2006 setembro | Gamer.BR, por Pablo Miyazawa - Part 2
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Arquivo de setembro, 2006

18/09/2006 - 03:18

O país tem futuro

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O final de semana foi de roque’n'roll (quem nao foi perdeu o show do ano), ressaca e pouco game (a não ser algumas partidas de Guitar Hero no fim do domingo – Take me Out, para não perder o clima), então é chegada a hora de improvisar neste pequeno espaço diário. Segue minha penúltima coluna “Spielen” publicada na EGM Brasil, em agosto.

“Apesar de estar de férias enquanto escrevo estas linhas, é difícil desligar-se completamente da rotina de trabalho. Estou distante do dia-a-dia, mas é impossível não comparar a situação do mercado de games brasileiro com a do lugar onde me encontro (Berlim, capital da Alemanha – enfim, a coluna Spielen é produzida no país que inspirou seu nome).

Uma das mais poderosas economias mundiais, a Alemanha também possui um alto índice de consumo de eletrônicos portáteis (como celulares, mp3 players e outras tranqueiras) entre a população jovem. No que diz respeito ao consumo de videogames, há grandes semelhanças com o que acontece nos EUA. Revistas especializadas existem às dezenas, destinadas a todos os públicos possíveis. A maioria das grandes lojas de departamentos possui áreas enormes e exclusivas para os jogos, verdadeiros paraísos para o gamer brasileiro mal acostumado (felizmente, as diferenças nos padrões tecnológicos continentais impediram que eu gastasse uma fortuna por aqui…). Títulos para PC, PS2 e Xbox misturam-se aos muitos acessórios disponíveis para PSP e 360, sendo que os preços não variam muito de uma loja para a outra. O DS Lite é vendido na seção de brinquedos por um preço aceitável (€ 150, mais ou menos R$ 450). Cartazes oferecem ao consumidor a chance de já fazer a compra antecipada do PlayStation 3 por “módicos” € 599 (R$ 1800). E, mesmo nas grandes lojas, o espaço para games usados é privilegiado. Aliás, esta é uma opção que cairia como uma luva no Brasil. É uma pena que pouquíssimas lojas façam a gentileza de nos vender produtos de segunda mão por preços mais em conta. Depois não sabem porque a pirataria só aumenta…

É um tanto injusto fazer comparações entre países tão diferentes, mas não acho que seja impossível o Brasil alcançar o padrão de excelência descrito acima. Os alemães adoram invejar nosso futebol (não muito após a Copa), nossa alegria, nossa música, nossas praias e a caipirinha. Deles, eu invejo a capacidade de organização, a seriedade e a competência para resolver problemas. Não por coincidência, são estas as qualidades que mais nos fazem falta para que o sonho de um mercado de games digno se realize em nosso país.”

***

Lendo o texto acima longe daquele deslumbramento todo, percebo que não é exatamente de “lojas, bons preços e ofertas” o que o gamer brasileiro precisa. Não adianta esperar algo acontecer nas instâncias superiores se nós mesmos não fizermos nada.

Organização, seriedade, competência, educação, honestidade, respeito, entre outras tantas palavras bonitas, são predicados que são aprendidos em casa, na escola, no convivio social diário. Não dá apenas para cobrar uma atitude do governo por “videogames mais baratos” e esperar que tudo vá se resolver sozinho.

Que cada um faça sua parte. Você já fez a sua hoje?

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
15/09/2006 - 12:19

Truco!

