Campus Party: Overdose de energético deixa nerds alucinados no evento
É triste, as drogas hoje em dia não perdoam mais ninguém. E você achando que aquele nerd acanhado, que ficava sentado, encolhido, no canto da sala era o fundo do poço da comunicação… Os nerds da Campus Party, na madrugada deste sábado, mostraram que os tóxicos estão aí, fazendo a vez. “Como assim, drogas no evento?”, você deve se perguntar. Exatamente, drogas, que nesse caso são aceitas pela sociedade: o famigerado energético, que para este grupo, é o suficiente para jogá-los em uma tortuosa alucinação coletiva. No afã do cumprimento da missão jornalística, consegui gravar algumas cenas. Cuidado: as cenas são fortes.
Tudo começou inofensivamente. Por volta das 23h40, um grupo de pessoas iniciou uma ola, tranquila, até mesmo divertida…
Em dado momento, um conglomerado decidiu dar um passo além. Horrorizado, observei os nerds empunhando suas cadeiras e correndo, ensandecidos*, em volta da arena.
É, meus caros, o energético, a bebida maléfica, já corria nas pobres veias dos pequenos nerds, turvando suas mentes, destruindo a timidez, embotando seus sentidos… Basicamente os deixando sem-noção mesmo.
Após alguns minutos de frenesi quase religioso, eles pararam em frente a área musical do evento e começaram a gritar em coro: “Liga o som, liga o som, liga o som!”. Alguns urravam e babavam, outros batiam suas cadeiras no chão, a maioria regredindo ao nível do homo habilis.
Mais alguns minutos e eles decidiram tomar o palco da Campus Party. Fazendo uma estranha corrida de cadeiras, chegaram ao palanque e quando o dominaram, começaram a comemorar como se tivessem acabado de derrubar a Bastilha.
Foi um momento glorioso, mas durou pouco.
Sob o julgo tirânico da organização do evento, seu ânimo foi desmembrado pela carranca bestial do verdugo… Tá, não foi tão difícil assim acabar com a graça do pessoal, afinal, nerds. Seu habitat natural é virtual e não real.
“Pessoal, ontem (quinta-feira) recebemos uma intimação judicial para que parássemos com as festas depois da meia-noite”, disse o Diretor de Comunicação e Marketing (é assim que chamam os carrascos hoje em dia), Beto Andrade. “Existe um hospital logo atrás da Campus e por isso não podemos continuar a música e o barulho”. Alguns protestos tímidos aconteceram, mas a palavra foi fatal: “hoje parou pessoal, mas conseguimos para amanhã (sábado) uma autorização especial para realizarmos a festa de encerramento”.
Cada um voltou ao seu computador meio cabisbaixo, meio vitorioso. O mal havia sido detido. Os anarquistas controlados. Mas eu vi, no olhar de cada um, a sanha de sangue, o ardor da batalha.
Digito este texto escondido embaixo de uma mesa. Escutei boatos de sacrifícios humanos em homenagem ao deus Linuxus. Ainda bem que cortaram o energético.
Errata: Como o caridoso e gentil leitor Van der Lancaster fez o favor de apontar, ensandecidamente escrevi “insandecidos”. Obrigado pelo toque e pelas belas palavras, Lancaster.
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