Entrevista da Semana: Julio Vieitez (Level Up! Games)
Hoje é segunda, dia de Entrevista da Semana no Gamer.br. A conversa foi com um dos executivos mais produtivos e ocupados do mercado de games brasileiro – Julio Vieitez, Gerente de Marketing Executivo da Level Up! Games. Desde 2000 lidando com games, quando começou na Tec Toy, ele foi um dos principais responsáveis pelo lançamento do sucesso Ragnarök Online no Brasil. Confira a conversa e, como sempre, comente no final.
Gamer.br: Antes de trabalhar na Level Up! com games online, você era da Tec Toy, onde cuidou do lançamento de consoles. Qual é a diferença de cada mercado? Qual você gosta mais?
Julio Vieitez: A diferença é gigantesca. Quando se vende um console (hardware ou software), a grande parte do trabalho acaba quando o usuário compra o produto. Ou seja, há a escolha do título, localização, produção, distribuição e a promoção. O pós-venda é muito simples. O jogo online é um serviço, portanto é um ciclo que praticamente não termina. Na verdade, a maior parte do trabalho começa após os usuários adquirirem o serviço.
O mercado de MMORPGs é hoje gigantesco no Brasil. Você acha que ainda há potencial de crescimento? Quanto mais?
O mercado de jogos online no Brasil ainda é embrionário. Há muito espaço para crescer, inclusive dentro do próprio mercado de games. A maior parte dos jogadores no país continua jogando em consoles. Neste ano trouxemos um jogo de luta, Grand Chase e um de tiro, The Duel. Com a chegada de games diferentes, com a expansão da banda larga e o amadurecimento natural do mercado, a cada ano teremos mais e mais gamers de jogos online.
Os games online formam um mercado completamente distinto do mercado de consoles. Você acha que haverá espaço para ambos ao mesmo tempo daqui uns 10 anos, mais ou menos?
Com certeza. Há uma tendência natural dos jogos de console possuírem mais recursos online, mas existe espaço para ambos, ainda assim, é importante ressaltar que os jogos online terão mais participação, pois estão se tornando muito sofisticados.
Diferente do mercado de consoles, no mercado de jogos online vocês lidam diretamente e ininterruptamente com o publico consumidor. Como é lidar com esta pressão constante?
Mais do que uma pressão é uma troca constante. Sempre que lançamos algo, seja um jogo, ou uma promoção, conseguimos ver a reação dos usuários rapidamente. Isso facilita muitas coisas, mas exige uma enorme vontade de sempre fazer cada coisa da melhor forma possível. A Level Up! é bastante ativa em eventos, campeonatos e procura ter um contato grande com os jogadores.
Recentemente, vocês lançaram games online com caixinha e embalagem (City of Heroes, Vilains). Vocês acham que o consumidor de games brasileiro ainda é muito ligado a esses bens “físicos”? Ou ele lida bem com o fato de pagar por algo não palpável, ou seja, uma mensalidade de jogo?
Boa pergunta. Há todos os tipos de jogadores. A Level Up! procura disponibilizar os games para os mais variados jogadores. Aliás, temos não só as caixas dos jogos, como outros produtos (Revista Level Up!, cadernos, mochilas, camisetas, álbum de figurinhas, etc). Nesta semana, estamos lançando a caixa de RF Online, uma edição de colecionador com um item especial, DVD de instalação, mouse pad, manual de 96 páginas
e cartão de acesso ao jogo. É uma forma do jogador possuir algo especial (e tangível) do seu game favorito.
Como as empresas que lançam games online lidam com a questão da pirataria? Por acaso este é um problema que não atinge vocês diretamente?
Atinge de uma forma diferente, pois nossa estrutura para suportar os jogos é grande, propiciando um acesso de qualidade. A pirataria é o maior inibidor do mercado nacional e um grande problema cultural que temos. Nós buscamos, junto com a ABES, inibir a pirataria da melhor forma possível.
Grosso modo, o mercado de games nacional tem jeito? Qual seria o quadro ideal para empresas e para os jogadores?
Como disse acima, nosso maior mal é a pirataria que reduz o mercado, prejudicando consumidores, empresas e o governo. Ela é principalmente um problema cultural. Contudo, o mercado tem crescido e os usuários podem desfrutar de novas opções. A Level Up! já lançou 10 jogos para o Brasil e continua buscando novos games para trazer ao país.
Fechando, a sua opinião de jogador: você já jogou os três consoles de nova geração? Qual gostou mais?
Infelizmente ainda não consegui jogar todos, por isso não poderei compará-los. Mas acho que vale um comentário… para mim a Nintendo continua sendo a empresa mais preocupada com a diversão do gamer. O interessante não é o que o Wii proporciona, mas sim imaginar o que teremos na próxima geração. Toda inovação é bem vinda. Eu lembro quando joguei Ragnarök pela primeira vez. Foi fantástico interagir com tantas pessoas em um RPG. Antes, nós, jogadores, éramos obrigados a viver solitariamente nos imensos mundos criados pelos desenvolvedores, agora é o contrário. É possível pedir ajuda, conversar etc. Eu acredito que a existência de três grandes fabricantes
de console é importantíssima, caso contrário veríamos sempre pequenas variações do que já existia.
E quem ganha a guerra da nova geração de consoles?
Já existem algumas projeções internacionais realizadas por empresas especializadas, prefiro deixar este assunto para eles e guardar minha opinião. O mais importante é o crescimento do mercado como um todo e a concorrência que está ocorrendo. É ela que proporciona títulos cada vez melhores.
Notas relacionadas:

+ 1 entrevista… + um parabéns pela mesma.
=)
Abraços
poxa você entrevistou um executivo de MMORPG e não fez uma pergunta sobre hackers e cheaters? é bom rever a pauta ae colega!
Louvável a atitude da Level-Up no Brasil. Claro, todo mundo precisa ganhar o seu, mas lançar jogos gratuitos e até com edições especiais me faz lembrar dos tempos da brasoftware. Bom que as portas estão se abrindo de novo, graças a esses pioneiros (microsoft, alguém?).
Pow, legal a entrevista, Tive a oportunidade de conversar com o Julio (e entrevistalo) na EGS 2005, o cara é gente fina mesmo =)
Grande abraço Pablo.
hackers? cheaters? ah, nem tive vontade de falar sobre isso, colega… a posição que ele declararia seria a da empresa, e não a dele…
E o plano de aceleração do crescimento que o governo anunciou? Vai afetar os video-games?
Infelizmente o mercado de jogos online no Brasil já tem uma grande vítima – uma empresa vai fechar as portas logo, logo. O pior é que quem perde é o póprio Brasil, os jogadores, o público… Triste.
A unica pergunta que não rolou: E World of Warcraft no Brasil? Quando?
Perdoe minha ironia, mas eu vejo os hackers e cheaters como o maior problema que enfrentam os MMORPGs, que atrapalham a diversão e acabam com a economia dos mundos virtuais. Eu queria saber o que a levelup (talvez, mais os desenvolvedores) trabalha para estirpar essa praga.
Obrigado pela atenção
Concordo com o Fabiano,
hacker e cheat são os verdadeiros probemas, pena que algumas empresas olham como números, o hacker , o cheater, o bot são pagantes…
e tenho certeza de que eles pensam: “vale a pena bloquear todos esses pagantes?”
lembro até de uma “lenda” do bRO, dentro da lug teve uma reunião suprema e decidiram que os bots iriam continuar pois a fatia deles no quadro de jogadores pagantes era grande.
Cara agardeco a leveu up a ter comprado o melhor jogo que eu ja joguei ate hoje …..combat arms…….muito show quem concorda comigo