Violência Nos Games | GameOver
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13/04/2009 - 15:18

Setzer & Eu: O Final (2ª parte – Agora acabou mesmo!)

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Vamos esclarecer algumas coisas, por favor. Primeiramente, a todos que atacaram o professor Valdemar Setzer sem ler o seu trabalho, erraram. Eu errei quando o ataquei cegamente após sua entrevista para a CBN, por isso, peço desculpas. Acusar e se atracar com as ideias de alguém sem entende-las corretamente, nunca dá certo. Eu li seu artigo, Setzer. De cabo a rabo e agora me sinto poder de dizer: que vergonha alheia.

Para os que não leram o artigo, o professor MANIPULOU pesquisas e números a seu bel-prazer. O professor não é especializado em nenhuma área da psicologia, tampouco produziu, ele mesmo, experimentos para corroborarem suas teorias. Eu também não sou formado em psicologia e nem tenho estudos de caso, porém, meu trabalho é cuidar do mundo dos games. Eu vivo e amo isso. Ao contrário de Setzer, jogo videogames desde os meus 4 anos (Mega-Drive) e nunca fui preso, nunca precisei de tratamentos psicológicos, nunca repeti de série no colégio e nunca entrei em uma briga. Eu, como experimento da minha própria vida, sou a prova cabal de que Setzer está errado em sua generalização.

Setzer se utilizou, em 80% dos casos apresentados em seu artigo, de experimentos feitos com TV e extrapolou, conjeturou, imaginou, os resultados para os games. As outras pesquisas, que de fato eram voltadas para os games, são no mínimo risíveis.

Na quinta-feira passada, enquanto assistia a Penn & Teller: Bullshit, identifiquei completamente o caso apresentado no programa com esta discussão: no show, é debatida a criação de programas que ensinam os adolescentes a praticarem a abstinência sexual (até aí, por mais estranho que pareça para o nosso tempo, tudo certo), porém, os programas só ensinavam isso. Não educavam sexualmente seus jovens, não ensinavam sobre DSTs e nem sobre preservativos. Os programas de celibato juvenil apenas afirmavam que os jovens não deviam fazer sexo antes do casamento, ponto. Ou seja, foda-se tudo o que aprendemos em milênios de evolução, foda-se tudo o que sabemos sobre prevenção de doenças, foda-se a liberdade de escolha que atingimos após milhares de anos de censura (religiosa e estatal).

É isso o que Setzer prega: um grande foda-se para nosso livre-arbítrio, para as evoluções mentais e tecnológicas, para a educação parental. Para ele, os pais e o governo, tadinhos, não tem culpa. Quem tem culpa são os videogames, que ensinam uma criança de 7 anos a manusear um rifle de precisão PSG1 para atirar em seus amiguinhos, ou os videogames que fazem com que as barreiras da nossa sanidade, ai de mim, sejam destruídas e fiquemos a mercê de nossos instintos básicos (como se isso não acontecesse diariamente). Os videogames nos colocam de volta às cavernas. Os videogames, basicamente, são os culpados pelas mazelas do mundo moderno. Incluindo aí, a fome, o aquecimento global, a ingerência política, a desmoralização social, a putrefação física de cada ser e a ascensão de Oprah.

Setzer, depois que li seu artigo eu broxei. Pois quando o convidei para esse debate, pensei que discutiríamos, bradaríamos, nossas ideias até o momento em que chegaríamos a um ponto em comum. Ledo engano, acompanhando o seu artigo percebi que eu estava chutando o cachorro morto e, após sua resposta oficial, eu simplesmente sorri, dei um tapinha em seus ombros e o deixei flutuando no seu limbo fantasmagórico de ideias pela metade e medo do “bichão-do-futuro”, que é tão amedrontador para sua pessoa – ou seria o “bichão-da-responsabilidade-por-nossas-crianças” que assusta e você usa o videogame como válvula de escape? Não sei, isso é assunto para psicólogos e psiquiatras… Mas aí, isso não é de minha alçada e tampouco da sua, caro Setzer. Quando pensar em proferir suas ideias perdidas e medianas lembre-se de Petter Grifin: “Qual é?”

*********

Durante este feriado, o professor Setzer veio pedir mais um direito de resposta, bradando que não concordava com este meu último texto sobre o assunto. Eu recusei e explico: eu tenho mais o que fazer, acho que você, caro leito, tem mais o que ler e também acho que Setzer, por mais que não pareça, tem outros afazeres.

