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Arquivo de junho, 2008

04/06/2008 - 17:54

Entrevista da Semana: Bruno Abreu (OuterSpace)

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(Quase) toda semana tem Entrevista da Semana no Gamer.br, e você sabe disso tanto quanto eu (mas só pelo folclore, vou continuar repetindo assim mesmo!) O entrevistado desta vez é o Bruno Abreu, que há quase dez anos é um dos principais caras por trás do portal especializado OuterSpace. Mineiro, econômico nas palavras e cheio de fortes opiniões, Bruno discorreu sobre o mercado nacional e estrangeiro, o futuro do jornalismo de games, pirataria e a guerra dos consoles. Confira o papo e, como você sempre faz, não deixe de comentar no final.

***

Gamer.br: Já faz um bom tempo que você toca o OuterSpace praticamente sozinho. Fale sobre o começo: como você se meteu nessa de jornalismo de games? Seu negócio foi sempre a internet
Bruno Abreu: Na verdade, não estou tocando sozinho. Hoje temos cinco pessoas trabalhando em OuterSpace. Só apareço mais que os outros. Me meti nisso por acidente, pensando em fazer um site com meu sócio, Reinaldo Normand, bem no começo dela, lá pelo final dos anos 90. Game foi a escolha natural, por ser um assunto que sempre gostamos e que, na época, era interessante de ser explorado no Brasil pela falta de sites relacionados ao tema por aqui.
Estávamos empolgados com a internet e queríamos fazer um site. Ele foi feito sem pretensões, mas teve audiência desde o principio e logo atraiu a atenção do UOL, com o qual fechamos nossa primeira parceria. Foi uma oportunidade bem aproveitada e que nos segurou nesse meio até hoje.

E o game surgiu como gosto pessoal, ou seu negócio era com o jornalismo mesmo, não importava o segmento?
Me formei em publicidade e, ironicamente, a época da criação do site foi uma em que pessoalmente eu não estava tão empolgado com games. Foi exatamente na época do lançamento do primeiro PlayStation, que representou um divisor de águas e uma fase pujante do negócio de games. Tanto a internet quanto os games se tornaram negócios mais interessantes a partir desta época.

Foi difícil fazer jornalismo tendo formação publicitária? Ou, na prática, isso não faz diferença pro jornalismo de games?
Não foi. Acredito que grande parte dos bons jornalistas de games do mundo se dispuseram a escrever sobre eles por conta de paixão, e não por ser uma opção viável após se formarem. Antes de tudo, o jornalista de games é um geek, alguém curioso e bem informado sobre o assunto, que consiga não fazer feio diante do escrutínio dos fãs apaixonados de games. Aliás, são esses fãs que postam notícias em fórums e vasculham o mundo atrás de notícias os jornalistas de games mais eficientes dos nossos tempos. Para falar com esse público, portanto, você tem que ter igualmente apaixonado em primeiro lugar, para daí ter uma boa redação, bom senso e todas as outras coisas que se espera de um jornalista.

Você se considera ainda um apaixonado, mesmo após todos esses anos no mercado? Como você compara a indústria hoje com aquela de quando você começou?
Continuo sendo um geek, com a diferença que hoje me interesso mais pelo dinamismo do mercado de games, sobre a performance das empresas, os rumos que elas seguem etc. São assuntos que rendem conversas com os amigos e que gosto muito de acompanhar nos mínimos detalhes. Mas, realmente, já não tenho a mesma disposição para jogar, e nessas horas prefiro um Picross DS a algo como Call of Duty 4.
A indústria de hoje está bem mais profissional, obviamente, embora ainda existam companhias, incluindo alguns nomes grandes, que seguem a mesma filosofia de dez anos atrás. É bom ver GTA IV batendo os recordes entre todas as formas de entretenimento e coisas como o Wii atingindo o “mass market”, mas ainda sinto uma frustração entre as empresas de games por não estarem no mesmo estágio de, por exemplo, a indústria do cinema. Ainda assim, os últimos 10 anos foram os de progresso mais significativo para esse mercado do ponto de vista dos negócios, na minha opinião.

E fazer jornalismo de internet: você acha que o destino das publicações de papel será migrar de uma vez para a rede, e pronto? Revistas estão mesmo com os dias contados?
As revistas podem existir se conseguirem achar um formato editorial que lhes favoreçam mais, como matérias mais profundas. É o que já fazem, de certa forma, mas nem todas conseguiram mudar. Talvez sejam viáveis apenas revistas como a Edge e a Game Informer, uma por ser um caso único de revista que conseguiu atingir um público mais sofisticado, e a outra pelo simples fato de ser ultra popular em um mercado gigante como o americano.

