iG

Publicidade

Publicidade
29/01/2007 - 12:14

Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft)

Compartilhe: Twitter

Segunda-feira, como não poderia deixar de ser, é dia de Entrevista da Semana. O sabatinado da vez é considerado o mais importante executivo do mercado de games brasileiro (rótulo que ele próprio renega): Milton Beck, 43 anos, diretor da divisão de jogos e entretenimento da Microsoft no Brasil. Desde 2002 trabalhando na área de games da multinacional, Beck foi um dos responsáveis pelo aguardado lançamento do Xbox 360 no país. No papo a seguir, ele faz um balanço dos dois primeiros meses do console em território nacional. Leia, e como sempre, opine no final.

***

Gamer.br: O Xbox foi lançado no Brasil há exatamente dois meses. Qual o saldo deste período?
Milton Beck: Não citando números, eu diria que ficamos muito felizes com o lançamento do Brasil. Principalmente do ponto de vista qualitativo, por diversos motivos. Nossas vendas sempre são consideradas de acordo com uma expectativa inicial. Os jogos estão se mostrando um grande sucesso. A métrica que levamos em consideração – quantidade de jogos vendidos por console – está bastante alta. Acreditamos que isso tenha ocorrido em função da base instalada que já existia antes do lançamento oficial. Alguns dos games que colocamos no mercado foram grandes sucessos, como Viva Piñata e Gears of War. Em termos de divulgação, conseguimos muita mídia espontânea, geralmente positiva, sempre comentando o quanto é importante a entrada dos consoles no Brasil. Acho que o lançamento foi positivo em todos os modos,seja na relação com os parceiros e varejistas, seja também na participação da Microsoft no cenário de games, que funcionou como um primeiro passo para estimular que as outras empresas também venham para o Brasil. Isso é bom para a concorrência e para os consumidores, de um modo geral.

Quais são os próximos passos do Xbox no Brasil? Quando teremos novidades, lançamentos? Com que velocidade eles vão rolar?
É claro que ainda temos muita coisa pra evoluir, mas já estamos preparando dois lançamentos para fevereiro: Crackdown e Fusion Frenzy, isso falando de títulos publicados pela Microsoft. E em março, teremos o Winning Eleven. Este, ainda não está definido quem irá publicar. Sempre teremos novos títulos saindo, jogos Microsoft e third parties, lançados por empresas como Electronic Arts, Ubisoft, entre outras.

O que mudou na questão do governo brasileiro e os impostos sobre os videogames? Alguma novidade nesse sentido nos dois últimos meses?
Eu não sei se [o processo] está parado, mas também não sei de nenhuma evolução. Não estou ciente de qualquer mudança que possa ter ocorrido.

Existe uma previsão de redução de preços do Xbox no Brasil e seus jogos? Dá para imaginar que isso acontecerá dentro de um ano?
Olha, a [matriz da] Microsoft por enquanto não fala sobre queda de preços, então não vejo sinais disso acontecer no mercado internacional. Desde que a gente siga as políticas internacionais de preços, não há sinais claros da redução no Brasil, pelo menos por enquanto.

Quando o console foi anunciado a R$ 2.999, houve reclamações sobre o valor, elevado para os padrões nacionais. Você acha que o preço esteja fazendo alguma diferença no número de vendas apresentado até agora? Quer dizer, as pessoas deixam de comprar porque está caro, ou compram independente do preço?
Eu acho que, como qualquer produto, existe uma curva de elasticidade de preço. O produto é vendido a R$ 2999, e à medida que os preços caem, aumenta o tamanho do que chamamos de “mercado interessado”. É obvio que o tamanho desse mercado interessado no país é menor do que se o Xbox 360 custasse R$ 2.000, ou R$ 1.500. É claro que o fator preço é importante, mas existem limites pelo o que as pessoas podem gastar.

Você acha que o brasileiro reclama demais do preço das coisas?
Eu não diria isso. Não é uma questão do brasileiro só reclamar do preço. Todo mundo sabe a dificuldade que é ganhar dinheiro, e cada um quer ter o melhor pelo o que gasta. Faz parte do direito do consumidor. Uma das grandes reclamações dos consumidores é sobre o preço dos jogos. Os jogos eram chamados de “joguinhos” e vendidos por R$ 5 nos camelôs, então se criou uma dificuldade grande para as pessoas entenderem o que significa o “valor intelectual” de um produto. As pessoas costumam achar que o custo de um game deveria ser menor de um show ou DVD. Na maioria das vezes, não se tem noção de quanto custa produzir um jogo. A enorme disponibilidade de produtos falsificados gera essa distorção de valores. Não existe “bala de prata” que vá resolver isso. O consumidor tem todo o direito de lutar por preços melhores, isso é um pedido justo. Só não é justo querer preços iguais aos da pirataria. Fizemos várias pesquisas qualitativas e alguns entrevistados disseram que não querem pagar mais do que um preço de um pirata. Ou seja, o que determina um preço hoje é quanto ele vale no mercado pirata.

