2007 janeiro | Gamer.BR, por Pablo Miyazawa - Part 2
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Arquivo de janeiro, 2007

09/01/2007 - 21:41

Papuns

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Ontem, rolou belo encontro da imprensa paulistana de games, na comemoração do aniversário do impagável Théo Azevedo (UOL/Folha). Jornalista quando se encontra socialmente não consegue se controlar: leva a nova edição da revista para mostrar aos colegas e só sabe falar de trabalho. Evitamos o assunto, mas acabei levando para casa as edições inéditas da Revista Oficial do Xbox (Ed. Europa) e a EGM Brasil (Futuro). Sintonia ou não, ambas trazem o mesmo assunto de capa, o que é, no mínimo, raro de acontecer no mercado editorial nacional. Bem, pelo menos faz tempo que não vejo revistas concorrentes trazerem capas coincidentes… pelo menos desta vez, as imagens usadas são completamente diferentes. Mas para quem quer saber muito mesmo sobre Lost Planet da Capcom, a hora é esta. Ambas chegam durante a semana que vem nas bancas.

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E por falar em revista, a Gamemaster (também da editora Europa) vai ganhar cara nova a partir da edição de fevereiro. Tive acesso a algumas páginas e deu para notar que o negócio está bem bacana, mais limpo e moderno. A mudança vem a calhar, já que a mudança gráfica da concorrente EGM foi das mais convincentes. A briga vai ficar melhor ainda, e quem ganha, como sempre, é o leitor.

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Eu curti ver o comercial de RF Onlineno cinema. Impressionou. Uma fonte na Level Up! Games me revelou que pelo menos algumas dezenas de jogadores de Ragnarök teriam abandonado o jogo para experimentar este novo MMORPG, que ainda está em período de testes. Vai pegar ou não? Faça suas apostas.

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Ok, a nova é que o Xbox 360 terá transmissão de TV. O que falta mais?

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Com tanta gente xingando a Cicarelli por aí, demorou para alguém canalizar raiva e criatividade na criação de webgames que tirem sarro dessa bobagem toda… A idéia está dada. Se alguém criar algum, favor compartilhar o link nos comentários deste blog.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
08/01/2007 - 02:14

Entrevista da Semana: Vitor Ishimura (Glass House Graphics)

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Você pode não conhecer o Vitor Ishimura, o entrevistado desta semana, mas talvez veja muito breve alguns de seus trabalhos. Nascido em São José dos Campos (SP) e com apenas 20 anos, Vitor é um dos mais talentosos ilustradores do cast da Glass House Graphics, uma empresa norte-americana que representa artistas na área de histórias em quadrinhos. Fã de videogames, Vitor teve o privilégio (e a sorte) de participar de vários projetos ligados a jogos famosos, como a graphic novel de Killzone, um crossover de Tomb Raider e ilustrações conceituais de Joanna Dark no mais recente Perfect Dark, só para citar alguns – isso sem contar os trabalhos secretos para jogos ainda inéditos, sobre os quais ele não pode contar muito… mas ele falou muito, sobre isso e outras coisas. Confira o papo:

Gamer.br.: Como você se meteu a desenhar quadrinhos ligados a videogames?
Vitor Ishimura: Bom, essa pergunta é muito fácil. Eu sempre amei videogames, e sempre sonhei em trabalhar com isso. Como comecei cedo com quadrinhos (que eu também adoro), sempre tentava fazer algo relacionado aos games. Conheço um pessoal que sabe disso e todo projeto ligado aos games que pintava, eles passam pra eu fazer. Eu ainda estou começando nessa área, mas sei que o início é devagar. E também estou fazendo uns projetos de quadrinhos que eu espero que virem games. O pessoal dos States está trabalhando pra isso acontecer.

Como funciona seu processo de trabalho? Você mora no Brasil, recebe roteiros e envia pelo correio os desenhos?
O processo também é simples. Eu recebo as instruções via e-mail ou Skype e aí faço rascunhos e envio por e-mail também. Após várias aprovações, o desenho final é enviado pelo correio. Fedex é a palavra mágica. Mas os contatos e a conversa inicial sobre os trabalhos eu fiz nos EUA mesmo. Estive nos eventos San Diego Comicon e Wizard World Chicago e foi lá que começou tudo.

E o que você já publicou por aí?
Nossa, tem bastante coisa. Publiquei muito livro de RPG para editoras nacionais (Mantícora e Daemon) e pra editoras inglesas (Mongoose Publishing, Ronin). Além de várias HQs pra editoras como APComics, Dreamwave, Image, Top Cow, Dynamic Forces, e recentemente, estou fazendo dois projetos que sairão na Marvel Comics.


