O paÃs tem futuro
O final de semana foi de roque’n'roll (quem nao foi perdeu o show do ano), ressaca e pouco game (a não ser algumas partidas de Guitar Hero no fim do domingo – Take me Out, para não perder o clima), então é chegada a hora de improvisar neste pequeno espaço diário. Segue minha penúltima coluna “Spielen” publicada na EGM Brasil, em agosto.
“Apesar de estar de férias enquanto escrevo estas linhas, é difÃcil desligar-se completamente da rotina de trabalho. Estou distante do dia-a-dia, mas é impossÃvel não comparar a situação do mercado de games brasileiro com a do lugar onde me encontro (Berlim, capital da Alemanha – enfim, a coluna Spielen é produzida no paÃs que inspirou seu nome).
Uma das mais poderosas economias mundiais, a Alemanha também possui um alto Ãndice de consumo de eletrônicos portáteis (como celulares, mp3 players e outras tranqueiras) entre a população jovem. No que diz respeito ao consumo de videogames, há grandes semelhanças com o que acontece nos EUA. Revistas especializadas existem à s dezenas, destinadas a todos os públicos possÃveis. A maioria das grandes lojas de departamentos possui áreas enormes e exclusivas para os jogos, verdadeiros paraÃsos para o gamer brasileiro mal acostumado (felizmente, as diferenças nos padrões tecnológicos continentais impediram que eu gastasse uma fortuna por aqui…). TÃtulos para PC, PS2 e Xbox misturam-se aos muitos acessórios disponÃveis para PSP e 360, sendo que os preços não variam muito de uma loja para a outra. O DS Lite é vendido na seção de brinquedos por um preço aceitável (€ 150, mais ou menos R$ 450). Cartazes oferecem ao consumidor a chance de já fazer a compra antecipada do PlayStation 3 por “módicos” € 599 (R$ 1800). E, mesmo nas grandes lojas, o espaço para games usados é privilegiado. Aliás, esta é uma opção que cairia como uma luva no Brasil. É uma pena que pouquÃssimas lojas façam a gentileza de nos vender produtos de segunda mão por preços mais em conta. Depois não sabem porque a pirataria só aumenta…
É um tanto injusto fazer comparações entre paÃses tão diferentes, mas não acho que seja impossÃvel o Brasil alcançar o padrão de excelência descrito acima. Os alemães adoram invejar nosso futebol (não muito após a Copa), nossa alegria, nossa música, nossas praias e a caipirinha. Deles, eu invejo a capacidade de organização, a seriedade e a competência para resolver problemas. Não por coincidência, são estas as qualidades que mais nos fazem falta para que o sonho de um mercado de games digno se realize em nosso paÃs.”
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Lendo o texto acima longe daquele deslumbramento todo, percebo que não é exatamente de “lojas, bons preços e ofertas” o que o gamer brasileiro precisa. Não adianta esperar algo acontecer nas instâncias superiores se nós mesmos não fizermos nada.
Organização, seriedade, competência, educação, honestidade, respeito, entre outras tantas palavras bonitas, são predicados que são aprendidos em casa, na escola, no convivio social diário. Não dá apenas para cobrar uma atitude do governo por “videogames mais baratos” e esperar que tudo vá se resolver sozinho.
Que cada um faça sua parte. Você já fez a sua hoje?
