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09/04/2009 - 22:56

Setzer & Eu: O Final (1ª parte)

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Como prometido, nesse dois últimos dias dei completo direito de resposta ao professor Valdemar Setzer, que o utilizou como achou melhor. Hoje eu publico o meu último parecer e a discussão com o professor acaba. Entendam, apenas o debate com Setzer se encerra hoje, pois a questão de games e games violentos irá se estender por muito tempo ainda, no GameOver e na mídia em geral.

Desculpem-me pela demora da resposta, hoje estou de folga da redação e não consegui outra maneira de postar antes. Então vamos lá, minhas considerações finais sobre o debate:

Primeiramente, devo dizer que minha opinião, após analisar mais profundamente, não é tão diferente do professor Setzer. Em nenhum momento eu acho interessante uma criança com menos de 6 anos ser exposta a qualquer tipo de violência, seja ela televisiva, física ou verbal. Algo em mim diz que isso, simplesmente, não é legal.

O meu problema com Setzer é o extremismo. Em seus estudos, artigos e palestras, o professor prega a “proibição” tanto dos videogames quanto da televisão. Para ele, se existe algum demônio, ele foi devidamente partilhado e industrializado por empresas como Toshiba, Sony, Microsoft, Nintendo, LG e por aí vai. Para o professor, a televisão deveria ser banida da sociedade e, no mínimo, trancada nos armários das casas, sendo retirada apenas para programas especiais e pontuais. Ele afirma isso em seu artigo “Os Efeitos Negativos dos Meios Eletrônicos em Crianças e Adolescentes”.

No mesmo artigo, Setzer afirma ter educado suas filhas para não assistirem TV, e que seus próprios rebentos, agora, dão continuidade aos ensinamentos para seus filhos, todos na Alemanha. Como Peter Griffin diria, “duas palavras fortes para vocês, pessoal: Qual é?”. Sinceramente, Setzer, você, um professor, que é uma das profissões que mais exige estar atualizado com o mundo, afirma não ter televisão em casa? E o senhor ainda acredita que suas filhas, assim que o senhor não está por perto, não deixam seus netos assistirem desenhos animados? Sinceramente, de todo o coração o senhor acha isso? Então, sinto muito, o superestimei quando propus nosso debate…

Voltando aos dados, pois todo o espaço que dei a Setzer, ele se limitou a CONTINUAR proferindo achismos e, como um adolescente, se defendendo de comentários dos leitores do GameOver. Que feio, Setzer, realmente me preparei melhor para um debate mais sério, com números, pesquisas e, enfim, exposições de ideias. Eu sinceramente achei que poderíamos fazer melhor do que o senhor fez na CBN, afinal, eu lhe dei TODO o espaço que o senhor precisasse.

Tenho de concordar com a leitora Cindy Dalfavo, que, em seu comentário no post de ontem praticamente inutilizou a minha resposta, os números são obtusos e fáceis de se manipular. Setzer fez isso em todo o seu artigo com mais de 70 páginas. Porém, ainda acho que eles merecem uma certa credibilidade, precisamos de uma base para encontrar respostas, e até mesmo, mais perguntas. Os números nos ajudam com isso, e por esse motivo, colocarei alguns aqui:

Estudos realizados pela Associação de Desenvolvedoras de Softwares para Entretenimento e Diversão (ELSPA), com as plataformas Nintendo Wii Sports e Sony EyeToy, indicam que se uma criança brincar com estas plataformas, 60 minutos por dia, emagrecerá mais de 3,4 kg em um ano. Organizações já pensam em utilizar este estudo para intervir em crianças obesas com estas plataformas. (estudo completo)

Os pesquisadores Douglas Gentile e Craig Anderson, da Universidade Estadual de Iowa, não gostam de games violentos. Então, eles decidiram fazer um estudo com games não-violentos e, pasmem, descobriram que estes jogos até ajudaram na vida social das “cobaias”. (estudo completo)

Os professores John Kilburn e Christopher Ferguson, da Texas A&M International University, fizeram um estudo sobre as pesquisas realizadas sobre videogames e declararam no Journal of Pediatrics o seguinte: “resultados sobre nossa última pesquisa não corroboram a conclusão de que mídia violenta leva a um comportamento agressivo. Ainda não se pode concluir afirmativamente que a mídia violenta é um risco real para a saúde pública”.

