Viva México!
Ninguém nunca prestou muita atenção ao México no mercado de videogames, mas acho que é hora de darmos uma olhadinha no que acontece lá em cima.
O país que faz fronteira com os EUA é um exemplo interessante de como um país relativamente pobre consegue ter relevância no cenário mundial deste mercado sem fazer lá muito esforço. Para se ter uma idéia, todos os três consoles da geração atual foram lançados lá de forma oficial, a preços bastante semelhantes aos encontrados no território ao lado. Isso significa que Nintendo, Sony e Microsoft possuem escritórios em funcionamento e realizam estratégias de marketing e campanhas regulares na mídia local, tanto na TV quanto em revistas e na internet.
Por falar em mídia especializada, o México orgulha-se de ter uma quantidade grande de veículos de peso – não apenas títulos licenciados, como a EGM e a Club Nintendo, como também o Atomix, que além de ter um excelente programa na TV, faz revista, site e o que mais vier na frente. Jornais fazem cobertura constante dos lançamentos, e os profissionais mexicanos são presença constante nos eventos mundiais. Na E3, por exemplo, a proporção é de 5 jornalistas mexicanos para cada brasileiro, exagerando um pouco (não há estatísticas deste tipo).
E é até interessante ver como a mídia especializada mexicana se leva a sério, agindo até com certa arrogância diante dos “hermanos” da América do Sul. Portam-se como “jornalistas sérios”, falam inglês fluente e possuem entradas com as grandes oportunidades, como entrevistas com produtores importantes e exibições fechadas. Me lembro da E3 2004, quando tive a oportunidade de realizar uma entrevista exclusiva com Shigeru Miyamoto pela revista Nintendo World. Fomos o único veículo brasileiro a conseguir a chance. Naquele mesmo dia, sei de pelo menos 3 revistas mexicanas que conseguiram fazer o mesmo. E houve outras entrevistas que brasileiros nem puderam tomar parte – os mexicanos, claro, estavam em todas.
É óbvio que a Nintendo of America daria mais importância a um mercado que já está em funcionamento, mas foi inevitável não sentir uma pontinha de ciúme: por que eles podem, e nós não.
Para a próxima geração, o México já está mais do que pronto. O Xbox 360 saiu lá ao mesmo tempo que nos EUA. O Wii será lançado no dia 19 de novembro, com direito a grande barulheira na mídia. E o PS3 também estará lá com relativa facilidade, simultaneamente ao mercado norte-americano. Tudo oficial, com garantia e assistência técnica. Com uma bela oferta de jogos. E com um preço não muito proibitivo (mesmo porque, a capacidade de compra do consumidor mexicano não é muito diferente da do consumidor médio de games no Brasil – dadas as devidas proporções). Por conta disso, a pirataria, que antes era escancarada, foi bastante inibida. As pessoas consomem jogos não-originais, mas não tanto quanto no Brasil. Nem precisam, aliás. Eles têm tudo ali, prontinho, logo no shopping da esquina.
Neste último final de semana, rolou a EGS México, evento que já se mostrou sucesso nos últimos 3, 4 anos. O Wii e o PS3 (em vídeo) estavam lá em demonstração, assim como os grandes lançamentos do 360. A importância se estendeu ao nosso país, visto que tudo indica que o evento não vai acontecer por aqui. Logo, 3 jornalistas brasileiros foram até a Cidade do México só para conferir a festa de perto.
É óbvio que o México só é o que é hoje por causa de sua proximidade territorial com os Estados Unidos, o que facilita em muito a resolução de burocracias e entraves. Mas esta não pode ser a única razão para o “sucesso” do mercado de games naquelas bandas. Um certo trabalho foi realizado ao longo dos anos, que facilitou a abertura desta indústria e tornou os videogames uma realidade possível no país. Não é possível sonhar em ser o México, mas o Brasil bem que poderia tomar alguns exemplos do que anda dando certo por lá. Vejamos.
Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
Tomara que com a iniciativa da Microsoft e os acenos da Nintendo para o mercado oficial de games no Brasil, as coisas por aqui sejam diferentes num futuro próximo.
Sr. Pablo, fiz uma pesquisa na internet e descobri uma coisa que pouca gente sabe, vc inclusive já sabe acredito eu. No começo do ano a ABES ( Associação Associação Brasileira das Empresas de Software) junto com a Microsoft, Nintendo, Vivendi, Atari, Disney e Electronic Arts entraram em negociação com os Ministérios de Ciência e Tecnologia e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para traçar um quadro da situação dos games no País . Eles apresentaram ( espero que sim!) um documento em fevereiro deste ano mostrando todas as dificuldades, inclusive alertando sobre os altos impostos. Isso explica o porque da Microsoft estar vindo com tudo com XBOX 360!
Segundo Jorge Sucarie, presidente a ABES. “O concorrente é a pirataria e a burocracia. A possibilidade de abrir o mercado para a chegada dos consoles, desenvolve o setor de games, e o governo não tem nada a perder com isso. Porque, do jeito que está, ele já não arrecada.” Garoto esperto né?
Tá certo que essa noticia é meio antiga mas acho que esse foi o empurrão que vai trazer as empresas para cá, não dá mais para ignorar esse mercado e outra com a eleição do brabudinho, acredito que isso se concretizará, afinal, segundo ele o Brasil irá crescer neste próximos quatro anos.
