Entrevista da Semana: Bruno Abreu (OuterSpace)
(Quase) toda semana tem Entrevista da Semana no Gamer.br, e você sabe disso tanto quanto eu (mas só pelo folclore, vou continuar repetindo assim mesmo!) O entrevistado desta vez é o Bruno Abreu, que há quase dez anos é um dos principais caras por trás do portal especializado OuterSpace. Mineiro, econômico nas palavras e cheio de fortes opiniões, Bruno discorreu sobre o mercado nacional e estrangeiro, o futuro do jornalismo de games, pirataria e a guerra dos consoles. Confira o papo e, como você sempre faz, não deixe de comentar no final.
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Gamer.br: Já faz um bom tempo que você toca o OuterSpace praticamente sozinho. Fale sobre o começo: como você se meteu nessa de jornalismo de games? Seu negócio foi sempre a internet
Bruno Abreu: Na verdade, não estou tocando sozinho. Hoje temos cinco pessoas trabalhando em OuterSpace. Só apareço mais que os outros. Me meti nisso por acidente, pensando em fazer um site com meu sócio, Reinaldo Normand, bem no começo dela, lá pelo final dos anos 90. Game foi a escolha natural, por ser um assunto que sempre gostamos e que, na época, era interessante de ser explorado no Brasil pela falta de sites relacionados ao tema por aqui.
Estávamos empolgados com a internet e queríamos fazer um site. Ele foi feito sem pretensões, mas teve audiência desde o principio e logo atraiu a atenção do UOL, com o qual fechamos nossa primeira parceria. Foi uma oportunidade bem aproveitada e que nos segurou nesse meio até hoje.
E o game surgiu como gosto pessoal, ou seu negócio era com o jornalismo mesmo, não importava o segmento?
Me formei em publicidade e, ironicamente, a época da criação do site foi uma em que pessoalmente eu não estava tão empolgado com games. Foi exatamente na época do lançamento do primeiro PlayStation, que representou um divisor de águas e uma fase pujante do negócio de games. Tanto a internet quanto os games se tornaram negócios mais interessantes a partir desta época.
Foi difícil fazer jornalismo tendo formação publicitária? Ou, na prática, isso não faz diferença pro jornalismo de games?
Não foi. Acredito que grande parte dos bons jornalistas de games do mundo se dispuseram a escrever sobre eles por conta de paixão, e não por ser uma opção viável após se formarem. Antes de tudo, o jornalista de games é um geek, alguém curioso e bem informado sobre o assunto, que consiga não fazer feio diante do escrutínio dos fãs apaixonados de games. Aliás, são esses fãs que postam notícias em fórums e vasculham o mundo atrás de notícias os jornalistas de games mais eficientes dos nossos tempos. Para falar com esse público, portanto, você tem que ter igualmente apaixonado em primeiro lugar, para daí ter uma boa redação, bom senso e todas as outras coisas que se espera de um jornalista.
Você se considera ainda um apaixonado, mesmo após todos esses anos no mercado? Como você compara a indústria hoje com aquela de quando você começou?
Continuo sendo um geek, com a diferença que hoje me interesso mais pelo dinamismo do mercado de games, sobre a performance das empresas, os rumos que elas seguem etc. São assuntos que rendem conversas com os amigos e que gosto muito de acompanhar nos mínimos detalhes. Mas, realmente, já não tenho a mesma disposição para jogar, e nessas horas prefiro um Picross DS a algo como Call of Duty 4.
A indústria de hoje está bem mais profissional, obviamente, embora ainda existam companhias, incluindo alguns nomes grandes, que seguem a mesma filosofia de dez anos atrás. É bom ver GTA IV batendo os recordes entre todas as formas de entretenimento e coisas como o Wii atingindo o “mass market”, mas ainda sinto uma frustração entre as empresas de games por não estarem no mesmo estágio de, por exemplo, a indústria do cinema. Ainda assim, os últimos 10 anos foram os de progresso mais significativo para esse mercado do ponto de vista dos negócios, na minha opinião.
E fazer jornalismo de internet: você acha que o destino das publicações de papel será migrar de uma vez para a rede, e pronto? Revistas estão mesmo com os dias contados?
As revistas podem existir se conseguirem achar um formato editorial que lhes favoreçam mais, como matérias mais profundas. É o que já fazem, de certa forma, mas nem todas conseguiram mudar. Talvez sejam viáveis apenas revistas como a Edge e a Game Informer, uma por ser um caso único de revista que conseguiu atingir um público mais sofisticado, e a outra pelo simples fato de ser ultra popular em um mercado gigante como o americano.