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Pois a Nintendo revelou suas cartas ontem, em Nova York, tal qual um autêntico jogo de pôquer texano. Venceu a partida, mas não com aquela quadra de ases imbatível. Royal Straight Flush? Nem pensar. O que a Nintendo jogou na mesa foi um Full House bonito. Ou uma seqüência simples de naipes diferentes. No máximo.
Ok, chega de metáforas com jogos de azar. Nem todo mundo aqui é obrigado a conhecer pôquer, mesmo este sendo um site sobre jogos… eletrônicos.
O fato é que a Nintendo fez o que se esperava dela. Mas posso dizer que eu esperava mais? Havia feito uma aposta com meu amigo Fabão, da EGM Brasil, e ainda bem que não valeu um almoço. Meu palpite é que o Wii custaria US$ 175 (US$ 199 estourando) e que chegaria às lojas antes do PS3, mais precisamente na última semana de outubro.
Errei feio. Wii nos EUA a US$ 249,99, em 19 de novembro, dois dias depois da chegada do PlayStation 3 à América. No Japão chega no dia 2 de dezembro, e na Europa logo depois, dia 8. E no Brasil, o que acontece? Por enquanto, nada, pelo menos na prática. Mas não é preciso ir muito longe para saber que o Wii estará disponível em lojas especializadas brasileiras pouquíssimo tempo após a chegada ao varejo norte-americano.
Desde o lançamento do Nintendo 64, em 1996, a Nintendo sempre lança todos os seus produtos por aqui. O termo “lançar” é um tanto amplo e gera controvérsia. Para alguns, significa localizar manuais e embalagens, oferecer assistência técnica autorizada, fazer campanha na TV, encher grandes magazines com displays e demonstradoras sorridentes e manter um escritório ativo no Brasil. Para outros, o simples fato do videogame estar disponível em uma loja especializada já é o bastante. O que é o bastante para você?
É claro que todo mundo gostaria de reviver aquele saudoso final dos anos 90, quando a Nintendo era aqui representada pela Gradiente Entertainment e colocava dezenas de jogos mensalmente não apenas em quiosques, mas em supermercados, lojas de departamentos e shoppings. Havia um escritório chique na Berrini lotado de funcionários, os manuais vinham em português, havia mais de uma centena de postos de assistência técnica autorizados (e confiáveis) e eventos aconteciam a todo tempo. E havia a Powerline (tempinho bom…), serviço personalizado de atendimento telefônico,o que, para o consumidor, representava o máximo de proximidade possível com sua fabricante de games do coração.
A parceria da Gradiente e da Nintendo acabou em 2002, deixando milhares de órfãos inconsoláveis. E foi o fim da profissionalização do mercado de consoles no Brasil. Daí para frente, foi ladeira abaixo. A Nintendo no Brasil, salvo pela presença da revista Nintendo World (a qual completa 8 anos este mês), tornou-se uma criatura sem rosto, sem nome ou identidade. E quem pagou por isso foram os consumidores.
Sei que a Nintendo of América não cogita reabrir um escritório por aqui tão cedo, muito menos se associar novamente a uma empresa brasileira, como fez com a Gradiente e a Estrela. Então, por um bom tempo, iremos nos contentar com o esquema “produtos importados oficialmente” e aquela dose conhecida de informalidade e improviso. Mas há algo de positivo no ar, e a culpa é toda do Wii. Há uma esperança – até na concorrência, acredito – de que o novo console da Nintendo quebrará os paradigmas de uma indústria que há algum tempo já comete o pecado da repetição. Quem sabe essa onda de mudanças não se estende também ao Brasil? O momento não poderia ser mais propício.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
14/09/2006 - 03:21

A maçã e o Wii

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Então, ontem a Apple anunciou sua entrada oficial no mercado de games. E é claro, a ferramenta da revolução é o iPod.
Dos diversos novos recursos disponíveis com o recém-lançado iTunes 7, o menos divulgado (e o mais interessante) é a possibilidade de fazer downloads de jogos clássicos de publishers como EA, Namco, entre outras bem menos conhecidas. Em outras palavras, já é possível baixar games direto no iTunes e transferi-los para seu chiquérrimo iPod de quinta geração.
Quer dizer, isso se você não morar no Brasil. O recurso só está disponível para residentes dos 21 países onde a Apple lançou oficialmente o serviço iTunes Music Store. É uma pena, já que o esquema compensa. Por US$ 4,99 (uns R$ 12), é possível baixar pérolas do nível de Zuma, Tetris, Bejeweled, Mahjong, Pac-Man, Cubi 2, entre tantos outros. Se você jamais ouviu falar em mais da metade desses nomes, é porque não se aventurou ainda pelas maravilhas da Xbox Live Arcade. Ou não costuma jogar games casuais pela internet afora. Tudo bem, ninguém é obrigado. Mas é preciso enxergar além e compreender o quantos a novidade faz diferença na vida útil de uma máquina como o iPod, e, assim, vislumbrar uma possibilidade de futuro hoje inacreditável.
Sim, minha conclusão é óbvia: a Apple tornou-se uma das sérias candidatas a liderar a indústria do entretenimento eletrônico nos próximos anos. Só por causa de uns joguinhos bestas no iPod? – você pergunta. Sim, e olhando com atenção, você verá que não é pouco. A Apple já provou que tem grana e esperteza para manter-se na crista da onda da revolução tecnológica, sem perder em momento algum seu inegável status de empresa mais cool da atualidade. Computadores coloridos, designs malucos, música – tudo isso era só o começo. Steve Jobs e seus asseclas viram que é no entretenimento manual (no bom sentido) que está a mina de ouro. Ou seja, o iPod já é um acessório dos mais desejados da atualidade. E além de tocar músicas e passar filmes, ele ainda roda joguinhos!
E as versões futuras, serão como? Provavelmente, trarão design ainda mais amigável para os gamers, visto que o negócio vai render. E se hoje, estamos falando de simples games casuais, em breve veremos franquias ainda mais famosas na telinha do portátil da empresa da maçã. E assim eles vão indo, comendo pelas beiradas. E aí não digam que não avisei.
Só um parêntese: falta quanto para Nintendo e Sony se ligarem que a grande onda é fazer justamente o caminho inverso do que a Apple está fazendo com o iPod? Quero dizer, se DS e PSP rodam games muito bem, porque não embutir outros recursos óbvios, como música, imagem e comunicação? Ou você não ficaria mais contente se o seu PSP pudesse ser usado como celular também?
Eu ficaria.
Convergência digital ainda é um termo atual. E olha que nem começou a ser utilizado com a devida propriedade.
***
Eu já ia finalizar este texto (são 3h da manhã), quando vi que o The New York Times furou todo mundo, inclusive a Nintendo, que fará (fez) eu evento bombástico às 10h de hoje, em NY. A verdade sobre o Wii é esta a seguir:
* Custará US$ 250 (por volta de R$ 600).
* Será lançado em 19 de novembro na América do Norte e – preparem-se – na América do Sul. O que isso significa exatamente é um mistério, mas é impossível não se empolgar.
* Trará um game, Wii Sports, na embalagem. Desde 1996, com o N64, que a muquirana Nintendo não dá um game de presente na compra de um console novo. Isso talvez explique o preço, relativamente alto para o que era esperado.
* Mais de 4 milhões de Wii chegarão às lojas até o final de 2006. Isso é dez vezes a quantidade de PlayStation 3 disponíveis no lançamento, em 17 de novembro (dois dias antes da chegada do Wii às lojas).
* No mínimo 25 jogos serão lançados ao mesmo tempo que o console. O preço médio de cada game será US$ 50 (R$ 120, em média).
* Zelda: Twilight Princess chega ainda em 2006 (11 de dezembro, para ser mais exato). Já Super Mario Galaxy, só em 2007.
* Será possível acessar a internet através do Wii, além de rodar DVDs, permitir a visualização de fotos digitais, entre outros recursos.
Quer mais? Precisa? Acho que não. Se for mesmo tudo verdade (tem que ser), falo sobre isso amanhã.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
13/09/2006 - 01:52