Com o Xbox no Brasil, a Microsoft se vê mais à vontade para participar de eventos, fazer anúncios na TV e colocar mais a cara para bater no mercado brasileiro?
Não sei o que você quis dizer com “colocar a cara para bater”, mas sim, o objetivo é aparecer cada vez mais na mídia, aparecer e fazer campanhas, principalmente nos períodos sazonais, como Dia das Crianças e Natal.

O que pode ser feito então para haver melhorias em nosso mercado? Depende de quem? Governo, empresas, consumidores?
É preciso haver um aumento no número de pessoas interessadas em desenvolvimento de jogos. A popularização das ferramentas de criação, como a plataforma XNA, ajuda nesse sentido. A abrangência de títulos de diversas camadas de preço também é essencial, uma vez que é preciso haver jogos pra todos os gostos e bolsos. De forma geral, estamos relativamente bem servidos. Já na área de consoles ainda não estamos aonde deveríamos estar… a concorrência não entrou de forma massiva e a falsificação ainda é grande.

No Brasil, os MMORPGs para PC fazem bastante sucesso. Você acha que isso indica que o mercado brasileiro é mais parecido com o coreano do que com o norte-americano, por exemplo?
Eu não sou um expert em Coréia, mas o que eu sei que um dos motivos para o mercado de videogames não ter entrado lá foi porque existia uma certa rivalidade comercial com o Japão. O fato de haver uma restrição comercial entre os paises tornou os videogames caros demais para os coreanos. E o PC sempre foi mais barato que o console. Houve também os incentivos do governo, o aumento da conexão banda larga, o surgimento de milhares de lan houses, canais de TV para transmissões de partidas de StarCraft… [...] Existe muita diferença entre o brasileiro e o coreano. Eles gostam de jogar somente Estratégia e MMORPG, algo muito diferente das comunidades internacionais. Há narradores em torneios online, as pessoas idolatram os jogadores profissionais… . Eles têm um modelo que agrada aos consumidores deles. Se esse modelo é replicável em outros países ou não, isso é outra historia.
Eu não vejo esse tipo de coisa acontecendo no Brasil. A característica do brasileiro é diferente, o perfil é outro. O coreano usou muito desses Internet Cafés como um local de integração social, é uma característica cultural deles. No Brasil não funciona assim, não há uma parte tão significativa da população que freqüenta esses lugares. As culturas são muito diferentes, são mais áreas de diferenças do que similaridades.

O que você, Milton Beck, gostaria de ver no mercado brasileiro que ainda não viu?
Um quadro ideal seria o que se vê em um país com os Estados Unidos, onde existe uma proliferação grande de propagandas de jogos novos em TV aberta, programas especializados em várias emissoras, grande quantidade de revistas, a possibilidade de se comprar jogos em grandes cadeias de lojas. Mais ou menos algo parecido com o que existe nos EUA, Inglaterra e Japão. Trazendo para uma realidade mais próxima, o cenário mexicano está hoje bem mais avançado do que o nosso. No México, todos os players estão presentes, os preços são mais acessíveis, todos os consoles foram lançados, o preço de venda é mais próximo ao poder de compra da população, as propagandas são mais massificadas. O Brasil não tem isso ainda. Estamos melhores do que estávamos no dia 30 de novembro [dia anterior ao lançamento do Xbox 360 no Brasil], mas ainda há um longo caminho a ser percorrido, temos uma etapa longa para o Brasil se ver inserido nesse contexto. Enquanto a falsificação estiver em níveis tão altos, a produção de produtos nacionais será inibida. Estamos melhores, mas longe do que deveríamos ser.

Você é considerado o principal executivo do mercado de games nacional. Como é lidar com isso?
Eu não sei. Eu acho que sou aquele que mais responde entrevistas, talvez por falta de interlocutores na concorrência. Por um lado é interessante – eu gosto de falar com a imprensa, e é através da mídia que faço nossa mensagem chegar ao consumidor final – mesmo que as respostas que eu tenha não agradem, ou se eu não puder passar todas as informações por motivos “polítcos”. Espero continuar assim no futuro, mas espero que meus concorrentes também tenham uma presença aqui, à medida que o mercado for crescendo. O principal beneficiado com isso é o consumidor: daí ele poderá fazer suas escolhas baseado em critérios “normais”.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Luis Pazos Paredes (Microsoft)
  2. Entrevista da Semana: Marcel R. Goto (Diverbrás)
  3. Entrevista da Semana: Jocelyn Auricchio (O Estado de SP)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , ,

Ver todas as notas

11 comentários para “Entrevista da Semana: Milton Beck (Microsoft)”

  1. Fabão disse:

    Excelente entrevista! Parabéns mais uma vez pelo conteúdo, Meninão, e boa sorte nessa empreitada, Milton! E vamos melhorar o suporte à imprensa, hein? :P

  2. Paulo Coelho disse:

    Parbéns, bela entrevista. Agora as pessoas quererem original a preço de pirata? Putz, que onda! Acho mais do que justo os preço dos jogos (99 e 159). Bela iniciativa.