Acho que meu affair com Setzer foi bom, mas agora acabou. Se vocês quiserem continuar a conversar com o professor, que ao meu ver carece muito de companhia, mandem um e-mail para ele! Tenho certeza que ele responderá com sua eterna simpatia e mente aberta que demonstrou em nossa conversa.

E não se esqueçam:

Notas relacionadas:

  1. Setzer & Eu: A Resposta
  2. Setzer & Eu: A Resposta (2ª parte)
  3. Setzer & Eu: O Final (1ª parte)
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Opinião Tags: , , ,
09/04/2009 - 22:56

Setzer & Eu: O Final (1ª parte)

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Como prometido, nesse dois últimos dias dei completo direito de resposta ao professor Valdemar Setzer, que o utilizou como achou melhor. Hoje eu publico o meu último parecer e a discussão com o professor acaba. Entendam, apenas o debate com Setzer se encerra hoje, pois a questão de games e games violentos irá se estender por muito tempo ainda, no GameOver e na mídia em geral.

Desculpem-me pela demora da resposta, hoje estou de folga da redação e não consegui outra maneira de postar antes. Então vamos lá, minhas considerações finais sobre o debate:

Primeiramente, devo dizer que minha opinião, após analisar mais profundamente, não é tão diferente do professor Setzer. Em nenhum momento eu acho interessante uma criança com menos de 6 anos ser exposta a qualquer tipo de violência, seja ela televisiva, física ou verbal. Algo em mim diz que isso, simplesmente, não é legal.

O meu problema com Setzer é o extremismo. Em seus estudos, artigos e palestras, o professor prega a “proibição” tanto dos videogames quanto da televisão. Para ele, se existe algum demônio, ele foi devidamente partilhado e industrializado por empresas como Toshiba, Sony, Microsoft, Nintendo, LG e por aí vai. Para o professor, a televisão deveria ser banida da sociedade e, no mínimo, trancada nos armários das casas, sendo retirada apenas para programas especiais e pontuais. Ele afirma isso em seu artigo “Os Efeitos Negativos dos Meios Eletrônicos em Crianças e Adolescentes”.

No mesmo artigo, Setzer afirma ter educado suas filhas para não assistirem TV, e que seus próprios rebentos, agora, dão continuidade aos ensinamentos para seus filhos, todos na Alemanha. Como Peter Griffin diria, “duas palavras fortes para vocês, pessoal: Qual é?”. Sinceramente, Setzer, você, um professor, que é uma das profissões que mais exige estar atualizado com o mundo, afirma não ter televisão em casa? E o senhor ainda acredita que suas filhas, assim que o senhor não está por perto, não deixam seus netos assistirem desenhos animados? Sinceramente, de todo o coração o senhor acha isso? Então, sinto muito, o superestimei quando propus nosso debate…

Voltando aos dados, pois todo o espaço que dei a Setzer, ele se limitou a CONTINUAR proferindo achismos e, como um adolescente, se defendendo de comentários dos leitores do GameOver. Que feio, Setzer, realmente me preparei melhor para um debate mais sério, com números, pesquisas e, enfim, exposições de ideias. Eu sinceramente achei que poderíamos fazer melhor do que o senhor fez na CBN, afinal, eu lhe dei TODO o espaço que o senhor precisasse.

Tenho de concordar com a leitora Cindy Dalfavo, que, em seu comentário no post de ontem praticamente inutilizou a minha resposta, os números são obtusos e fáceis de se manipular. Setzer fez isso em todo o seu artigo com mais de 70 páginas. Porém, ainda acho que eles merecem uma certa credibilidade, precisamos de uma base para encontrar respostas, e até mesmo, mais perguntas. Os números nos ajudam com isso, e por esse motivo, colocarei alguns aqui:

Estudos realizados pela Associação de Desenvolvedoras de Softwares para Entretenimento e Diversão (ELSPA), com as plataformas Nintendo Wii Sports e Sony EyeToy, indicam que se uma criança brincar com estas plataformas, 60 minutos por dia, emagrecerá mais de 3,4 kg em um ano. Organizações já pensam em utilizar este estudo para intervir em crianças obesas com estas plataformas. (estudo completo)

Os pesquisadores Douglas Gentile e Craig Anderson, da Universidade Estadual de Iowa, não gostam de games violentos. Então, eles decidiram fazer um estudo com games não-violentos e, pasmem, descobriram que estes jogos até ajudaram na vida social das “cobaias”. (estudo completo)

Os professores John Kilburn e Christopher Ferguson, da Texas A&M International University, fizeram um estudo sobre as pesquisas realizadas sobre videogames e declararam no Journal of Pediatrics o seguinte: “resultados sobre nossa última pesquisa não corroboram a conclusão de que mídia violenta leva a um comportamento agressivo. Ainda não se pode concluir afirmativamente que a mídia violenta é um risco real para a saúde pública”.