Meias verdades

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* Tudo indica que o mês de novembro será importantíssimo para as fabricantes e publishers de games estrangeiras localizadas no Brasil. Isso porque algo grande e considerável deve acontecer em nosso país, em se tratando de videogames. Politicamente falando, por assim dizer.
* Você sabe quais são as empresas mais interessadas em patrocinar a EGS? E o Vídeo Games Live? Não são duas nem três, mas várias…
* O “pequenino” portal IGN.com está chegando oficialmente ao Brasil. E quem será o responsável pelo investimento? E o Second Life, quem vai lançar por aqui?
* Ainda na internet: um dos principais portais do mercado brasileiro fará a estréia de seu novíssimo site noticioso em menos de uma semana. E a qualidade da equipe contratada entrega: um dos principais focos da empreitada será a cobertura do mercado de games.
* E por falar em produção nacional, um dos nossos maiores esportistas de todos os tempos irá ganhar uma homenagem merecida, na forma de um game arcade caprichadíssimo e inteiramente criado no Brasil. Só falta a burocracia se resolver para o projeto ver a luz do sol.
* E você sabia que a Level Up! Games deve lançar no Brasil um game gigantesco e muito famoso até o final do ano? Dica: é um MMORPG. Óbvio.
* Soube que uma famosa artista pop fará uma espécie de participação especial no próximo jogo de uma das principais franquias da Electronic Arts. Mas isso só deve ser divulgado pra valer no mês que vem.
* Falar nisso, já sabe quem serão os novos locutores brasileiros da próxima versão de FIFA no PC? E são novos mesmo.
* Sabe o Mu Online, aquele RPGs online coreano clássico, um dos mais populares de todos os tempos? Então, ele está chegando oficialmente ao Brasil através de uma empresa que certamente você nunca ouviu falar. Ainda.
* O projeto “Xbox 360 no Brasil” já deveria estar de vento em popa, mas ainda não engrenou como o esperado. Pelo jeito, tudo depende daquele acontecimento político que deve rolar até novembro. Mas é certo que vem novidade para o nosso lado no evento X06, que rola na Espanha dentro de duas semanas.
* Mesmo com todo esse marasmo, já se produz para o console da Microsoft em solo brasileiro – em partes, pelo menos: uma fonte segura me garantiu que uma discreta produtora brasileira está desenvolvendo engines de jogos para 360 e as negociando no exterior.
* O PlayStation 3 deve chegar ao Brasil a preços proibitivos, mas isso não irá impedir o console de ser a grande estrela de pelo menos dois eventos nas regiões Sul e Sudeste, entre novembro e dezembro. Ouvi isso dos próprios organizadores.
* O Wii também estará em todos os eventos em que a Nintendo topar participar. Mas soube que uma das principais publicações especializadas do país deverá distribuir diversos deles em uma grande promoção entre seus leitores.
Chato é saber um monte de coisas interessantes… e não poder contar a verdade inteira. Ou será que ando falando demais?

