Parece que eu “cutuquei” de maneira doída no post do BRGAMES
No texto passado eu reclamei, botei o dedo na ferida, do novo projeto de incentivo a games no Brasil, o BRGAMES 09. Como já falei antes, aqui é a minha casa e vou SEMPRE falar como eu acho que devo. Eu não tenho medo de ser mal-visto por instituições que estão fazendo algo errado, enganando os outros, desde que meus leitores sempre leiam a verdade (pelo menos a minha verdade) no GameOver. Nesta segunda-feira, recebi um e-mail de uma assessora da Secretaria do Audiovisual, Jane de Alencar, se dizendo ofendida com o meu post passado. Ela deu sua opinião pessoal, que não representa a opinião da Secretaria, e eu respondi a ela, como faço com todos os e-mails que recebo.
Irei publicar agora nossa troca de e-mails, mas, antes, quero deixar uma coisa clara: eu publico o e-mail dela, assim como publiquei os do professor Valdemar Setzer, para sempre manter uma relação extremamente clara com você, leitor do GameOver. Meu objetivo nunca é ofender ou inibir alguém com essa atitude, e sim, mostrar que aqui neste blog, sempre há espaços para todos. Enfim, segue o e-mail de Jane e, logo em seguida, a resposta que enviei nesta manhã:
Prezado Caio: no seu blog você pode ser politicamente incorreto. Concordo. Vivemos em uma democracia e, desde que se preste atenção nos limites da ética e do bom senso, qualquer pessoa tem o direito de se manifestar, ainda bem!
Mas discordo da desqualificação que você faz do Programa BrGames.
Estou me manifestando como cidadã e não refletindo a opinião oficial da SAv.
Para vc o programa é pífio e não altera o quadro de insatisfação gerado pelos altos impostos cobrados dos jogos eletrônicos.
No entanto, para quem não vive nos grandes centros e ainda não se profissionalizou pode ser uma alternativa interessante.
O Brasil é imenso e, geralmente, a maioria dos incentivos, ofertas, programas etc se concentra na região Sudeste. Um dos objetivos do Edital é descentralizar e democratizar o acesso de todos.Outra coisa que discordo: quando você perguntou se não seria melhor investir esse dinheiro na diminuição dos impostos, respondemos indicando o setor responsável para responder essa questão. Não “empurramos” a responsabilidade para a Softex. A SAv se propõe a estimular a ampliação do mercado dos jogos eletrônicos, mas não tem poder para interferir na regulamentação dos impostos. Quem pode atuar mais decisivamente sobre esse problema é a Softex.
No entanto, esse jogo pode virar. Os projetos só andam lentamente no Congresso porque os interessados em sua aprovação não se manifestam, com veemência e contundência, pressionando de forma organizada os responsáveis pela tramitação: deputados e comissões. Esse “lobby” do bem, se feito de forma eficiente – lembre-se que apesar de um deputado se “lixar” para a opinião pública, a maioria depende dos nossos votos! – pode render bons frutos. A indústria brasileira de jogos eletrônicos tem suas representações, associações, sindicatos etc. São essas entidades que podem atuar no Congresso para que o projeto do deputado Carlito Meers tramite rapidamente e seja aprovado. Os deputados e responsáveis pelas Comissões precisam ser convencidos que a lei será boa para o setor, aumentando os empregos, gerando renda etc.
Portanto, vamos dar um voto de confiança no 1º Edital do BrGames e fazer críticas construtivas. Quem sabe o próximo não será uma edição bem mais ousada e aperfeiçoada, graças às sugestões dos artistas e produtores da área?
Finalmente, uma sugestão: ao invés de desqualificar, você e outros sites voltados para os jogos, poderiam ajudar a criar uma teia articulada com a Softex, a SAv e todos os interessados para conseguir mais geração de emprego e renda no setor de jogos eletrônicos, além de ampliação do mercado interno e externo. Estamos abertos à sugestões e ao diálogo.
