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15/05/2009 - 19:20

Sobre a conversa com o Ministério da Cultura e a novidade que eu estava guardando

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No começo dessa semana eu recebi o release do novo projeto de incentivo a jogos eletrônicos no Brasil, o BRGAMES 09. Fiquei olhando para o e-mail com um misto de animação, frustração e humor-negro: “quer dizer que o Governo se voltou novamente para os games nacionais? Mas de que carajos isso vale?”, foi o meu pensamento inicial. Ok, publiquei a matéria no Arena e fui para casa remoendo essa ideia.

No dia seguinte, junto com dona Renata, decidimos cutucar (ti cutuco no cutuco!) o Ministério da Cultura e quem mais estivesse nessa empreitada. O resultado foi essa matéria. O “problema” é que no Arena eu tenho que fazer o politicamente correto, não ofender e tampouco dar o meu ponto de vista, por isso eu tenho o GameOver, e faço tudo isso agora:

Caro Ministério Piadista,

Então quer dizer que o senhor, caro Ministro Juca Ferreira, realmente acha que um investimento pífio, risível, de R$ 910 mil do BRGAMES conseguirá tornar a indústria de games brasileira em algo mais competitiva? Vamos fazer assim, esqueça essa verba para nós, gamers, que conseguimos sem a MENOR ajuda governamental crescer, em 2008, 31% nos softwares e 8% na parte de hardware. Esse “troco” é uma verdadeira ofensa a qualquer um que gosta de videogames e trabalha com eles.

Quando eu perguntei ao Ministério da Cultura se eles não achavam melhor gastar isso, por mínimo que fosse, com a diminuição da tributação dos games no País – que encarecem em mais de 200% a importação de jogos eletrônicos no Brasil – ele tirou o dele da reta e jogou para cima da SOFTEX (Sociedade Brasileira para Promoção da Exportação de Software). Ok, não tem problema, eu incomodo eles também.

Alô, é da SOFTEX? Então, quem vocês acham que estão enganando com essa piadinha de mal-gosto? Hm…entendo. Sério? Quer dizer que ninguém reclama e nem fala nada para vocês? Interessante. Então, aqui, eu falo: PAREM DE “ME TIRAR” E FAÇAM ALGO DE VERDADE! Que tal baixar o imposto de importação? Segundo Djalma Petit, diretor de Marketing da SOFTEX, “esse valor é muito… espera um instante” – sim, ele interrompeu a entrevista umas três vezes para falar com alguém sobre um apartamento, puzta consideração que ele estava dando para o assunto – “então, a verba do BRGAMES é muito pequena para fazer uma diferença nos impostos”. JURA? Então, se ela é tão pequena assim, ela é repassada para os desenvolvedores brasileiros?! Ah sim, esqueci, é isso o que eles valem, certo? Passar bem.

É uma piada atrás da outra… Enquanto Petit falava eu tive que me concentrar para não bater o telefone, coisas que o código de ética me impedem, mas não aqui. Pelo amor de Jah, parem de medidas paliativas, feitas só para boi dormir, e ajudem a indústria de forma real. O Deputado Carlito Merss tentou isso com o Projeto de Lei 300/07, que diminuiria a tributação de games no País, mas o projeto, que já foi aprovado pela Câmara em 2007, está parado na máquina (à vapor) governamental. Viu? Mais uma piada…

E depois eu me estresso trabalhando com games e as pessoas não entendem.

A novidade!

Pelo menos nem tudo está perdido. Um tempo atrás contei que eu estava participando de um projeto de games brasileiro e não podia falar na hora. Bom, não me deram permissão, mas também já está quase acabado: eu sou o roteirista (e escrevi quase tudo que aparece na tela) do novo MMOTakô Online”, que deve ser lançado em algum dia do próximo dia – ninguém sabe me falar ao certo a data.

Só para dar uma ideia do que é o Takô: é um MMOG parecido com o My Brute, porém, com mais “jeitão” de um RPG, já que você poderá escolher sua classe e qual caminho tomar durante a aventura. O cenário e a história é baseada toda em um Japão Feudal fantasioso, logo, você vai estar em contato direto com ninjas, samurais, onis, shinigamis e youkais.