E eles continuam com números:
- Nos últimos 10 anos, estudos sobre videogames foram mais populares que os de qualquer outra mídia;
- Menos da metade dos estudos (41%) usaram dados sobre agressão bem avaliados;
- Meios mal formalizados e normalizados de como medir a agressão tendem a produzir os maiores efeitos, possivelmente porque o seu formato mal regulamentado permite que pesquisadores escolham e manipulem os resultados como quiserem;
- Estudos experimentais produzem efeitos muito mais altos do que estudos correlacionais e longitudinais. Como os estudos experimentais são mais propícios a usar a agressão como prova de medida, isso dificulta a avaliação real;
- Não há evidências reais que videogames produzem maiores efeitos do que outro tipo de mídia, mesmo com sua natureza interativa;
- No total, os efeitos (dos videogames) são mínimos, e nós concluímos que a mídia violenta, geralmente, influencia de maneira mínima no comportamento agressivo. (estudo completo)

Posso escutar um ALELUIA, senhores?

Eu ainda até coloquei uma pesquisa (Gentile) que vai contra o meu pensamento de que games não transformam pessoas em assassinos, só para mostrar que não, eu não enxergo só o meu lado, e sim, eu considero outros estudos. Ao contrários de outros… (mais estudos e notícias mais “sérias” sobre games no GamePolitics). Eu até poderia continuar com os dados, mas isso não nos daria muito mais conhecimento, pois, como Kilburn e Ferguson já disseram, “as pesquisas são feitas de maneira errada e não podemos concluir algo real delas”.

Continuo minha resposta final na segunda-feira, já que a maioria das pessoas, inclusive eu e Setzer, estarão viajando. Até!

Notas relacionadas:

  1. Setzer & Eu
  2. Setzer & Eu: A Resposta
  3. Setzer & Eu: A Resposta (2ª parte)
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião Tags: , , ,

Ver todas as notas

9 comentários para “Setzer & Eu: O Final (1ª parte)”

  1. DOM disse:

    Otimo texto Caio. Parabens! não só pela iniciativa mas por levar o assunto a serio, realizando um trabalho equiparado a de doutores, muito superior ao do professor que parece nao ter levado a serio o espaço. Li os textos do professor e confesso que como disse no post anterior as ideas ficam bem mais clara. percebemos a intenção, porem parece-me que o professor fez seu estudo com uma “tapa”(aquelas que o cavalo usa para nao se assustar com movimentos laterais).

    De cara quando vi esta blog ja gostei, agora passo a respeita-lo muito mais, pois sei que a visão dos games com um pequena dose de humor sempre havera, mas quando precisamos levar tal assunto a serio será um otimo lugar.

  2. Milton disse:

    os games violento tiram a sensibilidade das crianças é uma das causas de tanta violencia com os jovens

  3. ANITA disse:

    É MUITO BOM LIDARMOS COM PESSOAS QUE SOBRESSAEM NA SOCIEDADE E POSSUEM MUITA INTELIGÊNCIA NO FALAR E NO AGIR. MAS, CREIA , QUERIDO AMIGO, SEM SABEDORIA DE VIDA, TODA INTELIGÊNCIA SE PERDE. SÓ SABE OS EFEITOS QUE UM GAME VIOLENTO REPRESENTA QUEM JÁ PASSOU POR EXPERIÊNCIAS NESTE ASSUNTO. TENTE OLHAR COM OLHAR A 360 º DE OPÇÕES E COM CERTEZA PODERÁ PERCEBER O QUE VEM POR TRÁS DE CADA VÍDEO DESSES.
    MAS TODOS NÓS QUE JÁ SOMOS CRESCIDINHOS TEMOS O NOSSO PODER DE ESCOLHA , DECISÃO E RESPONSABILIDADE POR ASSUMIR NOSSAS ATITUDES. REALMENTE É MUITO BOM PODER OPNAR SOBRE ESTE ASSUNTO. JÁ QUE JOGOS SÃO FERRAMENTAS QUE JOVENS, CRIANÇAS E ADULTOS GOSTAM , POR QUE NÃO CRIAR ALGO MAIS LIGHT E QUE VERDADEIRAMENTE POSSA AJUDAR NA FORMAÇÃO DO CARÁTER DE QUEM JOGA OU DE QUEM TEM EM FORMAÇÃO ? A SOCIEDADE PRECISA DE EXEMPLOS E SITUAÇÕES QUE FAÇAM O NOSSO PAÍS E MUNDO FICAR MELHOR. QUE TAL TAL SUGESTÃO ?