Red Sonja, de Vitor Ishimura

E quais são os projetos de quadrinhos relacionados aos games de que você já participou e que pode falar a respeito? Não esconda nada!
Eu já trabalhei para a DreamWave quando eles adquiriram os direitos autorais de Killzone. Eu cheguei a desenhar algumas revistas, mas o projeto ainda não saiu, devido aos problemas da editora. Também já trabalhei com a Lara Croft de Tomb Raider no crossover Monster War, no qual ela luta contra o Frankenstein. Nesse mesmo crossover eu desenhei o Darkness, outro personagem que, em breve, sairá como um game de Xbox 360 (eu já joguei e achei o máximo!).
Eu também fiz ilustrações para a personagem Joanna Dark de Perfect Dark Zero, além de alguns concepts e ilustrações para algumas empresas, incluindo a Rare, da Microsoft. Recentemente, criei diversos personagens, para um título que não sei qual é, devido à extrema cautela das empresas de manter tudo confidencial… Criei uns personagens, fiz ilustrações e concepts de muita coisa que nem sei pra onde é. Só sei que é pra algum game… Isso é meio estranho, apesar de ser uma ótima surpresa você estar jogando um game e descobrir que você fez o design daquele personagem…
E tem outros projetos do qual eu realmente não posso dar nenhuma informação por enquanto. Posso dizer que é uma grande personagem: a machine gun dela tem uns dois metros… [Risos]


Cena de Perfect Dark Zero, no traço de Vitor Ishimura

E quem quer trabalhar com games nessa área de quadrinhos, o que você recomenda?
Quem quer trabalhar nessa área, tanto com games ou com quadrinhos, deve ter bastante contatos. Com as facilidades de comunicação via internet, pode parecer fácil, mas é meio difícil algum bom editor abrir e-mail de um desconhecido, ainda mais com a quantidade de spams e vírus. Se você tem algum amigo que trabalha nessa área, peça pra ele indicar você, ou então você tenta fazer contatos através de uma convenção (tanto aqui quanto lá fora) e conhecer o pessoal. Há também várias agências no Brasil que fazem esse trabalho pros artistas. Uma delas, sou eu quem representa no Brasil – a Glass House Graphics, uma agência americana que representa talentos. Eu vou todo ano para os EUA e estou sempre nas convenções (quando eu não estou, quem vai é o meu agente e CEO da Glass House que mora nos EUA). Eu cuido da maioria dos trabalhos que vem para o Brasil e, pra ser sincero, tem muito trabalho pra pouco artista. O pessoal que quiser oportunidade, é só me mandar um e-mail (vtishimura@gmail.com ) e um link com seu portfolio. É fácil, basta ter talento.


Um exemplo de imagem conceitual criada por Ishimura

No que diz respeito à linguagem, quanto você acha que os quadrinhos têm a ver com os games?
Acredito que ambos estão muito próximos, assim como o cinema e quadrinhos são quase a mesma coisa – a diferença é que no cinema, as imagens se movimentam. Claro que com games a interação é muito maior, mas ao ler uma HQ, é você que determina o ritmo da leitura, existe uma certa interação com as cenas e tal. Assim como o público é praticamente o mesmo, então eles querem ver um quadrinho do game que está jogando ou um game do quadrinho de quem são fãs.
Eu adorei ver o gênio Hideo Kojima mixar as duas coisas e fazer a primeira graphic novel Digital. E a HQ digital de Metal Gear é basicamente a mesma graphic novel, só que com recursos que uma HQ não pode oferecer, como uma trilha sonora, uma maior interação do leitor, como um puzzle a se resolver etc… Mas, basicamente, é a leitura de balões através de cenas contadas por quadrinhos. Uma HQ, só que digital.

Quais são as suas principais fontes de inspiração nos games para desenhar?
Bom, pode acreditar que isso não é desculpa pra jogar e dizer que estou “trabalhando” [risos]. Mas jogar o game em que você está trabalhando ajuda a mostrar melhor o universo, a imaginar todas as mais loucas poses que a personagem pode fazer e as diversas situações em que seria difícil de se imaginar sozinho. Além de que, os artistas que trabalham com games são sensacionais, são os melhores!
Não só quando eu estou trabalhando em algum game, mas quando eu estou desenhando uma HQ ou trabalhando em qualquer outra coisa relacionada à arte, eu costumo jogar pra me inspirar a criar um angulo novo, uma pose nova, um mundo novo etc. Dá pra se tirar proveito de TUDO num game. Já tirei milhões de idéias de Final Fantasy e Metal Gear, meus jogos favoritos. Além de que não só a arte é inspiradora, mas a trilha sonora também. Eu desenho o dia inteiro ouvindo as trilhas sonoras desses games. Acho que isso faz parte do desenho. Não há como fazer uma HQ sem uma boa trilha sonora ao fundo. [Risos]


