Zelda | GameOver
iG

Publicidade

Publicidade

01/09/2011 - 16:04

Por que, raios, vocês ainda vão ao Video Games Live?

Compartilhe: Twitter

Hoje o Henrique Sampaio (que você também pode conhecer pelo Arena) me mandou o “pôster” do próximo Video Games Live, que começa a sua turnê brasileira no Rio de Janeiro, no dia 09 de outubro. Assim que o vi já pensei: “Sério? De novo? Ninguém cansa disso?” Bom, então decidi estender essa pergunta/discussão a você, leitor, que, aparentemente, está muito mais interessado na VGL do que eu.

Fui em duas VGLs seguidas, 2007 e 2008 (a título de curiosidade, o evento passa pelo Brasil religiosamente desde 2006, nos Estados Unidos ela apareceu em 2005), e sabe qual foi a única diferença real entre uma e outra? Mais fãs malas. O que me faz lembrar o quão chato fan-boy consegue ser… O que me faz lembrar o porque vídeogame não é levado a sério… O que me faz lembrar que minha mãe me educou para fazer coisas importantes… O que me deixa deprimido.

Sim, eu sei que o repertório muda de ano pra ano. Mas muda tanto assim? Vou te contar como o espetáculo acontece e você vai entender a chatice, ou me odiar se é um fã (normal):

  • Vai começar com algum clássico, ou um pout-pourri, no nível de Mario, Zelda, Tetris e Frogger ou uma partida de Pong no telão (fãs aplaudem fervorosamente, mesmo que a imensa maioria mal sabe como um Nintendinho parece);
  • Tommy Tallarico vai aparecer pulando feito um maluco (fãs gritam ensandecidamente, mesmo que a maioria não faça ideia quem é esse malucão);
  • Orquestra toca “A História dos Games” rapidão (fãs levantam das cadeiras – sim, cadeiras, afinal, é uma orquestra – e começam a se abraçar, comemorando a nerdice juntos);
  • Algo mais suntuoso, nível de Halo, e o Tallarico volta ao palco achando que sabe tocar guitarra (fãs começam a chorar compulsivamente pela certeza de que não estão sós no mundo);
  • Um convidado aparece para tocar Mario-velocidade-5-no-piano, ou flauta-doce-irritante-na-orelha-da-galera do Zelda (fãs entram em estado catatônico, abraçando as próprias pernas enquanto balançam de um lado para o outro);
  • Tallarico coloca um coitado qualquer pra ficar correndo feito tonto no palco num Space Invaders gigante, ou rola uma disputa para ver quem faz o melhor score num Mario velho (fãs começam a louvar Zalgo);
  • Orquestra toca One-Winged Angel, do Final Fantasy VII e fim (suicídio coletivo e pauta para o Datena salivar durante semanas em cima dos “videogames violentos”).

Pronto, acabo de fazer você poupar R$ 50 (to ligado que o ingresso esse ano está R$ 90 o mais caro, mas eu sei que os únicos que continuam indo nesse negócio ainda estão no colégio). E por causa de milhares de pessoas que continuam pagando por algo totalmente irrelevante que o Brasil continua sendo um repositório de artistas em derrocada que só aparecem aqui para conseguir pagar a hipoteca de suas mansões.

O que me irrita mesmo é essa escrotice “melanco-nostálgica” que só quem joga videogame tem. Caraca, como vocês e seu amor incomensurável e inesgotável por River Raid enchem o saco. E isso é uma outra discussão… E eu estou ficando velho e chato (mais). O que eu quero entender: por que, raios, vocês vão ao VGL? Ou melhor: você já foi? Vai de novo? POR QUE?!