  4. Marcelo Gouveia disse:

    Caio, tinha certeza de ter postado o comentário, mas fico feliz de você não tê-lo retirado, talvez tenha sido esses últimos problemas ocorridos com a Telefônica, do qual sou refém.
    Enfim, segue a resposta ao meu email do Professo Valdemar Setzer, na integra:

    Olá, Marcelo,

    Como vai caro Professor Valdemar Setzer,

    Tudo bem aqui em Mannheim, Alemanha. Esperando minha esposa aprotar-se para irmos ver a ópera Parsifal, de Wager — minha esposa escreveu um livro muito profundo sobre essa lenda, mas nunca assistimos a ópera, que aliás, deturpou enormemente o original de Wolfram von Eschenbach.

    Com referência ao debate (encarado por mim apenas como um direito de resposta dado ao senhor, pasmo eu, pois o blogueiro em questão é um jornalista) com o Caio Texeira e veiculado – e faço um aparte aqui para depois: não nos esqueçamos disto – num meio eletrônico, gostaria de registrar que estou de acordo com suas idéias e opiniões. Não li nenhum material escrito pelo senhor, situação esta que em breve mudará, pois em casa, minha esposa e eu estamos apenas começando a jornada para a criação de nosso filho de 2 anos.

    Rapaz, você usa apostos demais, difidultando a leitura! Vale mais a pena colocá-los em uma frase em seguida.

    Tenho certeza de que o que ele vê na TV ou em games vai influenciá-lo em sua vida, pois me parece uma pequena esponja crescendo sempre mais a cada dia absorvendo tudo que o mundo tem para lhe mostrar, mas não só isso e sim tudo.

    Por isso, em minha opinião, é ai que entra o papel fundamental dos pais na criação dos filhos, onde devem filtrar (apesar deste mundo modernizado e valores tão diferentes de nossos avós, ainda temos poder para isso) toda e qualquer informação que possa prejudicar o bom desenvolvimento dos pequenos e só, em tempo oportuno e apropriado, mostrar-lhes tudo aquilo que seria impossível resguardar o contato com um bom preparo e acompanhamento.

    Isso mesmo! Não é preciso começar cedo, pelo contrário, é muito prejudicial.

    Agora ao aparte: os meios eletrônicos estão e estarão cada vez mais incutidos em nossas vidas, não dá para fugir, a TV está mais digital e interativa do que nunca. Não dá para disfarçar ou ir contra a onda como disse em 1897 o ex-presidente da Royal Society, Lord Kelvin: “O rádio não tem futuro”, ou o presidente da Western Union, William Orton, ao rejeitar a oferta de Graham Bell para a compra da sua deficitária companhia telefônica.

    Claro que dá para fugir. Eu não vejo TV, só ouço rádio no carro (quando não estou ouvindo meus CDs de línguas), e uso a Internet ou o computador só quando necessário. Não tivemos TV enquanto nossa filha menor não se tornasse adulta, minhas filhas tem TV mas meus 6 netinhos jamais a veem. Por exmeplo, estou aqui na Alemanha desde 5a. feira passada, e jamais vi um de meus 4 netinhos daqui vendo TV ou jogando video game. Neste instante minha netinha mais velha, de 12 anos, está lendo um livro em inglês, que ela fala além do alemã e do português.

    Portanto discordo apenas e totalmente da idéia de banir os games de violência ou ações como das autoridades francesas de proibir o canal Baby TV, pois mostra e leva a um caminho perigoso de intransigência, mão única, autoritarismo que um dia existiu por aqui e que já foi embora. São esses games que geram simuladores de aviões, carros e até mesmo cirurgias médicas que ajudam e desenvolvem profissionais de diversos setores.

    Eu também sou em princípio contra proibições. Mas reconheço que isso deveria valer apenas para adultos, e com um bom grau de cultura. Com crianças e adultos ignorantes, acho que não há outro jeito a não ser proibir.