Você trocaria a internet por revista hoje, ou em algum momento passado? Como você diferencia um tipo de jornalismo do outro?
Não trocaria porque me acostumei com a velocidade da internet e também porque é a mídia do momento, ainda mais quando se fala em games. Nunca trabalhei em revistas, embora já tenha colaborado com textos para algumas, mas o jornalismo da internet tende a ser mais descompromissado e mais abrangente – coisas que me agradam também. É interessante ver até que ponto isso vai chegar, ainda mais agora que os próprios leitores podem virar jornalistas, como os exemplos das seções nos portais do Brasil onde eles escrevem notícias e os fóruns de games, de onde vêm as notícias mais frescas. Bom, pra resumir, sou net desde criancinha.

Você acha que o Brasil hoje tem um papel mais importante hoje em dia no cenário mundial, ou está tudo na mesma? Por exemplo, hoje em dia, é mais fácil ou não conseguir alguma coisa com as produtoras estrangeiras, sendo jornalista de um portal especializado brasileiro?
Está a mesma coisa, ou até pior, já que ainda estamos muito restritos ao mercado de PC e este está definhando. Conseguir algo lá fora é difícil, mas não podemos nos queixar. Este é um negócio e o Brasil não é prioridade para eles. Mas, por sorte, temos empresas sérias no Brasil representando os grandes estúdios e há um esforço mútuo de melhorar as coisas por aqui.

A imprensa de games nacional é “chapa-branca”?
Não creio nisso. Já tivemos casos de um publisher se queixar de uma nota baixa em um jogo, mas tudo dentro da normalidade. Não há pressão nem grandes interesses em jogo, talvez por conta do mercado ainda ser pequeno. Muitos temem os fãs entretanto, e há preocupação excessiva em não desapontá-los. Então não é chapa-branca, apenas meio bunda-mole.

Falando sobre mercado brasileiro: a pirataria é o problema ou a solução?
É um problema, e não apenas no Brasil. A democratização dos games não pode depender de pirataria. O preço dos jogos originais no Brasil já está melhor e acredito que sem pirataria, e com mais escala, poderíamos ter preços melhores e lançamentos mais regulares por aqui.

Pelo que você acompanha do mercado, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
O Brasil está melhor, mas ainda aquém do potencial que tem. A economia cresceu na última década bem mais que o nosso mercado de games. Temos uma classe média de mais de 80 milhões de pessoas com poder de compra e que já é capaz de adquirir videogames, entre outros bens, portanto só falta tornar o mercado mais atraente para as produtoras de jogos e fabricantes de consoles reduzindo impostos. Há conversas mais consistentes sobre a possibilidade do Playstation 3 vir oficialmente para cá, um passarinho me contou. Caso isso se confirme, ter os três consoles representados oficialmente, ainda que com preços proibitivos, seria algo simbólico, para dar esperança.

O que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver?
Além dos três principais consoles? Jogos originais fáceis de encontrar e com lançamento simultâneo, mais interesse e seriedade por parte da mídia “mainstream”, Xbox Live, World of Warcraft, jogos localizados e com preços mais realistas, entre outras coisas.

Qual dos três consoles vai ganhar a guerra da nova geração?
O Wii já ganhou. O que resta é saber se Playstation 3 se recupera (2008 tem sido muito bom para a Sony, diferente dos últimos dois anos) e se o Xbox 360 não perde gás prematuramente como aconteceu com seu antecessor.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Marcel R. Goto (DigiArts)
  2. Entrevista da Semana: Ronaldo Testa (Nintendo World)
  3. Entrevista da Semana: Gustavo Petró (Revista GameMaster)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: ,
03/06/2008 - 19:27

Funny Day

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O dia está engraçado, então merece um post mais leve.

Está pensando em comprar o Wii Fit? Pense em sua namorada também.


Ao que tudo indica, isso poderia acontecer com você. Ou não.

***

Coincidência suprema, cara-de-pau absoluta ou singela homenagem? Seja lá o que for, é divertido: visite o site da Construtora Sega, de Americana (SP), e tire suas próprias conclusões.

