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18/09/2008 - 02:54

O Play 2 é mais Brasil. E aí?

Enquanto a Nintendo reclama da política tributária brasileira (a matéria saiu esta semana na Isto É Dinheiro, mas já havia sido dada pela imprensa especializada que visitou o evento da empresa no Panamá, há algumas semanas), a Sony Brasil emplacou seu projeto de produzir consoles PlayStation 2 e jogos na Zona Franca de Manaus (saiu no Diário Oficial de duas semanas atrás, que se referia ao caso assim: N.º 108/08 – SONY BRASIL LTDA.: (Diversificação). Produção de telejogo, tipo “PLAY STATION 2″.

O que não quer dizer necessariamente que vá mesmo acontecer, uma vez que a assessoria da Sony limitou-se a declarar que está apenas garantindo espaço caso resolva comercializar o console oficialmente por aqui. Mas a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) já divulgou que o negócio está avançado, e até revelou os valores do investimento da Sony (na casa dos R$ 9 milhões) e a quantidade de peças possivelmente produzidas (por volta de 450 mil consoles no primeiro ano de produção). Por enquanto, é preciso esperar para acontecer. Mas já está dito e publicado, então, é praticamente lei.

Uau. Seria uma notícia incrível, se fosse divulgada há dois, três, quatro anos, certo? Hoje, com a nova geração praticamente consolidada, todo mundo só pensa em PlayStations 3, Wiis, Xbox 360s… Não é besteira gastar esforços com um projeto atrasado? Ou será que ainda há uma janela de oportunidade em nosso mercado para a chamada “velha geração”?

É óbvio que há. E a Tectoy sabe disso, e continua colocando no mercado versões “turbinadas” (ou recicladas) de seu Master System e do Mega Drive (o mais recente, o Mega Drive 3, traz versões de games da Electronic Arts na memória). E ganha dinheiro com isso, ou não continuaria fazendo. A verdade é que ainda há um Brasil inteiro sedento por videogames e suas possibilidades. A parcela da população com acesso – financeiro e social – aos consoles de ponta ainda é ínfima, se observarmos a bizarra realidade da distribuição de renda nacional. Acredite, o PS2 ainda é um objeto de desejo para muita gente. E continua vendendo muito pelo país todo, principalmente pelas vias ilegais. A Sony Brasil quer tirar sua parte nisso, uma vez que o lucro com a venda de consoles contrabandeados não vai para seu cofrinho.

O fato de ser fabricado no Brasil e estar disponível com manual em português nas Casas Bahia não fará obrigatoriamente o PS2 nacional explodir de vendas, mas é um indicativo positivo em um mercado tão maltratado como o nosso. Mas não vamos nos enganar: não é porque o consumidor comprará um console nacional que não irá instalar um modchip nele para jogar games piratas. Porque é assim que funciona o nosso país de Gersons: pra que pagar mais se é possível pagar (bem) menos?

Em um dia bem humorado, eu diria que essa notícia é relevante, mesmo para aqueles que consideram o PS2 um artigo relacionado a um passado distante. E citaria aquele velho ditado, que prega que “com um passo por vez, logo se chega a algum lugar”. Mas como estou de mau humor essa semana, me pergunto: chegaremos onde? Será que não é “só” isso que podemos almejar? As produtoras continuam a se declarar otimistas de que, apesar dos percalços, o Brasil irá em breve dominar o mercado latino-americano.

E você, está tão otimista assim?

***

Um amigo recém-chegado de uma longa viagem perguntou hoje, via MSN:

- Onde posso comprar games para PS3 que não custem aqueles preços absurdos?

Respondi, sem nem pensar:

- Nos Estados Unidos, ué.

Adoraria poder indicar uma solução menos irônica e mais palpável.

Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:

10 comentários para “O Play 2 é mais Brasil. E aí?”

  1. jokeratomic disse:

    ahaha! mais se o dolar continuar subindo desse jeito daqui a pouco nem nos eua ele vai poder comprar games baratinho…. a não ser claro que receba em dolar claro….

  2. Leonardo Ueda disse:

    Pablo, não sou especialista, mas gosto de acompanhar o mercado do nosso país. Até escrevi (com uma opinião BEM pessoal por sinal) no meu penúltimo post do meu blog justamente relacionado com a seguinte frase sua:
    “O fato de ser fabricado no Brasil e estar disponível com manual em português nas Casas Bahia não fará obrigatoriamente o PS2 nacional explodir de vendas,”

    Veja:
    http://leoueda.blogspot.com/2008/09/serious-fun.html

    Enfim… vamos ver né?
    Parabéns pelo post! Vou postar novamente algo sobre essa polêmica do PS2 no Brasil lá… =p

  3. André Pase disse:

    Mercado Livre. Paguei 159 pelo Battlefield: Bad Company e por aí é o caminho.

