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15/04/2008 - 15:59

Hier Spielen Wir

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Estou na Alemanha há pelo menos uma semana (sim, o tempo voa quando estamos nos divertindo!), e somente ontem consegui chegar próximo da civilização. Estou passando uns dias em uma remota fazenda alemã levantada no século 19, onde participei de uma cerimônia de casamento – não como noivo, mas como padrinho. Diferente do que se pode imaginar, uma fazenda na Alemanha é algo muito moderno. Todas as residências possuem conexão wi-fi, TV a cabo e, naturalmente, luz elétrica. É a perfeita conjunção do contemporâneo e o antigo. Só vendo mesmo para crer.

Ontem, fui até Hamburg, a maior cidade nas proximidades, e também uma das grandes metrópoles alemãs. Tinha que conferir como anda o mercado de games do país. A Alemanha, neste caso, nada tem a reclamar. Todos os consoles de nova geração foram lançados aqui, PC e PlayStation 2 ainda bombam, e o DS, ao que parece, é um sucesso (apesar de que o PSP não fica muito atrás). A oferta de games antigos é boa, e eles são vendidos por um preço acessível. Os jogos novos são oferecidos aos montes, e as empresas investem em merchandising bacana pra chamar a atenção – veja a foto do herói de Bioshock e sinta o drama (vale dizer que fui apenas um entre os muitos que passaram em frente ao Big Daddy e tiraram seus instantâneos digitais).


Big Daddy spielt gern Fussball

Na megastore Saturn, onde passei o dia, me surpreendeu a quantidade de espaço destinado aos games – mais da metade de um andar. Outra coisa interessante, e que até me fez rir, é que todos os displays de games traziam uma placa grande, na qual era possível ler a inspiradora mensagem “Primeiro, Escola. Depois, Jogar” (Erst Schule, Dann Spielen). Nenhum game pode ser experimentado nas lojas antes das 14h – horário no qual, supostamente, as aulas já terminaram. Vi muitos marmanjos tentando jogar o último Pro Evolution Soccer, sem sucesso.


Erst Schule, Dann Spielen – assim diz a placa

Jogos, acessórios, consoles – absolutamente tudo estava disponível, por precinhos camaradas, em Euro (lembre-se que 1 Euro equivale a 2,82 reais, mais ou menos). Até dava vontade de comprar alguma coisa, mas aí eu me lembrava que o sistema de cor europeu é diferente do norte-americano, e desistia. A oferta de games para Nintendo DS era absurda: havia games que eu jamais tinha ouvido falar na vida. Coisas que os alemães adoram, como criação de cavalo, se tornam games por aqui. Fiquei curioso, mas o DS, certamente, também tem esse problema de sistema diferente e incompatibilidade. [diz o Gus que os games pra DS e PSP são "region free". Ok. Mas não vou comprar nada mesmo assim...] Aí, me lembrei que não tenho um DS. Resolvi ir até a seção de jogos de cartas e tabuleiro, que ali eu não teria problemas se resolvesse comprar um.

Outra coisa que sempre me surpreende aqui é a quantidade absurda de revistas especializadas em jogos eletrônicos. O alemão adora ler, e essa paixão é saciada por uma produção editorial farta e variada. Em uma rápida olhada, vi três revistas especializadas em Wii, uma sobre jogos “móveis”(celular, DS e PSP), três sobre Xbox 360, umas duas sobre PS3, e, claro, várias sobre games para PC. A Gamestar é a mais importante, e também a mais cara (uns 5 Euros). Não comprei nenhuma. Talvez pegue uma no Aeroporto amanhã, quando viajo pra Barcelona.


Dá inveja ou não dá?

Passei meia hora na livraria, tempo o bastante para notar que, pelo menos na Alemanha, o estereótipo do gamer funciona perfeitamente: só se aproximavam das revistas de games homens, na faixa dos vinte e poucos anos, de mochila, casaco, óculos e espinhas. Não vi uma única garota na área destinada aos games da megastore Saturn também. Nem crianças, pra falar a verdade. Game, aqui, é coisa de homem mesmo. Não sei se dá para chegar a uma conclusão desse tipo só com a observação, mas acho que a constatação combina bem com a imagem que tenho do “alemão médio”. Qualquer hora me aprofundo mais sobre isso.

E amanhã, vôo de novo. Continuo lá da Espanha.

***

Enquanto isso, escuto notícias esquisitas do Brasil. Proibiram o Bully, é mesmo? Que ridículo. E GTA IV será o próximo? Deveriam proibir o Paciência, ou o Jogo da Cobra, logo de uma vez. Isso está passando dos limites, não acha?

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:

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17 comentários para “Hier Spielen Wir”

  1. Tiago disse:

    O game Bully teve sua importação, distribuição e comercialização proibida no estado do Rio grande do sul.
    A iniciativa de proibir o game partiu do ministerio público do Rio grande do sul.
    Primeiro Counter-Strike e Everquest,agora Bully.Quanto ao GTA, pode ter certeza que quando algum juíz ver seu filho jogando o game, também proibirar o game aqui no Brasil. Ate quando os games serão as únicas vítimas dessa onda do “politicamente correto”?

  2. Renata disse:

    Pablo around the world!!

  3. Rodrigo Garcia da Si disse:

    Olá Pablo

    O DS não tem problema de imcompatibilidade entre regiões. Comprei vários jogos em Barcelona e uso normalmente no DS americano.