Agradeço a atenção e despeço-me cordialmente,
Jane de Alencar
E isso foi o que respondi para ela:
Olá, Jane!
Primeiramente: fiquei realmente impressionado que tenha entrado em blog, ainda mais no post sobre o BRGAMES, sendo que eu nem o destaquei na home do Arena. Logo, presumo que, de alguma forma, você descobriu o meu cantinho, e fico feliz!
Vamos deixar algumas coisas claras antes de eu responder suas críticas. Primeiramente, você acertou completamente em entender que o blog é meu e eu faço o que bem entendo dele, mas errou ao se sentir ofendida (“como cidadão e não refletindo a opinião oficial do SAv”, o que eu duvido, mas tudo bem) pessoalmente pelo texto. Não sei se teve chance de conferir os comentários, que foram poucos exatamente por não tê-lo destacado no Arena Turbo, mas TODOS concordam comigo. E não é só isso, no Twitter esse mesmo texto foi reproduzido em forma de elogio. Ou seja, de todos os acessos que recebi com esse post, você é a única que discorda da minha visão e de meu texto. E isso é ótimo! Precisamos de opiniões contrárias para construir ótimos debates. Mas acho que você não entendeu exatamente o que estão fazendo com esse edital.
Concordo com o problema de nem todos terem, no Brasil, acesso a uma profissionalização mais específica na área de games. Mas aí você esqueceu-se de alguns detalhes: por incrível que pareça, a maior parte das desenvolvedoras de games nacionais não estão do Sudeste e sim no Nordeste e Sul do País. Isso prova que a indústria, mesmo sem nenhuma ajuda do Governo (e incluo aí o Ministério da Cultura), está sendo expandida para fora do eixo, mais comumente relacionado com algo intelectual/industrial/cultural. Não concorda que uma forma melhor de fomentar a tal “profissionalização” da área seria dar educação? Criar cursos de especialização na área? O meu problema com o edital é que ele beneficia uma parte mínima dos profissionais de games e rende frutos apodrecidos, afinal, se o BRGAMES é uma espécie de continuação do “Jogos BR”, que rendeu APENAS 16 demos e dois games completos que NINGUÉM no Brasil jogou, isso, para mim, e todos os meus leitores que se manifestaram, é uma atitude, no mínimo, ingênua.
Quanto aos impostos, cara Jane, como uma cidadã que conclamou ser, você realmente concorda que o SAv, com a ajuda do Ministério da Cultura (estou assumindo que vocês devem manter uma relação próxima), também não poderia fazer o “lobby” do bem? Se você acha que isso está completamente fora das mãos do Audiovisual, que vocês não tem o poder de influenciar em NADA nas decisões, sinceramente, não entendo para o que existe essa Secretaria.
Sinto muito, quanto ao voto de confiança, vocês não receberão o meu. Infelizmente, o Governo me ensinou a não acreditar em nenhuma suposta ajuda que destinam ao setor dos Games. Até mesmo a Projeto de Lei 300/07, do Deputado Carlito Merss, me deixou na mão. A minha crítica construtiva é: não façam isso. Não façam um edital que só serve para enganar a opinião pública de quem não está tão “por dentro” da área e irá achar, graças ao BRGAMES, que o Governo está ligando para área, pois nós dois temos de concordar, ele não liga. Isso tudo é papo. Para mim, parece que o Governo, com esse tipo de ação, quer dar uma de “descolado” e tentar conquistar a opinião de jovens do País.
Entenda, quem desqualifica esse incentivo sou eu, Caio Teixeira, e o meu blog, o GameOver. O Arena Turbo e todos os sites da “grande mídia” não tem opinião sobre o projeto, e espero que você, e seus superiores, entendam essa imensa diferença. Os sites se limitam a noticiar e foi o que o Arena fez na matéria publicada – http://arenaturbo.ig.com.br/materias/511501-512000/511553/511553_1.html.
