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24/08/2007 - 15:28

Sobre a sinergia das coisas

O mercado brasileiro se movimenta em direção à nova geração de maneira massiva, sem nem ao menos nos perguntar se é realmente isso que queremos (e você quer? Eu acho que sim).

Em um evento recente promovido pela Electronic Arts, que contou até mesmo com a presença de mulatas e drinks coloridos, a publisher anunciou seu projeto para trazer os games dos consoles de nova geração ao país. Os convidados podiam testar games em consoles Wii e Xbox 360 enquanto se embebedavam com caipirinhas servidas por uma barwoman pouco simpática (cansada das cantadas, talvez?).

Foi animado e animador em todos os sentidos. Minha fonte na EA me garantiu enfaticamente: “Vamos trazer Rock Bandcompleto em novembro, e aí você vai ver!”Atualmente, não conheço um que não esteja louco para ter um desses em casa.

Ao mesmo tempo, enquanto eu escrevo e você lê, a Synergex começa seus trabalhos no Brasil. Talvez você jamais tenha ouvido falar este nome antes, e eu nem lhe culpo, porque antes de saber da chegada deles, também ignorava sua existência. A especialidade dessa firma canadense é distribuição de jogos, ou seja, eles compram os produtos direto da matriz (as produtoras), importam, elaboram manuais e embalagens no idioma do país, reembalam tudo e vendem direto para o varejo. Qual a novidade nisso, se é algo que já vem sendo feito há um tempinho (pela NC Games, TechDealer, entre outras)?

A diferença, ao que parece, é o cacife da Synergex. A empresa já é uma das líderes em sua área de atuação na América do Norte – é a distribuidora exclusiva dos produtos Sony no Canadá e representam 17 produtoras de softwares de entretenimento, como a Namco, a Capcom, a Bandai e a Konami, entre várias outras. Para comandar a empresa no Brasil, eles chamaram o Glauco Bueno, velho conhecido do mercado – ele liderou o escritório da Atari no Brasil por uns bons anos. Para fazer a divulgação da presença da Synergex, foi convidada a mesma assessoria de imprensa dos bons tempos da Atari – quem é da velha guarda se lembra. A atuação da companhia no país só será sentida a partir de setembro, no mínimo, que é quando as primeiras remessas de produtos devem começar a chegar. O investimento na empreitada deve chegar a US$ 1 milhão até dezembro deste ano. Um depósito de 1,5 mil metros quadrados irá guardar a mercadoria trazida pela Synergex, em Barueri (SP). Todas essas informações foram publicadas em matéria do jornal Valor Econônco de 14 de agosto, escrita pelo jornalista João Luiz Rosa.

Na condição de crítico “são tomé”, que pensa que já viu tudo, imagino que a presença da empresa pouco deve modificar uma questão crucial para o consumidor hardcore e esperançoso na evolução de nosso mercado: os preços dos jogos. Não que a iniciativa não seja louvável e digna de nota, mas, na prática – e espero estar errado -, o trabalho da Synergex deve se assemelhar a um processo de importação tradicional. Ou seja, os games trazidos para cá sofrerão com a alta carga tributária da mesma forma, a não ser que a empresa canadense tenha algumas cartas na manga as quais eu desconheça. Hoje, e você sabe bem, não é assim tão difícil encontrar no Brasil qualquer título para os três consoles – Wii, 360, PS3 – pouco tempo após o lançamento, e algumas vezes por um preço até interessante. É só saber procurar. O lado ótimo da presença da Synergex é podermos perceber a atuação de uma empresa estrangeira com experiência de mercado e já com um ótimo trânsito entre as publishers que não se encontram no Brasil atualmente. O fato de eles serem os principais distribuidores Sony no Canadá pode significar que os jogos para PlayStation 3 (e o console, inclusive) sejam mais fáceis de se encontrar no varejo brasileiro – tornando mais raros fatos bizarros como o “caso PedraStation 3″ (veja post anterior – que parece que é mesmo pra valer – veja comentários do post anterior).

Voltando à questão crucial aqui, o seu bolso: acho complicado que os valores dos games trazidos pela Synergex caiam muito além do que já se conhece. Os bons e velhos impostos de siglas bizarras – IPI, ICMS, PIS/Cofins, além das taxas de importação – continuarão a provocar um aumento de quase 100% em relação ao preço do game em seu mercado de origem. Fazendo continhas: se um jogo para Wii, Zelda: Twilight Princess, por exemplo, custa lá fora uns US$ 49,00 + uns 8% de impostos (varia conforme o estado norte-americano), dá para dizer que o jogo sai por R$ 115 para quem comprar lá fora. O mesmo game em uma loja especializada nas principais praças brasileiras não sai por menos de R$ 180, podendo chegar a R$ 250. E isso porque há muitas lojas que nem sofrem com todas aquelas taxas citadas anteriormente, uma vez que trazem seus jogos de modo “não-oficial” (no fundo da mala, sem declarar e pagar impostos). Mesmo assim, acabam praticando um preço relativamente elevado, já que acabam embutindo um lucrinho no valor final para o esforço compensar. Seja 50% ou 100% a mais do valor original, quem acaba pagando o pato é o pobre consumidor que insiste em comprar o produto original. Não é de se admirar que muita gente, por mais convicta que seja com seus princípios de ética e honestidade, acabe apelando para a pirataria… mas isso é outra discussão velha que já tivemos aqui mesmo neste território virtual e democrático.