E eles continuam com números:
- Nos últimos 10 anos, estudos sobre videogames foram mais populares que os de qualquer outra mídia;
- Menos da metade dos estudos (41%) usaram dados sobre agressão bem avaliados;
- Meios mal formalizados e normalizados de como medir a agressão tendem a produzir os maiores efeitos, possivelmente porque o seu formato mal regulamentado permite que pesquisadores escolham e manipulem os resultados como quiserem;
- Estudos experimentais produzem efeitos muito mais altos do que estudos correlacionais e longitudinais. Como os estudos experimentais são mais propícios a usar a agressão como prova de medida, isso dificulta a avaliação real;
- Não há evidências reais que videogames produzem maiores efeitos do que outro tipo de mídia, mesmo com sua natureza interativa;
- No total, os efeitos (dos videogames) são mínimos, e nós concluímos que a mídia violenta, geralmente, influencia de maneira mínima no comportamento agressivo. (estudo completo)

Posso escutar um ALELUIA, senhores?

Eu ainda até coloquei uma pesquisa (Gentile) que vai contra o meu pensamento de que games não transformam pessoas em assassinos, só para mostrar que não, eu não enxergo só o meu lado, e sim, eu considero outros estudos. Ao contrários de outros… (mais estudos e notícias mais “sérias” sobre games no GamePolitics). Eu até poderia continuar com os dados, mas isso não nos daria muito mais conhecimento, pois, como Kilburn e Ferguson já disseram, “as pesquisas são feitas de maneira errada e não podemos concluir algo real delas”.

Continuo minha resposta final na segunda-feira, já que a maioria das pessoas, inclusive eu e Setzer, estarão viajando. Até!

Notas relacionadas:

  1. Setzer & Eu
  2. Setzer & Eu: A Resposta
  3. Setzer & Eu: A Resposta (2ª parte)
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião Tags: , , ,
08/04/2009 - 12:31

Setzer & Eu: A Resposta (2ª parte)

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Caros,

Como prometido, hoje publico a segunda parte da resposta do professor Valdemar Setzer sobre a influência de games violentos na sociedade.

Mas antes de seguir com a resposta eu preciso admitir que estou, realmente, embasbacado com o número de comentários! Eu realmente subestimei os leitores, pensei que ninguém leria um texto mais extenso e, tampouco, se dariam ao trabalho de comentar, debater, discutir. Por este motivo, desculpo-me com vocês, leitores.

Para quem não acompanhou o debate desde o começo, ontem eu publiquei a primeira parte da resposta de Setzer junto de alguns links do começo da discussão.

Bom, sem mais delongas, senhoras e senhores, com vocês a segunda e última parte da resposta do professor Setzer:

Em segundo lugar, em minha opinião a CBN não fez nenhum erro. Ela teve a coragem de transmitir minhas idéias, sabendo que eu vou contra a onda. Minhas idéias são baseadas em muita reflexão, estudo e observação, e o Heródoto sabia disso, pois já me entrevistou várias vezes; ele até coordenou um debate em que participei como debatedor, no Centro Cultural Itaú. No entanto, estou plenamente de acordo com o fato de que teria sido ideal ouvir a opinião contrária, isto é, de alguém que seja fanático por vídeo games – mas isso é realmente essencial? A maioria das pessoas acha-os ótimos! Eu sou uma verdadeira “voz que clama no deserto”, (mas sinto-me uma pulga frente à infinita grandeza do autor dessas palavras). Finalmente, não acho que o Heródoto tenha me entrevistado só para aumentar audiência – conheço-o suficientemente para reconhecer sua honestidade; ele certamente queria informar.

> 13/03/2009 – 23:37 Enviado por: Gustavo

> Esse Valdemar Setzer é um hipócrita. Eu só queria fazer uma pergunta para ele na rádio que seria a seguinte: ‘Senhor Valdemar, eu como bacharel em Direito e com um certo conhecimento das leis e fã assíduo dos videogames pois jogo desde os 8 anos de idade (hoje com 25) lhe pergunto: como que eu jogando todos esses anos nunca matei ninguém e sequer tenho uma ‘ficha suja’ perante as autoridades? Do jeito que o senhor afirma quem joga videogame é um assassino’.<

Hipócrita? Qual é a impostura que eu faço? Eu vivo minhas idéias!

