Entrevista da Semana: Ivan Cordon (Electronic Game Show)
A Entrevista da Semana mais atrasada da história deste blog tardou, mas não falhou. Desta vez, o entrevistado é Ivan Cordon, jornalista, empresário e o homem responsável pelo Electronic Game Show no Brasil. O cancelamento da terceira edição da feira (que era prevista para novembro último) causou frustração no´público e colocou em xeque o futuro do evento, que já era considerado o mais importante do mercado nacional. Para esclarecer este assunto polêmico, Ivan bateu um belo papo com o Gamer.br, no qual não mediu palavras. Leia e comente:
Gamer.br: Você trabalha há mais de 15 anos no mercado brasileiro de games. Já foi piloto de revista, editor, empresário e organizador de eventos. Quais as diferenças entre cada uma dessas áreas?
Ivan Cordon: Na verdade, trabalho há quase 20 anos nessa área. Comecei em 1989, com o pessoal da Dimensão Vídeo, a primeira locadora de videogames do país. Depois, tive a oportunidade de trabalhar com o inicio das duas primeiras revistas de games, a VideoGames e a Ação Games. Passei a atuar diretamente na Ação Games, como piloto, e escrevi bastante para a revista. Em 2000, fui o idealizador de conteúdo do site Banana Games e atuei diretamente em sua construção e depois em sua renovação. Passei também pela Cyber Games & Internet, para ajudar no desenvolvimento de um padrão de Lan House diferenciado que tirasse as Lans da incomoda visão de que é um ambiente de gueto, de turminha, de joguinhos. Com o conceito que criamos transformamos a Lan em um ambiente familiar. Em 2004, participei da produção da EGS e no ano seguinte fui o responsável por toda produção e execução da melhor feira de games do Brasil até o momento. Hoje, estou de volta à Cyber como sócio, mais uma nova incursão nos mundo dos games.
Em qual área do mercado você curtiu mais atuar?
Cada mercado tem sua diferença natural: um é editorial, um é vendas e locação, um é o de eventos, que é um mundo totalmente novo… Como empresário, tenho que correr atrás de resultados pro negocio dar certo para mim e para todos que trabalham comigo. Sobre qual eu gosto mais ou gosto menos é difícil responder: todos eles mexem direta e indiretamente com o mercado que gosto, o dos games. Na verdade, eu trabalho muito com um foco, quero muito que o mercado cresça e se torne “oficial” no Brasil. Não importa onde vou estar ou o que vou fazer, meu foco sempre será esse: mudar o mercado pra melhor.
O Electronic Game Show não rolou em 2006 e deixou muita gente na expectativa. O que aconteceu, afinal de contas, para o evento ter sido adiado?
Muitos fatores fizeram do ano de 2006 um ano ruim para a EGS. Os principais foram problemas com captação de patrocínios. Foi um ano que teve Copa do Mundo e eleições, o que deixou muitas empresas envolvidas ansiosas com os resultados destes eventos. Por outro lado, outras empresas tentaram fazer eventos de games paralelos a EGS, nos quais não tiveram bons resultados e minaram um pouco os recursos de possíveis investidores e expositores do nosso evento. Mas este não foi o grande problema, apenas um dos muitos fatores que realmente atrapalharam.
O que foi, em sua opinião, o fator que mais contribuiu para o não acontecimento da EGS?
Acho que mais favoreceu o não-acontecimento da feira foi a falta de compromisso da própria indústria. A EGS nasceu com o intuito de ser um fomentador do mercado, mostrar para as pessoas a importância de se comprar jogos originais para atrair as empresas para o nosso mercado, mostrar para outras indústrias a importância de um consumidor com perfil de games e de seu produto (as “gerações Coca-Cola”, “Orkut” ou “RPG”). Mas, infelizmente, não foi bem assim que a coisa fluiu, e se eu tenho um mercado para comprar a feira, não tenho como executar uma feira do porte da EGS. No Brasil, a coisa ainda é muito focada na venda direta e não na criação de marca com marketing pesado. Por causa disso, eventos como a EGS estão fadados ao esquecimento, por melhores que possam ser.
Qual é o seu plano para a EGS em 2007? O evento continua igual ou com uma proposta diferente?
Sobre a EGS 2007, não há muito que falar. Continuo como sócio da Oelli mexicana, portanto sou dono da marca no Brasil, mas a feira só acontecerá – mesmo que com um formato diferenciado e menor (para minha tristeza) – se o mercado de games der uma reviravolta, ou se as empresas andarem conosco para criar um conceito junto ao publico consumidor. Ou isso, ou vão continuar a dar murro em ponta de faca e tomando lavada do mercado pirata, o qual, por incrível que pareça, é muito mais organizado.