Sobre a real atuação da Synergex e suas reais implicações na atual situação, só é possível especular por enquanto. Deixando o pessimismo um pouco de lado (mas só um pouco!), me resta torcer para que a entrada de mais uma empresa grande e séria em nosso mercado torne as coisas um pouco mais palpáveis e eficientes no que diz respeito à também antiga questão da redução da carga tributária brasileira, uma novela interminável com a qual todos os grandes players já se envolveram e que, pelo jeito, não terá final feliz para o público tão cedo – talvez não neste mandato presidencial, ou mesmo enquanto a nova geração de consoles continuar a ser considerada “ä nova geração”.

E aí? Vale a pena ficar animado? Eu estou. Finalmente!

Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:

7 comentários para “Sobre a sinergia das coisas”

  1. Daniel Oliveira disse:

    2 post em um único dia?
    MARAVILHA HEIM?

    E essa noticia é boa mesmo, to animadão.

    Desculpe minha lerdeza, mas não entendi essa parte:
    Vamos trazer completo em novembro, e aí você vai ver!”

    Trazer completo o que?
    A EA completa? algum jogo?

    Abraços

  2. Lucas Patricio disse:

    Ótima notícias, enfim. Quando fiquei sabendo do Pedrastation, já imaginei que você ao saber, iria ficar um pouco mais desmotivado. Mas que bom que as coisas acontecem, hehe.

    Nada melhor que uns drinks e umas mulatas para nos fazer mudar a visão de certas coisas, hehe. Brincadeira. Falando sério: a entrada da Synergex aqui no Brasil, como vc diz, não afeta o gamer em si por enquanto.

    Mas é ótimo saber que mais uma empresa entra aqui no país, e é um ótimo sinal que em breve poderemos ter coisas ainda melhores.

    Grande abraço, Pablo!

    Ps. Vou ter uma entrevista coletiva com um cara ai da Rolling Stone em breve na faculdade. Depois confirmo quem é e te dou um toque. Será que vc não se anima de vim? :)

    abraços!

  3. blendson disse:

    %!@$&@#essa do pedra station foi forte hem!!!! suei frio agora!!! e se fosse comigo. eu ia ficar maluco!!!! e quanto a Synergex, vamos ver no que dá né? espero que de certo!!!!

  4. Pablo Raphael disse:

    Até achei que havia um engano, qdo me deparei com esse segundo post hoje, aqui no seu blog, xará.
    Mas alem de ser + 1 post diário, são boas noticias.. legal!!!
    Se não me engano, li sobre a sinergex na EGM Brasil do mes passado (a desse mes? Só ouvi falar, por aqui nem sinal de fumaça.. ou de tambor!!! ) e pelo que vi os preços praticados serão bem parecidos com o que já vemos por ai. A noticia de que a EA vai entrar mais forte nos consoles é animadora, e o mesmo vale para a chegada da Sinergex. Só espero que não se limitem ao eixo sul-sudeste. Gostaria de voltar a encontrar uma boa variedade de lançamentos nas prateleiras de lojas de eletronicos aqui no Mato Grosso, como na epoca da Tec Toy e da Gradiente, nos distantes anos dos 8 bits…

  5. Jorge Polo disse:

    Eu li sobre a Synergex na edição 66 da EGM Brasil. Os jogos não chegarão tão mais baratos mesmo mas, pela entrevista com o cara da empresa, parece que eles adotarão uma política de redução de preços progressiva, ou coisa parecida. Ou seja, com o passar do tempo, jogos lançados há mais tempo terão o preço mais barato que os lançamentos. Sei lá, se for assim, até que seria bom. É só não comprar no lançamento e esperar o preço cair com o tempo (se o indivíduo não estiver muito ansioso para jogar XD).

    Bom, espero que as coisas melhorem para o mercado de games brasileiro. Ainda assim, eu comprarei meu X360 nos EUA (afinal, o console premium – com HDMI – mais 3 jogos, controle extra e acessório fica em torno de 1100 reais). No Brasil ainda é inviável, para mim, comprar o console.

    O blog continua muito bom, Pablo. Até mais.

  6. Jorge Polo disse:

    Ah, desculpe o comentário duplo mas, sobre Rock Band, viu as novas bandas adicionadas à lista? Radiohead, The Clash, Rolling Stones, Jet, Beastie Boys, entre outros! Nossa, isso vai ser bom, hehe. Mas os acessórios devem chegar com preços absurdos no Brasil. Espero que não, mas talvez a solução seja comprá-los no exterior também. Eu só quero a guitarra e o mic., mas provavelmente o conjunto deve chegar por quase mil reais no Brasil (espero que a EA dê um jeito para isso não acontecer).

    P.S.: Eu percebi que mudaram a música dos Ramones. Antes era Rockaway Beach, agora é Blitzkrieg Bop. Não que seja ruim, hehe

  7. Ricardo Maia disse:

    Uma jogada que pode acontecer é a tributação diferenciada entre a mídia (cd / dvd) e o software (jogo), pois o software não incide imposto e sim o hardware. Se não for apontado na nota fiscal a composição da mercadoria (valor da mídia + valor do software) o imposto age a sobre o total.

    Abraços

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