Hier Spielen Wir
Estou na Alemanha há pelo menos uma semana (sim, o tempo voa quando estamos nos divertindo!), e somente ontem consegui chegar próximo da civilização. Estou passando uns dias em uma remota fazenda alemã levantada no século 19, onde participei de uma cerimônia de casamento – não como noivo, mas como padrinho. Diferente do que se pode imaginar, uma fazenda na Alemanha é algo muito moderno. Todas as residências possuem conexão wi-fi, TV a cabo e, naturalmente, luz elétrica. É a perfeita conjunção do contemporâneo e o antigo. Só vendo mesmo para crer.
Ontem, fui até Hamburg, a maior cidade nas proximidades, e também uma das grandes metrópoles alemãs. Tinha que conferir como anda o mercado de games do país. A Alemanha, neste caso, nada tem a reclamar. Todos os consoles de nova geração foram lançados aqui, PC e PlayStation 2 ainda bombam, e o DS, ao que parece, é um sucesso (apesar de que o PSP não fica muito atrás). A oferta de games antigos é boa, e eles são vendidos por um preço acessível. Os jogos novos são oferecidos aos montes, e as empresas investem em merchandising bacana pra chamar a atenção – veja a foto do herói de Bioshock e sinta o drama (vale dizer que fui apenas um entre os muitos que passaram em frente ao Big Daddy e tiraram seus instantâneos digitais).

Big Daddy spielt gern Fussball
Na megastore Saturn, onde passei o dia, me surpreendeu a quantidade de espaço destinado aos games – mais da metade de um andar. Outra coisa interessante, e que até me fez rir, é que todos os displays de games traziam uma placa grande, na qual era possível ler a inspiradora mensagem “Primeiro, Escola. Depois, Jogar” (Erst Schule, Dann Spielen). Nenhum game pode ser experimentado nas lojas antes das 14h – horário no qual, supostamente, as aulas já terminaram. Vi muitos marmanjos tentando jogar o último Pro Evolution Soccer, sem sucesso.

Erst Schule, Dann Spielen – assim diz a placa
Jogos, acessórios, consoles – absolutamente tudo estava disponível, por precinhos camaradas, em Euro (lembre-se que 1 Euro equivale a 2,82 reais, mais ou menos). Até dava vontade de comprar alguma coisa, mas aí eu me lembrava que o sistema de cor europeu é diferente do norte-americano, e desistia. A oferta de games para Nintendo DS era absurda: havia games que eu jamais tinha ouvido falar na vida. Coisas que os alemães adoram, como criação de cavalo, se tornam games por aqui. Fiquei curioso, mas o DS, certamente, também tem esse problema de sistema diferente e incompatibilidade. [diz o Gus que os games pra DS e PSP são "region free". Ok. Mas não vou comprar nada mesmo assim...] Aí, me lembrei que não tenho um DS. Resolvi ir até a seção de jogos de cartas e tabuleiro, que ali eu não teria problemas se resolvesse comprar um.
Outra coisa que sempre me surpreende aqui é a quantidade absurda de revistas especializadas em jogos eletrônicos. O alemão adora ler, e essa paixão é saciada por uma produção editorial farta e variada. Em uma rápida olhada, vi três revistas especializadas em Wii, uma sobre jogos “móveis”(celular, DS e PSP), três sobre Xbox 360, umas duas sobre PS3, e, claro, várias sobre games para PC. A Gamestar é a mais importante, e também a mais cara (uns 5 Euros). Não comprei nenhuma. Talvez pegue uma no Aeroporto amanhã, quando viajo pra Barcelona.

