2009 abril | GameOver
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Arquivo de abril, 2009

30/04/2009 - 18:15

Rapidinhas: “L4D” de graça, EDGE chega no País e site gringo no Brasil

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Vai, me deem um desconto! Hoje é, praticamente, sexta-feira! Não vou viajar, mas tenho que sair rápido da redação para aproveitar meu feriado de bares decentemente. Então, vamos logo com isso!

Valve libera “Left 4 Dead” de graça nesta quinta-feira

Não, você não leu errado. A Valve quer atrair mais jogadores para o “Left 4 Dead” liberando-o “na faixa” durante 24 horas nesta quinta. Se você ainda não baixou o jogo, corra! Os servidores serão abertos às 21h, horário de Brasília!

Revista EDGE chega oficialmente no Brasil

Eu quase tive uma síncope quando fiquei sabendo que a Editora Europa estava trazendo a revista gringa EDGE oficialmente para o Brasil. E quase quebrei meu monitor quando descobri que cada edição sairá pela facada de R$ 14,90. Pesquisando mais sobre o assunto, descobri que se você fizer uma assinatura anual (R$ 59,45), a revista chega por R$ 5 o exemplar. Não entendi o porque da hipervalorização da EDGE nas bancas, mas ok, dá para pagar R$ 60 por uma PUTA revista.

Site gringo ganhando versão brasileira

Conversando com diversos jornalistas especializados, descobri (faz um tempo, desculpem-me por ter demorado para divulgar) que um site norte-americano está desembarcando em nossas praias. Qual? Não faço a menor ideia, mas os palpites estão apontando para o Kotaku, uma pena, já que eu prefiro o Joystiq ou GameTrailers.

E por hoje é só, galera. Bom feriado e não esqueçam: se verem que vão cair, deitem!

Até!

Notas relacionadas:

  1. Mais um sociopata é colocado no hall de gamers
  2. Site consegue testar atualização de “Left 4 Dead – Survival Pack”
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, games Tags: , , , , , , ,
29/04/2009 - 18:55

GamesTown: a esperança dos games no Brasil?

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Nestes últimos dias fiquei atrás de uma matéria sobre a nova loja brasileira GamesTown. Publiquei a matéria agora pouco no Arena Turbo e agora eu faço comentários pessoais sobre o que eu achei da loja.

Conversar com o diretor comercial Luiz Pavão foi interessante. Ele é um cara experiente, já trabalhou no Submarino e na FNAC (se não me engano) e foi, ao que pareceu, bem sincero. A GamesTown tem um projeto ambicioso em mãos e eu não sei exatamente se isso vai dar certo, mas torço fervorosamente que sim. A loja quer fazer com que produtoras e distribuidoras internacionais subsidiem parte da importação de games e consoles para baratear o preço final dos produtos no Brasil. Algo no estilo da Microsoft, mas abrangendo tudo.

Fiz uma pesquisa rápida de preços antes de publicar a matéria e, devo dizer, broxei grandão. Os preços da GamesTown eram, no máximo, iguais à concorrência. “Isso aconteceu porque divulgamos os preços que os distribuidores nacionais nos repassaram sem consultar o mercado antes”, explicou Pavão. Sei não, heim! Tá certo que hoje o site da loja já mostra vários produtos com até 50% de desconto, mas, vamos ser sinceros, a maior parte do abatimento do preço ficou em coisas que, se ninguém quer, muitos poucos querem. Ok, ok, estou sendo duro com uma empresa que, inicialmente, parece legal, mas, pô! Não é para isso que entraram no mercado, dando com os dois pés no peito e chamando a “responsa” para eles?


Realmente não sei se Medal of Honor Collection para PS2 por R$ 160 é um “negocião”

Enfim, eles prometeram conversar com gringos, prometeram ter 2.500 produtos para o Dia das Crianças (atualmente são cerca de 1.400) e prometeram que vão me pagar um almoço quando eu for conhecer o escritório deles (ok, isso eu inventei, mas fica a dica!). Agora resta, como sempre, esperarmos pelos frutos.