Quanto à sua pergunta, Gustavo, em primeiro lugar eu jamais afirmei eu todos os jogadores de vídeo games violentos tornam-se criminosos ou assassinos. Tenho uma teoria para o fato de, como eu falei na entrevista, os casos de homicídios serem apenas a pontinha do iceberg da agressividade induzida pela TV e pelos jogos violentos. Parece-me que o ser humano tem naturalmente uma ojeriza, uma repulsa de matar outra pessoa. Os vídeo games violentos foram desenvolvidos como simuladores de tiro e de batalhas para desensibilizar os soldados americanos. Como eu citei na entrevista, um soldado normal acerta 20% dos tiros, um desensibilizado acerta 90%, segundo uma das pessoas que desenvolveu esses simuladores, o coronel do exército americano Dave Grossman (vejam no google, e várias citações dele no artigo “Efeitos negativos…”). A repulsa que mencionei provavelmente não é totalmente eliminada com os video games violentos. Na entrevista, eu citei que, no entanto, em casos de inconsciência ou semiconsciência (devidos a stress, raiva, medo, emergência, impaciência extrema, sonolência, etc.) o condicionamento produzido pela TV e pelos jogos pode levar uma pessoa, e principalmente um jovem, que obviamente não é um adulto com plena capacidade de autocontrole, a fazer uma agressão mais violenta. No caso do Gutenberg-Gymnasium de Erfurt, em 26/4/02, o primeiro massacre escolar na Alemanha, o rapaz de 19 anos (Steinhäuser) foi andando pela escola e atirando principalmente nos professores, até que um professor olhou-o nos olhos e lhe disse “Agora você pode me matar”. Nesse momento, o garoto caiu em si (isso é o que mais importa aqui: ele estava claramente fora de si), disse “Sr. Heise, por hoje é suficiente” e abaixou a arma. O professor convidou-o para uma conversa, numa sala vizinha, na porta empurrou-o para dentro e trancou-a. Lá o garoto suicidou-se. Ele jogava Wolfenstein, Hitman e Half-life. Leis alemãs de porte de armas e leis escolares (Steinhäuser tinha sido expulso da escola por falsificação de atestado médico e por isso não tinha nenhuma possibilidade de formação profissional), foram mudadas por causa desse caso. Não houve mudança nas leis sobre video games.

Insisto: ainda bem que pouquíssimos jogadores viram assassinos. Mas todos, absolutamente todos, têm sua agressividade aumentada.

> Somente gostaria de fazer essa pergunta para esse professor. Esse tipo de comentário já não tem mais espeço no mundo moderno. É notório que o rapaz possuía problemas psicológicos e necessitava de um acompanhamento por psicólogos e/ou psiquiatras. Agora, culpar os videogames e não dizer um ‘a’ sobre o arsenal que o pai do rapaz possuía em casa é de doer hein!?<

Claro que se culpou o arsenal. Mas o importante é terem citado o fato de ele jogar video games violentos. Isso em geral não é divulgado. Acontece que, aqui na Europa, as pessoas estão caindo na realidade para a qual chamei a atenção há dezenas de anos, e estão começando a tomar atitudes mais drásticas para proibir jogos violentos. A consciência sobre os males dos meios eletrônicos está aumentando: na França, a Baby TV, para crianças até 2 anos, foi proibida (não o é no Brasil). Por que vocês acham que em todo lugar a propaganda de cigarros na TV foi proibida? Por que ela funciona, condicionando os vidiotas a fumarem (é muito cinismo não se ter proibido ainda propaganda de bebidas alcoólicas). Está havendo um movimento em toda a Europa para se impedir acesso a sites impróprios para crianças.

> 17/03/2009 – 10:12 Enviado por: Diogo Figueira

> Sabe qual o grande problema…… é mais fácil a mídia apontar ‘erros’ como a violencia dos games do que os problemas familiares, crianças com disturbio, criança que sofrem agressões dos pais (ou abuso), que é óbvio que uma criança que tem sérios problemas familiares quando exposta a uma quantidade excessiva de violência, não importa se for através da TV, games, na rua brigando, ou vendo o pai espancar a mãe será uma pessoa violenta ou completamente maluca.<

Tudo isso é muito ruim. Mas não se pode ignorar a influência da violência condicionada pela TV e pelos video games. Acontece que é muito fácil evitar isso, em grande parte: é só não tê-los em casa – como eu fiz com meus filhos (em relação à TV), e minhas filhas fazem com meus 6 netinhos (TV e vídeo games – a netinha mais velha tem 12 anos, e nenhum deles jamais jogou um video game). Há um cálculo de que, se a violência fosse banida da TV e dos video games, haveria uma diminuição de 15% na criminalidade.

