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Arquivo de dezembro, 2006

07/12/2006 - 19:42

Games em papel

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As bancas estão agitadas. Culpa dos games. E aqui tem exclusividade também quando o assunto está no papel.

A editora Europa prometeu e cumpriu: a primeira edição da Revista Oficial Xbox 360 sai já na próxima segunda, 11 de dezembro. O esquema é semelhante ao de revistas licenciadas como a EGM Brasil – uma mistura de conteúdo gringo e nacional e uma equipe exclusiva para escrever e criar a revista. O preço de lançamento é R$ 9,90 por 100 páginas e um formato bem diferentão. Pelo que vi/ouvi sobre o conteúdo, está bem bacana. Confira a “apresentação oficial” da revista escrita pelo Nelson Alves Jr, um dos comandantes da empreitada, aqui.

***

Aproveitando a novidade, a EGM Brasil resolveu inovar também. A edição de dezembro (#59), que chega no dia 15 de dezembro, terá três opções de capa diferentes – cada uma homenageando um dos consoles de nova geração. E a inovação é tanto estética quanto no conteúdo: “Tanto o novo projeto gráfico quanto o editorial seguem o padrão americano, mas adaptados pela equipe brasileira”, me contou o editor Fabio Santana. Por enquanto, dá só para imaginar a mudança pelo logotipo, mas tive acesso a algumas páginas e achei tudo bem bonito e moderno. A edição ainda traz como brinde um encarte de 16 pgs sobre a guerra PS3 X Wii. O preço continua R$ 8,90.


Opção 1…


Opção 2…


Opção 3

***

Definitivamente, torço muito para ambas darem certo. Há espaço para muitas revistas no mercado, principalmente se possuirem um material humano tão bom quanto as duas publicações citadas acima. Você, leitor deste blog, deveria contribuir também: na semana que vem, gaste seu dinheiro em uma banca de jornal. A classe editorial brasileira agradece.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
06/12/2006 - 20:04

Wii wants you

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Enquanto o mundo cai lá fora (é a segunda vez que escrevo estas linhas, visto que as luzes se apagaram e perdi todo o texto…), o mundo dos games só fala do Wii. Nem parece que o PlayStation 3 foi lançado quase ao mesmo tempo. Cá entre nós, o console da Sony ainda não gera assunto apenas porque não há muito o que se fazer com ele por enquanto.

Já o Wii da Nintendo é outra conversa. Criar o Mii já vale a diversão inicial. Levá-los para passear em outros consoles também é bacana. E ainda que nenhum game tenha chegado muito longe em matéria de diversão (tá bom, Zelda vale), há muito espaço para melhorias. Tenho vários colegas de profissão que já tem o console em casa (já chegam a uma dezena). Ninguém está reclamando, mesmo com tantas histórias malucas sobre joysticks que voam de mãos suadas, etc.

O site IGN publicou um artigo interessante sobre as possibilidades de melhorias em futuras atualizações. Tudo isso faz muito sentido, até demais. Me faz pensar que não houve outro console na história que gerasse tanto assunto na época de seu lançamento – veja bem, estou falando do console, e não de seus games. Isso acontece porque o Wii foi feito para ser um mundo separado dos jogos. Mesmo que nenhum novo game te agrade, ainda é possível se divertir de alguma forma (isso porque o sistema de acesso à internet e os canais especiais ainda não estão funcionando).

Eu não quero nem ver (linguagem figurada, claro) quando os games realmente bons forem lançados – Super Mario Galaxy é um deles. Não é surpresa saber que as vendas do Wii estão superando as expectativas da própria Nintendo. Será que se vender mais do que a concorrência a Nintendo voltará a ser considerada a líder do mercado um dia? Ou o Wii está em uma categoria distinta do PS3 e do Xbox 360 e não será nem considerado parte desta briga?

Pensando bem, será que vale mesmo a pena determinar um vencedor nesta “disputa”? Eu já desisti disso.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
04/12/2006 - 20:53

Entrevista da Semana: Renato Bueno (EGM PC)

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Dia de “Entrevista da Semana” é assim: eu pergunto, alguém responde. Desta vez, o escolhido foi o jornalista Renato Bueno, editor da revista EGM PC. Além de jogar, escrever, meditar e ponderar sobre o mercado de games, o cara escreve de vez em quando no genial Freeko, um dos melhoes blogs de games deste país. Apesar de ser normalmente quieto, ele se inspirou para falar (muito) sobre o que pensa neste blog. Confira e comente, como sempre:

