazem seus próprios blogs, sites e podcasts, e tem sido dito que eles conseguem até competir com os grandes sites. Qual é a postura do IGN, no que diz respeito ao conteúdo criado pelo usuário?
PS: Nós adoramos o conteúdo criado pelo usuário. O IGN oferece um dos maiores fóruns de discussão do mundo, e adicionamos diversas maneiras para nossos usuários colaborarem. Eles podem comentar as matérias, escrever guias de estratégia e FAQs, fornecer dicas, criar e compartilhar suas próprias coleções de games, mandar frases e escrever seus reviews. Claro que sempre é possÃvel fazer mais, e nós faremos.
Você acha que a agilidade e a espontaneidade desses pequenos blogs-de-um-homem-só chegam a prejudicar ou incomodar os grandes portais corporativos como o IGN?
PS: É claro. Muitas vezes, nós estamos por dentro de um certo jogo, mas temos que esperar que a empresa concorde em divulgar informações que nos permitam fazer a cobertura. Enquanto isso, alguns blogs conseguem o mesmo conteúdo através de outra fonte e os publicam na hora. Mas os blogs também possuem um foco diferente que pode vir a complementar os nossos sites. Um blog é como um jornal diário, enquanto o IGN é também uma enciclopédia com centenas de milhares de vÃdeos, informações sobre jogos e muito mais. Por exemplo, o GameStats.com ou o Rotten Tomatoes agregam notas de resenhas de todas as publicações. Você digita o nome de um jogo e encontra uma visão média e objetiva. Um blog pode servir como uma dessas vozes, mas não irá oferecer a cobertura mais aprofundada que você pode encontrar [no IGN].
Hoje existem muitos jornalistas de games indo para o outro lado da indústria, para trabalhar na área de relações públicas das produtoras de jogos, mas não vemos muitos criadores de jogos seguindo para o caminho do jornalismo de games ou a crÃtica. Por que você acha que isso acontece?
PS: bem, se você é um criador de games bem sucedido e tem a capacidade de usar a imaginação para bolar jogos, é sem dúvida difÃcil voltar e querer escrever sobre produtos que outras pessoas criaram. Sair da cobertura de games para criar um game propriamente dito dá a sensação de um passo adiante, enquanto o inverso não, criativamente falando. Se você é um fanático por cinema, seu sonho é com certeza dirigir ou estrelar o seu próprio filme. Mas eu duvido que existam muitos diretores que pensem “nossa, eu adoraria escrever sobre filmes”. Dito isso, nós temos diversos redatores que antes eram desenvolvedores de jogos.
Como você começou a cobrir e a escrever sobre games?
PS: Eu era bem ligado em games quando criança, mas daà me desinteressei quando a indústria implodiu. Foi só quando comecei a me envolver com textos e design de web que voltei aos videogames – daà criei meu próprio site de fã para aprimorar minhas habilidades. Antes de eu notar, eu tinha um site de sucesso. Eu ia para a faculdade de jornalismo durante o dia, e escrevia sobre games à noite. Era algo relaxante pra mim – cobrir coisas legais ao invés de coisas sérias da vida real. E quando soube que uma editora de revistas estava querendo expandir para o mundo online, eu me candidatei à vaga.
Você nasceu na Alemanha, daà foi morar no Japão. Agora, você já vive há um bom tempo nos Estados Unidos. Você acha que essas mudanças foram as razões pelo sucesso em sua carreira profissional? O que você poderia recomendar para blogueiros e jornalistas independentes que sonham em trabalhar para a grande mÃdia?
PS: Saber falar japonês e conhecer como funciona o mercado de lá com certeza foi uma vantagem, mas habilidade com um idioma não é algo tão importante quanto ter paixão por um assunto e saber escrever bem. Meu maior conselho é começar um blog ou um site pequeno e estabelecer uma voz para si mesmo. Tente fazer algo diferente, como apresentar uma nova visão sobre os games, e você será notado. Se alguém se candidatar a uma vaga no IGN e tiver um blog ativo, além de possuir uma persona online popular, eu contrataria facilmente essa pessoa no lugar de alguém formado em jornalismo.
Há alguns meses, eu ouvi um boato relacionado aos possÃveis planos do IGN.com e um contrato de licença de conteúdo no Brasil. Há algum plano para uma versão em português, ou mesmo uma parceria por esses lados?
PS: Nós adorariamos expandir para a América Latina – não só traduzindo as matérias, mas cobrindo o mercado local, mas ainda não temos nada definido para divulgar nesse sentido por enquanto.
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