Quanto a experiência de fazer parte do projeto: cacilda, como foi cansativo! Prazo apertado, todo um universo para criar em poucas horas, poucas linhas e, como não sou especialista em história japonesa, muita pesquisa. Queria postar algumas imagens do game aqui, mas aí eu vou estar extrapolando e talvez nunca mais me chamem para trabalhar com eles. Ah, sim, o projeto foi todo realizado pela Hive, uma desenvolvedora aqui de São Paulo extremamente competente (ó o jabá aí, minha gente!).

De qualquer forma, vou contando sobre as novidades e aviso quando tiver a data de lançamento. E podem ter certeza, o jogo está ANIMAL!

É isso. Bom final de semana, galera. E não esqueçam: nunca bebam das garrafas que ficam embaixo da pia. Elas são coloridas e cheirosas, mas são veneno.

Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião, games Tags: , , , ,

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8 comentários para “Sobre a conversa com o Ministério da Cultura e a novidade que eu estava guardando”

  1. DOM disse:

    O governo realmente é irritante com essas propostas!! Há muito não me “extresso” mais. A indústria dos games ainda vai ficar como está. Identico aquele mapa que vc postou tempos atras. Fazer o que, né!!!? Enquanto o governo ficar zuando com a cara dos gamers, teremos que ser clandestinos, comprando de fora, ou pagando o absurdo que americanas, submarinos e… como é o nome daquele empresa q vc entrevistou? que seja.

    Muito legal o seu projeto, não sou muito fã do genero, mas gostaria de conhecer

    P.S: Só agora vc me avisa sobre aqueles liquidos coloridos

  2. Cada vez mais os “representantes” que o povão escolhe nos fazem de trouxas… É uma pataquada atrás da outra…

  3. HellSing disse:

    Alguns ditados populares q o governo faz questão de reforçar:

    Antes tarde do que nunca

    Melhor pouca coisa do que nada.

    Pra tudo se da um jeito (isso acho q é do anime Bucky, mas serve)

    Em outras palavras: não faço bosta nenhuma, qd fizer será muito pouco e até lá vocês que se fodam.

    Agora… pergunta qt tempo levaria pra aumenta os salários deles…

    Trabalhei por 2 anos pro governo, pro Estado, na primeira semana vc acha que pode mudar tudo. Na ultima ja quer tocar fogo naquela bagaça.

  4. [...] No texto passado eu reclamei, botei o dedo na ferida, do novo projeto de incentivo a games no Brasil, o BRGAMES 09. Como já falei antes, aqui é a minha casa e vou SEMPRE falar como eu acho que devo. Eu não tenho medo de ser mal-visto por instituições que estão fazendo algo errado, enganando os outros, desde que meus leitores sempre leiam a verdade (pelo menos a minha verdade) no GameOver. Nesta segunda-feira, recebi um e-mail de uma assessora da Secretaria do Audiovisual, Jane de Alencar, se dizendo ofendida com o meu post passado. Ela deu sua opinião pessoal, que não representa a opinião da Secretaria, e eu respondi a ela, como faço com todos os e-mails que recebo. [...]

  5. Alice disse:

    SPOILEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEER

  6. Anderson Hokage disse:

    Aew esse jogo deve ser animal!!! Eu curto os games da Hive.. principalmente o GetAmped kkkkk… e gosto de My Brute tmb XD entao nao tem como dar errado

  7. Dr.Crítico disse:

    Que texto sem nexo… Os impostos cobrados pelo governo são absolutamente abusivos sim, mas isso reflete só para os consumidores. Este concurso tem por finalidade apoiar os DESENVOLVEDORES independentes e que estão começando, e isso não tem qualquer relação com os impostos. Você está misturando duas coisas totalmente separadas.
    Não acho certa a crítica, pois é um incentivo válido pro Brasil, que ainda engatinha no ramo de desenvolvimento de jogos (estamos avançando, é verdade). Uma coisa pode ser resolvida por vez e até cabe de nós os esforços para cobrar uma postura do governo, mas criticar este concurso por isso é absolutamente absurdo. Se for assim, um prefeito não pode construir uma escola de segundo grau porque também falta escola de primeiro? Temos é que resolver uma coisa de cada vez…

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