Eu estou torcendo, com um pé atrás, confesso, mas ainda assim torcendo. E vocês?

Notas relacionadas:

  1. Seria Chun-Li uma praticante de pompoarismo?
  2. Lésbica é expulsa da Xbox Live
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Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião, arena turbo Tags: , , , , ,
28/04/2009 - 18:26

O melhor “pedido” de demissão de todos os tempos

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Eu juro que hoje eu tinha alguns assuntos em mente: fazer um post puto pelo “anúncio bombástico” que a Sony faria na segunda-feira é, apenas, um closed beta do multiplayer do “Uncharted 2” para quem comprasse “inFAMOUS“; também queria dar uma requentada no post de ontem com a opinião da Atomic Games falando que quer sim lançar “Six Days in Fallujah“. Mas tudo isso ficou pequenino diante do melhor pedido de demissão de todos os tempos.

Esse é exatamente o tipo de coisa que me faz querer largar tudo e virar programador… Ou hippie que vende colar de coquinho na Av. Paulista.

Notas relacionadas:

  1. OMFG da semana – Sony registra patente de carrinho controlado pelo PSP
  2. Konami amarela e cancela lançamento de “Six Days in Fallujah”
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Inutilidade (ou não), Notícia Tags: , , , , ,
27/04/2009 - 14:53

Konami amarela e cancela lançamento de “Six Days in Fallujah”

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Tava demorando, mas não foi um choque de verdade: a Konami cancelou, oficialmente, o lançamento do shooter “Six Days in Fallujah”. A premissa do título era retratar os primeiros dias da invasão norte-americana no Iraque, voltado mais para os combates da cidade de Fallujah (duh!), onde os embates mais pesados ocorreram.

Sério, alguém realmente esperava que esse game vingaria? E se vingasse, não seria o título mais achincalhado de toda a indústria? Começa que os norte-americanos são um bando de bebês chorões: quando quiseram invadir o Iraque, todos aplaudiram, quando se atolaram em meio a uma guerra civil, todos apontaram e choraram. Bem-feito. Quem mandou enfiarem o bedelho onde não deviam? Ah sim, as indústrias petrolíferas mandaram, mas isso é assunto para consultores políticos…

“Depois de ver a reação ao videogame nos Estados Unidos e escutar as opiniões enviadas por telefone e e-mail, decidimos uns dias atrás que não iríamos mais vendê-lo”, diz o comunicado oficial da Konami publicado no site Asahi.com. (Via Arena Turbo)

Enfim, quando a Konami anunciou o título, eu realmente arregalei os olhos e me perguntei:

Era impossível negar que o tema do jogo estava, no mínimo, 20 anos adiantado. Fazer um game claramente voltado para eventos tão, relativamente, recentes é um tiro no pé gigantesco. É como querer fazer um jogo da Segunda Guerra Mundial nos anos 50. Não ia dar certo. Não deu certo. Todos os pais de soldados mortos nos combates do Iraque e ONGs pacifistas botaram a boca no trombone, fizeram muito barulho e a população, como um bom rebanho, foi atrás. Game cancelado.

Na minha humilde opinião: Konami errou no timing de lançamento, mas, no fundo, acho tudo uma grande babaquice. Já que daqui alguns anos eles lançam um game melhor, mais realista, sobre os mesmo fatos e todos vão aplaudir. Vide “Medal of Honor”, “Call of Duty”, “Wolfenstein” e “Brothers in Arms“. Isso tudo é mágoa de miguxo, que acha que um game vai desrespeitar “a memória de nossos mortos”. Galera, primeiro, honrem os vivos: tragam os soldados de volta e, depois, deixem os mortos em paz que, eu aposto, se tiverem alguma preocupação, definitivamente, não será com um bando de pessoas jogando videogame. Como até Renata Honorato afirmou: “Konami? Uns vendidos!”.

