Porque a distribuição digital pode piorar a situação dos games
Eu sei, eu sei. Quando acontece qualquer discussão entre vendas físicas e digitais eu sempre acabo do lado da segunda. Mas hoje o Bagaço me mandou um artigo que me fez repensar (só um pouco) a minha posição.
O artigo, publicado ontem no Gaming Dungeon (em inglês), mostra como as grandes produtoras e desenvolvedoras estão se aproveitando do mercado digital para realizar o bom e velho monopólio. De acordo com o texto, pela distribuição digital não precisar de um comerciante, de um distribuidor (eles chamam de “The Middle Man” e eu não consegui pensar em um termo melhor em português), os consumidores ficam a mercê de todas as vontades da fabricante que, invariavelmente, vai querer lucrar, ou seja, deixar o preço lá em cima. Isso acontece porque quando um jogo digital é vendido, possivelmente, não existirá concorrência, limitando as escolhas do usuário e por consequência pregando o preço lá em cima.
Pelo o que senti, todo o artigo do Gaming Dungeon foi motivado por uma frase de Bobby Kotick, CEO da Activision Blizzard, quando foi perguntado por que o preço de “Modern Wafare 2” (cerca de 55 euros) era mais alto que nos Estados Unidos: “o preço é esse e eu aumentaria mais se eu pudesse”. E olha que o valor nem foi tão mais alto assim, cerca de 5 euros mais caro. De fato, Kotick deu uma bela derrapada na diplomacia ao soltar essa pérola, mas ele também assustou todos, mostrando que os preços de seus – e por que não de toda a indústria – games gravitam quase que ao seu bel prazer.
O Gaming Dungeon acerta ao afirmar que quando o consumidor tem mais opções de adquirir seu produto – como acontece na mídia física – mais variantes do preço original devem aparecer favorecendo o seu interesse. Mas isso não é nada novo e todo mundo que sabe o mínimo de oferta e procura já conhecia toda a maracutaia.

Este pode não ser mais o seu deus…
Agora, o que o artigo me fez prestar atenção é que, de fato, os games digitais – mesmo sem precisar da logística, da caixinha e dos custos de produção – estão custando a MESMA coisa. Ora, caro amigo batráquio, eles estão nos ferrando de verde-e-amarelo, caracoles! Sim, imagino que você tenha percebido, mas eu, no afã consumista do Steam e seus malditos Weekend Deals nunca havia parado para pensar. E o artigo está certo.
Outra predição realizada na matéria é que, assim que a distribuição digital se firmar como seu novo deus, e as Microsofts, Sonys e Nintendos se encontrarão em uma posição tranquila de ditadoras de preços, já que não terá para onde o consumidor correr. Bom, é aí que meu pensamento diverge: apesar da minha fobia de perseguição e conspiração mundial, eu acho que, no final, o consumidor sempre dá um jeito. Por mais tapados que somos, no final o barco do comércio acaba pendendo para o nosso lado, ainda mais pelos games não serem artigos de primeira necessidade (bom, não para a maioria do mundo), basta pararmos de comprar para o preço cair, certo?
Bom, eu acho… Talvez.
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