Agradeço a abertura sua, e do SAv, para diálogos, mas isso é o mínimo que eu espero de um órgão público: que ele SEMPRE esteja aberto a diálogos com qualquer pessoa, empresa ou instituição. Entretanto, o respeito dirigido ao Arena Turbo por Djalma Petit, que parecia não entender a importância da reportagem, nos faz ficar reticentes quanto a essa “teia” de ajuda. Mas a esperança é a última que morre! Afinal, você veio falar comigo! Que fique claro, esse diálogo será reproduzido no GameOver, afinal, acho que todo o cidadão merece saber o que acontece na mídia e por trás dela. Imagino que isso não será problema algum para o SAv, afinal, a opinião é sua!
Abraços e continue acessando!
Caio Teixeira
Relendo agora percebo que fui muito mais “suave” com Jane do que com Setzer… Tô ficando frouxo… Mas e vocês, leitores, o que acharam disso tudo?
[Update]: O blog GamedevBR também fez um texto legal sobre a pataquada do BRGAMES. Dá uma passada lá!
Notas relacionadas:



Sinceramente, concordo com a assessora, e só não respondi seu post anterior por não querer colocar lenha na fogueira. E porque eu fiquei com preguiça – você sabe como eu faço comentários homéricos quando vou reclamar de algo :p
Não que eu discorde do seu ponto de vista de que, sim, eles deveriam fazer mais em outras áreas. Mas reclamar do concurso pelos outros inúmeros problemas da área no Brasil que ele não resolvem NEM se propốs a resolver faz tanto sentido quando reclamar dos concursos culturaispara impulsionar o cinema nacional porque esse recurso deveria ser usado para criar cinemas populares para as pessoas de baixa renda, ou coisa parecida.
Olhe bem o orçamento do concurso: se ele fosse todo empregado para diminuir os impostos, sabe que diferença isso iria fazer? NENHUMA. O dinheiro para fazer alguma diferença nesse caso está na casa dos milhões, e não na das centenas de milhares. Por outro lado, ao usar esse dinheiro para produzir jogos, temos uma fomentação dos nossos talentos – tal fomentação cuja ausência é tão criticada nas mais diversas áreas!
Reclama-se da necessidade de se associar a uma empresa para criar o jogo se o documento for eleito, mas quantas pessoas teriam condições de criar um jogo sem a ajuda de uma empresa? Se alguns vêem isso como limitação, eu vejo como uma ferramenta para quem tem a criatividade para criar um bom projeto possa colocar esse projeto em prática.
Só tenho visto críticas em relação a esse projeto – uma boa parte por problemas de interpretação, outra por esse projeto não resolver problemas que ele nunca se propôs a resolver.
Coloque-se no lugar dos idealizadores do projeto – não é uma boa idéia fomentar esse lado no Brasil? Pode ser a chance de muito game designer que não abandona uma área mais “padrão” de atuação por falta de recur$o$. Pode ser a chance das empresas descobrirem novos talentos e crescerem. Se as empresas de games cresceram, sua associação terá mais força, até mesmo para influenciar essa questão dos impostos.
Você fez um ponto MUITO válido aqui:
Concordo com o problema de nem todos terem, no Brasil, acesso a uma profissionalização mais específica na área de games. Mas aí você esqueceu-se de alguns detalhes: por incrível que pareça, a maior parte das desenvolvedoras de games nacionais não estão do Sudeste e sim no Nordeste e Sul do País. Isso prova que a indústria, mesmo sem nenhuma ajuda do Governo (e incluo aí o Ministério da Cultura), está sendo expandida para fora do eixo, mais comumente relacionado com algo intelectual/industrial/cultural. Não concorda que uma forma melhor de fomentar a tal “profissionalização” da área seria dar educação? Criar cursos de especialização na área? O meu problema com o edital é que ele beneficia uma parte mínima dos profissionais de games e rende frutos apodrecidos, afinal, se o BRGAMES é uma espécie de continuação do “Jogos BR”, que rendeu APENAS 16 demos e dois games completos que NINGUÉM no Brasil jogou, isso, para mim, e todos os meus leitores que se manifestaram, é uma atitude, no mínimo, ingênua.