Você trocaria a internet por revista hoje, ou em algum momento passado? Como você diferencia um tipo de jornalismo do outro?
Não trocaria porque me acostumei com a velocidade da internet e também porque é a mídia do momento, ainda mais quando se fala em games. Nunca trabalhei em revistas, embora já tenha colaborado com textos para algumas, mas o jornalismo da internet tende a ser mais descompromissado e mais abrangente – coisas que me agradam também. É interessante ver até que ponto isso vai chegar, ainda mais agora que os próprios leitores podem virar jornalistas, como os exemplos das seções nos portais do Brasil onde eles escrevem notícias e os fóruns de games, de onde vêm as notícias mais frescas. Bom, pra resumir, sou net desde criancinha.
Você acha que o Brasil hoje tem um papel mais importante hoje em dia no cenário mundial, ou está tudo na mesma? Por exemplo, hoje em dia, é mais fácil ou não conseguir alguma coisa com as produtoras estrangeiras, sendo jornalista de um portal especializado brasileiro?
Está a mesma coisa, ou até pior, já que ainda estamos muito restritos ao mercado de PC e este está definhando. Conseguir algo lá fora é difícil, mas não podemos nos queixar. Este é um negócio e o Brasil não é prioridade para eles. Mas, por sorte, temos empresas sérias no Brasil representando os grandes estúdios e há um esforço mútuo de melhorar as coisas por aqui.
A imprensa de games nacional é “chapa-branca”?
Não creio nisso. Já tivemos casos de um publisher se queixar de uma nota baixa em um jogo, mas tudo dentro da normalidade. Não há pressão nem grandes interesses em jogo, talvez por conta do mercado ainda ser pequeno. Muitos temem os fãs entretanto, e há preocupação excessiva em não desapontá-los. Então não é chapa-branca, apenas meio bunda-mole.
Falando sobre mercado brasileiro: a pirataria é o problema ou a solução?
É um problema, e não apenas no Brasil. A democratização dos games não pode depender de pirataria. O preço dos jogos originais no Brasil já está melhor e acredito que sem pirataria, e com mais escala, poderíamos ter preços melhores e lançamentos mais regulares por aqui.
Pelo que você acompanha do mercado, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
O Brasil está melhor, mas ainda aquém do potencial que tem. A economia cresceu na última década bem mais que o nosso mercado de games. Temos uma classe média de mais de 80 milhões de pessoas com poder de compra e que já é capaz de adquirir videogames, entre outros bens, portanto só falta tornar o mercado mais atraente para as produtoras de jogos e fabricantes de consoles reduzindo impostos. Há conversas mais consistentes sobre a possibilidade do Playstation 3 vir oficialmente para cá, um passarinho me contou. Caso isso se confirme, ter os três consoles representados oficialmente, ainda que com preços proibitivos, seria algo simbólico, para dar esperança.
O que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver?
Além dos três principais consoles? Jogos originais fáceis de encontrar e com lançamento simultâneo, mais interesse e seriedade por parte da mídia “mainstream”, Xbox Live, World of Warcraft, jogos localizados e com preços mais realistas, entre outras coisas.
Qual dos três consoles vai ganhar a guerra da nova geração?
O Wii já ganhou. O que resta é saber se Playstation 3 se recupera (2008 tem sido muito bom para a Sony, diferente dos últimos dois anos) e se o Xbox 360 não perde gás prematuramente como aconteceu com seu antecessor.

Boa entrevista! Então quer dizer que o PS3 pode estar vindo para terras tupiniquins? Ótimo!=D
“portanto só falta tornar o mercado mais atraente para as produtoras de jogos e fabricantes de consoles reduzindo impostos.”
Quando que essas pessoas vão parar de culpar o governo e começar a entender de carga tributária? O Brasil é um dos países com menos impostos sobre software; menos até que livros. O problema é que as empresas importam tudo, da mídia do DVD até a caixinha do jogo. Falta é vontade dessas empresas de começarem a imprimir os jogos em território nacional. Aí sim os preços vão lá pra baixo.
Falta é vontade dessas empresas de começarem a imprimir os jogos em território nacional.
