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29/05/2007 - 02:50

Entrevista da Semana: Felipe Azevedo (NGamer)

A Entrevista da Semana (lembra dela?) voltou ao Gamer,br. Desta vez, mais atual do que nunca: o entrevistado é o Felipe Azevedo, responsável pela ainda inédita revista NGamer, nova publicação da Editora Europa focada nos consoles Nintendo. O Felipe não é nenhum novato nesta área, e já exerceu funções de piloto, redator e editor em publicações lançadas pelas principais editoras do país (Ação Games, EGM Brasil, SuperDicas PlayStation, PSWorld e GameMaster, só para citar algumas). Em meio ao fechamento da primeira edição de sua nova empreitada, ele tirou um tempo para responder a algumas perguntas, cujas respostas você lê a seguir. E você já sabe: não deixe de comentar no final.

***

Gamer.Br: Você trabalha há muitos anos no mercado editorial de games. Passou por todas as editoras de destaque nesse mercado (Abril, Conrad/Futuro, Digerati e Europa) e participou de todas as revistas que tem relevância. Resuma o que aconteceu de lá para cá nesse sentido. Se evoluímos, quanto foi?
Felipe Azevedo: Comecei em 2000, depois de ganhar uma promoção na antiga Ação Games e mendigar para conseguir enviar meu currículo para a redação. Por alguma razão bizarra, o Edson Rossi, então redator-chefe da revista, me chamou para fazer um teste. Fiz e, por outra razão bizarra, na semana seguinte já estava na redação, trabalhando junto com caras como Ronny Marinoto, Humberto Martinez e Ronaldo Testa.
Com o término da revista, fiquei um tempo parado até tentar a sorte na Conrad. Fiz um detonado e o editor na época (você sabe quem) gostou do meu trampo. Passei a fazer uns frilas e, depois de alguns meses, fui chamado pra cuidar do recém criado site Gameworld.
Fui dispensado um mês depois por causa de corte de custos e entrei na Digerati, onde trombei com o Testa de novo. Fiquei por lá uns 6 meses, mas resolvi sair por vontade própria. Fui chamado de novo na Conrad e passei a fazer parte da redação de games, cuidando da SPD junto com o Fabio Santana por um bom tempo.
Foi então que o Humberto, que estava na Editora Europa, me convidou para entrar para a equipe de lá, que havia acabado de lançar a GameMaster. Aceitei o convite e continuo aqui até hoje. E digo com todo certeza: é o melhor lugar em que eu já trabalhei. Quanto à evolução do mercado, a chegada de revistas gringas como EGM, XBOX 360 e agora a NGamer, é a melhor amostra de que a indústria de games tem crescido no nosso país, apesar de ainda ter de melhorar muito.

Como o mercado editorial “de papel” pode superar a concorrência quase desleal com a internet? Dá para dizer que as revistas como conhecemos vão acabar logo?
Penso nisso todo dia. Tento imaginar matérias e seções que chamem a atenção daquele tipo de leitor que acha que revista não vale nada. Mas confesso que às vezes é frustrante, especialmente se a revista é 100% feita aqui no Brasil. Com revistas licenciadas, por mais que as pessoas reclamem que muitas matérias são feitas lá fora, a gente sempre consegue mostrar algo inédito, em primeira mão. Por enquanto, acho que essa é a única maneira de competir com a internet. Quando o mercado nacional crescer ainda mais, e produtoras gringas começaram a montar escritórios e estúdios aqui, aí sim a gente vai conseguir fazer uma cobertura própria comparável à dos caras de fora. A EA, por exemplo, já libera informações com antecedência para a gente, e isso é que faz a diferença.

Mas o que dizer aos críticos que acham que as revistas de games estão com os dias contados?
Simples: não compre. Tem muita gente que gosta, e é para esse tipo de gente que as revistas devem se focar. Se um cara realmente acha que não vale a pena gastar dinheiro com revista, quem sou eu para tentar fazer ele pensar o contrário?
Visite todos os sites que quiser, mas também não fale mal do trabalho que a gente faz só porque você não tem o costume de ler revista ou se acha esperto demais para fazer isso.

Agora, você trabalha em uma revista exclusiva de uma marca. Já dá para saber quais são as diferenças entre esse tipo de publicação e uma multiplataforma?
Acho que a principal diferença é que, no caso da NGamer, o público alvo, os fãs ferrenhos da Nintendo, não admitem nenhum tipo de deslize. Por exemplo, mesmo deixando claro que a capa que liberamos é provisória, muita gente chamou a nossa atenção (alguns de uma maneira não muito amigável até) para o suposto número errado de Pokémons.
Sabemos que são 107 criaturas novas, mas duas delas são impossíveis de serem capturadas oficialmente, por isso colocamos o número 105. De qualquer forma, vamos mudar a chamada para tentar agradar a todo mundo.

Você vai entrar em um mercado que já é preenchido por uma revista que está há quase 9 anos no mercado e possui seguidores fiéis – no caso, a Nintendo World. Como se preparar para atacar este público? Ou vocês planejam atingir outros leitores que já não consomem a revista concorrente?
A nossa idéia é atingir a todos os tipos de jogadores do país, tendo uma revista para cada plataforma, para atender às necessidades de todos. Com a NGamer, não tem segredo: nosso objetivo é dar aos fãs da Nintendo uma nova opção. Quem vai escolher se uma revista é melhor do que outra são os leitores.
Além disso, concorrência é sempre bom, pois cada equipe tenta se superar a cada edição nova. Mas a concorrência existe só entre as revistas mesmo. Muitos dos caras que trabalham na Nintendo World são amigos meus, e não pretendo deixar essa concorrência estragar essa relação.

