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29/05/2008 - 19:41

Ele disse “só”

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Hoje é um dia triste.

Um acidente automobilístico tirou a vida do amigo William Bispo Domingos, mais conhecido (por quem trabalhou com ele) como Will. Quando entrei na Conrad, em 1998, ele já estava lá havia um tempo. Na editora, ele fez de tudo. Foi boy, trabalhou na assistência dos computadores, preparou imagem. Fez de tudo e enxergou, ainda que de longe, a criação de publicações como Nintendo World, Pokémon Club e EGM Brasil.

E jogava Winning Eleven como poucos ali (o Ronny Marinoto que o diga…). E Marathon (o precursor do Halo nos computadores Mac) também. Apesar de não ter nada a ver com o trampo dele, o Will amava games. Se a salinha de jogos estava vazia, ele logo tratava de ocupá-la. Teve uma época que ninguém sabia ao certo o que ele fazia lá, mas tudo bem. De pouquíssimas palavras (algumas de suas expressões são clássicas entre ex-conradianos), o cara era gente finíssima, estava sempre de bom humor e não havia quem não curtisse aquele jeito dele.

Quando fui editor da EGM, entre 2004 e 2006, o Will havia sido promovido: ele trabalhava na pré-impressão, ou seja, era ele quem prepara os arquivos digitais das páginas da revista antes de manda-las para a gráfica. Era o cara que pegava os últimos errinhos, as imagens sem resolução, e avisava, de um jeito só dele: “Essa tela tá tosca. Tem que mudar”, ou: “Deu pau no arquivo, manda de novo”. Várias madrugadas e manhãs passamos na redação, enviando pdfs para a gráfica e vendo o sol nascer quadrado. A revista no bico do corvo, praticamente atrasada, e ele estava lá no fechamento, os olhos vermelhos, quase dormindo sentado, disparando arquivos gigantes, telefonando pra ver se as páginas chegaram. Ponta firme.

Em 2006, ele se machucou feio e ficou de licença médica. Ficou meses sem trabalhar. Nesse meio tempo, mudei de emprego, deixei a editora e nunca mais o vi. Quando ele retornou ao batente, fiquei sabendo que pouco depois ele deixara a editora. E não sei o que foi feito dele desde então. Tinha notícias esporádicas de algumas pessoas que ainda estavam próximas. Sempre desejava o melhor pra ele, onde quer que estivesse. Ontem de noite mesmo, pensei no Will, meio sem querer. E aí, aconteceu.

Essa lembrança é minha forma de homenagear um cara muito legal, que se foi cedo demais. Will, firmeza total, onde estiver.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:

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26 comentários para “Ele disse “só””

  1. Fabão disse:

    E vira e mexe sumia no meio do fechamento, quando todos precisavam dele. Brincávamos que o Will era um super-herói, estava certamente a salvar alguém em perigo. Quem dera fosse mesmo, ainda estaria entre nós, com seu jeito inconfundível.
    Will, abraços do lado de cá, meu velho.
    Meninão, parabéns pela bonita homenagem!

  2. Rogerio Motoda disse:

    Onde o Will estiver, que esteja “deitando o cabelo”, curtindo a vida numa boa, para sempre!

  3. Cleiton disse:

    eu posso dizer de boca cheia: o Will me ensinou coisas da vida que eu nao conhecia e mudaram minha vida pra sempre.

    Meu brother, guarda um spiritual blunt pra quando eu te encontrar em Zion.

  4. Aleksandro Botelho disse:

    Chorei. Foi assim que terminei de ler seu texto Meninão.

    Eu falei com o Will um tempo atrás, quando ele se machucou. Eu havia saído da editora, e fiquei sabendo que ele havia se machucado seriamente, e resolvi ligar.

    Como sempre, feliz, engraçado, e “firmeza total”. Estava feliz com a esposa, curtindo um chá de sofá, mas estava “firmão”.

    Fica somente saudades, a única certeza que tenho no momento foi que perdi um amigo de coração bondoso, gentil, e fiel.

    Por isso eu digo à vocês, se vocês enxergam que qualquer erro é passível de correção, que se alguma coisa foi quebrada e deixada para trás, que existe a mínima chance de fazer certo, lembrem que não é tarde demais.

    Sabe quando queremos fazer aquela ligação e a voz da mente diz: “Depois eu ligo com calma.”, estamos ERRADOS.

    Pega a %!@$&@#do telefone e liga agora, mesmo que for para estrapolar o silêncio de não ter o que dizer. Pensei semana passada em ligar para o Will, e chorei hoje por não ter ligado, por ter perdido a chance.

    Eu amo vocês amigos. Tenham sempre certeza disso. Mesmo longe, eu amo todos vocês.

    Will… essas horas tá batendo uma tela, Winning Eleven, jogando com o Barcelona e dando uma surra no Dimas… lá no céu!!!