Sim, ESSE é um problema que deve ser atacado. Por que você não falou ISSO no post anterior? É um problema diretamente relacionado ao concurso. Talvez o e-mail da assessora tivesse sido outro se você tivesse se atido a esse ponto.
Por que não estabelecer, desde o início, com SUGESTÕES E CRITICAS REALMENTE RELACIONADAS AO EDITAL? Por que não perguntar aos idealizadores se houve um acompanhamento dos vencedores do concurso anterior? Por que não tentar estabelecer parcerias em busca dessa tão falada especialização e educação? Aliás, quantos de nós temos, efetivamente, atacado esse problema? Mesmo se formos contar o número de posts, são poucos textos por aí expondo os problemas da falta de especialização na área. Aí, porque surgiu esse edital, todo mundo resolve reclamar sobre algo que praticamente nunca falou a respeito?
Quantos desenvolvedores de jogos HOJE poderiam compartilhar seu conhecimento sobre a área e não o fazem? Quantos não desmerecem a área no Brasil como “apenas joguinhos de celular”?
O problema da falta de especialização existe? Sim, existe. Nós temos dificuldade em ver os frutos desse concurso pela falta de acompanhamento? Sim, temos. Mas eu não acho que sair criticando uma iniciativa do governo POR SER UMA INICIATIVA DO GOVERNO E TODO MUNDO ODIAR O GOVERNO é a solução para isso.
Diabos, eles criaram um twitter, ela chegou a lhe mandar um e-mail… isso não mostra que eles estão dispostos a dialogar? Por que não tentar? Por que não tentar trocar mensagens ao invés de pedras? Do jeito que as coisas estão, NINGUÉM vai sair ganhando, especialmente o mercado nacional de jogos.
ps: cindy, a menina dos comentários homéricos, ataca novamente.
Esse garoto tem futuro!!! :)
Eu adoro os comentários da Cindy! Sério!
Mas vamos lá, Cindy. Acho que nós temos uma visão muito diferente desse tipo de coisa. Se eu for levar meu texto, e o meu pensamento, para a lógica mais tranquila e politicamente correta, vou escrever como você. E isso não é ruim. A diferença é que eu cansei de ser politicamente correto e eu quero, sim, atacar problemas maiores.
O que eu vejo com o BRGAMES é uma tentativa DESCARADA de enganar a opinião pública. Uma tentativa de mostrar que eles estão ligando para a área, quando não estão e você sabe disso, apenas para agradar uma galera que não está tão por dentro da área.
“Mas reclamar do concurso pelos outros inúmeros problemas da área no Brasil que ele não resolvem NEM se propốs a resolver”, e justamente esse não é problema? O que raios adianta fazer um projeto que será tão efetivo quanto tapar o Sol com uma peneira? Meu problema com essa pataquada toda é ele não se propor a resolver problemas maiores e mais efetivos. E aí eu não entendo o pq não criticar isso? Por que eu devo me ater simplesmente a um projetinho quando estou falando com o Governo que, sim, tem poder de fazer as melhorias necessárias? Por que eu vou passar a mão na cabeça e chamar de “bom garoto” só por causa de um jornal nos pés que o Governo me trouxe? Eu quero um cão de briga, caceta! Eu vou, sim, esfregar a cara dele no mijo dele para ele não fazer mais isso!
Aí nós concordamos em discordar, Cindy. Você prefere um diálogo amigável, e talvez, somente talvez, seja disso que se precise. Eu acredito piamente que precisamos bater na bunda gorda do Governo para ele fazer alguma coisa.
Concordo que eles abriram uma linha de diálogo sem precedentes e por isso, assim como no e-mail para assessora, agradeci. Só que isso não ofusca a minha opinião e, tampouco, redime a imbecilidade do que eles estão fazendo.