A imprensa de games nacional é “chapa-branca” ou pode, em sua maioria, ser celebrada por sua seriedade e integridade?
Acho que não, pelo menos os profissionais que eu conheço. Óbvio que, em alguns casos, o interesse dos chefões impede que você seja totalmente parcial. Afinal, queira ou não, revista é um produto. Não se faz revista só por fazer; o lucro também é importante. Enfim, no geral, acho que quase nenhum jornalista de games hoje em dia faz “média”. Os chefes podem até fazer, mas quem produz as revistas mesmo, não.

Pelo que você acompanha do mercado nacional, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
Estamos indo bem. Como eu disse, a chegada de revista gringas no Brasil é um reflexo disso. Se o governo resolver abaixar um pouco os impostos e as pessoas perceberem que vale mais a pena comprar produtos originais, o país pode crescer absurdamente nesse ramo.
Quanto à revistas, acho que a situação poderia ser melhor. Muita gente lê uma revista uma vez, não gosta e passa cinco anos achando que ela é uma porcaria, sem nunca ter comprado novamente para ver se as coisas mudaram ou não.
E tem também o estigma que se cria quando uma revista não agrada o cara, que passa a achar que todas as demais publicações de uma mesma editora são ruins. Isso me deixa muito frustrado às vezes, pois sempre trabalhei do mesmo jeito em todas as editoras que passei, mas muitas vezes os leitores não reconhecem isso. Compram mais pelo nome que uma determinada publicação tem do que pela qualidade do trabalho feito.

Diga algo que você ainda não viu acontecer no Brasil e gostaria de ver.
Essa é fácil: produtoras gringas abrindo estúdios aqui no Brasil. Além de ajudar o mercado crescer, isso facilitaria muito o nosso trabalho (dos jornalistas) em relação à cobertura das novidades.

Você acha que as empresas de games – seja as locais, seja as só localizadas lá fora – ajudam os jornalistas o suficiente?
Sim, mas poderia ser melhor. Afinal, é interesse delas promover seus jogos. Normalmente, liberam conteúdo muito cima, quando um jogo está prestes a ser lançado, o que dificulta a nossa vida, já que o corre o risco de a revista chegar com um preview de um título depois que ele foi lançado.

A pergunta polêmica de sempre: a pirataria é o problema ou a solução?
Solução pra uns, problema para outros. Não conheço ninguém que tenha dito que não compraria um jogo original se ele custasse o mesmo ou um pouco mais que um DVD de filme original. Sei que isso é meio impossível de acontecer agora, mas acho que é isso que empresas como EA, Microsoft e Nintendo querem.

E quem ganha essa guerra da nova geração?
A briga vai ser entre Wii e X360. Duvido que o PS3 seja tão popular quanto o PS2 foi. É um console caro que além de não se diferenciar muito do console da Microsoft em termos visuais, não conta com jogos muito chamativos. Apesar da promessa de serem ótimos títulos, não creio que MGS4 e FFXIII segurem a bronca da Sony. Quero jogar pelo menos o Metal Gear, mas não vou desembolsar uma fortuna para fazer isso.

Você entrou nesse mercado sem indicação nenhuma, por seus próprios méritos. Que conselho daria para alguém que quer chegar lá, visto que hoje o mercado esta bem diferente?
Duas coisas: seja humilde e sempre esteja disposto a ralar. Conheço gente que se acha pelo simples fato de fazer parte da equipe de uma revista de renome. Outras, que mesmo estando em uma situação desfavorável, se recusam a sacrificar seu tempo para fazer uma matéria. O esquema é aceitar os conselhos de quem gosta de fazer as coisas direito e tentar aprender com isso.
E mais uma coisa: por mais genial que seja seu texto, sempre pense que é possível melhorar e se adaptar a outras situações. De uma hora para outra, as coisas podem mudar e o seu texto pode deixar de ser aceito como ele é.

Onde você se enxerga no mercado de games nacional daqui uns cinco anos?
Provavelmente fazendo a mesma coisa: editando revistas. É o que eu mais gosto de fazer, apesar de dar um trabalho danado.

Autor: pablo - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , ,

23 comentários para “Entrevista da Semana: Felipe Azevedo (NGamer)”

  1. Lucas Patricio disse:

    Já que os premiados se pronunciaram: Eu tb ja recebi as revistas aqui. Inclusive postei uma foto no meu blog ;)

    abraços!

  2. Edes Winckler disse:

    Saudações…

    E por falar em midias, já viram essa?
    http://www.microsoft.com/surface/

    Abraços…

  3. Pablo Miyazawa disse:

    Daniel, o Trivella já foi entrevistado por este very blog. Clique aqui e veja. http://z001.ig.com.br/ig/08/18/930322/blig/gamerbr/2007_03.html#post_18793160

    Se bem que uma entrevista sobre os segredos e desventuras de um jornalista de games cheio de histórias cairia bem com ele como personagem… :)

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