A verdade 360
Você, informado que é, já deve saber de tudo isso, mas vale a pena repetir.
- O Xbox 360 chega oficialmente ao Brasil no dia 1º de dezembro de 2006. Será vendido em lojas online (Submarino, Americanas.com) e offline (FNAC, FastShop, UZ Games, Blockbuster, Saraiva), entre outras.
- O preço não é barato – R$ 2.999,00; mas o pacote (exclusivo para o mercado nacional) acompanha três games. Project Gotham Racing 3, Perfect Dark Zero e Kameo: Elements of Power. Além disso, a embalagem traz um faceplate exclusivo (para mudar a aparência do console), um controle remoto universal e um joystick sem fio, além do HD de 20GB embutido. Em outras palavras, é o pacote premium com três jogos.
Durante a coletiva, questionei o porquê de se incluir 3 jogos num pacote com preço já elevado. Não seria melhor excluir os games da embalagem para tornar o console um pouquinho mais em conta? Uns R$ 2.500 seria um tanto melhor. Ou então, não daria para oferecer ao consumidor a opção de comprar o console sem jogo nenhum, pagando menos? Milton Beck, o dono da festa, respondeu bem: “Fizemos todos os estudos possíveis, e pode ter certeza que este é o melhor preço possível para o mercado nacional”.
Ok, minha conclusão é: o preço de R$ 2.999,00 é, realmente, o valor-limite para a Microsoft lançar o X360 aqui sem perder muito dinheiro e pagando toda aquela montanha de impostos (nada mudou neste aspecto, por enquanto). Então, para não assustar muito, fizeram o que? Negociaram com a matriz sobre a compra de jogos da “primeira geração” do console, a preço de banana. Incluir estes três jogos no pacote encarece em quase nada para a Microsoft, e soa como a desculpa perfeita para colocar o preço neste patamar. Ou seja, mesmo que eles tirassem os 3 jogos da embalagem, o preço sairia igual. No fim das contas, a Microsoft criou um bom negócio para o seu lado, e também para o consumidor que se interessar em comprar a máquina por aqui.
Vale lembrar que eles oferecem assistência técnica e garantia de um ano – somente para consoles comprados no Brasil. Hmm.
- A surpresa foi o preço dos jogos. Sabe-se lá como, a Microsoft conseguiu um patamar não menos que impressionante, dada a atual conjuntura do mercado. Um game lançamento como Gears of War sairá por R$ 159. Um game catálogo, como Dead or Alive 4, sai por R$ 99. Fazendo as contas “dólar-real”, dá praticamente na mesma comprar aqui ou nos EUA.
- Por volta de 20 jogos estarão disponíveis no lançamento, como Ninety-Nine Nights, Call of Duty 3, FIFA 07, Tony Hawk’s Project 8, Need for Speed Carbon, entre tantos outros. Os jogos produzidos por outras empresas, como a Electronic Arts, serão lançados pelas mesmas – tal qual já acontece lá fora. Ou seja, a Microsoft não irá centralizar os lançamentos para sua plataforma, deixando na mão das publisher o trabalho e a decisão de lançar seus games aqui. Não foi explicado como isso irá acontecer (faltou alguém da EA subir ao palco para explicar), mas fica claro que será assim: se uma empresa quiser lançar um jogo para 360 aqui, só depende dela mesma.
Conversando ontem com um executivo de uma das publishers no Brasil, escutei algo mais ou menos assim: “Vamos fazer umas contas, ver o que poderemos fazer a partir do ano que vem”. Hm. Promissor.
- Todos os manuais e embalagens virão em português. A outra surpresa da noite foi o anúncio de Viva Piñata totalmente na nossa língua. Bela iniciativa, que deve se estender a outros jogos nos quais nosso idioma é ainda mais necessário.
- Acessórios, montes deles. Caros, muito caros. R$ 219 por um joystick sem fio é too much. O joystick com fio é R$ 169, o cartucho de memória estará em R$ 149, e por aí vai.
Deve ter mais coisas, mas depois me lembro. A noite foi longa, com festa para algumas centenas de convidados (um monte de vips que estão sempre na TV, cantores, Vjs, atores de segunda) e TODOS os jornalistas especializados do país (ou 98%, pelo menos). Provavelmente, foi a mais cara festa do mercado de games brasileiro jamais produzida. Um evento digno do momento. Ninguém se assustou com o preço do console, já era mais do que esperado. O clima era de confraternização, porque, de alguma forma, parecia que algo começava a mudar, ali, naquele exato momento. Dá até para ter alguma esperança sobre esse negócio chamado videogame no Brasil, afinal.