Gamer.Br: Qual é o papel de uma revista de games em um mercado como o brasileiro? A revista ainda é tão relevante quanto era há 5 anos?
Renato Bueno: Nosso papel (ha!) é fazer o que a internet não pode, ou não está preocupada, ou não nasceu para fazer. Matérias especiais, conteúdos exclusivos, priorizando a análise e o aprofundamento dos temas – deixando de lado a simples idéia de “notícias” e “análises”.
As revistas ainda são tão relevantes quanto há 5 anos, e talvez ainda mais, já que agora o jornalismo de games começa a se profissionalizar pra valer – é só o começo, camarada. A relevância do nosso trabalho varia de acordo com o público. Para o leitor que só quer ver a nota de um jogo (ou conferir se ela cumpriu suas sagradas expectativas), a revista é dispensável. Ele pode até comprar todo mês e se orgulhar de falar “Eu leio a revista do Pablo”, mesmo que, efetivamente, ele não leia, ou não a leia como o Pablo gostaria.
As miras começam a se voltar ao “leitor-jogador-adulto”, que leva uma vida cada vez mais corrida e quer ter uma revista de confiança falando “desse assunto muito louco”.

O quanto a internet mudou a maneira de se tratar a notícia do mercado de games?
Falando em Brasil, certo? No campo online, ela contribuiu com a democracia: todos os sites têm exatamente as mesmas notícias. Se o portal do Pablo não tem a notícia que saiu no portal do Fabio Santana, o Pablo vai lá e “mandraca” a nota que o Fabio Santana publicou – que, por sua vez, foi adaptada de alguma nota de site gringo. Não existe apuração, não existe jornalismo (exceções, poucas) – mesmo quando os (raros) fatos acontecem ali na esquina.
No aspecto impresso, Ela (E maiúsculo) engarrafou nossos leitores de “risos” (os RSS readers), facilitou nosso acesso à informação e o contato com o mundo onde os games realmente acontecem, que é bem longe daqui. Além de ter obrigado as revistas a se reformarem, encontrando seu novo lugar. Estamos quase lá.

O mercado de consoles está caminhando no Brasil, com a chegada do Xbox 360. Você acha que alguma coisa também vai melhorar no mercado de games para PC?
O otimista é um mal-informado, e me orgulho de ser um cego representante dessa classe indisciplinada. 2007 vai ser um ano incrível para os jogos de PC no mundo, principalmente pelos grandes nomes (Crysis, Bioshock, talvez Spore…), mas também pela cruzada da Microsoft com o selo Games for Windows.
Tendo na retaguarda o poder de fogo do XNA, da Xbox Live Anywhere e do Windows Vista + DirectX 10, o Games for Windows é uma espécie de ISO dos games. Diz respeito a exposição/experimentação em grandes lojas, padronização de caixas de jogo, modos de instalação e uma série de outros elementos que pretendem fazer o quê? Facilitar a vida, deixar tudo mais prático e atraente. Isso mostra que o PC é também uma plataforma de jogo – constatação que enfrenta obstáculos ainda nebulosos, principalmente no Brasil, em que o jogador ainda fica um pouco perdido nesse meio.
Aliás, o selo Games for Windows vai funcionar nos EUA. Estou esperando resposta da Microsoft para saber como vai ser aqui. Mas, em resumo: jogos mais bonitos, mais legais, mais fáceis de instalar e jogar. E que exigirão uma supermáquina em casa.

Quando você estudava jornalismo, queria se especializar em games. Hoje, você conseguiu. É o que esperava?
Eu não esperava nada, não faço planos – uma semana é longo prazo. Quando saquei uma vaga possibilidade de escrever coisas legais sobre o assunto – então começando o último ano de faculdade -, imaginava apenas “escrever reviews melhores do que os que eu via publicados”.
Escrever uma reportagem sobre indústria brasileira de games ou entrevistar um diretor de marketing de uma publisher que começa a descobrir a América Latina eram tarefas intangíveis, eu teria que nascer de novo e ter todos os consoles do mundo.Tarefas tão intangíveis quanto a idéia de “escrever sobre games” quando eu assinava a Super Gamepower.

Quais são as principais virtudes que um jornalista de games precisa ter no Brasil?
O cara tem que ser curioso, gostar do que faz e perceber que a influência dos games se assemelha (falemos sobre proporções em outro dia) à influência do punk, 25 anos atrás. Uma revolução cultural que exige observadores e críticos à altura. Estamos perto do olho do furacão, e não podemos deixar passar.
Num pensamento mesquinho: tempo e dinheiro. Tempo para jogar tudo que for possível, da maneira mais profunda possível. Tempo para ler todas as revistas, nacionais e importadas, além dos sites. E tempo para sair da redação e ver o que acontece no mundo real. O dinheiro é para financiar esse hobby, e essa profissão, caros por natureza.
Num pensamento humanista: uma formação cultural sólida, que vai além do “eu joguei todos os jogos do mundo desde 1931″. Que livros você leu? Quem são os jornalistas que significam alguma coisa para você? Por que Grim Fandango é um jogo e O Código da Vinci não é um jogo?