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
12/09/2006 - 01:11

Os MMORPGs e o capitalismo selvagem

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Hoje foi dia de acordar “cedo” (para jornalista, 9h ainda é madrugada) e visitar o 2º Fórum de Games Online, encontro entre empresas da Coréia do Sul e Brasil organizado pelo pessoal da OnGame (de Gunbound, Pang Online, entre outros). Foi uma chance de reencontrar a velha turma e escutar boas novidades a respeito do tema que será (já é?) constante em toda e qualquer discussão sobre o papel dos games na sociedade mundial.

Mas não houve lá muita discussão entre as empresas nacionais que já estão nessa. O dia foi destinado a conhecer algumas empresas coreanas que vieram mostrar seus produtos a possíveis investidores. Confesso que não vi nada de muito surpreendente nos games exibidos (um RPG online, um game de tiro online com cenário 3D, mais um RPG online), o que talvez seja reflexo da saturação precoce desse mercado tão recente. Conforme me falou um executivo de uma das principais produtoras em atividade no país, “a mesmice nesse mercado é grande, temos que tentar fugir dela”. Falou e disse. Assim mesmo, muitos negócios foram feitos (o pessoal estava lá para isso), e duvido muito que os jogos apresentados por lá não ganhem lançamento nacional nos próximos meses.

O fato é que, apesar da tal mesmice, a fórmula dos games online funciona muito bem e ainda está longe de alcançar todo seu potencial no Brasil. Dá a entender que os jogadores foram mesmo sugados pela febre e irão interessar-se avidamente por qualquer produto que traga as características básicas – entre elas, “vida em comunidade”, “disputas e competitividade” e “possibilidade de ascensão social”. Trocando em miúdos: “invista seu tempo, dinheiro e dedicação, que você chega lá”. Enxergando desta maneira, me parece claro que os MMORPGs não passam de uma ferramenta velada de propaganda dos preceitos capitalistas. Ou será que estou enxergando longe demais? Talvez. Ou não. Karl Marx explicaria, se fosse jornalista de games.

De qualquer modo, foi bom participar de mais um evento nacional e comprovar que há um caminho bem traçado rumo a algo cada vez mais desenvolvido. Como bem me confirmou o Roberto Messias, Gerente de MKT da OnGame e o homem por trás do Fórum, a situação do mercado ste ano é melhor do que a do ano passado: “Em 2005, o evento foi bom. Mas é incrível como a receptividade deste ano foi maior”.

E no ano que vem deverá ser maior ainda. Ou alguém ainda tem dúvidas de que a Coréia já é o país do futuro?

***

E começou a campanha deste blog pela EGS 2006. Tenham fé, amigos.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
11/09/2006 - 02:48

Rei do Ié-Ié-Ié

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Há alguns anos, a pergunta “qual game eu levaria para uma ilha deserta” me faria pensar alguns bons minutos em uma resposta satisfatória. Possivelmente, a resposta seria Tetris, Dr. Mario, Columns ou qualquer outro puzzle vertical dos tempos áureos. Ou algum RPG épico da era 16-bit, como Chrono Trigger, Phantasy Star III ou Earthbound. Ou mesmo alguns dos melhores trabalhos de Shigeru Miyamoto, como Super Mario Bros. 3 ou Mario 64. Ou seja, a escolha não seria lá muito simples.

Hoje, segunda metade de 2006, a resposta viria bem mais fácil. Na minha bagagem para a viagem sem volta para a ilha, não poderia faltar espaço para meu PS2 com Guitar Hero e a indispensável guitarra-joystick.

Não são os tempos ou o meu gosto que mudaram. São os jogos que ficaram mais “populares”, no sentido literal da palavra. Guitar Hero representa um novo paradigma entre os “games de massa” – ou seja, aqueles que possuem o potencial agregador de reunir (e prender) muitas pessoas de gostos diferentes ao redor de uma TV e um videogame. Poucos jogos recentes possuem tais características. Winning Eleven é um deles. Donkey Konga também (há mais algum? Se alguém se lembrar, me avise). São jogos para toda a família, para os amigos, para crianças e adultos juntos. Jogos que não são bons apenas de se jogar, mas de se assistir também.

Guitar Hero é assim. Assistir a uma partida entre dois jogadores equipados com as guitarrinhas é um show à parte que não possui muitos precedentes na história dos consoles caseiros. Batucar tambores é legal, dançar em cima de um tapete também, mas há de se concordar que é muito mais divertido ver pretendentes a roqueiros fazendo poses no estilo “air guitar” do que dançarinos suando na frente da TV.