Mas e você, caro leitor? Acha louvável o fato da Konami cancelar “Six Days in Fallujah”? Ou, não estão ligando para essa coisa de pessoas que morreram em combate e querem mais um shooter da produtora?

Notas relacionadas:

  1. Site consegue testar atualização de “Left 4 Dead – Survival Pack”
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Estórias, Notícia, Opinião, Trailer, arena news, games Tags: , , , , ,
22/04/2009 - 18:06

Texturas usadas em “Final Fantasy XIII” são as mesmas de “Tomb Raider II”

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Foi anunciado, nesta terça-feira, que a aquisição da Eidos (“Tomb Raider”, “Hitman”) pela Square Enix (“Final Fantasy”) termina nesta quinta-feira. Mas toda essa negociação já está acontecendo há meses, pelo menos. Agora, o que não furtou aos olhos do Destructoid é que, talvez, a influência dessa negociação tenha atingido a própria produção do novo “Final Fantasy XIII”:

A imagem, no mínimo, choca. Com um jogo tão esperado quanto… quanto… hm… Quanto o que mesmo? Perdi o ponto de referência quando olhei minha nova caneca de café. Enfim, o mínimo que a Square Enix deveria ter copiado também é a comissão de frente de nossa idolatrada Lara Croft.

Sabe, Square, eu não sou muito fã assim de pedras… Tão pouco as dos “Tomb Raiders” que eu jogava quando achava que tacar a Lara na água poderia, realmente, deixa-la com seus holofotes devidamente acesos. Ah, como a inocência infantil é algo lindo.

[Update]: Em tempo, como alguns leitores do Destructoid lembraram muito bem, talvez com a compra da Eidos, a Square comece a fazer meninos que pareçam meninos e meninas que pareçam meninas mesmo.

[Update2]: Tenho certeza de que a maioria dos meus leitores não entenderia uma piada nem se ela estripasse toda a sua família na frente deles ao som de Don’t Stop Me Now, do Queen. Impressionante.

Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião, games Tags: , , , ,
17/04/2009 - 13:02

“Sexta-feira é dia de vídeos!” ou “Preguiça demais para escrever algo que preste”

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Eu tenho preguiça. Muita preguiça. Mas calma, o motivo é nobre: estou participando de um projeto bem legal de games que, ainda, não posso revelar exatamente o que é. De qualquer forma, acho que eu falar que estou cuidando do roteiro dele não estarei contando demais…

Bom, com isso consumindo as já diminutas horas de descanso que eu possuía, o meu sono foi para as cucuias. Mas para não deixar o GameOver completamente às moscas, segue o novo Arena News desta semana:

Mais um vídeo sensacional do “Hey Ash, whatcha playing?”, que comentarei melhor em um post futuro:

Uma música que viciei nos últimos dias:

E um meu mesmo (porque eu não tenho a menor noção de vergonha):

Abraços e bom feriado, negada! E não esqueçam, se verem que vão cair, deitem!

Notas relacionadas:

  1. Ação!
  2. Eu quebro você no “Street Fighter IV”!
  3. Arena News no ar!
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Inutilidade (ou não), Trailer, arena news, games, video Tags: , , , ,
14/04/2009 - 18:34

OMFG da semana – Sony registra patente de carrinho controlado pelo PSP

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No Arena Turbo hoje (prestem atenção na primeira imagem):

A divisão europeia de jogos da Sony, SCEE, registrou uma patente que detalha uma invenção na qual o PSP poderia ser usado como um controle remoto de um carrinho com uma câmera em cima. O sistema proposto poderia até gravar as imagens captadas no memory stick e um dos usos sugeridos é o de “espionar amigos e enviar o vídeo para um website”.