> Perdeu-se o valor da sociedade, hoje as autoridades, gorverno, mídia e o que for , prefere apontar indústrias por seus problemas , do que ver a real sociedade em que vivemos.<

A real sociedade em que vivemos está destruindo a natureza, o indivíduo e a própria sociedade. É preciso mudar a visão de mundo para reverter essa tendência. Uma mudança essencial é a maneira de encarar os meios eletrônicos.

> Um filho que tem uma boa educação, um ambiente familiar bom, ele pode jogar o jogo que for que isso não servirá de influência, isso se chama CARATER e quem ensina isso é PAI e MÃE.<

Uma boa educação certamente ajuda, mas infelizmente você está ignorando o tremendo poder condicionador da TV e dos games. Acorde, Diogo! Mas não fique em minhas palavras, observe e estude.

Em relação aos meus livros e artigos, aguardo críticas objetivas sobre os dados que cito e sobre minhas próprias idéias, que são conceituais. Entrevistas em rádio ou TV não servem para se transmitir idéias, servem para chamar a atenção para certos problemas ou fatos, e incentivar o estudo do que se escreveu sobre o assunto. A palavra impressa é a que melhor reflete as idéias do transmissor, e a que mais preserva a liberdade do receptor.

6/4/09

Valdemar W Setzer – http://www.ime.usp.br/~vwsetzer

E, para acabar com este debate, amanhã eu publicarei minha resposta à justificativa do professor Setzer sobre sua teoria de que games violentos influenciam a sociedade. Ah, sim! Se você quiser acompanhar melhor esse debate e outras notícias do GameOver, assine o meu RSS.

Até amanhã, e aguardem…

Notas relacionadas:

  1. Tava demorando: Imprensa afirma que assassino alemão era jogador de “Counter-Strike”
  2. Setzer & Eu
  3. Setzer & Eu: A Resposta
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião Tags: , ,
07/04/2009 - 14:31

Setzer & Eu: A Resposta

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Queridos leitores, gamers e curiosos,

Há um mês, mais ou menos, entrei em uma discussão com o professor Valdemar Setzer. O começo de tudo pode ser conferido em posts anteriores (aqui e aqui).

Garanti ao professor que sua resposta teria espaço e destaque no GameOver, também garanti que ela seria transcrita em sua totalidade, NADA seria editado. Como o texto de Setzer ficou longo, hoje publico a primeira parte e amanhã a segunda.

Após a devida publicação, na quinta-feira, darei meu parecer final sobre a questão. Eu dei o direito de resposta a Setzer e ele aproveitou como achou correto, então, após esse espaço a discussão entre eu e meu mais novo leitor acaba.

Senhoras e senhores, com vocês, Valdemar Setzer:

Olá a todos,

Lembranças de Mannheim, na Alemanha, não muito longe de Winnenden, onde se passou a tragédia objeto de comentários neste blog. O tempo está realmente maluco: está quente como se o verão tivesse dado uma rasteira na primavera, mas as árvores estão achando que estamos nesta, pois estão explodindo em brotos novos e algumas estão lotadas de flores, depois de um atraso devido a um longo e rigoroso inverno

O Caio escreveu-me em e-mail que havia feito aqui neste blog um comentário sobre a entrevista feita comigo pelo Heródoto Barbeiro na CBN de São Paulo, se me lembro bem, no dia 13/3/09. A partir de 15/3 eu estava viajando, e com acesso precário à Internet. Escrevi a ele comentando brevemente suas afirmações naquele e-mail e em subsequente, e desculpando-me por não poder contribuir para o blog. Agora posso fazê-lo. Não vou usar o que ele escreveu nos e-mails, pois ele não os transcreveu aqui. Vou comentar apenas o que ele mais outras duas pessoas escreveram no blog.

> [Caio] Para piorar, o professor de Ciências da Computação da USP, Valdemar Setzer, afirmou algumas coisas “interessantes” na CBN hoje (ouça o áudio completo da entrevista na CBN, se tiver estômago):<

Estômago? O que é isso, preconceito contra ouvir idéias diferentes?