  3. Renato Kreisig disse:

    Comprei o Xbox brasileiro, já comprei 5 jogos, além dos três que vieram no pacote, e estou adorando o console… Mas acho que a Microsoft ainda não entrou com tudo no país. Tem que ter mais lançamentos, mais propaganda… Agora, aqueles lançamentos a R$ 199,00 da Electronic Arts eu me recuso a comprar. O preço dos jogos foi tão alardeado na época do lançamento como R$ 99 e R$ 159, mas ninguém naquele período disse que isso era só com relação aos games publicados pela própria Micrsoft. Isso foi sacanagem… Já estou pagando 159 reais e, apesar de achar caro, estou pagando esse preço e dando meu apoio aos lançamentos nacionais.

  4. Daniel Oliveira disse:

    Me pareceu um cara sensato e bastante humilde. Parece também não ter medo algum da ocncorrência, estou certo?

    Parabéns Pablo.

    Abraços

  5. bueno disse:

    Eu concordo mais ou menos com tudo que foi dito aí.
    Principalmente com a última linha do Fabão.

  6. Lucas Patricio disse:

    Tive a oportunidade de entrevistar o Milton na epoca do lançamento mundial do 360, e ele é o tipico executivo, hehe, nada de muitos furos…

    Mas eu acho que faltou ele falar alguma coisa da Live, mas saber que Crackdown e Winning Eleven vão chegar aqui é uma ÓTIMA noticia =)

    Otima tambem sua entrevista Pablo ;)
    gande abraço!

  7. Marcos Diniz disse:

    Foi uma ótima entrevista Sr. Pablo, mas achei que realmente o amigo observou bem, faltou notícias da Live, e por acaso, você tem alguma?

    Valeu e até mais.

  8. Pablo Miyazawa disse:

    Questionei sobre a Live, mas não inclui – ele disse que ainda não tem novidades. Como nada mudou, preferi não falar colocar na entrevista, quebraria o ritmo…
    Abraços e obrigado o toque.

  9. Eros disse:

    olha so uma perguntinha bem idiota por que a ms nao consegue entrar com o console em grandes redes como as casas bahia (eu lembro do pablo falando que ia ser otimo na epoca comprar um 360 em x la ) ?
    por que isso nao acontece
    eu sei que ia facilitar drasticamente para muitas pessoas poderem ter o console numa loja e poder ve -lo e ver de que jeito fica melhor para comprar por que isso nao acontece ?

  10. Henrique Breda disse:

    Olá, queria saber quais os requisitos para entrar nesses mercado tão concorrido que é o de criação de games, estudo o curso de nível superior em Sistemas de Informação, procurei estudar também modelagem em 3D Studio Max, procuro me especializar mais nessa área e queria saber quais os objetivos sobre isso para tomar como rumo.
    E também comentar que a Microsoft como tem ganhado bastante experiência sobre o mercado de jogos, criando fãs e pessoas esperando seus games cada vez mais criativos, quem não gostou de jogar Age of Empires 1 depois jogando o 2 notou uma grande diversidade de gráficos e recursos e do grande salto quando foi lançado o 3, também podendo citar o jogo Fable que na minha opinião foi o melhor game de todos os tempos que possibilita uma grande diversidade de ações podendo escolher o que voçê quer ser um arqueiro, mago ou guerreiro e também o melhor ser bom o mal, esperava o lançamento do 2 mas fiquei chateado quando foi anunciado que seria apenas lançado pra o XBOX 360.
    Pra finalizar o meu esse post, vejo que a Microsoft tem um grande futuro nessa mercado, mas também não pode deixar de lado o mercado de MMORPG que afinal é um grande mercado e pelo histórico de criação a Microsoft tem os recursos necessários para entar nesse mercado.
    Henrique Breda.

  11. Pablo Miyazawa disse:

    Eros, a pergunta não é idiota. Realmente, demorou para o 360 ser vendido em locais como Casas Bahia etc. Isso estava no plano inicial, mas não se concretizou ainda. Tenho certeza que havia a intenção, mas deve ser algo além de nossa compreensão de consumidor. Vou levar esta pergunta a eles o mais rápido possível… abraço!

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório







Voltar ao topo