E não é só estética, mas também é conteúdo. De tão variada, a trilha sonora de GH é capaz de fazer qualquer um se interessar por novos estilos musicais, de Boston a Queens of the Stone Age, de Ramones a Ozzy Osbourne, de David Bowie a Megadeth. A jogabilidade com a guitarra (já comentei o quanto ela é indispensável?) é ideal: complicada no início, é fácil de pegar a manha, mas quase impossível de ser dominada com perfeição – tal qual acontece com uma guitarra de verdade. Aliás, poucos jogos pretensamente realistas oferecem uma experiência tão parecida com a real quanto essa.

Há muito tempo uma continuação não é tão aguardada quanto Guitar Hero II. Não sem razão. Mesmo com a nova geração de consoles batendo na porta e Nintendo DS e PSP enfim engrenando, o game, previsto para novembro, já é um dos mais sérios candidatos a melhor do ano. Se é que a minha opinião e listas desse gênero possuem alguma validade… Mas se alguém por acaso me perguntar mais essa, taí a minha resposta pronta.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
08/09/2006 - 01:52

Continue?

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Os críticos mais ferrenhos costumam reclamar que os jogos eletrônicos não são representações fiéis da vida real, e, portanto, não devem ser levados a sério.
Em um jogo de videogame, funciona assim: se sua energia acaba, se você cai em um buraco, se você comete um erro, você morre. Para retornar ao jogo e para prosseguir na partida, é necessário utilizar-se de recursos que não existem de verdade, como uma poção mágica, uma vida extra ou até mesmo um Continue.
Pensei nessas coisas quando soube anteontem do trágico falecimento de meu colega Leandro Calçada, ex-editor da revista Gamemaster e membro clássico da equipe de games da Editora Europa.
Leandro, “Crazy Eyes” (como seus companheiros de redação o apelidaram), ou simplesmente o “Calçada” (como me acostumei a me referir a ele), nos deixou por causa de um daqueles fatos estranhíssimos, bizarros, inexplicáveis, que vez ou outra surgem em nossos caminhos. Jamais trabalhei ao lado dele, como aconteceu durante meses/anos com meus amigos Trivella, Felipe, Nelson e Siqueira. Por isso, me sinto como um grande intruso ao me colocar como porta-voz desta situação das mais infelizes. O que me resta, na condição de um observador abalado, é relembrar um pouco do cara bacana que conheci.
Tivemos a oportunidade de conversar algumas vezes, mas me lembro em especial de duas ocasiões. Em uma, foi no dia em que enfim fomos apresentados, após meses de saudável rivalidade à distância – ele editando a Gamemaster (pela Europa), e eu, a EGM Brasil (pela Futuro). Foi durante uma festa de entrega de prêmios da Abragames, há pouco menos de um ano. A demora no encontro teve um só motivo: o Calçada dificilmente ia em eventos ou encontros do gênero. Me explicaram na época que ele nunca saia, e que aquela era uma ocasião histórica e única.
Felizmente, foi muito bem aproveitada. Pela primeira vez, consegui conversar de maneira aberta, objetiva e pouco emotiva a respeito de um tosco “acidente” que serviu para abalar o relacionamento entre as duas editoras (este sim, é melhor deixar para o passado). Admirei a capacidade do cara em não deixar o lado emocional invadir a discussão e sua habilidade em discutir temas que pareciam terem se tornado tabus para alguns. Um cara inteligentíssimo e cuca-fresca. Conhecê-lo representou um alívio e a retirada de um enorme peso de minhas costas. Pensei comigo: “é gente finíssima, que bom”. No fim da noite, trocas de elogios e confetes (“a sua revista está muito boa”, “mas a sua está mais”, etc) e a oficialização de uma “quase trégua” há muito esperada por todos nós.
Nossa segunda grande conversa foi durante a E3 deste ano, em Los Angeles. Costumava encontrá-lo ocasionalmente na sala de imprensa do LA Convention Center, sempre dedicado a alguns dos computadores disponíveis. Não ligava para badalações, então não se importava em ficar com a parte mais pesada do trampo enquanto seus colegas visitavam alguma apresentação exclusiva. Dizia: “deixa o pessoal lá, não tem problema”. Falava com empolgação das coisas que havia visto em suas caminhadas, a maioria das quais, confesso, havia passado em branco pelos meus olhos. Calçada era muito atento aos pequenos detalhes, às minúcias, aos dados técnicos que ninguém dava atenção. E ele entendia tudo sobre eles. Sabia o que significavam, e se empolgava em dissecar o novo. E se descobrisse algo realmente diferente, mostrava um interesse genuíno em explicar.
Costumam dizer que pessoas que morrem se redimem instantaneamente de todos seus pecados. Não é bem por aí, mas, neste caso, não sou mesmo capaz de fazer uma única crítica. O Leandro que tive a chance de conhecer é simpático, bem humorado, um excelente profissional, um jornalista de inteligência e conhecimentos acima do comum e um ótimo companheiro de papo furado, nerdices e cerveja. Esta é a lembrança que quero ter.
Os críticos reclamam que os jogos eletrônicos são uma imitação pobre, limitada e deficiente da realidade. Mas há ocasiões em que tudo o que gostaríamos é que a vida oferecesse alguns dos recursos presentes nos videogames. Poções mágicas, vidas infinitas e Continues, por exemplo.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
06/09/2006 - 00:57

Vai faltar tempo

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O mês de setembro que recém-começou é um dos mais movimentados no que diz respeito a eventos de games realmente importantes. Não querendo desmerecer os eventos que rolaram recentemente, mas já desmerecendo, tudo leva a crer que as próximas três semanas serão agitadas, muito comentadas e recheadas de revelações saborosas.

