Como perder as esperanças no mercado nacional de games
Eu sou instintivamente otimista. Para o bem ou para o mal, sempre acredito que “tudo vai dar certo”, mas têm coisas que acabam com qualquer “luz-no-fim-do-túnel”. E foi o que aconteceu com o final de 2009. Notícia atrás de notícia me fizeram desacreditar completamente no mercado nacional de games. Mas amargura só é boa quando dividida com todos, por isso eu separei as principais notícias dos últimos tempos que fizeram com que o meu otimismo se tornasse na pior sensação de final de domingo.
Chegada do PlayStation no Brasil
Na realidade eu encaro essa notícia toda mais como uma piada bem sem-graça do que algo sério. Afinal, por que, raios, a Sony desembarcou com o PlayStation 2 e o PSP no Brasil? Além de ter esquecido completamente do PS3 (nem vou falar da versão Slim…), a fabricante ainda não trouxe nenhuma novidade de fato. Só um site MUITO FEIO.
Projeto de lei 170/06
Então o excelentíssimo senador Valdir Raupp (PMDB-RO) decidiu que a fabricação ou distribuição de games “violentos”deve se tornar uma atividade criminal. Agora, pequeno aprendiz, pergunte ao senador o que é jogo violento para ele: “(qualquer título que atente contra) os costumes e às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos”. Como o amigo Jones Rossi (editor da Galileu) comentou, “tem um grupo nos EUA que defende os direitos das montanhas e rochedos. Prevejo a proibição a ‘Shadow of Colossus’ em breve”.
Delegada carioca sobre “Call of Duty: Modern Warfare 2”
Na realidade, essa notícia sobre os comentários da delegada Helen Sardenberg, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) do Rio de Janeiro, sobre o “MW 2”, me fazem desacreditar mais da humanidade como um todo do que na indústria em si.
Segundo a delegada, a fase no Rio de Janeiro do game não condiz com a realidade das favelas locais. “Eu acredito que o jogo foi criado por pessoas que não convivem com a realidade das comunidades. (O jogo) passou a pior imagem possível e tenta instigar uma ideia de guerra (…) Eu achei que a ação é exagerada. Ela simula mais uma guerra do que uma ação policial. Não fica claro pra quem está jogando qual o objetivo daquela ação, enquanto que, na ação policial, os policiais têm objetivo”. Aí eu penso: será que a delegada Helen conhece o mesmo Rio de Janeiro que eu? Porque, sei lá, vai que existe um Rio de Janeiro pacífico em outro lugar…
Sem falar que o pior é quem teve a brilhante ideia de ir falar com uma DELEGADA sobre um game. Tipo, o que tem a ver? Mesmo que a especialidade dela esteja “próxima” do assunto, isso não a transforma em nenhuma especialista (ainda mais quando ela demonstra, aos 46 segundos do vídeo, todo o “domínio” que possui sobre o controle do console), ou sequer, conhecedora da causa de fato. Trocando em miúdos: uma matéria para, simplesmente e unicamente, requentar uma polêmica ultrapassada – e completamente ilógica (nem vou comentar sobre o título da matéria, que conta com “Call of Duty 2″, por coleguismo de profissão).
As coincidências nas promoções de advergames no Brasil
Essa última foi a gota d’água mesmo. Certo, certo, não houve nenhuma condenação, ninguém foi declarado culpado e tals, mas após tantos indícios e relatos, sou obrigado a acreditar de que existe alguma coisa cheirando muito mal nessas promoções.
O leitor do GameOver pôde acompanhar (1) o desenrolar dessa história (2) nos últimos dias e fazer seu próprio julgamento, mas cada vez mais a situação se complica, como desde a semana passada Paulo Demétrio anda em uma briga eterna com o moderador da comunidade Rexona Tuning Race no Orkut: Paulo não quer deixar seus posts em que achincalhava membros da comunidade visíveis e o moderador insiste na transparência do site.
Enfim, tudo isso só prova que maturidade de verdade no Brasil anda muito em falta e o tiro vai para ambos os lados, empresas e consumidores – estou falando especialmente com vocês, que compram piratas. Enquanto as pessoas não levarem a sério o mercado e deixarem a brincadeira só para os games, nunca seremos levados a sério e aí eu quero ver a galera reclamando com a Nintendo trazendo, sei lá, um Super Nintendo oficialmente ano que vem.
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