    Defendo a idéia do livre arbítrio

    Ele exige conhecimento, senão as ações não são baseadas em decisões, mas sim em condicionamento, imitação, comodismo, etc. Crianças não tem livre arbítrio; pessoas sem cultura, idem (ou melhor, tem relativamente pouco livre arbítrio).

    onde cabe a cada um escolher aquilo lhe parece o mais correto a se fazer,

    Aí é que entra a exigência do conhecimento…
    e dos pais serem os totais responsáveis pela criação, todos os atos e atitudes de seus filhos, pois, talvez, seja o único meio de fazer os responsáveis irresponsáveis (como o pai o garoto de Winnenden, que mantinha um arsenal de guerra em casa) a criarem e cuidarem melhor de seus filhos, criando seres civilizados aptos a viver em sociedade.

    Pois é, acho que foi ignorância daquele pai.

    Para ser mais breve e concluir, eu com 30 anos hoje, sempre joguei e pretendo continuar até não ter mais condições,

    Video games? Cuidado, eles obviamente influenciam-no! Video games são piores do que a TV pois esta condiciona pela imagem e por colocar normalemente o telespectador em um estado semi-hipnótico, de sonolência; já os video games de ação condicionam muito mais profundamente, pois forçam ações e eliminam totalmente o pensamento consciente (não dá para parar e pensar no que se vai fazer).
    quero educar meu filho da melhor maneira possível introduzindo-o aos meios eletrônicos de forma responsável e gradual para não prejudicar o seu desenvolvimento e torná-lo um cidadão de respeito, e quero que eu, ele e as gerações futuras sempre tenham o direito de escolha, que acho fundamental para se manter um mundo livre, justo e harmonizado.

    Não há a mínima necessidade de ele jogar video games quando criança ou adolescente. Se você pretende educá-lo a ser crítico, tem que esperar ele chegar ao nível do ensino médio, caso contrário estará roubando dele parte de sua infância ou juventude. Por exemplo, crianças deveriam idealmente ser ingênuas e achar que o mundo é bom, para criarem forças para enfretar as maldades do mundo mais tarde.

    Como gostaria de compartilhar esta idéia com as pessoas que lêm o blog e o Caio Texeira, vou transcrever integralmente este nos comentários no blog “GameOver”.

    Sinta-se à vontade para transcrever minha resposta.

    aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa,

    Valdemar W. Setzer – Dept. of Computer Science, University of São Paulo
    http://www.ime.usp.br/~vwsetzer – please REPLY TO vwsetzer@ime.usp.br

  5. diego disse:

    eu jogo video-game desde criança e nem por isso me tornei um assassino ou ladrão!
    a causa de tanta violência com os jovens é um reflexo do nosso sistema educacional que é uma porcaria, é uma vergonha em comparação com Finlândia ou Japão.
    então não me venham com desculpas esfarrapadas de que os games são os culpados pelos jovens agirem de forma imatura e irresponsável! desde os meus 11 anos jogo games, de tiro como GTA, de ficção como God of War…..que são plataformas consideradas violentas, e repito novamente nem por isso me tornei um assassino ou sai por ai agredindo as outras pessoas!

  6. Yara Cavini disse:

    Os games violentos, como de resto toda a violência que invade nossas casa nos telejornais, nos filmes e programas policiais de fim de tarde, influenciam as crianças, jovens e até adultos.
    Coloco aí, também as notícias de casos de corrupção e desmandos de autridades.
    Qual é o grande mal? Banalizam isso tudo e tiram, com o tempo, nossa capacidade de se indignar.
    Claro que não deve haver censura, pelo contrário está aí uma excelente oportunidade de discussão em família.
    O problema é que fica tudo “solto”; sem a discussão as mentes em formação se acostumam e não mais se chocam – é como se tudo fosse um filme de ficção.
    Mais uma vez, está no fortalecimento da família como instituição, a resposta para isso.

  7. THIAGO LARA disse:

    O QUE VOCE DIRIA DO JOGO ” GOD OF WAR ” CONSIDERADO O MELHOR JOGO DESSA ERA TECNOLOGICA?

  8. HellSing disse:

    O próximo post será:

    “Como o orkut influencia os artigos científicos”

  9. Caio, essa pendenga com o professor está sendo realmente divertida… Não quero generalizar, mas pessoas como o Prof. Setzer é que atrasam o mundo, não só do ponto de vista tecnológico, como também, cultural… Ele vive em outro planeta e por isso não da para levar o que ele diz a sério… o negócio ler o que ele escreve como mero entretenimento :)

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