Ele disse “só”
Hoje é um dia triste.
Um acidente automobilístico tirou a vida do amigo William Bispo Domingos, mais conhecido (por quem trabalhou com ele) como Will. Quando entrei na Conrad, em 1998, ele já estava lá havia um tempo. Na editora, ele fez de tudo. Foi boy, trabalhou na assistência dos computadores, preparou imagem. Fez de tudo e enxergou, ainda que de longe, a criação de publicações como Nintendo World, Pokémon Club e EGM Brasil.
E jogava Winning Eleven como poucos ali (o Ronny Marinoto que o diga…). E Marathon (o precursor do Halo nos computadores Mac) também. Apesar de não ter nada a ver com o trampo dele, o Will amava games. Se a salinha de jogos estava vazia, ele logo tratava de ocupá-la. Teve uma época que ninguém sabia ao certo o que ele fazia lá, mas tudo bem. De pouquíssimas palavras (algumas de suas expressões são clássicas entre ex-conradianos), o cara era gente finíssima, estava sempre de bom humor e não havia quem não curtisse aquele jeito dele.
Quando fui editor da EGM, entre 2004 e 2006, o Will havia sido promovido: ele trabalhava na pré-impressão, ou seja, era ele quem prepara os arquivos digitais das páginas da revista antes de manda-las para a gráfica. Era o cara que pegava os últimos errinhos, as imagens sem resolução, e avisava, de um jeito só dele: “Essa tela tá tosca. Tem que mudar”, ou: “Deu pau no arquivo, manda de novo”. Várias madrugadas e manhãs passamos na redação, enviando pdfs para a gráfica e vendo o sol nascer quadrado. A revista no bico do corvo, praticamente atrasada, e ele estava lá no fechamento, os olhos vermelhos, quase dormindo sentado, disparando arquivos gigantes, telefonando pra ver se as páginas chegaram. Ponta firme.
Em 2006, ele se machucou feio e ficou de licença médica. Ficou meses sem trabalhar. Nesse meio tempo, mudei de emprego, deixei a editora e nunca mais o vi. Quando ele retornou ao batente, fiquei sabendo que pouco depois ele deixara a editora. E não sei o que foi feito dele desde então. Tinha notícias esporádicas de algumas pessoas que ainda estavam próximas. Sempre desejava o melhor pra ele, onde quer que estivesse. Ontem de noite mesmo, pensei no Will, meio sem querer. E aí, aconteceu.
Essa lembrança é minha forma de homenagear um cara muito legal, que se foi cedo demais. Will, firmeza total, onde estiver.

Não convivi muito com o Will, mas o tempo em que trabalhei ao lado dele (e depois disso também), só me fez ver como ele era bacana.
Assim como o Renato, eu também era todo preocupado quando comecei a trabalhar para as revistas de games da Conrad. Como ele sempre jogava Winning Eleven, acabei sempre sendo “o próximo” no jogo.
Eu pegava o Barcelona e sempre que o Ronaldinho pegava na bola, o Will largava essa: “Olha o robô. Esse Ronaldinho é um robô. Não dá para roubar a bola dele”. Aí, quando eu fazia gol com o dentuço, ele dizia: “Olha aí, não falei. Não vale mais jogar com o Ronaldinho”.
Cara, tu foste muito cedo, mas deixou sua marca por aqui. Tenho somente ótimas lembranças suas. Obrigado pelas partidas de WE, por me ensinar as gírias paulistas e pelos papos sempre cabeça. Fica com Deus!
Tu vai fazer falta véi, da última vez que te vi foi num show do Trama universitário e a gente ficou d chamar os amigos da antiga Conrad pra ir pra maresias e fazer um churras, isso já faz mais de dois anos e agora que a cidade te levou embora fica o vazio da promessa de reencontro nunca realizado.
Que %!@$&@#
u_u fiquei sabendo por alto… quem diria, meu “vizinho”(bairro próximo ao dele, uns meses atrás estávamos no mesmo busão… “e ae, mano, ainda trampando com revista?” – abordagem no busão), mesmo não tendo conhecido o cara há anos como muitos da Conrad, de fato o cara tinha carisma suficiente para dar a impressão de que era conhecido de séculos. Que esteja bem, onde estiver u_u
Triste lembrar como a vida é frágil. Também já não via o Will há algum tempo, mas quando o Mateus Reis me deu a notícia logo vieram as boas lembranças do cara.
Jogar Winning Eleven na salinha de jogos foi apenas uma delas. Ali “o bicho pegava”! Eramos amigos, mas cada um defendia a camisa do seu clube (dentro e fora do campo). Eu reclamava do juíz (todo mundo sabe que o juíz era ladrão em várias versões de WE) e ele ria. Era sempre Holanda X Brasil. O Ronaldinho dele contra o meu Nistelrooy.
O Will era um cara simples e de amizade fácil. Ótima companhia para todos os momentos. Se fosse para tomar uma “birra” no buteco então! Perfeito.
Rezei pela sua alma e fiz questão de pensar nele durante aquele dia, pois acredito que seja possível enviar-lhe boas vibrações e pensamentos positivos. Firmeza, Will!
“Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.” (Carl Sagan)
http://img123.imageshack.us/img123/8285/ronnywillbi0.jpg
Na foto (http://img123.imageshack.us/img123/8285/ronnywillbi0.jpg) eu e o Will dançamos enquanto o Pablo manda suas vibrações da escuridão.
É impressionante como esses relatos nos fazem lembrar da alma da pessoa…
Em todas as vezes que eu passava na Conrad, era inevitável trombar com o Will e sua simpatia. Por menor contato que tinha com ele, aquela voz inconfundível, rolês, cervejas, jogadas de futi e marvel superheroes, pequenos papos cabeça e frases carimbadas como o “firmeza total” me fazem lembrar que cara legal ele era.
É sua herança Will: fica com Deus, que seu sorriso é eterno.