***

E a última piada (é sério, mas é que até me parece piada): Guitar Hero estrelado pelo Metallica, também conhecido como “a banda mais mala da geração mp3″.

Seja como for, esse até eu quero jogar.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
02/06/2008 - 22:13

Três quartos de vermelho

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E aconteceu comigo.

Após pouco mais de um ano, as famigeradas “Três Luzes Vermelhas” (ou “3RL” – three red lights) atingiram o meu Xbox 360.

Talvez fosse de se esperar, mas eu tinha esperanças que jamais aconteceria. O console, comprado em março do ano passado nos Estados Unidos, apresentava algumas travadas ocasionais, mais até do que o aceitável. Porém, nada indicava que a fatalidade bateria a minha porta. Até que, em um sábado desses, três quartos do círculo outrora verde piscaram em vermelho. E não é preciso entender muito de games para saber o que isso significa: “general hardware failure”, ou, em outras palavras, pane no sistema, causada por superaquecimento (defeito de fabricação? Azar? Ou tudo junto?). E o problema, todos sabem, não é novo.

Estou neste momento em busca de uma solução, mas aproveito o momento para compartilhar minha experiência e a de alguns chegados que sofreram do mesmo problema. Em rápidas conversas pelo MSN ao longo do dia, descobri diversas pessoas, freqüentadores deste blog aliás, que também passaram por esse aperto. Acompanhe a seguir os casos, verídicos, e as maneiras com que as pessoas os enfrentaram (mantive os nomes em sigilo para preservar a integridade dos entrevistados).

“Tive as três luzes vermelhas no meu 360 antigo, um ano depois de ter comprado. Ele tinha dado umas travadas antes e mandei consertar. Aí, depois de um mês, ele deu ‘3rl’ e vendi quebrado mesmo. Aparentemente, não é muito difícil resolver o problema. Eu levaria pra uma loja na Santa Ifigênia e pagaria por um conserto lá, mas como nunca é algo tão confiável, decidi vender o meu e comprar outro.” – G.L.

“Tive duas vezes as ‘3rl’. Comprei o 360 na Rocklaser e as luzes apareceram depois de cinco meses. Daí, pedi para ser feito o mod ‘Clamp’. Na segunda ‘3rl’, eu mesmo troquei a pasta térmica, mas antes passei o revólver de calor ao redor dos chips. No Brasil, é fácil de arrumar lugar para se solucionar o problemas – mas só por alguns meses, não é definitivo.” – H.L.

“Tive as luzes um ano e nove meses depois de ter comprado o 360 nos EUA. Acredito que a solução no Brasil para um aparelho importado é tão difícil quanto para qualquer outro eletrônico importado que dê defeito.” – N.J.

“Comprei um 360 propositalmente queimado para arrumar, sabendo que o tipo de problema poderia ser solucionado em casa. Seguindo um tutorial em vídeo, eu e meu pai arrumamos. Troquei a pasta térmica do processador e passei a usar um cooler extra para tirar o ar quente do aparelho. Não sabemos em quem confiar. Sempre fica aquela sensação de que gastaremos o dinheiro para o conserto em vão, pois uma hora ou outra ele queimará novamente.” – R.W.

“Comprei meu 360 de fora, com um cara do Mercado Livre, na metade de 2006 e ele deu pau no ano passado. Pra mim foi fácil: falei com um amigo que aprendeu a arrumar visitando sites, e pronto. O cara colocou umas borrachas de escapamento de opala no console. Ele trocou pelas borrachas originais que amolecem conforme o console esquenta demais, daí a placa ‘descola’ e os circuitos não funcionam. Tá funcionando normalmente agora.” – D.P.

Aconteceu com você também? Compartilhe seu caso e sua solução no espaço para comentários ali embaixo.

***

E a promoção da semana passada ainda não acabou. Quem não participou ainda tem uns dias para tentar. Responda nos comentários à pergunta a seguir (você tem até a próxima sexta!)

Qual é o recorde que você gostaria de superar, e por quê?

A resposta mais criativa e interessante leva, de uma vez só:

*Um exemplar do livro Guinness Games 2008 (Editora Ediouro)

*Um exemplar da edição 20 da revista Rolling Stone Brasil (Editora Spring)

*Um adesivo exclusivo Grand Theft Auto 4 (Rockstar)

*Um adesivo exclusivo Bully (Rockstar)

Use a cabeça e participe. O nome do vencedor sai na próxima segunda-feira.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
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