  4. Luciano disse:

    Pablo é mesmo uma pena que em nosso país ainda há pessoas “sedentas” por um videogame da geração passada. Eu larguei o meu, ótimo, Play 2 a mais-ou-menos 7 meses, quando decidi comprar um console da nova geração. Ia comprar um Playstation 3, mais optei pelo incrível Xbox 360.
    Vamos esperar para ver no que vai dar essa investida da Sony aqui em nossas terras tupiniquins.
    Abraços!!!

  5. Uehara disse:

    Pois é, eu QUERO ser otimista, pensar “uau, a Sony está investindo no Brasil!”, mas não dá. Pra dizer a verdade, eu perdi a fé é no próprio Brasil. Enquanto a maior parte do dinheiro pago em todos os produtos for destinada aos impostos, não adianta Sony, Nintendo ou Microsoft resolver investir por aqui.

    E vamos ser sinceros: PS3 só não “estourou” no Brasil ainda porque não tem jogo pirata.

  6. Lef disse:

    É difícil dizer que alguma notícia com relação ao mercado brasileiro é de fato relevante. Dificilmente a (dura) realidade vai mudar de uma hora para outra. Mas devemos torcer para que, aos poucos, comecemos a enxergar ao menos um caminho para desentupir esta grande privada.

  7. Felipe disse:

    É aquela coisa, por mais que seja comercializado numa Casas Bahia da vida, com prestações a perder de vista, o preço total do aparelho ainda tende a ser umas 5 vezes maior do que importando ou comprando por vias ilegais. Exemplo disso são as versões “turbinadas” do Mega Drive e do Master System, que saem quase o preço de um Nintendo DS ou um PSP importados, até mais caro se for ver o potencial de cada console.

    Eu continuo defensor do mercado brasileiro e procuro sempre ir pelas vias legais na hora de comprar jogos. Mas agora com essa nova geração, tive que optar por seguir o caminho dos portáteis, no caso o PSP, e assumo que estou cada vez mais desanimado em pagar cerca de 200 reais em titulos originais que sairiam cerca de 70 reais caso fossem comprados nos Estados Unidos.

  8. Arthur Câmara disse:

    infelizmente, não vai ser tão simples assim. o simples fato de termos um PS2 fabricado nessas bandas não vai ajudar em proporção um mercado tão (infelizmente) pequeno como o Brasil. Os “não gamers” e que comprar jogos pirata e não sentem vergonha e afirmam, com afinco incrível que o Winín Elévi 23 que eles compraram é verdadeiro, infelizmente vão continuar na mesma. não é porque temos jogos em portugues, originais, e que custem 70, 50 reais que eles vão passar a comprar esses. O buraco, infelizmente, é (bem) mais fundo. é uma questão social, que, em um país, quem compre artigos (e não me limito a jogos) originais é taxado de trouxa, e aonde até o PRESIDENTE tem dvd’s piratas, e, o pior, de filmes brasileiros. Se o governo quer arrecadar mais, não é só “criar a nova velha CPMF” ou aumentar a aliquota! incentivar as pessoas a comprarem produtos que pagam impostos, e, abaixar os preços das mesmas, já será um grande avanço! até quando o governo (por que boa parte do país já viu) vai enxergar os games como uma mídia com um imenso potencial? Bem, até lá, o melhor amigo do que não compra pirata continua sendo o bom e velho eBay, os amigos em viagens, CDuniverse, Play-asia….

  9. Daniel Oliveira disse:

    Acho que a Nintendo falou com exclusividade para a Roberta que está dando as costas para o Brasil heim?

    Nenhum outro meio disse isso,
    Que exclusiva, só que ela demorou quase 1 mês para falar sobre…

  10. Robemar Junior disse:

    Acho que existe um bom mercado para a Sony explorar com seu imortal PS2. Enquanto nossos políticos não enxergarem todo o potencial desperdiçado por uma legislação esmagadora não poderemos ter uma mercado competitivo. Não culpo as empresas, cada uma faz sua parte (talvez a BigN não!) mas a Sony e a MS têm procurado caminhos para tentar driblar e vender games no país.

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