  5. Antônio disse:

    Pablo, o texto está mais que bonito, o que dizer mais? Li com lágrimas… tô com o coração mole. Foi uma bonita homenagem! E eu que aparecia pouco por lá me lembro perfeitamente do Will. “E, aí, firmeza, tio?” Que perda!!! e que vida besta, sô!

  6. André Faure disse:

    O Will, cara. Quanto tempo. E quantas sumidas na hora H do fechamento. E quantas vezes ele estava lá para nos salvar.
    Essa é pra nos lembrar da efemeridade da vida. Meninão, linda homenagem. Falou por todos nós.

  7. Renatinho disse:

    Não sabia dessa, fiquei meio chocado. Nessa horas não sei falar bonitinho. Só consigo pensar “mas que %!@$&@#..”

  8. Viviane Garcia disse:

    O Will era só sorrisos, só abraços, só alegria.. Mas que tristeza enorme saber que nunca mais aquela “vozinha rouca” dizendo “Só”…
    Will… Parceria forte e muito mais enfatizada em 2005/2006 qdo erámos os quatro “escuros” da Editora (Marcelos, Eu e Ele…). Qtas cervejas, qtos pagodes de sexta depois do expediente… Vivemos!
    Eu amo o Will eternamente. Luta negra d+!

  9. Ale_Monti disse:

    É isso aí Pablo. Ontem fui ao sepultamento. Um lindo arco-íris se formou! É o pessoal lá de cima recebendo o cara de braços abertos. Este merece tudo de bom onde estiver.

  10. J R Ferraz, vulgo Jo disse:

    Pãããtz, Pablo… sem palavras..

    Vou usar uma das suas expressões, então.

    Will, um abraço pra você e quem for da sua família!

  11. Trivella disse:

    %!@$&@#.. meu brother foi embora. São-paulino roxo que era, me causava dor de cabeça sempre que os bambis eliminavam o Palmeiras da Libertadores. No último clássico, quando o verdão meteu uma goleada no tricolor, convidei o cara pra queimar um gato e assistir lá em casa. Mas ele estava trampando e não pôde ir. No dia seguinte, liguei pra ele pra tirar uma onda e rimos pra caramba. Pena que foi a última vez que fizemos isso.
    Ainda cheguei a ir uma ou duas vezes na casa dele depois disso. Acho que a última foi há uns 15 ou 20 dias atrás e ficou a promessa: “Vamos fazer aquele churras logo mais. Ou eu vou lá ou você vem aqui”. Não deu tempo. Cacete. Promessa é uma %!@$&@#mesmo. Faz logo o que você quer porque o relógio tá correndo.
    Eu, que tenho um bronzeado de Drácula, costumava falar que o cara era meu irmão preto. Ele achava graça e concordava. Aliás, eramos três irmãos naquela época de Conrad: Will, Denis “Tchesco” (que também estava ontem no funeral) e eu. Todo dia no rolê, (quase) todo dia na cervejada. Muita conversa, muita idéia, muita saudade. A parceria entre nós era firmeza – quando um não agüentava, o outro carregava.
    O Ale Monti disse que se formou um arco-íris no céu durante o sepultamento. Mas o Will foi um cara especial e mereceu mais: atrás desse principal, havia um segundo arco-íris, menos nítido e colorido, mas ainda assim ele estava lá. Nunca vi uma coisa tão bonita no céu.
    Chorei ontem, choro hoje e ainda vou sentir o peito apertado por um tempo pela perda desse meu grande irmão. Vai na fé, camarada.

  12. Homero Letonai disse:

    “Oh que firmeza!” -Will

  13. Eduardo Fidelis disse:

    Altos roles com esse brother, sempre foi a cara da Conrad, ponta firme, will. Vai com Deus!

  14. Solange disse:

    É pessoal, faço de suas palavras as minhas, precisamos ver que o tempo está passando e as pessoas queridas merecem atenção hoje, enquanto é tempo !!! O Will é uma pessoa que sempre estará em nossos corações. Penso que Deus o recebeu de braços abertos!

  15. Ana Franco disse:

    Não consigo falar nada… apenas… sniiiif
    Will, como assim imagem em RGB??
    oh, mannnnnnnn! sniiiif

  16. Testa disse:

    “Aceita um desafio?” – Só se for agora, mano! Era assim que eu respondia para o cara com quem trabalhei pouco, mas que fez a diferença em muitas ocasiões… É, o Will sempre fazia a diferença!

    “Hã… tira o memory card”… frase clássica! Não há muito o que dizer, a voz já está embargada, e o nó na garganta só aperta.

    Fica bem aí, mano velho!

  17. Odair Braz Junior disse:

    Conhecia o Will há uns dez anos. Na verdade mais até. Eu frequentava a Paróquia de São Patrício, lá no Rio Pequeno, e ele também. Eu sou mais velho do que ele e lembrava de vê-lo na missa, ainda molecão. Tempos depois, o Rogerinho (Valadares), que trabalhava de boy na Conrad, foi promovido e chamou o Will para ocupar sua vaga. Eles moravam na mesma rua.

