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04/09/2006 - 01:20

Pressionando o Start

O maior problema de começar um novo blog é o que se escreve na primeira linha.
Pronto, superei o trauma. Já faz uns dias que estou adiando a estréia deste Gamer.br, muito por não me sentir preparado para encarar uma rotina de atualizações de alto nível. Mas é pouco provável que eu vá estar mais preparado do que estou agora. A tendência, dizem, é desaprender qualquer coisa com o tempo. Já que acabei de deixar para trás um cargo em uma editora especializada em revistas de games, é bem provável que eu comece a perder o jeito para o assunto. Mas não é bem sobre isso que irei falar aqui. Não quero espantar ninguém com papo chato.
A idéia aqui é falar sobre games. Dá para não ser tão genérico? Ok, pretendo falar sobre a indústria dos games, mais especificamente, a indústria nacional de games. Mas peraí, desde quando o Brasil tem indústria de games, se nenhum dos consoles foi lançado aqui oficialmente, se a pirataria atinge níveis ridículos e se pouquíssimas empresas conseguem fazer dinheiro com esse negócio?
É exatamente esta a questão que me motiva: existe indústria de games no Brasil?
A resposta vem de pronto e é óbvia: é claro que sim. Mas há controvérsias.
Eu, otimista que sempre fui, acredito na paz mundial, em discos voadores pilotados por extraterrestres gente boa e na honestidade de uns 3 ou 4 políticos. E acredito também que, muito em breve, falar sobre uma “indústria brasileira de games” não será mero eufemismo. Jamais houve no Brasil tantas pessoas, empresas e idéias girando em torno do assunto game e suas vertentes. Há uns dez anos, qualquer uma das situações listadas abaixo era considerada tão absurda quanto a paz mundial, os discos voadores e os políticos honestos:
1. Empresas fabricantes de jogos e consoles instaladas (ou não) no Brasil deixam as diferenças de lado e reúnem-se em torno de um ideal (a redução dos impostos de importação), associando-se a lobistas para conseguirem a aprovação de certas leis no Congresso Nacional. Você sabia dessa? Pois é. E ao que tudo indica, deu certo. Em novembro, após as eleições, saberemos.
2. Hoje, torneios como o World Cyber Games(ou WCG, cuja final nacional acontece em São Paulo, de 22 a 24 de setembro) conseguem reunir milhares de jogadores de dezenas de países, ganham a atenção da mídia não-especializada, distribuem prêmios em dinheiro e tornam-se prioridade de uma gigante da tecnologia como a coreana Samsung.
E o WCG é “apenas” um campeonato de games.
3. Em 1992, havia somente duas ou três revistas especializadas em nosso mercado. Hoje, uma busca rápida na banca revela pelo menos 15 títulos, em sua maioria segmentada, produzida não mais por “pilotos”, mas por jornalistas formados e especializados. Isso sem contar os diversos (e gigantescos) sites hospedados em portais, dezenas de blogs e sites independentes, os fanzines e um bem cotado canal de TV.
4. E a imprensa séria também descobriu os games. Revistas de cultura e variedades como Playboy, Set, VIP, MTV, entre outras, apresentam seções mensais destinadas aos lançamentos de games. A mesma coisa acontece na maioria dos grandes jornais de circulação nacional, que trazem pautas sobre o mercado de jogos, seja em seus cadernos de informática, seja na área de cultura. Matérias em programas de TV sobre o tema já não são raras, assim como em revistas semanais – apesar da abordagem nem sempre ser das mais competentes (falo sobre isso amanhã).
É tanta informação, que mal se percebe o quanto as coisas evoluíram. Se por um lado parece que só se anda para trás (questão da pirataria, por exemplo), na maioria dos outros temas, estamos numa correria desenfreada em linha reta, rumo ao infinito e ao além. Tá bom, não vamos tão longe ainda. Mas é mais ou menos por aí. E é mais ou menos sobre isso que falarei todos os dias.
Dias úteis, que eu também preciso de tempo para jogar um pouco.
Aliás, cadê o Guitar Hero II, que não chega nunca?
***
O nome deste blog parece bastante original, mas é na verdade uma chupação descarada do título do documentário Gamer.Br, de autoria dos meus amigos Pedro Bayeux e Flávio Soares, o primeiro produto do gênero a discutir o contexto do mercado brasileiro com competência, independência e conhecimento de causa. Fica aqui a minha homenagem e a recomendação: baixe já.

Autor: pablo - Categoria(s): Tudo ao mesmo tempo Tags:

9 comentários para “Pressionando o Start”

  1. Fabio Bracht disse:

    Ah, não acredito. Cá estou eu, inaugurando (uhu!!) os comentários do novo blog do Pablo Miyazawa. Ah, a vida é bela. Tô até acreditando em discos voadores pilotados por alienígenas gente-boa, depois dessa.

    Cara, como já comentei no Pablog, vou bater ponto todos os dias aqui. Comentarei sempre que tiver alguma coisa esperta e/ou engraçadinha a dizer, e já começo com um pequeno conselho (correndo o risco de estar ensinando padre a rezar missa): responda a alguns comments deixados aqui. A única reclamação que eu tenho em relação ao Yablog é que o Yabu nunca respondeu a um único comentário deixado lá. Dá a impressão de que o cara nem lê/se importa.

    É isso e (muito [muitíssimo]) boa sorte!

  2. Vitor Ishimura disse:

    Aee Pablón, bem legal o blog brother! Quero ver se você vai atualizar todo dia mesmo… :P Boa sorte, grande abraço!
    PS> Quantos dias você levou pra escrever a primeira linha? hhahah

  3. Fabio Bracht disse:

    Ah, não inaugurei. :(

  4. Pablo disse:

    Fabio, vou tentar responder sempre. Mas acho que nem preciso fazer isso para provar que leio os comentários…

    E Vitor, tenho que atualizar todo dia. Senão, tomo bronca! Abraço!

  5. Fabio Bracht disse:

    Ah, inaugurei sim! A ordem dos comentários é invertida… Hehehe!

    E Pablo, valeu por responder! :P

  6. ANDRE RAMON disse:

    EU QUERO GANHAR UM GEMER. POR FAVOR.

  7. milena disse:

    eu quero ganhar premios como computador!!!!!!!!!!

  8. milena disse:

    eu quero ganhar premios tipo celular

  9. [...] 4 de setembro, o Gamer.br comemora 3 anos de existência. Foi em 4 de setembro de 2006 que postei meu primeiro texto por aqui neste espaço cedido pelo IG. Desde então, tantas águas rolaram – algumas bolas dentro, outras [...]

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