Só me pergunto uma coisa: por que, raios, não inventaram isso quando minha prima tomava banho na minha casa, nos idos anos 90?! Era só “esquecer” o carrinho apontado para o chuveiro e fazer uma pipoca… ¬¬

Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Inutilidade (ou não), Notícia, arena turbo Tags: , , ,
13/04/2009 - 15:18

Setzer & Eu: O Final (2ª parte – Agora acabou mesmo!)

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Vamos esclarecer algumas coisas, por favor. Primeiramente, a todos que atacaram o professor Valdemar Setzer sem ler o seu trabalho, erraram. Eu errei quando o ataquei cegamente após sua entrevista para a CBN, por isso, peço desculpas. Acusar e se atracar com as ideias de alguém sem entende-las corretamente, nunca dá certo. Eu li seu artigo, Setzer. De cabo a rabo e agora me sinto poder de dizer: que vergonha alheia.

Para os que não leram o artigo, o professor MANIPULOU pesquisas e números a seu bel-prazer. O professor não é especializado em nenhuma área da psicologia, tampouco produziu, ele mesmo, experimentos para corroborarem suas teorias. Eu também não sou formado em psicologia e nem tenho estudos de caso, porém, meu trabalho é cuidar do mundo dos games. Eu vivo e amo isso. Ao contrário de Setzer, jogo videogames desde os meus 4 anos (Mega-Drive) e nunca fui preso, nunca precisei de tratamentos psicológicos, nunca repeti de série no colégio e nunca entrei em uma briga. Eu, como experimento da minha própria vida, sou a prova cabal de que Setzer está errado em sua generalização.

Setzer se utilizou, em 80% dos casos apresentados em seu artigo, de experimentos feitos com TV e extrapolou, conjeturou, imaginou, os resultados para os games. As outras pesquisas, que de fato eram voltadas para os games, são no mínimo risíveis.

Na quinta-feira passada, enquanto assistia a Penn & Teller: Bullshit, identifiquei completamente o caso apresentado no programa com esta discussão: no show, é debatida a criação de programas que ensinam os adolescentes a praticarem a abstinência sexual (até aí, por mais estranho que pareça para o nosso tempo, tudo certo), porém, os programas só ensinavam isso. Não educavam sexualmente seus jovens, não ensinavam sobre DSTs e nem sobre preservativos. Os programas de celibato juvenil apenas afirmavam que os jovens não deviam fazer sexo antes do casamento, ponto. Ou seja, foda-se tudo o que aprendemos em milênios de evolução, foda-se tudo o que sabemos sobre prevenção de doenças, foda-se a liberdade de escolha que atingimos após milhares de anos de censura (religiosa e estatal).

É isso o que Setzer prega: um grande foda-se para nosso livre-arbítrio, para as evoluções mentais e tecnológicas, para a educação parental. Para ele, os pais e o governo, tadinhos, não tem culpa. Quem tem culpa são os videogames, que ensinam uma criança de 7 anos a manusear um rifle de precisão PSG1 para atirar em seus amiguinhos, ou os videogames que fazem com que as barreiras da nossa sanidade, ai de mim, sejam destruídas e fiquemos a mercê de nossos instintos básicos (como se isso não acontecesse diariamente). Os videogames nos colocam de volta às cavernas. Os videogames, basicamente, são os culpados pelas mazelas do mundo moderno. Incluindo aí, a fome, o aquecimento global, a ingerência política, a desmoralização social, a putrefação física de cada ser e a ascensão de Oprah.

Setzer, depois que li seu artigo eu broxei. Pois quando o convidei para esse debate, pensei que discutiríamos, bradaríamos, nossas ideias até o momento em que chegaríamos a um ponto em comum. Ledo engano, acompanhando o seu artigo percebi que eu estava chutando o cachorro morto e, após sua resposta oficial, eu simplesmente sorri, dei um tapinha em seus ombros e o deixei flutuando no seu limbo fantasmagórico de ideias pela metade e medo do “bichão-do-futuro”, que é tão amedrontador para sua pessoa – ou seria o “bichão-da-responsabilidade-por-nossas-crianças” que assusta e você usa o videogame como válvula de escape? Não sei, isso é assunto para psicólogos e psiquiatras… Mas aí, isso não é de minha alçada e tampouco da sua, caro Setzer. Quando pensar em proferir suas ideias perdidas e medianas lembre-se de Petter Grifin: “Qual é?”