Tudo começa no dia 14 de setembro, em Nova York. A Nintendo escolheu um período e um local bastante simbólicos para fazer seu principal anúncio no ano: três dias após a “comemoração” dos cinco anos dos atentados ao World Trade Center, jornalistas de todo o mundo (entre os quais três profissionais brasileiros escolhidos a dedo) assistirão a um discurso do grandalhão Reggie-Fils Aime, presidente e atual símbolo da “nova Nintendo”. É ali que ele irá revelar números um tanto interessantes, como o preço e a data de lançamento do aguardado e superestimado Wii.

Abro um parêntese especial bem aqui:

(o Wii é superestimado Wii sim, mas, sob um certo contexto, este termo não é pejorativo. Espera-se muito da máquina, sendo que pouquíssimos tiveram a chance de testá-la. Apesar de fazer parte do grupo de pessoas que colaboraram para criar o hype ao seu redor, hoje tenho algumas dúvidas quanto ao seu sucesso arrebatador imediato. O Wii vai vender horrores, não tenho dúvida. Mas demorará um tanto para engrenar e se tornar unanimidade.)

Fecha parêntese.

Na semana seguinte, de 22 a 24/9, é hora da Tokyo Game Show. Nunca fui ao evento, e tenho inveja assumida de quem teve a chance de fazê-lo… Dizem que é uma loucura total, muito mais absurdo e bizarro do que a E3. Bem, é em Tóquio, então não dava para esperar nada diferente. Após algumas edições capengadas, a TGS voltou a ter importância no contexto atual. A Sony prometeu mostrar serviço (enfim!) e dar pistas sobre o PlayStation 3. E é bom que seja ali, ou não será nunca mais. É a chance do PS3 chamar aa atenção de maneira positiva, algo que não acontece há um bom tempo e faria um bem enorme para o mercado.
Já a Nintendo irá confirmar tudo o que revelou na semana anterior, enquanto a Microsoft irá economizar munição, afinal de contas, é o seu próprio evento que acontece alguns dias depois…

… em Barcelona (Espanha), nos dias 27 e 28, tem X06. E é ali, na terra em que Ronaldinho é rei, que a Microsoft colocará todo seu investimento de marketing pro final do ano. Nada mais justo, já que o fogo cruzado de Nintendo e Sony deve resvalar de alguma forma na carcaça resistente do já experiente X360. No evento, a Microsoft promete mostrar o sensacional Gears of Wars, além de jogos inéditos e features da rede Xbox Live. Muito bacana, mas o que queremos realmente ver/ouvir é alguma notícia oficial sobre o lançamento do console no Brasil. E quer saber? São grandes as chances de algo nesse sentido ser revelado por lá. Por qual outro motivo quatro jornalistas brasileiros teriam vaga garantida no evento? Aí tem.

No meio disso tudo, tem ainda a final brasileira do WCG, cujas partidas rolam em São Paulo de 22 a 24/9… mas sobre isso, falo depois.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
05/09/2006 - 01:05