Sei que você tem uma simpatia enorme por GameDev, eu também tenho e acho que precisamos de mais incentivos para isso. Entretanto, dessa vez, o pouco que estão fazendo não é melhor do que nada.
Não é uma questão de ser politicamente correta, Caio, ou de não enxergar os problemas maiores.
A questão é que eu não acredito que usar esses problemas para tacar pedras nesse projeto vai ajudar em algo.
“Eu vou, sim, esfregar a cara dele no mijo dele para ele não fazer mais isso!”
Engraçado você falar isso. Justamente, é isso que dá vontade de fazer. Mas, também, é algo que não é muito efetivo – se você já leu algo sobre adestramento de cães já deve ter visto que isso não costuma ensinar o cão, porque ele fica confuso e não sabe porque você está brigando com ele.
É mais uma diferença de psicologia: eu acredito em reforço positivo, você não. Eu acredito em dizer “poxa, legal a idéia, mas vocês poderiam realizá-la de maneira melhor, não?”
Dá certo com cachorros e com homens – eu acho que até tem livros sobre, hmmm, adestramento de homens por “reforço positivo” xD (desculpa, não resisti), talvez dê certo com o governo.
Digamos assim: se fosse um concurso organizado por uma associação de empresas, suas críticas seriam as mesmas? Ou seriam mais direcionadas a como melhorar o concurso, enquanto sugere outras medidas, como apoiar redução de impostos?
Olá Caio, lembra de mim? Tanto faz!
Nesse assunto concordo plenamente com você, portanto sem comentários. (força de expressão ou talvez pleonasmo, porque isso já é um comentário)
Abraço.
Marcelo Gouveia
Cindy! É hoje, heim!? Bom, essa tática de esfregar a cara no mijo funcionou com meu casal de Rottweilers, talvez com o Governo (ou com a raça humana) tenha que ser algo mais drástico, afinal de contas, continuamos baixando a cabeça para os impostos cobrados, violência e injustiças. Mas isso é uma outra questão.
Então, quanto ao “reforço positivo”, pô! Há quantos anos fazem assim? Há quantos anos falamos “ok, essa foi perto, mas tenta ser melhor da próxima”? Sei lá, desde que a democracia foi “re-estabelecida” no País? Enfim, infelizmente, do meu ponto de vista, a sua forma de fazer não tem dado muito certo. Talvez nem a minha, mas aí vamos concordar que nós dois estamos errados.
Quanto ao fato de você achar que eu só estou falando isso porque é o governo… Por favor, não me subestime. Se eu não tenho medo nem de ser demitido por arranjar briga com governo, quem diria com uma empresa? Pô! Eu já arranjei briga com professor da USP sendo que o iG APOIA A USP! Falar que estou sendo do contra só para ser do contra é, no mínimo, me diminuir. Por favor, não faça isso de novo.
Bom sobre o post eu tinha lido o anterior e novamente, achei que ia ser redundante ao falar as mesmas coisas que o Caio, pois concordo com tudo….mas o fato da Assessora ter se manifestado eu acho até interessante, o que eu acho ruim é que infelizmente essas pessoas só se manifestam quando é pra defender algum ponto de vista, se você tivesse falado bem (apesar de eu não ter achado que vc falou mal) da BR games será que ela viria até você e perderia tempo escrevendo esse e-mail? Acredito que não, mas blz, o importante é que você ja conseguiu a atenção dela, quem sabe na próxima ao invés dela vir achar ruim seu post ela vem para pedir alguma ajuda ou opinião para quem realmente sofre com os preços dos games no Brasil, que somos nós!
Att
Daniel
Quanto ao fato de você achar que eu só estou falando isso porque é o governo… Por favor, não me subestime. Se eu não tenho medo nem de ser demitido por arranjar briga com governo, quem diria com uma empresa? Pô! Eu já arranjei briga com professor da USP sendo que o iG APOIA A USP! Falar que estou sendo do contra só para ser do contra é, no mínimo, me diminuir. Por favor, não faça isso de novo.
