Bons Tempos: Games Convention (2005)
Um fechamento um tanto sinistro e uma viagem inesperada (Goiânia, grande lugar) me impediram de acompanhar a cobertura da imprensa ao Games Convention 2007. Este ano, os jornalistas brasileiros compareceram de forma contundente (os amigos Théo do UOL Jogos, o Humberto e a Flavinha da Gamemaster/ROX, o Bruno do OuterSpace), o que é algo fantástico, se pensarmos que não faz muito tempo que qualquer evento de games que não fosse a E3 já era considerado outro planeta.
Hoje, os veículos especializados (em sua maioria) fazem questão de seguir um calendário de eventos internacionais e comparecer na maioria deles – compreendeu-se que o gasto é (quase sempre) compensador, e que o leitor brasileiro faz questão de ler informação escrita e apurada por jornalistas compatriotas. Ler as coberturas do Gamespot, IGN e 1UP é muito bacana, mas sabemos que aquilo não é escrito diretamente para a gente. Logo, vale a pena mandar um correspondente a um evento internacional de relevância. E agora, a este rol limitado de convenções obrigatórias (E3, Tokyo Game Show) foi incluida a alemã Games Convention.
E se no ano passado ela havia se tornado o evento mais importante da Europa, agora, pós “novo formato de E3″, a GC ganhou ainda mais pontos entre as produtoras de jogos. Não foram poucas as que guardaram seus principais cartuchos para a feira de Leipzig. Certos eles. Faça a conta: aberta ao público, muita moral, bastante potencial e alto astral. Quem não quer estar lá?
Vendo como está a GC hoje em dia, não dá para esconder uma certa invejinha dos meus amigos que foram para lá este ano. Com toda certeza, eles encontraram um evento completamente diferente do que aquele com que me deparei em 2005. Minha ida foi das mais improváveis, porque não foi exatamente planejada como cobertura jornalística (eu era o editor da EGM Brasil na época). É preciso lembrar que há longínquos dois anos, o evento não tinha a mesma importância para as publishers, muito menos repercutia na imprensa da maneira que acontece hoje. Dificilmente a direção da Conrad (que editava a revista) liberaria verba para a viagem – não faria o menor sentido, uma vez que a relevância era mínima. Tanto que a matéria que escrevi nem teve tanta exposição na revista – rendeu uma página dupla – ou repercussão (não me lembro de nenhum comentário a respeito do ineditismo da coisa, quer dizer, uma revista de games brasileira cobrindo um evento na Alemanha). No fim das contas, acabei nem usando a totalidade da entrevista que fiz com a principal organizadora da GC, uma senhora simpática que me recebeu no lounge vip com um excelente humor, apesar de aquela ser a penúltima hora de um evento gigantesco que se arrastava havia três dias.
Minha saga para conhecer a GC havia começado quase um mês antes. Eu estava com tudo pronto para passar as férias na Alemanha. Mas o cdf que vive dentro de mim não perdeu a oportunidade de agir. Quando planejei as férias naquele país, a intenção era fazer um curso de um mês de duração na cidade de Bremen (norte da Alemanha). Não havia interesse profissional envolvido. Quando verifiquei as datas do então obscuro evento de games alemão, percebi que bateria, se eu me esforçasse, seria possível dar uma passadinha e, quem sabe, fazer uma materiazinha. Não seria tempo jogado fora.
Aliás, este é um pecado que me acostumei a cometer nos últimos anos – trabalhar durante as férias. Sempre que planejo uma viagem, acabo checando os eventos que acontecem em meu destino durante o período que estarei por ali. Nunca se sabe o que pode encontrar, penso. E muitas vezes, dou sorte de me deparar com coisas únicas, E antes de pensar que é maluquice pensar em trabalho durante as férias, lembre-se que é um privilégio poder trabalhar com algo que se gosta genuinamente. Logo, na minha cabeça, tirar um dia para visitar uma feira de videogames não poderia ser considerado trampo, e sim, algo divertido e que valeria a pena.
Então, descobri que três de minhas bandas favoritas na época, Foo Fighters, Queens of the Stone Age e Weezer tocariam em um festival na região central da Alemanha, na beira de um lago em uma vila ao lado da pequena Erfurt. Não me preocupei em saber como iria para lá, e se alguma data importante do curso conflitaria com o dia do show: comprei o ingresso no site. Depois, verifiquei que a Games Convention aconteceria no mesmo final de semana do bendito show. Golpe de azar, ou de sorte, dependendo do referencial. Faria tudo em um único final de semana, que eu mesmo daria um jeito de tornar livre. Também nem me preocupei em verificar se a cidade de Leipzig era ou não distante de Erfurt ou de Bremen. Pensaria nisso mais tarde, quando chegasse a hora.
Com uma coisa sim, me lembrei: pedi credenciamento para o evento e comecei a arquitetar uma entrevista com a comissão organizadora da Games Convention. Se eu estava lá, que fosse para fazer as coisas direito. Alguns e-mails em alemão trocados com a assessoria de imprensa deixavam em aberta a situação. Talvez rolasse a entrevista, talvez não. O credenciamento estava confirmado. Só faltava arrumar a mala.
O curso de alemão que fiz em Bremen foi dos mais proveitosos. Tanto que pouco pensei a respeito do fatídico final de semana no qual eu teria que me virar para me deslocar para o outro lado do país para fazer jus aos meus planejamentos. Não que fosse um grande problema se virar na Alemanha: dotados de uma eficiente rede de trens e a mais moderna rede viária do mundo (formada pelas absurdas Autobahns, logo chego neste detalhe), é relativamente rápido – mas não tão barato – chegar a qualquer cidade.
Bem, pelo menos assim eu pensava. Quando fui atrás de passagens de trem Bremen-Erfurt, descobri no balcão que não havia nenhum trem que faria o percurso na data desejada. As alternativas, com baldeações em cidades vizinhas, dificultava mais do que facilitava. Comecei a pensar na trabalheira que daria trocar de trem várias vezes sem conhecer muito os locais, ainda mais que o festival de rock era localizado em uma área afastada uns 30 km da cidade. E depois, para ir a Leipzig e me virar para encontrar o pavilhão da GC andando a pé? Deu preguiça só de pensar.
Foi quando passei a cogitar a hipótese de alugar um carro. E chequei, fazendo contas de espaço percorrido/economia de tempo/gasto de dinheiro, que valeria muito mais a pena:
1. pegar um carro na sexta,
2. dirigir até Erfurt,
3. assistir aos shows no sábado,
4. ir para Leipzig no domingo,
5. pegar o último dia da GC e
6. voltar para Bremen e devolver o carro de noite.
Daria uns 1200 km rodados, não ficaria tão mais caro que viajar de trem, eu teria o conforto e a comodidade de não ter que andar a pé e, mais importante, realizaria o sonho dourado de dirigir em uma Autobahn. Fácil decidir, não?
***
E amanhã eu continuo essa história que já ficou longa demais… e nada tem a ver com games por enquanto. Não deixe de voltar.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
AHUAAUHAUHUHAUHA
QUE loco velho.
continua… continua..
Parece trabalho. Mas pareceram férias, tambem..
E a GC desse ano humilhou a pobre nova E3 em novidades, jogos bacanas e badalação.
Justo quando tava ficando legal! =p
Muito massa, Pablo.
Só não disse por que te impediram de ir à Games Convention 2007.
Falou!
Ninguém quis bancar, zeromil..