> “O problema é que os videogames violentos acabam condicionando imagem e ação, muito pior que a televisão. Com isso o jogador não pode parar para pensar, e isso tudo que ele experimenta acaba gravado em seu subconsciente, e em uma situação extrema, esse treinamento realizado pelos games acaba sendo colocado em prática.”<

Essa é uma síntese. Várias frases minhas foram puladas nessa transcrição, e minhas palavras até mudadas (recomendo que se ouça o original). Note-se que o “com isso” não combina com a frase precedente. O ponto anterior, a que ele se refere, e que foi pulado, é o fato de nos jogos violentos as imagens se sucederem com muita rapidez.

> “Há algumas evidências sobre a relação entre games e violência, mas nenhuma científica. Por exemplo, no massacre da escola Columbine, os jovens usaram jogos de tiro para executar sua matança, simulando até o ambiente escolar nos jogos.”<

O que eu disse é que não há estudos científicos sobre os casos de matança como a de Winnenden, pois são muito poucos. Há inúmeros artigos científicos comprovando que video games violentos (e violência na TV) induzem agressividade, como eu mencionei no momento 6:47 da gravação. Essa agressividade vai desde a verbal até a física; felizmente, são raros os casos de homicídios, como os de Winnenden, Erfurt, Littleton, Paducah, etc. Vou comentar minha opinião sobre essa raridade mais adiante.

> “Houve um outro caso muito importante, na cidade de Paducah, no Kentucky, em que um garoto entrou numa sala de aula durante um curso dominical em uma igreja e começou a disparar. Deu oito tiros mirando cabeça ou tórax e acertou 100% dos tiros. O mais impressionante é que ele nunca tinha pego uma arma antes, foi tudo treinado com videogames. Em uma solução tipicamente americana, os pais dos garotos que foram atingidos nesse ataque processaram a companhia que transmitiu o filme que, se não me engano, era com o Leonardo DiCaprio, que era justamente sobre um garoto que entrava na sala de aula e matava seus colegas.” <

Aqui também foram puladas palavras minhas, mas a síntese não está má. Cometi um engano: deveria ter dito “a companhia cinematográfica que produziu o filme.”

> O argumento de Setzer continua por mais alguns minutos e nunca, em momento algum, dando uma prova cientifica e irrefutável da ligação entre games e violência. Além disso, o locutor Heródoto Barbeiro, que conduz a entrevista, também não questiona o professor sobre tais provas. A CBN errou FEIO ao tratar as palavras de Setzer, que não é psicólogo, como lei. Errou ainda mais em não trazer nenhum profissional especializado para mostrar o outro lado da história, e piorou a situação, pois o caso de Kretschmer é uma das notícias mais importantes dos últimos dias. Ou seja, tripudiou sobre uma questão secundária para “requentar” a pauta, fazer mais uma chamada e aumentar sua audiência.<

Em primeiro lugar, eu fui informado que teria 5 min para falar, e por isso falei depressa – por muito favor, deram-me cerca de 6 min. Nesse tempo, como eu escrevi ao Caio, é impossível ficar citando trabalhos científicos – só dá para falar dos resultados. Esses trabalhos existem, em número cada vez maior, para TV e para vídeo games violentos. Veja-se em meu artigo “Efeitos negativos dos meios eletrônicos em crianças e adolescentes”, em

http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/efeitos-negativos-meios.html

a citação e resumo de vários deles, por exemplo o altamente significativo de Anderson e Dill (2000). Quem acha que TV e vídeo games violentos não induz violência não conhece a literatura científica a respeito, absolutamente conclusiva. Aliás, não é preciso estudá-la, como eu fiz. Alguém que acha que ficar jogando games violentos não tem nenhuma influência na pessoa, principalmente em crianças e adolescentes, não deve ter um pingo de bom senso. Todas as vivências que o ser humano experimenta acabam por influenciá-lo, pelo menos um pouquinho, pois ele incorpora todas elas. Por exemplo, quem ler esta contribuição até o fim não será mais exatamente aquele que era antes de tê-la lido. A propósito, não vou ficar repetindo aqui as citações bibliográficas que já tive o trabalho de fazer no citado artigo. E vejam outros em meu site, como por exemplo “A TV antieducativa”, em

http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/tv-antieducativa.html

Não percam, amanhã, a segunda parte da resposta de Setzer.

Notas relacionadas:

  1. Tava demorando: Imprensa afirma que assassino alemão era jogador de “Counter-Strike”
  2. Mimimi: Entre reclamações e zumbis
  3. Setzer & Eu
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião Tags: , ,
18/03/2009 - 17:12

Setzer & Eu

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Parem as prensas! O professor Valdemar Setzer respondeu meu e-mail, meu convite para um debate.