O evento Arena Gamer Experience, que rolou no ano passado, já anunciou que não irá continuar. Você acha que isto é um reflexo da atual situação do mercado, que não permite a realização de eventos deste tipo no Brasil? Ou foram erros de realização mesmo?
Bem, é muito ruim comentar o trabalho de outras empresas, mas infelizmente eu acho que sim, houve alguns erros estratégicos na organização do AGE. A data e os preços são os fatores que mais atrapalharam, além do fato do lugar escolhido ser de difícil acesso. Sobre o mercado, eu já respondi na pergunta anterior: infelizmente, as empresas não estão ou não são focadas em marketing de marca, por isso eventos como a EGS ou mesmo o AGE, que foi organizado por uma empresa grande e renomada, não vão dar em nada – pelo menos não agora. O mercado tem que amadurecer e se transformar em um mercado legal, e não em um mercado pirata.
Pelo que você acompanha do mercado, estamos indo bem, estamos lentos ou estamos aquém do que poderíamos?
Olha, falar da posição do mercado brasileiro no setor de games é piada. Estamos anos-luz de onde poderíamos estar. Temos um mercado consumidor de mais de 35 milhões de pessoas. Isso é, em volume, mais gente que muito país europeu.
Infelizmente, isso não é culpa da indústria. Por ela, empresas como Nintendo, Microsoft e a própria Sony já estariam trabalhando firmes e fortes com suas produções tupiniquins. Se a coisa continuar como está, é possível até que o Brasil saia da rota de crescimento global das indústrias citadas. Hoje, não vale a pena investir no Brasil, é um país caro onde você tem que pagar altíssimas taxas de importação sobre esse tipo de produto. Além, é claro, da nossa excelente posição no ranking de países que atuam contra a pirataria. Temos o digníssimo quarto lugar em ineficiência ao combate, perdendo somente para a China, Rússia e Índia. Com esses fatores todos, o Brasil é hoje um péssimo investimento.
O que você ainda não viu acontecer no mercado brasileiro e gostaria muito de ver?
Gostaria de ver as grandes empresas se unirem em uma associação como a Entertainment Software Association, a ESA, que é a organizadora da E3. Gostaria de ver Sony, Nintendo e Microsoft trabalhando para desenvolver o mercado nacional. Gostaria de ver estúdios nacionais de produção de games serem reconhecidos mundialmente, como é o caso da inglesa Core e da francesa Infogrames (agora Atari). Gostaria de ver o governo tomar ações reais contra a pirataria, que é concentrada em algumas regiões de nosso país – e eu nem preciso citar quais. E gostaria muito de poder trabalhar somente com games e poder sobreviver e ganhar dinheiro com isso. Não digo que quero ser rico com games, mas que gostaria de viver somente disso e poder pagar todas minhas contas no final do mês.
Notas relacionadas:

Sinceramente não gostei.
Além do mais, eu acho que o Brasil pode atrair sim. Se não fosse asism, a M$ não entraria oficialmente no pais e a Nintendo não estaria tentando, com planos junto ao governo para uma redução dos impostos.
Sei la, achei que esse cara manjasse mais.
O Ivan (que ´´manja´´ bastante, sim) tocou num dos pontos que mais me irrita: a falta da comercialização de jogos como uma atividade.
Muito se falou (eu inclusive) sobre a chegada oficial do 360, sobre as possibilidades maravilhosas que isso traria, com a Microsoft botando chamada do console nos intervalos do Campeonato Brasileiro, propaganda na TV, toda aquela associação feliz entre o jovem descolado e o aparelho (ao invés da ´criança´ e o ´videogame´, que é o que temos hoje)… e o que aconteceu?
Eu vejo o Milton Beck dizendo que está ´´surpreso com a aceitação acima do esperado´´ do console… tem que estar mesmo! Afinal, não foi movida UMA PALHA pra anunciar o troço! Entrou no país em modo stealth, com uma micro-campanha direcionada ao público ´´hardcore´´, na mídia especializada (ao lado de anúncios do mesmo produto contrabandeado e bem mais barato), e só! Se vendeu mais do que o esperado, é porque eles esperavam nada. Mas agora se apoiam nesse ESTRONDOSO sucesso pra ficar com essa cara de time-que-está-ganhando e não se mexerem ://
A %!@$&@#dessa indústria é que todo mundo fica esperando os outros criarem a condição perfeita para agirem… e ninguém cria nada.