Desculpa, acho que não me expressei bem. Longe de mim querer te “diminuir”. Eu falei aquilo no sentido de que tá todo mundo de saco cheio de governo e da falta de ação dele, e que esse edital foi mais o cataclisma de todos esses problemas e que, portanto, a sua indignação não se dirigiu apenas ao edital e ao concurso, mas sim a todos os problemas que vieram antes dele. Eu não disse que vc estava sendo do contra por ser do contra, mas que vc “descarregou” toda a sua indignação contra TODAS as ações do governo em relação a jogos em cima da declaração desse concurso. Fui mais clara agora? :) longe de mim querer te diminuir, Caio, eu adoro seu blog. Eu não faço comentários enormes assim em qualquer blog, não xD
Opa! Agora está bem melhor, Cindy! E obrigado!
Quanto ao descontar todo o resto em um só projeto…. Talvez. Mas isso não abranda minha crítica e nem a descaracteriza.
Juro que quando o Governo, ou qualquer empresa, acertarem a mão em algum projeto, tentarei ser o primeiro a dar meus parabéns!
Sobre reforço positivo, não, eu não vejo isso sendo feito por nós. Pelo contrário.
Aliás, reforço positivo nesse caso não é só dizer “legal, gostei”, mas efetivamente apoiar a coisa.
Por exemplo, esse tipo de concurso ajudou muitos filmes a serem produzidos no Brasil. E aqueles concursos não são muito melhores do que esse – o orçamento também é reduzido, existem muitos detalhes que desagradam ao povo… por exemplo, tem um concurso feito por um empresa para apoiar curtas. Existe uma critica sobre ele aqui: http://garotasnerds.com/filma-brasil-mas-assim-nao/ e ela fala sobre um problema contrário ao desse concurso, o de que o vencedor vai ter de fazer o roteiro virar curta. Mas roteirista não é produtor nem diretor! Já no concurso de games, temos o contrário, e também temos reclamações.
Por que você não tenta falar com alguma empresa para ver o que ela acha disso? E se várias empresas de games também discordarem de termos desse edital? Ou se elas tiverem seus motivos para concordar? Daria uma boa matéria, não? E você exporia os problemas com o concurso, além de que possivelmente conseguiria apoio de empresas e associações.
Eu acho que você, eu e muitos dos entusiastas por games no Brasil temos condições de ir muito além, de efetivamente falar com empresas e associações, e não o fazemos.
Agora eu fiquei curiosa para saber o que a Abragames teria para falar a respeito…
Existem alguns problemas nessa pauta, porque eu já tentei fazê-la:
- Nenhuma empresa fala mal do governo, pois, apesar de não existir praticamente nenhum incentivo por parte do Estado, ninguém quer perder o que tem.
- E outra coisa: você realmente acha que uma empresa vai “manchar” sua imagem com o governo por causa do Arena Turbo, do Caio Teixeira ou do GameOver. Hm… sorry, but no.
Agora Abragames? Really?
Hmmm, não tinha pensado nisso. Damnit :p A idéia era boa, vai
Caio: queria deixar claro que não fiquei “ofendida” com seus comentários. Simplesmente dei minha opinião no seu blog, não como servidora pública, mas cidadã. Acho que a Cindy tbém colocou bem a questão: não adianta ser “iconoclasta”, demolidor e não colocar alternativas. Talvez o Edital ajude muitas pessoas, incentive novos talentos. Para você R$ 70 mil reais é pouco. Mas, para outras pessoas que não tem acesso a nada, pode ser muito…
Portanto, não se trata de “ofensa” ou defesa emocional ou institucional. Só quis participar do seu blog, como cidadã, lembre-se disso. Acho que não tem problema, não é mesmo?
