Eu protesto, tu protestas
Não, não estou de férias (pena!)
Estou de volta das trevas. Trevas não dos games, mas das mudanças – literalmente. Carregar caixas, empurrar mesas e catalogar anos de papéis não é algo muito fácil. Ainda mais quando são duas mudanças de uma vez só. Mas não é bom reclamar quando as mudanças são pra melhor. E neste caso, ambas são muito boas.
Tenho acompanhado de longe o caso da proibição de Counter-Strike e Everquest no Brasil. A pauta rolou na minha frente, mas acabei desistindo da matéria, visto que uma das figuras centrais do caso – o juíz mineiro que todos querem culpar – está de férias e não pode ser encontrado até depois do Carnaval. Muito conveniente. Portanto, o assunto passou batido, mas não incólume. Tenho acompanhado o barulho que a história tem feito na mídia e entre os colegas de profissão. Alguns deles, aliás estão fazendo a parte deles.
O site Liberdade Gamer, criado pelo Gus (Audiogame) e Douglas (Blogeek), tem servido de mural das lamentações e espaço para o público se manifestar sobre o assunto. Além de coletarem depoimentos de jornalistas (o meu foi o segundo, logo após o do Fabão), eles estão organizando alguns levantes interessantes. O mais bacana é um protesto neste sábado, 2 de fevereiro, no vão do MASP, na Avenida Paulista. Soube que estava marcado para o dia 10, mas foi adiantado, porque agora o assunto está quente (tem saído até na grande mídia, o que é bom). Vale também ressaltar como é bacana ver a nossa imprensa especializada se engajando e unindo forças para fazer alguma coisa. Seja como for o resultado, a intenção já vale muito.
Eu não sei se poderei comparecer em corpo (viajar? Talvez), mas estarei lá em espírito. Quem quiser fazer um barulhinho bom, bater umas latas e xingar uns políticos, deveria tentar ir. Presto aqui o serviço de utilidade pública:
Junte-se ao manifesto contra a proibição da venda e o recolhimento de Counter-Strike e EverQuest. Se você gosta de jogos, mesmo que não desses dois em especial, venha participar desse movimento para evitar ações arbitrárias como essa, que visam tirar a sua liberdade de escolha. Se o Ministério da Justiça já classifica os jogos, por que, então, proibir a venda de um produto que já é regulamentado pelo Estado? Não é suficiente a Classificação Indicativa? Onde fica a democracia? A liberdade de
escolha? Alegam que esses jogos são nefastos e podem causar danos a
crianças e adolescentes, mas atroz mesmo é tirar dos pais o poder de decidir o que é melhor para os seus filhos e quando. Alegam que os jogos fazem mal e, portanto, devem ser retirados do mercado. E quanto ao cigarro? E quanto à bebida? E quanto à venda de armas de fogo, não pudemos votar em plebiscito se teríamos ou não esse direito? Armas matam pessoas, no entanto, uma pessoa tem o direito de comprá-las. E querem proibir a venda de jogos.
O processo que determinou o recolhimento de Counter-Strike e EverQuest se originou do precedente que foi a proibição de Doom, Carmageddon, Mortal Kombat, Postal e outros jogos anteriormente no Brasil. Essa nova proibição pode criar um novo e perigoso precedente. Não permita que isso aconteça. Junte-se a nós no manifesto pacífico contra proibição de jogos, o manifesto pela liberdade gamer. Chame os seus amigos e, inclusive, seus pais para esse ato de cidadania pró-democracia.
Quando? Sábado, dia 2 de fevereiro de 2008, às 11h
Onde? Avenida Paulista NO VÃO DO MASP
Como? Basta chegar e se juntar à multidão. Se quiser, pode levar placas ou vir vestido a caráter.
Por que? Para evitar a proibição de jogos, educando a população e o poder público sobre os benefícios dos jogos eletrônicos
Tá falado. E aí, vamos fazer alguma coisa?
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Manifestação boa e também pacífica acontece no Parque do Ibirapuera nas primeiras semanas de fevereiro: a Campus Party 2008 promete ser o maior evento de tecnologia já abrigado pelo país, com palestras, discussões e tudo o mais o que um cara como eu você (presumo) gosta. Para mim, o evento já vale pela presença do Steven Johnson, pensador, escritor e gênio da nova era (o link para o blog dele está ali embaixo), que vai lançar livros (De cabeça aberta: conhecendo o cérebro para entender a personalidade humana e O mapa fantasma: como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles) e conversar com o público, prometendo uma verdadeira aula de cibercultura, ativismo e cabecice. Eu vou, e se posso aconselhar, acho que vale a pena conferir.
Aliás, alguém aí pretende acampar por lá?
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E o Pablocast? Tem ouvido? As edições 9 e 10 já estão no ar faz tempo (eu que esqueci de avisar aqui). Escute, que as discussões continuam boas e pertinentes como sempre. Ou não. Tire suas próprias conclusões. O tema do 11, que será gravado nesta quinta, será o assunto que citei ali em cima. Não poderia ser diferente. Assunto neste nosso mercado de games brasileiro nunca falta, ainda bem…
E que passe o Carnaval e comece logo o ano!