A imprensa que não joga

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Há uns dois meses, publiquei o texto abaixo na revista EGM Brasil. O espaço era curto e não me permitiu desbravar o assunto com mais cuidado e esmero. Mas a idéia central foi transmitida. Tanto que recebi mensagens comentando o tema – a qual transcrevo logo após o texto a seguir.
“No que diz respeito aos videogames, a imprensa brasileira funciona da seguinte forma: há um setor especializado, pequeno e bastante ativo, composto por revistas, sites e uma emissora de TV; e há um enorme setor não-especializado (composto por todos os outros veículos), que não entende nada de games, mas morre de vontade de se especializar no assunto.
Hoje em dia, não são apenas os cadernos de informática de jornais que dão destaque aos games. Revistas semanais como a Veja, a Época e a Istoé colocam o tema em pauta com uma freqüência considerável. Publicações de negócios (como a Exame) exaltam o potencial desse mercado em gerar fortunas, enquanto revistas “pseudocientíficas” (como a Super Interessante) costumam apertar a velha tecla do “jogos nos tornam mais espertos”. Para os canais de variedades da TV, games são a última moda. E até mesmo os insossos programas de auditório não perdem a chance de colocar os jogos sob os holofotes, usando de pouquíssima criatividade e abusando dos velhos clichês (“jogos causam violência”, “fulano morreu jogando games online”, etc etc).
Para nós, orgulhosos membros deste setor especializado, o recente interesse da imprensa “séria” não demonstra interesse genuíno. É mero oportunismo. Games tornaram-se a pauta favorita do momento. É mais do que natural que esta aura de desconhecimento ao redor do tema propicie o surgimento de matérias depreciativas e capciosas. Afinal, é muito fácil falar mal do que não se entende. Jornalistas fazem isso com uma facilidade absurda (e isso eu posso afirmar, já que sou um).
Nos últimos anos, colaborei com dezenas de jornalistas de grandes veículos para as mais variadas pautas. Pouquíssimos entendiam mesmo do assunto. Em outros casos, o repórter já vinha com a pauta pronta, só precisando de algumas declarações de especialistas para fundamentar uma “teoria” qualquer. Já cheguei a passar mais de duas horas ao telefone com uma repórter de uma conhecida revista, ajudando em uma matéria sobre a revolução dos jogos online. É claro que ela transcreveu a maioria das coisas que falei. E é óbvio que não recebi crédito nenhum por isso. De todo modo, está é minha “vingança dos nerds” pessoal. Há alguns anos, era impossível um jornalista de games ser levado a sério pelos colegas de profissão. Hoje, é a imprensa “séria” que não consegue passar sem a nossa ajuda. A vida não é engraçada?”
***
Algumas semanas depois, recebi o seguinte e-mail, o qual – vergonhosamente – jamais consegui tempo para responder. Farei isso já e aqui (mas omito a identidade do remetente):
Olá Pablo, tudo bem?
Li a sua coluna e achei bastante interessante a abordagem, apesar de discordar completamente de seu ponto de vista.
Observemos o mundo dos jogos. Iniciou-se como um brinquedo e tomou proporções gigantescas, integrando outros meios de comunicação e gerando entretenimento a toda comunidade. Foram anos de esforço para que os games saíssem do ostracismo e ganhassem destaques em meios de comunicação globais. Acho que este esforço é válido. O jogo aparecer em vários setores do tecido social é louvável, não só para a indústria, mas para as pessoas em geral. Não entendo o motivo pelo qual você reclama. O mundo dos jogos não pertence mais aos “hardcore gamers”, ele se alastra com grande força para novas mídias.
Pelo visto você não é favorável à proliferação dos jogos eletrônicos para a população “comum”, deve ser restrito, e dedicado, por quê? Por que a população não pode brincar com um jogo em um programa de televisão, segundo você, insosso? Porque as pessoas que não ficam 24 horas por dia em um computador, ou que não compram mídias especializadas não podem ter acesso ao mundo dos jogos eletrônicos?
Quer dizer então que eu só posso ler sobre música na revista Rolling Stone (ou qualquer outra), só posso ler sobre economia no Valor Econômico e sobre jogos na EGM? Acho que não. Devemos compartilhar o conhecimento e não criticar algo que foi fortemente trabalhado no mercado.
Gostaria de ler sua resposta.
Obrigado,
JR
Economista

É a hora da minha resposta:
Prezado JR, agradeço seu contato. Não é sempre que recebo opiniões a respeito de meus textos opinativos, por isso sua carta me chamou a atenção. Desculpe a demora na resposta.
Gostaria de esclarecer sua reclamação, explicando inicialmente que ela pode ter sido gerada graças ao tamanho suprimido que meu texto ganhou na revista. Tive que escrever resumidamente, e isso deve ter gerado algumas questões mal resolvidas. Quero deixar bem claro que não sou contra o fato da imprensa não-especializada começar a cobrir o tema videogames. Muito pelo contrário, isso muito me anima, já que é a prova cabal de que os jogos eletrônicos estão mesmo saindo do gueto a que foram destinados desde sempre. Quanto mais pessoas tiverem acesso a informações confiáveis a respeito deste tema, melhor. O problema, a meu ver, é que há jornalistas (além das pessoas que dirigem estes veículos de comunicação), que ainda não estão devidamente preparados para tratar os videogames como eles merecem. Falta informação básica e sobra preconceito. É comum encontrar pautas baseadas em idéias antigas, que denigrem ou pouco valorizam o potencial positivo do game, apenas porque este tipo de abordagem dá mais audiência ou vende mais revista.
É aí que entra o “oportunismo” dos veículos de comunicação. Sabe-se que o assunto atrai público, então se fala a respeito dele. Mas o problema é o modo como isso é feito – muitas vezes, sem critério, com pouca pesquisa, baseado em puro preconceito. De vez em quando, procura-se a ajuda do jornalista especializado, mas isso é ainda exceção. Mas sou otimista e tenho certeza que a tendência é o videogame ganhar cada vez mais espaço e respeito na mídia “séria”. E não deve demorar muito mais.
Finalizando, foi uma boa coincidência você ter citado a revista Rolling Stone. Em sua versão brasileira, a revista (conhecida como veículo especializado em música) deverá apresentar uma boa quantidade de matérias sobre a cultura relacionada aos jogos eletrônicos. Muitas delas deverão ser de minha responsabilidade, então espero não decepcioná-lo.
Um abraço,
Pablo Miyazawa