[UPDATE]: Como era de se esperar do Homem-Enciclopédia Douglas Pereira, ele lembrou outros pontos “interessantes” da VGL:

  • A parte técnica, com um local nada apropriado pra uma orquestra e com arranjos bem fraquinhos perto de shows melhores;
  • E especialmente o próprio público, que parece que vai só para olhar para o telão e berrar, e não pra ouvir a porra da música;
  • Nos vídeos que vi do ano passado, os caras TORCIAM pro vídeo de Street Fighter 2 no meio da música. Fantástico.

Notas relacionadas:

  1. Piada ou exagero? Como hiperbolizar o jornalismo de games
  2. Epifania do dia: Nintendo e Paulo Coelho
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião Tags: , , , , , , , , , ,
23/06/2010 - 13:11

Epifania do dia: Nintendo e Paulo Coelho

Compartilhe: Twitter

Enquanto eu tomava banho hoje de manhã – momento em que meu pensamento mais “passeia” -, pensando sobre coisas que vimos durante a E3, novidades no Arena e em o que almoçar hoje, cheguei a uma conclusão sobre a Nintendo: ela é o Paulo Coelho dos games. Calma, eu explico.

Quem lê com certa frequência acho que entenderá os meus argumentos, quem não lê… Bem, só isso já explica muita coisa.

O jeito mais fácil de fazer essa comparação, a meu ver, é explicar o que o Paulo Coelho significa para a literatura nacional e mundial e, a partir destes pontos, é só os estenderem para a Nintendo:

Paulo Coelho é um escritor brasileiro, amigo e compositor do Raul Seixas, que já vendeu uma cacetada de livros – cerca de 100 milhões de exemplares, o que não é muito se compararmos a uma J.K. Rowling ou Stephenie Meyer, mas o cara é mais overrated que elas e é por isso que o uso em meu argumento.

Enfim, Paulo Coelho escreveu uns três livros realmente famosos (O Alquimista, Maktub e O Diário de um Mago, algo como o Super Mario, Zelda e Metroid), que foram traduzidos para diversos idiomas e vendidos em centenas de países. Todos eles escritos a décadas atrás e, desde então, Paulo Coelho surfa na onda deles, afinal, ele não precisa se esforçar muito mais, até para a Academia Brasileira das Letras ele foi parar – se isso é um mérito ou não, é outra história. Todos os seus livros são parecidos com os três supracitados (vocês estão pegando a relação?), narrativa (jogabilidade) coerente e até envolvente, história simples para todo mundo entender, preços módicos para todo mundo comprar e uma aura de genialidade que a crítica passada o deu e ninguém mais criticou.

Antes de você sair remoendo sua infância e querer me bater, pense um pouco sobre isso. Vamos concordar com uma coisa: o Paulo Coelho faz bem para a indústria literária nacional e internacional. “Como assim?! Tá maluco?!”, até hoje o meu inconsciente replica rapidamente, apontando o quanto ele sucateia a literatura, atrapalha o desenvolvimento dos “leitores casuais” com histórias ralas e blábláblá. Mas há uma explicação racional: sem um Paulo Coelho, que movimenta rios de dinheiro, a indústria não teria capital para investir em escritores menores, desde nacionais a internacionais. Se o cara escreve bem ou não, é uma história, mas que a indústria precisa dele, é um fato.

Hoje eu enxergo a Nintendo da mesma forma, aliás, até me forcei uma aproximação com a fabricante durante a E3 desse ano. Fui jogar Metroid: The Other M (que gostei), testei o Nintendo 3DS (que achei simplório demais, e não adianta berrar comigo, você não o viu de perto ainda) e até entrevistei um dos cabeças de Donkey Kong Country Returns, Kensuke Tanabe.