    Depois de um tempo em o Will estava trabalhando na Conrad, comecei a ir de carro e ofereci carona pra ele, já que morava perto da minha casa. Praticamente todos os dias, cedinho (umas nove da manhã), eu passava na casa dele. No começo dessa época ele estava lá pontualmente. Mas com o tempo ele foi dando uma relaxada. Às vezes chegava a esperá-lo quase dez minutos. O que me deixava puto, claro. Afinal tinha que fechar revista, atualizar o site, essas coisas…

    Mas nunca briguei com o Will. Gostava muito dele, desse jeitão aí que o Pablo e que as outras pessoas que o conheceram escreveram nos comentários.

    Aliás, Souto, também pensei no Will esses dias. Duas vezes, pra ser mais preciso. Pensei nele nessas útlimas semanas e fiquei elocubrando o que ele estaria fazendo, onde tava trampando, se estava morando junto com a Adriana, enfim… Quis vê-lo, saber dele e só soube de tudo ontem, quando o Pablo me ligou. Não consegui ir ao enterro. Fico triste por isso, mas talvez seja melhor ter a lembrança dele jogando bola, jogando Winning Eleven, falando “só” ou “é novas”.

    Enfim, abração, Will. Vai com Deus.

  18. Mateus disse:

    não dá pra se conformar. eu não fui muito próximo do will, mas em todas as vezes que trombei ele (na conrad, jogando bola, no rolê), ele sempre foi muito firmeza, sem papo atravessado, idéia errada, conversa furada. cara tru demais mesmo. dói mais ainda saber que ele deixou mulher e um filho pequeno. espero que fique tudo bem com eles, e que os amigos fiquem perto nessa hora tão difícil.

    valeu a homenagem, pablito, e valeu também o comentário de todo mundo aqui (especialmente o do trivas). coisa linda de se ver mesmo.

    parabéns ao will por ter deixado tanta vibe boa pra trás.

  19. Aleksandro Botelho disse:

    %!@$&@#.. vou ler esse comentários tá dificil.

    “Esse Testa é cheater Alek! O maluco sempre que vai jogar comigo vai lá e empurra mais o memory card.”

    “Aí truta… esse bunequinho tá correndo demais hein mano.”

    “Vai Henry! Vai Henry! Vai Henry! Affff maaaaaano, olha esse gol! Parei! Parei!”

  20. Renato Siqueira disse:

    Cara, quando eu entrei na Conrad o Will me enchia o saco! Eu não manjava nada de como era trabalhar numa redação Full-time escrevendo. Eu queria fazer tudo certinho e era meio travadão. Mas com o Will não tinha essa. Junto com a galera da redação trocavam a minha cadeira de lugar, escondiam as minhas coisas todos os dias e eu ficava puto..rs.. Eu me lembro do Will no começo parecia aquele “faxineiro” lá do seriado Scrubs que tá sempre aparecendo do nada e dizendo: “E aí cara! Qual é a sua, mano?” Eu ficava louco da vida!..rs..
    Só que tinha um momento certo que a galera se encontrava, na hora do pau na Marvel Superheroes, a máquina que a Capcom esqueceu na Conrad..rs.. Havia uma certa hora do dia em que o Will tava de boa, aí ele vinha: “Chega aí, vamo tirar uma!” E a gente ia jogar. Junto com a gente ia a galera da redação que tava de bobeira e fazíamos um campeonatinho todas as tardes. Tomei vários paus do Will com o Homem-Aranha.
    Eu me lembro que uma vez a máquina quebrou e todo mundo ficou fuçando até consertar. Aquela hora do Marvel era sagrada. E foi naquele momento que eu percebi que o cara que pegava no meu pé, na verdade era um cara bacana. Um dia a gente papeou e ele me disse: “Fica de boa velho! Os caras zoam pq você se importa e engraçado!”. Acho que foi com ele que eu aprendi que têm certos momentos na vida em que a gente tem que desencanar. Relaxar com as brincadeiras.
    Eu acho que agora que estou com 30 anos, sinto que a vida realmente começou e por isso não aceito que o destino tenha levado uma pessoa assim tão cedo. Quando fiquei sabendo fiquei muito triste.
    Nos últimos tempos da Conrad velha, a galera subia no terraço pra troca idéia e fumar. Ele vinha: “Quer aí?” e eu recusava, mas ainda assim ficava ali com a galera papeando e ouvindo a zoeira. Will sempre foi sussa, engraçado, tinha um jeito todo especial de ser… Por isso que ele durou tanto tempo na Conrad. A gente saiu, o cara ficou lá muito tempo. Ficou porque era bom. Foi parte da história daquele lugar que todo mundo compartilhou. Eu fico feliz que, mesmo estando separados, a gente ainda se encontre quando é necessário. O Will sempre esteve lá na Conrad, não dá pra pensar na editora sem ele… é uma lembrança que não se apaga.
    E se existe um céu pra onde todos iremos com certeza um dia vamos reencontrá-lo. Deus com certeza o aceitou de braços abertos. Se bobear, os dois tão tirando uma de Marvel Superheroes.

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