Na EGS de 2005 o Ivan me deu uma entrevista e me deu uma resposta que desde aquela época eu vejo como fundamental para entender o cenário de games por aqui: “A pirataria não é o problema principal do Brasil, ele é consequencia de um problema maior”
Mas me parece que ele peso bastante a pirataria nessa entrevista, bem, ta certo ele, e nem vo discutir isos pq ja discutimos mto hehe
abraços Pablo
Sr. Pablo, realmente uma entrevista com o Sr. mesmo seria um honra. Então, no cúmulo da minha ignorância, resolvi passar alguns dias bolando algumas perguntas inteligentes:
1- Chuck Norris era um dos personagens originais do jogo “Street Fighter II”. Ele só foi removido porque todos os botões faziam ele dar um roundhouse kick. Quando perguntaram sobre essa falha do jogo, Chuck Norris respondeu: “Que falha do jogo?”
Essa informação é verídica? Cuidado! Se você pode ver Chuck Norris, ele pode ver você. Se não pode ver Chuck Norris, você pode estar perto da morte.
2- Segundo relatos do GAZETA BROWSER, Luigi dava uns pega na Princesa Peach, será que foi por isso que ficou fora de alguns jogos do irmão?
3- Depois que o Sr. autorizou a entrada da Microsoft no ramo de games no Brasil, quando o sr. irá liberar as outras empresas como Sony e Nintendo a atuarem no mercado?
4- Pra onde eu mando meu curriculum para trabalhar de Faxineiro na FUTURO?
E para encerrar
5 – O Sr. acha que o câmbio do dolar deverá continuar Flutuante? Ou o governo deve investir na tecnologia HAVOK para simular um fisíca melhor?
Até mais
Poxa desculpe Sr! Postei em lugar errado, mas tá valendo.
“Estamos anos-luz de onde poderíamos estar.” foi a frase-chave da entrevista. Agora fica a pergunta: onde poderíamos estar?
O mercado favorece? Não? Pergunte ao pessoal da Brasoftware que comercializa games para PC há anos.
O governo ajuda? Não! Ponto.
A pirataria ajuda? Vamos usar o mercado de cd’s como exemplo. Apesar da pirataria ser fortíssima houve pouca ou quase nenhuma queda no crescimento desse mercado. Pesquisem. Não estou defendendo, apenas constatando.
Para o mercado brasileiro de games crescer é necessário defender a indústria nacional. Peraí, mercado nacional? N existe mercado nacional de games além de PC, afinal os games são IMPORTADOS (exceto das produtoras nacionais, é claro).
Vamos favorecer o mercado nacional. Produto nacional!
Outro dia comentei usando um game da EA como exemplo. A versão PC, produzido no Brasil, custa R$ 99, o importado R$ 249.
oi eu to escrevendo com o coracao na mao nao achei que as coisas estavao assim eu fui o primeiro a entrar nas 2 edicoes da egs na primeira foi um sonho coisa linda mesmo eu vie joguei o ds vi novos titulos e a feia tinha lojinhas legais (apesar de terem o preco elevado) comprei algums jogos assinei a egm e enchi o saco do pablo
na segunda eu vi o 360 eo stand da ms tava lindo mas a falta da nintendo foi grande vi que o pessoal da nw e egm tentarao suprir a falta do fabrica mas ficou um gosto meio amargo na boca eu estava muito esperancoso com a 3 edicao e espero que ela aconteca como dever ser feita pra quem quer ver as novidades exprimentar e se gostar poder comprar
eu ja conversei com o sr ivan ea tavta sao otimas pessoas Deus ajude a voces a nao deixarem a melhor feira de games da america latina acabar e eu so espero poder ser o primeiro na egs 3 ok (ai eu ne aposento 3 veses seguidas ja basta hehehe) e um parabems ao pablo que eu se que faz o possivel pra ajudar o mercado nacional de games
É, galera… As coisas não estão nada boas para o mercado nacional… Mas é como idsseram aí embaixo: fica todo mundo esperando alguém tomar uma iniciativa… e, no final, ninguém faz nada. Nosso (des)Governo precisava aprovar algumas leis de incentivo a essa indústria. Não teremos incentivos fiscais para a TV digital? Por que não o mesmo para os videogames? Gente, é o maior mercado da indústria de entretenimento! Se temos de começar por um lado, que seja aí, no campo político. A ´despiratariação´ seria uma conseqüência gradual desse acontecimento. E já chega!…
BUDRUSH!!!
