Setzer & Eu: O Final (2ª parte – Agora acabou mesmo!)
Vamos esclarecer algumas coisas, por favor. Primeiramente, a todos que atacaram o professor Valdemar Setzer sem ler o seu trabalho, erraram. Eu errei quando o ataquei cegamente após sua entrevista para a CBN, por isso, peço desculpas. Acusar e se atracar com as ideias de alguém sem entende-las corretamente, nunca dá certo. Eu li seu artigo, Setzer. De cabo a rabo e agora me sinto poder de dizer: que vergonha alheia.
Para os que não leram o artigo, o professor MANIPULOU pesquisas e números a seu bel-prazer. O professor não é especializado em nenhuma área da psicologia, tampouco produziu, ele mesmo, experimentos para corroborarem suas teorias. Eu também não sou formado em psicologia e nem tenho estudos de caso, porém, meu trabalho é cuidar do mundo dos games. Eu vivo e amo isso. Ao contrário de Setzer, jogo videogames desde os meus 4 anos (Mega-Drive) e nunca fui preso, nunca precisei de tratamentos psicológicos, nunca repeti de série no colégio e nunca entrei em uma briga. Eu, como experimento da minha própria vida, sou a prova cabal de que Setzer está errado em sua generalização.
Setzer se utilizou, em 80% dos casos apresentados em seu artigo, de experimentos feitos com TV e extrapolou, conjeturou, imaginou, os resultados para os games. As outras pesquisas, que de fato eram voltadas para os games, são no mínimo risíveis.
Na quinta-feira passada, enquanto assistia a Penn & Teller: Bullshit, identifiquei completamente o caso apresentado no programa com esta discussão: no show, é debatida a criação de programas que ensinam os adolescentes a praticarem a abstinência sexual (até aí, por mais estranho que pareça para o nosso tempo, tudo certo), porém, os programas só ensinavam isso. Não educavam sexualmente seus jovens, não ensinavam sobre DSTs e nem sobre preservativos. Os programas de celibato juvenil apenas afirmavam que os jovens não deviam fazer sexo antes do casamento, ponto. Ou seja, foda-se tudo o que aprendemos em milênios de evolução, foda-se tudo o que sabemos sobre prevenção de doenças, foda-se a liberdade de escolha que atingimos após milhares de anos de censura (religiosa e estatal).
É isso o que Setzer prega: um grande foda-se para nosso livre-arbítrio, para as evoluções mentais e tecnológicas, para a educação parental. Para ele, os pais e o governo, tadinhos, não tem culpa. Quem tem culpa são os videogames, que ensinam uma criança de 7 anos a manusear um rifle de precisão PSG1 para atirar em seus amiguinhos, ou os videogames que fazem com que as barreiras da nossa sanidade, ai de mim, sejam destruídas e fiquemos a mercê de nossos instintos básicos (como se isso não acontecesse diariamente). Os videogames nos colocam de volta às cavernas. Os videogames, basicamente, são os culpados pelas mazelas do mundo moderno. Incluindo aí, a fome, o aquecimento global, a ingerência política, a desmoralização social, a putrefação física de cada ser e a ascensão de Oprah.
Setzer, depois que li seu artigo eu broxei. Pois quando o convidei para esse debate, pensei que discutiríamos, bradaríamos, nossas ideias até o momento em que chegaríamos a um ponto em comum. Ledo engano, acompanhando o seu artigo percebi que eu estava chutando o cachorro morto e, após sua resposta oficial, eu simplesmente sorri, dei um tapinha em seus ombros e o deixei flutuando no seu limbo fantasmagórico de ideias pela metade e medo do “bichão-do-futuro”, que é tão amedrontador para sua pessoa – ou seria o “bichão-da-responsabilidade-por-nossas-crianças” que assusta e você usa o videogame como válvula de escape? Não sei, isso é assunto para psicólogos e psiquiatras… Mas aí, isso não é de minha alçada e tampouco da sua, caro Setzer. Quando pensar em proferir suas ideias perdidas e medianas lembre-se de Petter Grifin: “Qual é?”
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Durante este feriado, o professor Setzer veio pedir mais um direito de resposta, bradando que não concordava com este meu último texto sobre o assunto. Eu recusei e explico: eu tenho mais o que fazer, acho que você, caro leito, tem mais o que ler e também acho que Setzer, por mais que não pareça, tem outros afazeres.
Acho que meu affair com Setzer foi bom, mas agora acabou. Se vocês quiserem continuar a conversar com o professor, que ao meu ver carece muito de companhia, mandem um e-mail para ele! Tenho certeza que ele responderá com sua eterna simpatia e mente aberta que demonstrou em nossa conversa.
E não se esqueçam:
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Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Opinião Tags: debate, games e violência, Valdemar Setzer, violência nos games