Qualquer solução que você imaginar, em algum ponto da equação são sim os impostos que irão inviabilizar o negócio. Pra ficar só na sua sugestão, prensar o software no Brasil esbarra em empecilhos: não há escala, prq os consoles não existem oficialmente e não é possível mensurar o tamanho do mercado; é necessário equipamento específico que as companhias que produzem CDs e DVDs não possuem, e são pouquíssimas fábricas no mundo aptas a prensar esses jogos etc. Existem motivos para existir China, importação e exportação, comércio global. Não é um problema de solução simples como “falta vontade”.
No mais, antes de entender de carga tributária, vamos entender o significado do termo “custo Brasil”.
Achei interessante ele comentar sobre o futuro das revistas de videogame. Eu concordo sobre a necessidade de mudança nas publicações. Revista de videogame tem que ir muito além dos detonados e notícias, coisas que a gente acha fácil na internet, hoje em dia.
Mercado de PC definhando? erm….
WOW = PC, AoC = PC, todos os grandes titulos sao lançados para PC depois de um tempo nos consoles.
PC nunca deveria ser comparado a console afinal não é um brinquedo e sim uma ferramenta multifuncional que inclusive pode ser para entretenimento. Console nunca vai ser isso!!!!
Eu tenho meu XBOX360
mas nao dispenso minha Celerity por nada
Gostei muito da entrevista. É muito bom poder ter a visao de outras pessoas que estao à frente na cobertura dos games. Eu tambem gostaria muito de ver as mesmas coisas em breve no Brasil, como Live, 3 consoles oficialmente, lancamentos simultaneos etc… Tenho uma pergunta: É claro que a maioria das publicaçoes tanto na internet como midia impressa e televisiva sao um tanto quanto tendenciosas pro lado do Playstation (nao preciso citar nomes). Imagino que por a maioria das pessoas terem PS1 e 2 e os lucros serem maiores pra quem investe nessa marca. Mas sendo que o Play3 nao é adotado como uso massivo aqui no Brasil pq as midias citadas ainda continuam na parcialidade?? Pq ainda sao tendenciosas com a marca Playstation??
Pô Leo, tudo bem que você quer vender seu peixe, mas chamar os consoles atuais de “brinquedo” foi meio ridículo.
Caraca, o OuterSpace já foi o melhor site de games… agora se perdeu, trocou de ‘casa diversas vezes e vive de copiar a gamespot e publicar vídeos do gametrailers, é algo deprimente. O pior é a forma autoritária que o Dono do site trata a comunidade, ignorando opiniões, apagando tópicos, forçando usuários a migrar para outros fórums como o UOL e até Ovelha Inflável… já fui usuário assíduo, agora ñ consigo nem ver a logomarca de tanta repulsa… RIP OuterSpace foi bom enquanto durou.
Comecei a acompanhar o Site Outerspace na década de 90, hoje muito feliz por ser a primeira entrevista que leio tendo como base, digamos o alicerce do Site.
Fico chateado logo de cara com o 1° comentário, a verdade é que o estouro da internet no Brasil veio a calhar com ascensão da marca Playstation, a Outerspace era o Site TOP da época e muitos dos usuários que acessavam o site e o fórum eram adeptos da marca Playstation, criticar a OS por isso é desrespeitar parte da historia Gamer do país!
Outra coisa o Fórum da OS é a meu ver muito organizado e exemplo para quem quer aprender e ter boas discussões sobre games.
Ótima entrevista e continuem caprichando na OS.
Cara de pau em alguns pontos…
O cara simplesmente abandonou o site OuterSpace e hoje em dia tá aquela coisa medíocre, com notícias copiadas.
OuterSpace já foi um site decente.
Gostei mt da entrevista! As pessoas se esquecem q quase nada do q jogam eh lancado oficialmente no Brasil, por isso sai td caro e informacoes sao escassas.
Alias, nao foram os EUA q proibiram o Brasil de abrir uma fabrica de softwares?
T+
Gostei muito da entrevista.
Haha muito ’sonhadoras’, diria bem clichê as respostas, o Wii já ganhou? Lembro quando o OuterSpace afirmou que o Nintendo DS era o portátil errado em um momento errado (quando comparado ao PSP) por que covenhamos todos sabemos que o staff do site é sonysta roxo.
No entanto, o que temos hoje em relação ao Psp e DS, qual era o portátil errado rsrsrs
DS massacra, até consoles de mesa no quesito vendas.
Na boa e clara linguagem popular: Entreviste pessoas mais interessantes e conhecedoras do assunto em questão.
Esse cara ñ manja nada, NA DA !