Porém, continuo não gostando das plataformas, dos títulos e ideias que a Nintendo tem sobre videogames. Sei lá, não é nem a questão de sempre ter seguido pelo lado da SEGA, depois Sony, é mais a questão de “o que eu acho divertido”. Cenários bonitinhos, com personagens fofinhos, barulhinhos engraçadinhos e histórinhas interessantinhas, muito diminutivo, sabe? Gosto, sim, de grandes narrativas, por mais confusas que sejam (Metal Gear Solid), momentos emocionantes de verdade (Shadow of the Colossus) e realismo, por mais irreal que seja (Call of Duty). Continuo achando que minha infância já passou e que videogame, cada vez mais, envelhece com o jogador. Se isso é bom ou ruim, é uma outra discussão.

Tudo isso só para poder explicar, com um pouco mais de conteúdo, quando me perguntam, com cara de assustados: “Como assim você não gosta da Nintendo?! Sem ela os videogames não existiriam!”. De fato, os videogames poderiam até não existir, mas não irei gostar de algo só porque meu trabalho depende disso. É como você me afirmar que preciso gostar do meteoro que ajudou a extinguir os dinossauros: nós poderíamos não existir, mas dinossauros são muito mais legais.

Pronto, nunca mais falo sobre isso… É sério.

P.s.: Falando em E3, escuta o podcast improvisado que gravamos no último dia de feira, ficou… Peculiar.

Notas relacionadas:

  1. Nintendo lança mais um controle clássico para Wii
  2. Minhas impressões sobre a E3 – Primeira Parte
  3. E3: Eu não fui o único
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Inutilidade (ou não), Opinião Tags: , , , , , , , ,
14/10/2009 - 15:07

Piada ou exagero? Como hiperbolizar o jornalismo de games

Compartilhe: Twitter

Graças ao amigo Graça (sim, é o nome dele), tiver a oportunidade de ler uma reportagem… Ou melhor, um conjunto de citações que a publicação “The New Yorker” reuniu em uma matéria sobre “The Beatles: Rock Band” – que tem como título DOENTE: “Video Games Maiores que Jesus” (se eu, que sou ateu, achei um exagero…).

beatles_mk

Olha, eu não estou na indústria a muito tempo, mas posso afirmar tranquilamente que os exageros proferidos pela publicação ganham de longe sobre qualquer discurso evangélico. Sério. Separei os que eu considero como “Top 5 das piadas (ou vergonha) do jornalismo de games”:

O novo game da Nintendo, Duck Hunt, é um jogo sobre caçar patos, certo? Errado! Ele é tão maior que isso. No seu âmago, o jogo tem uma rica narrativa onde nós somos os patos e a sociedade a arma. Simplesmente tente levantar a pistola contra a televisão e você terá uma crise existencial. Por que matar? É por que nos mandaram? Ou é por que fomos feitos para isso? Esse game superou Nietzsche e derrubou Sartre apenas com seu pequeno cartucho de plástico.

Hoje, em uma coletiva de imprensa, o Presidente Clinton falou sobre algo chato e que ninguém liga ou se lembra. A única coisa no qual as pessoas conseguem pensar é no novo game de PC chamado The Sims. No jogo, os usuários simulam seu dia a dia com avatares que eles mesmos criam. A única notícia que poderia superar isso seria se Júpiter colidisse com o Sol.

Uma princesa foi raptada. O seu nome é Zelda, ela é linda, e eu estou apaixonado por ela.

O mundo que conhecemos foi mudado para sempre. Os livros de história precisam ser reescritos. Um novo superpoder emergiu para destruir todos os impérios que vieram antes. Eu estou falando, obviamente, de Pokémon.

Qual é o sentido da vida? Tetris.

E é por esse tipo de coisa que o jornalismo de games é sempre levado como uma piada. Caraco, até EU acho uma piada!

Mais pérolas na matéria do “The New Yorker”.

Notas relacionadas:

  1. Glitches: diversão garantida nos games
  2. Minhas impressões sobre a E3 – Primeira Parte
  3. Não se engane, as lojas do Brasil querem arrancar o seu couro com o PS3 Slim
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Inutilidade (ou não), Notícia, Opinião, Teorias, games Tags: , , , , , ,
Voltar ao topo