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11/06/2007 - 02:36

Rasgando a fantasia

Neste final de semana, rolou a final brasileira do World Cosplay Summit 2007, o mais importante campeonato de Cosplay do território nacional. O evento, organizado pela editora JBC, escolheu os representantes brasileiros que participarão de uma final mundial que ocorre no Japão, em agosto.

Por que você quer saber disso? Bem, talvez porque muitos dos praticantes de cosplays sejam fãs de games. Aliás, muitos personagens de games servem como inspiração para as fantasias dos cosplayers. E como este é um blog de games… você entendeu.

Ah, e eu também fui um dos jurados do evento. Este é um bom motivo.

Mas você nem sabe o que é cosplay? Então vale explicar. É a abreviação de costume play, ou seja, o ato de vestir fantasias e incorporar personagens fictícios. Os praticantes se vestem como seus heróis, criam e elaboram suas roupas e, como se não fosse o bastante, sobem em um palco e interpretam os trejeitos e frases do personagem em questão. Quem já viu sabe que é impressionante, em todos os sentidos imagináveis. Quem nunca viu, deveria – principalmente pelo inusitado/absurdo da coisa.

Este foi o segundo ano seguido em que fui convidado para o júri. Sempre me achei um corpo estranho em meio aos especialistas sentados ao meu redor (caras como Ricardo Cruz, Marcelo Del Greco, Arnaldo Oka e o estilista Jum Nakao), talvez porque nunca tenha feito um cosplay na vida e não faça idéia de quem são muitos dos personagens obscuros que aparecem por ali. Mas este tipo de conhecimento “técnico” não faz lá tanta diferença. “A gente te escolheu por causa da sua relação com os games”, me explicou o Edicarlos, que me fez o convite no ano passado e este ano. Topei, porque o evento, além de ser inacreditável, é bem organizado e cheio de velhos amigos.

Este ano, alguns jurados diferentes e o clima mais pomposo davam o tom. Parecia que algo seria diferente, e foi o que realmente aconteceu. Não vou nem entrar muito no mérito dos problemas técnicos (os microfones e o som falharam seguidas vezes durante as apresentações, obrigando os participantes a interromperem seus desfiles. Rolou até um mini-motim e umas tentativas de barraco um tanto constrangedoras. E seis das 15 duplas puderam repetir as performances, algo que foram eles mesmos que decidiram. No fim das contas, deu tudo certo, apesar do longo atraso). O problema, digo na minha condição de leigo, foi uma certa mesmice das apresentações.

Inspirados provavelmente pela dupla vencedora do ano passado (que também venceu a final mundial ), a maioria esmagadora entre os 15 pares de participantes optou por seguir um script manjado: personagens semi-desconhecidos (muitos dotados de asas), enredos dramáticos e épicos, diálogos em japonês (dublados) e confrontos sangrentos com espadas. Claro, estou generalizando bastante. Mas não havia nada simples, comum, popular. Nem um Dragonballzinho para contar a história. Uns três Cavaleiros do Zodíaco, e só. Um marinheiro de primeira viagem que assistisse às performances acharia tudo um tanto parecido demais.

No ano passado, o amadorismo técnico de alguns participantes era compensado com elementos como carisma, humor e criatividade nas apresentações. Em 2006, lembro claramente de umas três performances que geraram gargalhadas gerais – não por coincidência, eram cosplays de personagens de games, como Super Mario e Metal Gear Solid. Este ano, não me lembro de ter dado risada nenhuma vez – e não era porque eu estava de mau humor: o público também não riu muito. Vibrava e gritava, é verdade, porque o negócio ali no palco era levado a sério. Os participantes se entregavam, se jogavam, chegavam a chorar de raiva e emoção. Algumas vezes, a empolgação ultrapassava os limites do palco – literalmente. A ponta do machado da lutadora Taki, de Soul Calibur 3, saiu voando feito um míssel durante a “luta”, acertando em cheio o joelho de um jurado que estava sentado à beira do palco – no caso, eu mesmo. Não machucou tanto quanto poderia, mas foi um golpe de sorte ter acertado onde acertou, sem trocadilho. É claro que o “acidente” não causou diminuição nos pontos da dupla. Efeitos especiais realistas merecem aclamação, pensei comigo na hora.

Aliás, aquela era a única apresentação de toda a etapa brasileira WCS 2007 que era primordialmente ligada aos videogames. Após a constatação, fiquei ainda mais honrado por ter sido convidado.

No final, a vitória ficou com o casal Thaís Jussin e Marcelo Fernandes e sua performance inspirada no anime Inu-Yasha – ela, como Sesshou-maru, ele como o próprio protagonista (aqui tem uma bela imagem da dupla). Devo confessar que foi mesmo uma das que mais me impressionou entre os 15 pares de participantes. Apesar do mesmo espírito “diálogos em japonês, lutas com espadas”, eles fugiram da mesmice usando belos elementos de interpretação, adereços e uma boa interação no palco. Merecido.

E depois de uma maratona dessas, até eu consigo me sentir um pouco mais especialista. Mesmo sem jamais ter feito um cosplay na vida. E garanto que assim deverá permanecer.

Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:

10 comentários para “Rasgando a fantasia”

  1. Frederico Lohmann Jr disse:

    Pô, Pablo, você ficaria bem num cosplay, digamos… bem… do Kirby! :)

  2. Pablo Miyazawa disse:

    Pô, quer dizer que estou tão acima do peso assim? :O

  3. Frederico Lohmann Jr disse:

    HAHAHAHA!!! Não foi o que eu quis dizer, afinal nesse caso EU seria muito mais característico. :)

  4. Leonardo Marinho Mar disse:

    Kirby já é sacanagem, hehe… Mas que daria um Mario maneiro, isso sim. =]
    Sempre fui afim de fazer um cosplay, no meu caso acho que faria um do Roy Mustang do FMA ou o Ruffy do One Piece .
    O problema é que esses eventos (entenda-se os grandes de maior peso) só são feitos em SP. =[

  5. Rachel Baptista disse:

    Oi Pablo! Aqui é a Rachel herself, aquela que quebrou a Naginata da Lélis e que a lâmina acabou caindo em você.

    Bom, eu fiquei um tanto chateada do pessoal da JBC não ter comunicado à você a respeito da leve alteração de roteiro (colocando como a ponta da Naginata da Seung/Seong Mi-na quebrar propositalmente).

    E bom, não foi machado, haha! E muito menos da minha personagem, Taki! Ela tem duas espadas! E como falei, a Mi-na tem uma naginata, um tipo de lança.

    Mas bom, só me responda uma dúvida, por favor! O Edi Carlos pediu uma série de referências visuais e detalhamento a respeito dos personagens, desde histórico à personalidade. Ele disse aos participantes do WCS que todos os juízes receberiam uma cópia contendo os dados de todas as duplas. Mas parece que isso não aconteceu. Vocês chegaram a ter em mãos esse material?

    Um abraço e mais uma vez, desculpe pelo susto!

    – Rachel

  6. Welington França disse:

    Se muitas das apresentações eram parecidas, isso não foi porque as duplas seguiram um script magico inspirado na dupla vencedora do ano passado, e sim porque esse “perfil” de apresentação foi selecionado pela própria JBC.
    Como voce deve saber muito bem, tivemos diversas seletivas pelo Brasil, e nelas, muitos candidatos fizeram apresentações cômicas, paródias, e de séries bem populares. Nenhuma delas ganhou a vaga pra final.
    Todas as performances que voce viu e avaliou, são apenas um reflexo do que a propria JBC selecionou.

  7. Petra disse:

    Oi, Pablo!

    Tou deixando aqui meu recado pra fazer coro ao que ao Wellington e a Rachel falaram. Eu também estava entre os concorrentes (fui a Queen Emeraldas da apresentação de Harlock) e considerada uma das duplas mais prejudicadas porque nossa apresentação se baseava completamente no som, já que íamos cantar e esse era um dos diferenciais da apresentação que queríamos fazer (canto + luta + interpretação).

    Tou só deixando o recado pra reiterar o que meus amigos falaram sobre essas questões de falta de referência e da “mesmice” das apresentações, que na verdade foi um reflexo das seletivas (além do mais, ainda que elas tivessem elementos parecidos, cada apresentação deveria ser analisada individualmente, ou não? o.o)

    Ah sim, e outra coisa… o esquema de falar japonês foi uma recomendação da própria JBC, e não cópia dos representantes do ano apssado… Aposto que muitos cosplayers prefeririam que a apresentação pudesse ser em português mesmo, mas sabemos que naõ tem o mesmo peso ^^”

    Vim também para pedir my apologies se o “mini-motim” foi constrangedor… mas não havia outro meio. Acho que naõ é justo a gente se preparar por tanto tempo pra depois ter um problema totalmente extra e mesmo assim continuarmos nos apresentando, fingindo que nada está acontecendo.

    Uma coisa é ocorrer um erro ali na hora da apresentação e você dar a volta por cima, outra coisa é naõ ter condições pra se apresentar.

    Conversei com o Edi sobre isso, é claro que ninguém queria “fazer barraco” nem constranger ninguém, mas também acho injusto os próprios cosplayers serem colocados numa situação constrangedora e “terem” que fingir que naõ tem nada acontecendo =/

    De qualquer forma, muito obrigada pela atenção e… naõ sei se você lembra do Animencontro em Curitiba. Em uma das edições nós dividimos a mesma mesa e eu, você e o Mario AV tivemos uma conversa bem animada! Talvez você tenha me esquecido, mas eu não esqueci de você, porque te achei muito legal =)

    Mais uma vez, um obrigada pela atenção.

  8. Ran-chan disse:

    Só para complementar e reforçar a opinião dos meus amigos, havia uma clausula no contrato da JBC que desclassificaria qualquer dupla que entregasse todo o material de referência depois da data limite do dia 30/05, todos pensamos por um minuto que isso serviria para deixar os juizes preparados e a par de todas as apresentações, personagens, anime/mangá/game que seriam utilizados, e assim, todos teriam uma boa e justa avaliação… mas parece que a coisa não andou muito para esse lado, já que todas estão sendo classificadas como “iguais”…..

  9. Pablo Miyazawa disse:

    Excelente, rendeu!
    Pessoal, vou responder por email, ok? E depois faço um post aqui.

    Abraços e obrigado!

  10. [...] bizarro em excesso para o seu gosto? Eu recomendo no mínimo como experiência antropológica. Leia como foi em 2007 e em 2008. Quem sabe você não se anima. Vale citar que esse ano não faltarão interpretações [...]

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