  4. GUS disse:

    Pô Pablito, nem pra se inteirar um pouco sobre o Bioshock? Os Big Daddies são inimigos no jogo, não o herói.

    E trava de região por sistema de cor? Nothing to see (nada a ver na língua do Guerra). Ainda mais nos portáteis, que são (e quase sempre foram) region-free.

  5. Pablo Miyazawa disse:

    Gus, nao foi o q ouvi dizer, mas se vc diz, eu acredito. Vou, por isso, comprar 20 games pra DS e vender pelo Audiogame.

    E é claro que os Big Daddies são heróis. Deixa de ser maniqueísta. Herói é herói, seja do bem ou do mal.:)

  6. Pablo Miyazawa disse:

    Rodrigo, valeu a dica. Por alguma razão, achei que tivesse a trava… bem, vou comprar um monte e sair vendendo por aí. :)
    Brincadeira.

  7. Pablo Raphael disse:

    Erst Schule, Dann Spielen

    Isso sim é o tipo de campanha inteligente em uma sociedade civilizada. Quem sabe em uns 500 anos o Brasil chega lá.

    No mais.. que inveja!!!

    Boas férias, xará!

  8. Marcos Diniz disse:

    Pablo Raphael concordo contigo, depois das proibições que estão ai e outras que com certeza irão por vir, o Brasil está anos luz dos demais, até a Índia vai dar um chapéu em nós!

    Falando em chapéu volto novamente a dizer; tudo o que não for futebol tem que ser proibido! Imagina Brasileiro jogando Bully? Que isso! Absurdo!

    Tô até pensando fazer um jogo. Seria uma espécie de simulador de Escola de Samba.

    O jogador seria o bicheiro… ops, desculpe! Um administrador de escola, onde teria que construir, alegorias, samba enredo, controlar o desfile, enfim tudo essas coisas de carnaval no estilo Sim City.

    Detalhe: Iria ter sacangem também! Afinal o que adianta essa festança sem aquela sacanagem que é marca do carnaval.

    Ai algum desocupado pergunta; Mas será que por causa da sacanagem o jogo não vai ser proibido?

    Que nada! Como diz uma comediante:

    Carnaval podiiii!

  9. Pedro Ivo disse:

    Achei incrível a quantidade de revistas de games que existem na Alemanha! Queria eu saber ler alemão…

  10. Bruna Torres disse:

    É claro que você não estaria como noivo, seria uma piada! Hahahaha!

    Ah, e traga uma revista de cada para mim, garoto carismático!!! hehehehe!!!

  11. Pablo Diehl da Silva disse:

    E aí Pablo tudo beleza?
    Bela materia espero que daqui a alguns tempos você anuncie o lançamento de Sonic Unleashed.
    Adoro o Sonic.

    Ps: Pablo volte para Nintendo World pela mor de Deus.

  12. Alexandre disse:

    O fato da Alemanha ter um padrão de consumo desse nível não tem nada a ver com ser ou não uma sociedade civilizada.
    Esse é o padrão do mundo desenvolvido, se você tivesse tantos países com esse patamar, pode ter certeza, a economia mundial entraria em colapso.
    O subdesenvolvimento é um negócio muito complexo, não o tratem como se fosse determinado apenas pela civilidade de uma nação.

  13. Edes disse:

    AGUEAM FAÇA ALGUMA COISA!!!!

    DEPOIS DO “LOBISONIC” ME VEM ESSA:

    MORTAL KOMBAT VS DC UNIVERSE!!!

    O MUNDO DOS GAMES ESTA FICANDO LOUKO?

  14. Luciano disse:

    Pablo também achei um absurdo proibirem o “Bully”. Esses caras não tem mais o que fazer e ficam metendo o nariz onde não entendem nada.
    Valeu!!!
    Ah! Comprei um Xbox 360 Elite. E ai fiz uma boa escolha?

  15. Filippe Barreto disse:

    Pablo, você é o cara!

    As obras interativas sofrem pacas aqui no país. Acho que é uma conjuntura nefasta que abrange a cultura televisiva (os games roubam audiência deles), a marginalização da mídia interativa (sempre renegada a contrabando e pirataria) e preconceito pela própria ignorância da população e resistência ao novo. Tudo isto cria uma barreira atávica muito difícil de se ultrapassar. O próprio governo não ajuda com os impostos irresponsáveis e absurdos.

    Posto que, com todos estes fatores, só vejo um jeito do mercado crescer e aparecer aqui. Precisa haver produção nacional, que use nossa cultura, não force a barra com temas polêmicos – e, o principal – com preços acessíveis.

    É um longo caminho, infelizmente não será da noite pro dia e vai depender de muitos esforços pessoais e abnegados. Mas temos a chance (bastante difícil de se vislumbrar) de criar uma linguagem nacional, que inexiste, ainda.

    Hehe, continuo sonhando…

  16. Leonardo Marinho disse:

    Fala ae, Pablo. Como sempre mochileiro de plantão, hehe. O mais legal é conseguir trazer umas “muambas” dessas viagens.
    Por aqui no Rio ví poucas lojas de games desse calibre, ou pelo menos parecidas. O problema são os preços, e parece que quanto maior a loja mais caro fica.
    “Aí, me lembrei que não tenho um DS”, quando lí isso acabei tendo uma catarse.
    Valeu!
    Abraços!

  17. joker atomic disse:

    puts… quantidade de revistas não to nem ai…. eu quero é qualidade aliada a diversão…. em outras palavras eu quero a gamers mesal como era antigamente… e tenha dito.

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