Dá inveja ou não dá?
Passei meia hora na livraria, tempo o bastante para notar que, pelo menos na Alemanha, o estereótipo do gamer funciona perfeitamente: só se aproximavam das revistas de games homens, na faixa dos vinte e poucos anos, de mochila, casaco, óculos e espinhas. Não vi uma única garota na área destinada aos games da megastore Saturn também. Nem crianças, pra falar a verdade. Game, aqui, é coisa de homem mesmo. Não sei se dá para chegar a uma conclusão desse tipo só com a observação, mas acho que a constatação combina bem com a imagem que tenho do “alemão médio”. Qualquer hora me aprofundo mais sobre isso.
E amanhã, vôo de novo. Continuo lá da Espanha.
***
Enquanto isso, escuto notícias esquisitas do Brasil. Proibiram o Bully, é mesmo? Que ridículo. E GTA IV será o próximo? Deveriam proibir o Paciência, ou o Jogo da Cobra, logo de uma vez. Isso está passando dos limites, não acha?
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
O game Bully teve sua importação, distribuição e comercialização proibida no estado do Rio grande do sul.
A iniciativa de proibir o game partiu do ministerio público do Rio grande do sul.
Primeiro Counter-Strike e Everquest,agora Bully.Quanto ao GTA, pode ter certeza que quando algum juíz ver seu filho jogando o game, também proibirar o game aqui no Brasil. Ate quando os games serão as únicas vítimas dessa onda do “politicamente correto”?
Pablo around the world!!
Olá Pablo
O DS não tem problema de imcompatibilidade entre regiões. Comprei vários jogos em Barcelona e uso normalmente no DS americano.
Pô Pablito, nem pra se inteirar um pouco sobre o Bioshock? Os Big Daddies são inimigos no jogo, não o herói.
E trava de região por sistema de cor? Nothing to see (nada a ver na língua do Guerra). Ainda mais nos portáteis, que são (e quase sempre foram) region-free.
Gus, nao foi o q ouvi dizer, mas se vc diz, eu acredito. Vou, por isso, comprar 20 games pra DS e vender pelo Audiogame.
E é claro que os Big Daddies são heróis. Deixa de ser maniqueísta. Herói é herói, seja do bem ou do mal.:)
Rodrigo, valeu a dica. Por alguma razão, achei que tivesse a trava… bem, vou comprar um monte e sair vendendo por aí.
Brincadeira.
Erst Schule, Dann Spielen
Isso sim é o tipo de campanha inteligente em uma sociedade civilizada. Quem sabe em uns 500 anos o Brasil chega lá.
No mais.. que inveja!!!
Boas férias, xará!
Pablo Raphael concordo contigo, depois das proibições que estão ai e outras que com certeza irão por vir, o Brasil está anos luz dos demais, até a Índia vai dar um chapéu em nós!
Falando em chapéu volto novamente a dizer; tudo o que não for futebol tem que ser proibido! Imagina Brasileiro jogando Bully? Que isso! Absurdo!
Tô até pensando fazer um jogo. Seria uma espécie de simulador de Escola de Samba.
O jogador seria o bicheiro… ops, desculpe! Um administrador de escola, onde teria que construir, alegorias, samba enredo, controlar o desfile, enfim tudo essas coisas de carnaval no estilo Sim City.
Detalhe: Iria ter sacangem também! Afinal o que adianta essa festança sem aquela sacanagem que é marca do carnaval.
Ai algum desocupado pergunta; Mas será que por causa da sacanagem o jogo não vai ser proibido?
Que nada! Como diz uma comediante:
Carnaval podiiii!
Achei incrível a quantidade de revistas de games que existem na Alemanha! Queria eu saber ler alemão…
É claro que você não estaria como noivo, seria uma piada! Hahahaha!
Ah, e traga uma revista de cada para mim, garoto carismático!!! hehehehe!!!
E aí Pablo tudo beleza?
Bela materia espero que daqui a alguns tempos você anuncie o lançamento de Sonic Unleashed.
Adoro o Sonic.
Ps: Pablo volte para Nintendo World pela mor de Deus.
O fato da Alemanha ter um padrão de consumo desse nível não tem nada a ver com ser ou não uma sociedade civilizada.
Esse é o padrão do mundo desenvolvido, se você tivesse tantos países com esse patamar, pode ter certeza, a economia mundial entraria em colapso.
O subdesenvolvimento é um negócio muito complexo, não o tratem como se fosse determinado apenas pela civilidade de uma nação.
AGUEAM FAÇA ALGUMA COISA!!!!
DEPOIS DO “LOBISONIC” ME VEM ESSA:
MORTAL KOMBAT VS DC UNIVERSE!!!
O MUNDO DOS GAMES ESTA FICANDO LOUKO?
Pablo também achei um absurdo proibirem o “Bully”. Esses caras não tem mais o que fazer e ficam metendo o nariz onde não entendem nada.
Valeu!!!
Ah! Comprei um Xbox 360 Elite. E ai fiz uma boa escolha?
Pablo, você é o cara!
As obras interativas sofrem pacas aqui no país. Acho que é uma conjuntura nefasta que abrange a cultura televisiva (os games roubam audiência deles), a marginalização da mídia interativa (sempre renegada a contrabando e pirataria) e preconceito pela própria ignorância da população e resistência ao novo. Tudo isto cria uma barreira atávica muito difícil de se ultrapassar. O próprio governo não ajuda com os impostos irresponsáveis e absurdos.
Posto que, com todos estes fatores, só vejo um jeito do mercado crescer e aparecer aqui. Precisa haver produção nacional, que use nossa cultura, não force a barra com temas polêmicos – e, o principal – com preços acessíveis.
É um longo caminho, infelizmente não será da noite pro dia e vai depender de muitos esforços pessoais e abnegados. Mas temos a chance (bastante difícil de se vislumbrar) de criar uma linguagem nacional, que inexiste, ainda.
Hehe, continuo sonhando…
Fala ae, Pablo. Como sempre mochileiro de plantão, hehe. O mais legal é conseguir trazer umas “muambas” dessas viagens.
Por aqui no Rio ví poucas lojas de games desse calibre, ou pelo menos parecidas. O problema são os preços, e parece que quanto maior a loja mais caro fica.
“Aí, me lembrei que não tenho um DS”, quando lí isso acabei tendo uma catarse.
Valeu!
Abraços!
puts… quantidade de revistas não to nem ai…. eu quero é qualidade aliada a diversão…. em outras palavras eu quero a gamers mesal como era antigamente… e tenha dito.