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
04/09/2006 - 01:20

Pressionando o Start

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O maior problema de começar um novo blog é o que se escreve na primeira linha.
Pronto, superei o trauma. Já faz uns dias que estou adiando a estréia deste Gamer.br, muito por não me sentir preparado para encarar uma rotina de atualizações de alto nível. Mas é pouco provável que eu vá estar mais preparado do que estou agora. A tendência, dizem, é desaprender qualquer coisa com o tempo. Já que acabei de deixar para trás um cargo em uma editora especializada em revistas de games, é bem provável que eu comece a perder o jeito para o assunto. Mas não é bem sobre isso que irei falar aqui. Não quero espantar ninguém com papo chato.
A idéia aqui é falar sobre games. Dá para não ser tão genérico? Ok, pretendo falar sobre a indústria dos games, mais especificamente, a indústria nacional de games. Mas peraí, desde quando o Brasil tem indústria de games, se nenhum dos consoles foi lançado aqui oficialmente, se a pirataria atinge níveis ridículos e se pouquíssimas empresas conseguem fazer dinheiro com esse negócio?
É exatamente esta a questão que me motiva: existe indústria de games no Brasil?
A resposta vem de pronto e é óbvia: é claro que sim. Mas há controvérsias.
Eu, otimista que sempre fui, acredito na paz mundial, em discos voadores pilotados por extraterrestres gente boa e na honestidade de uns 3 ou 4 políticos. E acredito também que, muito em breve, falar sobre uma “indústria brasileira de games” não será mero eufemismo. Jamais houve no Brasil tantas pessoas, empresas e idéias girando em torno do assunto game e suas vertentes. Há uns dez anos, qualquer uma das situações listadas abaixo era considerada tão absurda quanto a paz mundial, os discos voadores e os políticos honestos:
1. Empresas fabricantes de jogos e consoles instaladas (ou não) no Brasil deixam as diferenças de lado e reúnem-se em torno de um ideal (a redução dos impostos de importação), associando-se a lobistas para conseguirem a aprovação de certas leis no Congresso Nacional. Você sabia dessa? Pois é. E ao que tudo indica, deu certo. Em novembro, após as eleições, saberemos.
2. Hoje, torneios como o World Cyber Games(ou WCG, cuja final nacional acontece em São Paulo, de 22 a 24 de setembro) conseguem reunir milhares de jogadores de dezenas de países, ganham a atenção da mídia não-especializada, distribuem prêmios em dinheiro e tornam-se prioridade de uma gigante da tecnologia como a coreana Samsung.
E o WCG é “apenas” um campeonato de games.
3. Em 1992, havia somente duas ou três revistas especializadas em nosso mercado. Hoje, uma busca rápida na banca revela pelo menos 15 títulos, em sua maioria segmentada, produzida não mais por “pilotos”, mas por jornalistas formados e especializados. Isso sem contar os diversos (e gigantescos) sites hospedados em portais, dezenas de blogs e sites independentes, os fanzines e um bem cotado canal de TV.
4. E a imprensa séria também descobriu os games. Revistas de cultura e variedades como Playboy, Set, VIP, MTV, entre outras, apresentam seções mensais destinadas aos lançamentos de games. A mesma coisa acontece na maioria dos grandes jornais de circulação nacional, que trazem pautas sobre o mercado de jogos, seja em seus cadernos de informática, seja na área de cultura. Matérias em programas de TV sobre o tema já não são raras, assim como em revistas semanais – apesar da abordagem nem sempre ser das mais competentes (falo sobre isso amanhã).
É tanta informação, que mal se percebe o quanto as coisas evoluíram. Se por um lado parece que só se anda para trás (questão da pirataria, por exemplo), na maioria dos outros temas, estamos numa correria desenfreada em linha reta, rumo ao infinito e ao além. Tá bom, não vamos tão longe ainda. Mas é mais ou menos por aí. E é mais ou menos sobre isso que falarei todos os dias.
Dias úteis, que eu também preciso de tempo para jogar um pouco.
Aliás, cadê o Guitar Hero II, que não chega nunca?
***
O nome deste blog parece bastante original, mas é na verdade uma chupação descarada do título do documentário Gamer.Br, de autoria dos meus amigos Pedro Bayeux e Flávio Soares, o primeiro produto do gênero a discutir o contexto do mercado brasileiro com competência, independência e conhecimento de causa. Fica aqui a minha homenagem e a recomendação: baixe já.

Autor: Pablo Miyazawa - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:
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