Devo admitir que foi um choque ele ter respondido tão rapidamente, e tão avidamente! Uma surpresa boa, pois eu realmente esperava que ele, solenemente, ignorasse meu contato. Bom, seguindo a conduta usual do GameOver, publico agora a resposta dele e, logo em seguida, minha re-resposta (ou algo assim…). Setzer respondeu meu e-mail parágrafo por parágrafo, então, para facilitar, pintei as respostas dele de vermelho, esta foi a única alteração que fiz ao texto dele, o resto mantive tudo, inclusive os erros e “maneirismos” dele. E sim, ele ficou bravo:

Valdemar Setzer

Olá, Caio,

Meu nome é Caio Teixeira. Sou jornalista especializado na área de Games do portal iG. Envio este e-mail para lhe indicar a leitura de um post meu a respeito do assassino alemão e a entrevista que o senhor participou na rádio CBN (segue o link: http://colunistas.ig.com.br/gameover/2009/03/12/tava-demorando-imprensa-afirma-que-assassino-alemao-era-jogador-de-counter-strike/).

Infelizmente, estou sem acesso contínuo à internet. No momento, estou usando uma Lan House em Ilhéus, antes de voltar para o navio que está me levando para a Europa.

Entendo a posição do senhor, mas quero que saiba que sem provas de que games são nocivos a saúde, seus argumentos são inválidos. Como doutor e professor da Universidade de São Paulo, com dezenas de artigos escritos, alguns livros publicados

Mais de uma dezena, 4 no exterior.

e uma boa divulgação na mídia, a sua entrevista para a CBN foi triste.

Puxa, eu achei que foi boa! Vamos ver seus argumentos objetivos para não concordar comigo…

Imagino, sim, que o senhor possa apresentar alguns dados (que eu veementemente contestarei) científicos

Por favor, veja por exemplo meus artigos “Efeitos negativos dos meios eletrônicos em crianças e adolescentes” e “A TV antieducativa”. Por favor, conteste OBJETIVAMENTE os dados das inúmeras pesquisas científicas que cito, bem como minhas próprias idéias.

orroborando sua tese de “Deixe as crianças serem infantis: não lhes permita o acesso a TV, jogos eletrônicos e computadores/Internet”, encontrada em sua página do IME (http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/)…

Uaaaaaaaaaaai,por que não contestou?E não se trata de veemência, tente ser objetivo como eu sempre fui.

Espere um segundo… É impressão minha ou o senhor grita contra o acesso à internet e você mesmo possui um sítio online? Estranho… estranho.

Estranho você não diferenciar o que eu escrevo no caso de crianças e adolescentes e no caso de adultos! Principalmente adultos conscientes — ultimamamente tenho tido preocupações comadultos incultos, como a grande parte da população semi-analfabetade nosso país.

Voltando ao assunto dos games: gostaria muito que o senhor enviasse tais estudos comprovando como games são piores do que má educação e má criação.

Leia o artigo citado, “Efeitos negativos…”. Mas eu não faço comparação com o que você chama de “má educação” e “má criação”;posso no entanto adiantar quecertamente os video games pioram qualquer educação, seja ela boa ou má.

Gostaria de ver os números mostrando que jogos eletrônicos são piores que o meio social no qual as crianças/adolescentes estão inseridos.

Uaaaaaaaaaaai, dar armas de verdade,droghas, fumo, etc. para crianças é certamente ruim,independente do meio social, não é? O mesmo se passa com os video games.

Aliás, se possível, mostre-me também alguns dados sobre como a Primeira, a Segunda Guerra e o Vietnã (apenas alguns exemplos, mas posso continuar a citar atrocidades desde o início das aglomerações minimamente organizadas de seres humanos) foram influenciados pelos “malditos” jogos eletrônicos.

Você sabe quando os jogos eletrônicos apareceram? (Ele não entendeu a minha piada…)

Aliás, se é para generalizarmos, o que acha da relação entre pão e assassinos? Alguns dados apontam que a esmagadora maioria de matadores que já existiram no mundo comiam pão e, por incrível que pareça, o faziam até 24 horas antes de perpetuarem seus atos.

Vou dar-lhe um exemplo melhor que sempre uso para mostrar o erro de correlções bivariadas como essa: háuma altíssima correlação entre número do sapato e salário, pois as mulheres infelizmente ganham menos do que os homens. Em seu racioncínio, passe a usar um número maior de sapato e ganhará mais!