Ok, eu tb acredito em papai noel, mas a esperança é a última que morre.
Para quem quer ver o artigo, foi publiciado no Link do Estadão, por Tiago Queiroz:
http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=5707
Até +
Bom, primeiro de tudo, não adianta eu ficar invejado com isso.
A situação geográfica do país realmente o favorece e o Brasil sofre com essa diferença. Gostaria mesmo que os jogos fossem bem vistos pelas pessoas do nosso país, mas é o contrário que ocorre, e pessoalmente dizendo, creio que seja pela falta de divulgação, dos meios de comunicação para a população geral, entende o que quero dizer? Não sou especialista nem nada no assunto, mas como bom gamer desde os tempos Odyssey, sei como o nosso mercado andou bem instável todos esses anos.
Veremos a próxima geração. Realmente quero ver um Wii ser vendido na minha cidade, onde mal existe lojas importadoras de jogos (leia “originais”).
Sejamos francos: a maior ajuda que o México deu para a indústria dos jogos foi a adesão à NAFTA.
Com isso as empresas conseguem importar (e até mesmo exportar, vide a fábrica que a Microsoft contratou para fabricar e montar o Xbox/Xbox 360) com grande facilidade, praticamente sem impostos.
Essa ação, aliada a um programa de combate à pirataria que o Brasil tenta copiar (e obtém sucesso), fez o mercado lá ultrapassar o nosso desde o começo deste século.
As mudanças no nosso mercado são lentas, mas gradativas. Já estamos combatendo a pirataria de forma exemplar: os Estados Unidos nos puniram em 2002 pela pirataria, mas nos parabenizaram este ano pelas ações promovidas e até retirou o Brasil da lista negra dos país que rasgam os direitos autorais.
Por fim, poucos se tocam mas nós temos o maior, melhor e principal “lobbysta” do Brasil trabalhando em prol da indústria dos games. Quem será?
Ah, que bom que pudemos responder à arrogância dos mexicanos com uma excelente performance dos nossos jogadores!
Hm.. eu olho a terra do Carrossel e do RBD com dois pensamentos. Eles tem uma economia muito atrelada a dos americanos e fazem boa parte do serviço pesado pros gringos (tem muita fábrica lá que manda coisa pros EUA, como a Eastman Kodak) e a eleição deles foi uma patuscada. Apesar disso, na parte acadêmica esses caras tão voando baixo. Basta ver o Tecnológico de Monterrey, http://cmportal.itesm.mx/wps/portal, um campus que bate qualquer campus nosso e com circulação de material vindo da Espanha, EUA e Inglaterra. Tem um putza contexto pra favorecer a área dos juguetes, mas também vale olhar o contexto todo da terra do Chaves
abraços
Olá Pablo,
O México realmente supreende na seriedade que o pais tem pelos games.
É realmente invejável o mercado de games deles em comparação com o nosso, e como citaram aqui nos comentários, é claro que acordos politicos e a posição geográfica dele ajudam muito, mas acho que um dia o governo do país tomou a iniciativa de mudar as coisas. Algo que devemos fazer por aqui.
Uma coisa que me “anima” é que o Brasil pode ter um mercado de games 4 vezes maior que o do México se tivesse a mesma politica e estrutura que o país da tequila tem.
Não é dificil, mas enquanto cobrarmos 60% de impostos vai ser dificil.
Ja ouviu a nova do Wii por 2399 reais? Simplesmente triste…
Mas tem jeito, eu sei que tem…
Espero que um dia o nosso mercado chegue a ser não só um ‘méxico’ mas comparável ao dos States
Pablo, tu poderia comentar sobre o alto preço que o Wii vai ter no Brasil né ! E a sacanagem dos caras da Latamel .. até mais.
Tbm to querendo ver um comentário sobre esse preço pelo Pablo!!!! Quem em sua mais perfeita conciencia pagaria 2.400,00!!!!!!!! oO
Esse é o nosso Brasil, e depois não sabem pq o México vive uma melhor situação no mercado de games!!!! ¬¬
Tbm to querendo ver um comentário sobre esse preço pelo Pablo!!!! Quem em sua mais perfeita conciencia pagaria 2.400,00!!!!!!!! oO
Esse é o nosso Brasil, e depois não sabem pq o México vive uma melhor situação no mercado de games!!!! ¬¬
Pablo, o que a LATAMEL está fazendo com o Wii é um absurdo.
Todos os Gamers estão revoltados.
Tenho contato com o Rafael GOMEZ, e ele disse que não pode fazer nada.
Mandei um e-mail pra Nintendo of América, e recebi uma resposta BROCHANTE.
” Nos EUA o Wii custa US$ 250,00. O preço pode variar de país para país”
PORRA, sei que custa US$ 250,00, sei que pode variar, mas quase 5 vezes o valor original?
O que faço?
Mudo de console, e deixo de jogar Nintendo pela primeira vez em 20 anos?
Sinceramente estou desapontado com certas atitudes…
Se pudesse matava um… Literalmente
O que você pode falar disso?
Forte abraço
falo sobre isso amanhã, quando tiver informações suficientes para discutir o tema. Realmente, é um tema chato.
Obrigado Pablo, estaremos no aguardo.
Que bom Pablo, vamos aguarda pq opinião de um especialista e que entende sobre o mercado de games é outra história!! =D