Afinal, blog está aberto a comentários.
abraços,
Jane
Jane, que bom você por aqui!
Que fique claro, R$ 70 mil não é pouco para mim, é pouco para QUALQUER produção de qualidade. Como falei no post, se é para fazer um jogo que ninguém vai querer jogar (por causa de sua qualidade inferior causada pelo baixo investimento) acho melhor não fazer, guardar esse dinheiro para coisas mais interessantes.
É claro que não tem problema de participar do meu blog, Jane! Por favor, sinta-se a vontade! E, por gentileza, pare de imprimir o tom de que eu estaria querendo bloquear sua liberdade de expressão. Em momento algum eu podei seu direito de resposta e nem espaço para tal!
Puxe uma cadeira e vamos discutir!
Abs
Eu adoro esse blog..huahuauha, estou terminando de ler, e quando terminar vou ressaltar algumas, principalmente a parte do “sudeste” me deixou intrigado, moro no centro-oeste e quero ate ver se esse projeto eh voltado para outras localidades.
Cade o palhaço q toco fogo no circo?
Enfim, só discordo de vc, Caio, no último parágrafo do post: n tem essa de ficar “mole”, se a mensagem dela foi cortes e educada, não há razão (adulta) para não responder da mesma maneira – diferente do nosso querido professor, que respondeu com ironias desde a primeira mensagem, então ele que definiu o rumo das respostas.
Sobre os últimos posts: é bem perigoso para uma empresa privada “marchar” contra o governo, sempre tem uma lei municipal de suporte aos bugios sem dono que do nada começa a ser cobrada, coisas assim, a menos q tenha costas quentes na política – o que não é o caso da maior parte da industria de games, por isso tão na pindaíba. Cada um ajuda os seus, ou outros q se virem.
Caro Caio,
talvez você pudesse falar do projeto que você participou o “Takô Online”, e dizer se foi fácil reáliza-lo, se o investimento foi todo privado, se caberia um investimento do governo, e se for esse o caso como retribui-lo, afinal de contas o dinheiro sai do bolso de todos. Talvez incentivos como você mesmo reportou aqui.
Abraço,
Marcelo Gouveia
Exatamente, Marcelo. Você pode dar sugestões, Caio, e isso será fundamental na elaboração do próximo edital. Eu realmente não sei quanto é necessário para um bom jogo eletrônico. Quem fez o edital deve saber, mas existe o problema do orçamento. Temos pouco e então temos que priorizar o que fazer com o pouco que temos.
Agora mesmo, Caio, recebi uma noticia bem bacana: uma menina de 9 anos da Vila da Penha, bairro pobre e violento do Rio, foi selecionada para ir à Holanda prá exibir sua animação, feita com pouquíssimos recursos. A SAv só entrou com as passagens e isso permitirá que ela participe do festival de Animação na Holanda. É pouco? Para ela isso é muito e de certa forma estamos contribuindo, modestamente, para o surgimento de um talento.
Quanto à questão dos impostos, toda a sociedade brasileira clama por menos impostos. Todos os setores são sobrecarregados e nós sabemos que os brasileiros são os cidadãos que mais pagam impostos no mundo! O Estado brasileiro, por questões históricas, sempre quis arrecadar e, em contrapartida, não prestava bons serviços. Agora, muita gente quer mudar essa configuração. Acredito que essa é uma tendência histórica: se todos se unirem nos seus segmentos, a pressão fará com que a transformação chegue e todos os brasileiros – com exceção dos que vivem se dando bem com esse modelo esgotado – querem essa mudança. Um Estado eficiente que atenda às demandas do cidadão. Menos impostos para os setores da economia que ainda não estão fortalecidos e mais incentivos para as indústrias nacionais. Se tivéssemos uma tradição democrática isso seria bem mais fácil. Mas nossa democracia é recente e fragilizada pela cultura que ainda impera no país. Chega, já falei demais! abraços,
Jane
No entanto, para quem não vive nos grandes centros e ainda não se profissionalizou pode ser uma alternativa interessante.