Lara Croft em ação

Sei que você não pode revelar, mas insisto: dê umas pistas sobre o que você anda fazendo de trabalho relacionado a games.
Tive a sorte de trabalhar com algumas personagens muito gatas recentemente! Todo editor americano adora ver as mulheres desenhadas por brasileiros, por que será, hein? [Risos] A heroína que estou trabalhando atualmente é uma bruxa que tem um visual muito único e sensual, meio parecida com a Yuna de Final Fantasy X e com uma metralhadora que é quase maior que ela, num universo futurista cheio de magia, muito tiroteio e ação. O jogo sai no primeiro trimestre de 2007 para o Xbox 360.

E dá tempo de jogar além de desenhar?
Bom, atualmente, todo tempo livre que eu tenho eu dedico à Final Fantasy XII. [Risos] Pra quê consoles da nova geração agora quando você tem um game desse?
Eu também gosto muito de jogar Metal Gear Solid 3: Subsistence online, só que o problema é que andei um tempo sem jogar e aí fica difícil jogar com os viciados. [Risos] Eu também estou jogando o Final Fantasy III no DS e acredito que quando terminar os dois, os FFs e MGSs da próxima geração irão me manter ocupado novamente…

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Marcel R. Goto (Diverbrás)
  2. Entrevista da Semana: Renato Bueno (EGM PC)
  3. Entrevista da Semana: Fabio Santana (EGM Brasil)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , ,
05/01/2007 - 18:26

A vida imita a arte…

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E vice-versa.

Para ilustrar a capa de seu primeiro e recém-lançado DVD, 1000 Trutas, 1000 Tretas, o quarteto de rap Racionais MC buscou uma inspiração bastante interessante e original: os games. Nada mais justo. O resultado é engraçado.


Capa de Grand Theft Auto: San Andreas


… e o DVD dos Racionais.

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Falando no pop, alguém aí viu os indicados para a próxima edição do Big Brother Brasil? Não me xingue antes de conferir: não são as caras dos Sims?

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Novo (e ótimo) blog de game na área: Jogatina, do multimídia Daniel Galera. Visitem.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
03/01/2007 - 17:37

Fazendo bonito

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Com alguns meses de atraso, assisti hoje ao incrível A Scanner Darkly, que aqui se chamará O Homem Duplo, com estréia marcada para 2 de fevereiro. A história é baseada em um conto de Philip K. Dick, o escritor de ficção-científica com o maior número de obras adaptadas para o cinema (Blade Runner, O Vingador do Futuro e Minority Report saíram de sua mente doentia), enquanto a direção é do ótimo Richard Linklater (de Escola do Rock e Waking Life). No elenco, nomes cool como Keanu Reeves, Winona Ryder, Robert Downey Jr. e Woody Harrelson. Ou seja, tem tudo para ser um filmão. Pequeno-grande detalhe: O Homem Duplo pode ser considerado tanto um filme quanto uma animação. Dá na mesmo.

O Homem Duplo foi filmado, editado e finalizado como uma produção tradicional, para somente mais tarde ser transformado no desenho animado realista que você vê nessas fotos (acredite, no cinema é bem melhor do que nessas imagens estáticas). A rotoscopia interpolada, técnica de animação utilizada na produção, conserva traços originais e modifica as cores, transformando imagens filmadas em um desenho bizarramente realista. O resultado é de cair o queixo e acaba compensando o enredo um tanto confuso e arrastado.

Gamers atentos certamente olharam para essas fotos e se lembraram de jogos como Auto Modelista e XIII. Não por coincidência, ambos são mais conhecidos por utilizarem-se do famoso cel-shading do que por suas qualidades em si. Para quem não se lembra, o cel-shading é uma técnica de renderização que simula objetos desenhados à mão, com o inutito de imitar o estilo visual de histórias em quadrinhos ou desenhos animados. Zelda: The Wind Waker, Jet Grind Radio, Fear Effect… todos utilizam o cel-shading de alguma forma. Fazendo uma comparação pouco técnica, é mais ou menos isso que foi aplicado a O Homem Duplo. Para quem se acostumou a ver esse tipo de efeito nos nossos joguinhos, nada melhor do que ver a mesma técnica muito bem executada no cinema. Não perca.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
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