Sinceramente eu esperava mais do Pablo Miyazawa,para mim essas são desculpas esfarrapadas sobre a EGS,como pode dizer que Copa do Mundo e Eleições atrapalharam com o desvio de patrocinadores,nada a ver,eu apesar de achar o Brasil uma droga eu ainda fico otimista porque empresas grandes como a Microsoft e a Nintendo que pode vir tb apostam no Brasil,ja brasileiros como o Pablo mostra um pessimismo,de vez de mostrar mais trabalho,como porque não aproveitar um evento como a EGS convidando pessoas do alto escalão do governo mostrando a eles que é possível combater a pirataria e tal?aff deixa pra lá,continuamos no esquecimento porque nem mesmo nós brasileiros acreditamos no Brasil.
Peterson, acho que você se confundiu… eu, Pablo, sou a pessoa quem fez as PERGUNTAS… (em negrito). Quem deu as respostas que você citou foi o Ivan Cordon, da EGS. Eu fui apenas o entrevistador aqui… acho que não há cara mais otimista nesse mercado que eu…
Abraço.
Olá,
Gostaria de saber como o senhor Ivan, ou o próprio entrevistador explicam o crescimento do mercado de games nos seguintes ramos:
*RPGs On-Line; (Second Life, Ragnarok)
*Console originais (Xbox 360);
*Revistas especializadas (Revista Xbox).
Aguardo resposta.
A questão aki naum é ficar culpando os caras, ou ficar cobrando explicação por isso ou por aquilo, é como disseram anteriormente mesmo, tem que tomar uma atitude!!!, esse pais nunca vai ser um pais de PRIMEIRO MUNDO com um povo de terceiro, “engolindo” novela das oito, consumindo produto pirata, pagando impostos absurdos e jogando lixo na rua. Gente, o buraco é muito mais embaixo, mesmo que algum dia dessem um jeito nesse mercado, vcs gostariam de poder comprar jogos originais a preços justos e metade do pais viver na miséria? pode parecer clichê, mas Educação é a unica chave pro crecimento desse pais, carater e muito trabalho, que e ao meu ver, á esses dois (entrevistador e entrevistado) não falta.
Abraço a todos!
Nossa, meio negativo o sr. Cordon, não? Certo, o Brasil não é nenhum hotél cinco estrelas para empresas gamísticas, mas ainda assim, as coisas estão bem melhores agora que estavam alguns poucos anos antes. Sendo assim, é um tanto precipitado afirmar que não vale apena investir no país, quando momentos antes, você (o entrevistado) disse que o Brasil tem um volume de potenciais consumidores muito maior que muitos países europeus! Todo e qualquer investimento é um risco à se correr. Quem não aceita os riscos, não investe. Simples assim.
Temos uma das empresas de maior sucesso no mercado global acreditando e investindo em nosso país, e isso, por si só, já é um tremendo de um começo. A queda dos preços dos jogos originais é um outro incentivo ao progresso e ao consumidor consciente. Acredito que, caso a MS tenha um resultado positivo nas terras tupiniquins, na próxima geração de videogames veremos um trabalho de marketing mais confiante e agressivo, além de termos outras empresas seguindo o exemplo que a propria MS vêm dando. E quando isso acontecer, suponho que os impostos cobrados por aqui irão finalmente tornarem-se justos.
Certo, ainda estamos anos-luz de onde poderíamos estar, mas algo já está sendo feito sobre isso. As coisas estão mudando muito tímida e lentamente, mas estão mudando. E temos uma das gigantes do mercado lutando para efetivar de vez essa mudança positiva. É questão de tempo até que outras se juntem à ela e percebam o potencial que esse país tem se alguem resolver enfrentar os riscos que vêm com o pacote.
O melhor ponto da entrevista:
“No Brasil, a coisa ainda é muito focada na venda direta e não na criação de marca com marketing pesado.” – Amém!
Hasta la vista, gente boa!
o/
Pablo, de que forma o governo pensa em alavancar o mercado de games, e o que as empresas desejam para que possam se instalar aqui e vender consoles e jogos?
Ai PAblão…putz a última resposta deste cara foi excelente…é o que eu almejo em minha vida trabalhar ocm a área de games e sobreviver dela…é uma sonho ainda pra um profissional no Brasil…Queria mt que a big N estivesse aqui oficialmente, pra eu fazer aquelas loucuras que vc ja sabe, pra eu entrar la pra trampar…bom o que eu penso de td isso..pe que se eu quiser viver de games eu terie que sair do país, e é isso que eu penso fortemente ultmamente, só não sei o caminho a seguir, preciso de dicas…mas um dia se Deus quiser chegarei a Nintendo nos E.U.A., se vai ver…se puder me ajudar nessa aventura eu aceito viu! auhauha