O Brasil é imenso e, geralmente, a maioria dos incentivos, ofertas, programas etc se concentra na região Sudeste. Um dos objetivos do Edital é descentralizar e democratizar o acesso de todos.
ESSA EU QUERO ATÉ VER! MORO NA REGIAO CENTRO-OESTE E REALMENTE GOSTARIA DE VER SE ESSE PACOTE RELMENTE IRIA AJUDAR, o QUE ACHO IMPRESSINANTE É, SE ESSA VERBA PARA A REGIAO SUDESTE É POUCO, O QUANTO SIGNIFICATIVA SERIA ONDE O INVESTIMENTO É ZERO? HUM!?
No entanto, esse jogo pode virar. Os projetos só andam lentamente no Congresso porque os interessados em sua aprovação não se manifestam, com veemência e contundência, pressionando de forma organizada os responsáveis pela tramitação: deputados e comissões. Esse “lobby” do bem, se feito de forma eficiente – lembre-se que apesar de um deputado se “lixar” para a opinião pública, a maioria depende dos nossos votos! – pode render bons frutos. A indústria brasileira de jogos eletrônicos tem suas representações, associações, sindicatos etc. São essas entidades que podem atuar no Congresso para que o projeto do deputado Carlito Meers tramite rapidamente e seja aprovado. Os deputados e responsáveis pelas Comissões precisam ser convencidos que a lei será boa para o setor, aumentando os empregos, gerando renda etc.
QUEM DEVERIA FAZER NAO ESTA SE “LIXANDO”. A CULPA É NOSSA AFINAL EXISTEM VARIOS CANDIDATOS COM PROJETOS VOLTADOS PARA O MEIO ELETRONICO.PUTZ!
Finalmente, uma sugestão: ao invés de desqualificar, você e outros sites voltados para os jogos, poderiam ajudar a criar uma teia articulada com a Softex, a SAv e todos os interessados para conseguir mais geração de emprego e renda no setor de jogos eletrônicos, além de ampliação do mercado interno e externo. Estamos abertos à sugestões e ao diálogo.
EU TENHO CERTEZA QUE VCS VAO OUVIR, TANTA CERTEZA QUANTO 2+2= 5
e mais uma vez: EU ADORO ESSE BLOG,,,
Clap! Clap!
Para meus leitores mais assíduos e combativos: DOM, HellSing e Cindy! Vocês fazem essa bagaça rodar!
Tô emocionado, cara! (NOT)
Bem Caio,
Pensei que você responderia minha pergunta, até mesmo para agregar ainda mais argumentos ao seu ponto de vista do qual sou a favor.
Mas, talvez o assunto tenha acabado para você. Ok!
Criticar é uma coisa, agora criticar sem apontar soluções é outra.
Tá certo, você deu soluções, mas cade o exemplo prático, ou argumento baseado em fatos?
Não me leve a mal, mas a discussão é importante para acabar assim. Parei com o blog.
Abraço,
Marcelo Gouveia
[...] texto 2 [...]
[...] Tenho conversado com o André Penha, um dos diretores da Abragames, por causa do burburinho que causei com o Ministério da Cultura. Estou bolando ter uma conversa franca com ele sobre o papel da organização na indústria [...]
Caio, descordo de você. Acho que o BRGAMES é um incentivo para quem já sabe produzir jogos mas só não faz por falta de investimento. Se ao invés disso diminuissem os impostos, quem está começando iria ficar na mão de qualquer jeito porque o que estava faltando era um capital inicial.
[...] Sinceramente, se tem uma coisa que eu odeio é ter de admitir que estou, ou estava, errado. Mas existem momentos em que tal postura é necessária, mesmo para megalomaníacos, e esse é um desses momentos: eu peço desculpas ao projeto BR Games, que ataquei ferrenhamente um tempo atrás aqui mesmo. [...]