Leia meu post (se isso não for completamente contra a sua religião),

Não tenho religião, não acredito em nada. Em particular, não acredito na religião de que os video games não são prejudiciaisàs ciranças e adolescentes.

leia os comentários nele e depois faça uma reflexão sobre suas próprias palavras. Não é só porque o senhor possui alguns diplomas, está em uma universidade de renome e conseguiu um lugar na mídia que suas palavras são lei.

Eui sempre terminho minhas entrevistas dizendo aos ouvintes e leitores para lerem e observarem por conta própria, e não acreditarem em minhas palavras. Devo ter terminado assim a da CBN — se o Heródoto me deu a chance, já aocnteceu de ele cortar a entrevista por causa de tempo.

Eu vivo e amo o que faço: games. Sua entrevista foi, no mínimo – citando meu próprio blog -, “obscena”. Sem dados, sem provas, sem base, sem estrutura e sem lógica.

Como é que você queria que eu citasse dados científicos em uma entrevsista? Não é o lugar apropriado para isso!

Abro um espaço em meu blog para que o senhor, caro Valdemar Setzer, defenda-se da minha acusação. Sua resposta será totalmente transcrita e devidamente destacada.

Puuuxa, isso seria sensacional. Já respondi acusações contra mim em blogs (*por exemplo, do ombudsman da TV Cultura) e que foram censurados. Mas só poderei fazê-lo, com muito prazer e alegria, após o dia 3/4,quando chegarei à casa de minhas filhas na Alemanha. Avise seus leitores sobre essa minha impossibilidade.

Gostaria muito de um debate inteligente com vossa senhoria, e não apenas um apanhado de “achismos” proferidos para a massa que não pensa, só engole. Isso é fácil e qualquer um pode fazer.

Eu cito em meus artigos muitos dados concretos, e idéias minhas justificadas. Não encontrei nada disso em seu e-mail, espero que eles estejam em seu blog!

aaaaaaaaaaaaaaaaaaa,

E agora segue o meu e-mail em resposta ao texto de Setzer. Todo esse “bate-papo” aconteceu na tarde desta quarta-feira:

Professor Setzer,

Primeiramente, muito obrigado pela resposta e atenção! Tive medo que o senhor fosse ignorar meu e-mail, mas fiquei alegremente surpreso!

Como o senhor já justificou, aguardarei sua chegada para podermos debatermos melhor. Lerei os dois artigos que o senhor indicou com ávida atenção! Mal consigo esperar a hora de encontrar os números! ADORO números!

Quanto a objetividade que o senhor tanto contestou em meu e-mail, bom, não foi nele que a coloquei, a objetividade está no post, que, ao que me parece, o senhor não teve tempo de ler. Mas, infelizmente, tanto na entrevista quanto na sua resposta ao meu e-mail, o senhor ainda não me mostrou nenhuma prova. Espero encontra-las em seus artigos, porque se nem lá elas estiverem, infelizmente, nosso debate será inútil.

Ah sim, não posso deixar de dizer que comprar games com drogas e armas foi extremamente “interessante”, deu um ar mais “jovial” ao seu e-mail! Espero que possamos conversar desta forma!

Nossa, e como pude esquecer da melhor citação do senhor? “Como é que você queria que eu citasse dados científicos em uma entrevista? Não é o lugar apropriado para isso!”, não mesmo? O senhor tem certeza ABSOLUTA que em uma entrevista SÉRIA não devem ser mostrados dados científicos, provas cabais do que o senhor diz ser A VERDADE? Preciso voltar a estudar jornalismo…

E o ombudsman da TV Cultura o censurou? Logo o da CULTURA? Isso é um ultraje e um acinte à minha classe! Realmente sinto-me envergonhado por tal atitude, e lhe asseguro completo e total espaço em meu blog! Assim como total e merecido destaque! Nenhuma censura e nenhuma edição em sua resposta (aliás, esta troca de e-mails será devidamente reproduzida no blog)! O senhor merece, eu mereço e, acima de nós dois, os leitores merecem.

Não vou entrar mais em pormenores sobre ideias, objetividade e argumentos… Se eu não o fiz no e-mail que lhe enviei (acreditando que, logo após, o senhor leria meu blog), o senhor tampouco o fez na resposta. Estamos quites.

Então, até dia 3 de abril, professor Setzer!

Abraços e Bon Voyage!

Caio Teixeira

Galera, que bonito! Acho que estamos ficando miguxos! YEY!

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Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião, games Tags: , ,
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