Quem vence a guerra da nova geração de consoles?
O São Paulo. O vice-campeão serão os jogadores. Parece política de partido pelego, eu sei, mas é fato: eu não me preocupo. Na redação a gente vive de piadas assim (pega essa, Sony! Pega essa, Nintendo! Pega essa, PC!) mas, na verdade, eu me afasto naturalmente de especulações e estudos desse calibre. Simplesmente não me preocupo.
O que importa são os jogos, são as possibilidades que se abrem ao jogador. Como jornalista da área, talvez eu devesse ter “uma posição oficial, carimbada em três vias”. Mas não sou formador de opinião, quero que essas empresas todas se matem.
Vai ser a Nintendo.

Você jogou os três consoles. Qual gostou mais?
Joguei nada – falta o PS3, o nosso ainda não chegou, e prefiro falar só depois de jogar. Eu compraria o Xbox 360. A proximidade dele com o PC, a estrutura online, bons jogos e a “marca” do brinquedo me conquistaram, sem falar na presença oficial em terras brasileiras.
O Wii é incrível, jogo todo dia na redação, mas não é compatível com a linha editorial do que eu gostaria de ter em casa para jogar. Quem sabe daqui a 1 ano, com jogos novos…

E a pirataria, tem jeito? Ela é o problema ou já é a solução?
Gostaria que houvesse uma solução para que o problema não existisse. Mas a pirataria existe, e ainda considero isso um grande problema, mesmo sabendo que, sem ela, umas vinte pessoas teriam games no Brasil. Falta ler o dossiê final da CPI da Pirataria para saber qual é a real – deve ter coisa boa ali, não?
Enquanto isso, me limito aos impulsos passionais: fico puto com os peixes grandes, que gerenciam as estruturas que levam o CD até a barraquinha do centro; lamento a insaciável “necessidade de esperteza” que impregna a cultura do brasileiro (pagar o mais barato possível no que quer que seja); tento não pensar nas taxas e impostos desumanos impostos aos games no Brasil.
Também existe o dilema da revolução digital: pirataria e distribuição digital não são, necessariamente, sinônimos. Isso é outra história.

Até quando videogame será considerado coisa de criança?
Até o dia em que o último adulto que não entende do riscado for atropelado pela perspicácia de uma geração de gamers dominando o mundo. Até o dia em que a última namorada perceber que existe algo mais ali, além de tiros, explosões e um “Save Game” sagrado. Até o dia em que o último jornalista de telejornal-de-dona-de-casa tiver esmerilhado um God of War. Vai demorar, mas a gente chega lá – eu sou otimista.

O que falta para o Brasil “chegar lá” no mercado de games? E o que significa “chegar lá”?
Talvez o “chegar lá” supremo seja obtido pela união do “chegar lá” econômico + “chegar lá” cultural + “chegar lá” profissional. No econômico, falta Nintendo e Sony virem pra cá, abrirem o mercado, o governo entender a parada etc. No cultural, falta informação, conhecimento da sociedade “que não joga”. No profissional, faltam profissionais-referência, revistas definitivas e até, quem sabe, um panorama acadêmico sólido sobre os games. Ainda dá para cavar um “chegar lá tecnológico” e outros mais, mas, basicamente, o que falta é encarar os jogos como mais um produto cultural, como a música, os filmes, os livros, os episódios de Hermes e Renato.

Notas relacionadas:

  1. Entrevista da Semana: Marcel R. Goto (Diverbrás)
Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Entrevista da Semana, Tudo ao mesmo tempo Tags: , , , , ,
01/12/2006 - 22:07

Uma outra vida

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Agora você já sabe: Second Life está chegando oficialmente ao Brasil, através de uma parceria entre a Kaizen Games (aquela do Priston Tale) e o portal IG. O Brasil é o primeiro país do mundo a receber o game oficialmente fora dos EUA. Outra novidade da empreitada é que já há empresas interessadas em tirar uma casquinha do negócio por aqui: a MTV já adiantou que terá uma ilha da emissora dentro da versão brasileira do jogo.
A notícia completa pode ser lida aqui.

Mais detalhes serão divulgados em breve pela Kaizen.

Aliás, era exatamente sobre isso que eu não podia falar esses dias. Sorry se você esperava outra coisa…

E falando em Second Life… até que não seria nada mal ter uma segunda vida em um dia como hoje…

***

Foi hoje: começou oficialmente a venda do Xbox 360 brasileiro. Comprou o seu? Conhece alguém que comprou? Comente sua experiência aqui embaixo.

E bom final de semana.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
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