*********

Durante este feriado, o professor Setzer veio pedir mais um direito de resposta, bradando que não concordava com este meu último texto sobre o assunto. Eu recusei e explico: eu tenho mais o que fazer, acho que você, caro leito, tem mais o que ler e também acho que Setzer, por mais que não pareça, tem outros afazeres.

Acho que meu affair com Setzer foi bom, mas agora acabou. Se vocês quiserem continuar a conversar com o professor, que ao meu ver carece muito de companhia, mandem um e-mail para ele! Tenho certeza que ele responderá com sua eterna simpatia e mente aberta que demonstrou em nossa conversa.

E não se esqueçam:

Notas relacionadas:

  1. Setzer & Eu: A Resposta
  2. Setzer & Eu: A Resposta (2ª parte)
  3. Setzer & Eu: O Final (1ª parte)
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Opinião Tags: , , ,
09/04/2009 - 22:56

Setzer & Eu: O Final (1ª parte)

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Como prometido, nesse dois últimos dias dei completo direito de resposta ao professor Valdemar Setzer, que o utilizou como achou melhor. Hoje eu publico o meu último parecer e a discussão com o professor acaba. Entendam, apenas o debate com Setzer se encerra hoje, pois a questão de games e games violentos irá se estender por muito tempo ainda, no GameOver e na mídia em geral.

Desculpem-me pela demora da resposta, hoje estou de folga da redação e não consegui outra maneira de postar antes. Então vamos lá, minhas considerações finais sobre o debate:

Primeiramente, devo dizer que minha opinião, após analisar mais profundamente, não é tão diferente do professor Setzer. Em nenhum momento eu acho interessante uma criança com menos de 6 anos ser exposta a qualquer tipo de violência, seja ela televisiva, física ou verbal. Algo em mim diz que isso, simplesmente, não é legal.

O meu problema com Setzer é o extremismo. Em seus estudos, artigos e palestras, o professor prega a “proibição” tanto dos videogames quanto da televisão. Para ele, se existe algum demônio, ele foi devidamente partilhado e industrializado por empresas como Toshiba, Sony, Microsoft, Nintendo, LG e por aí vai. Para o professor, a televisão deveria ser banida da sociedade e, no mínimo, trancada nos armários das casas, sendo retirada apenas para programas especiais e pontuais. Ele afirma isso em seu artigo “Os Efeitos Negativos dos Meios Eletrônicos em Crianças e Adolescentes”.

No mesmo artigo, Setzer afirma ter educado suas filhas para não assistirem TV, e que seus próprios rebentos, agora, dão continuidade aos ensinamentos para seus filhos, todos na Alemanha. Como Peter Griffin diria, “duas palavras fortes para vocês, pessoal: Qual é?”. Sinceramente, Setzer, você, um professor, que é uma das profissões que mais exige estar atualizado com o mundo, afirma não ter televisão em casa? E o senhor ainda acredita que suas filhas, assim que o senhor não está por perto, não deixam seus netos assistirem desenhos animados? Sinceramente, de todo o coração o senhor acha isso? Então, sinto muito, o superestimei quando propus nosso debate…

Voltando aos dados, pois todo o espaço que dei a Setzer, ele se limitou a CONTINUAR proferindo achismos e, como um adolescente, se defendendo de comentários dos leitores do GameOver. Que feio, Setzer, realmente me preparei melhor para um debate mais sério, com números, pesquisas e, enfim, exposições de ideias. Eu sinceramente achei que poderíamos fazer melhor do que o senhor fez na CBN, afinal, eu lhe dei TODO o espaço que o senhor precisasse.

Tenho de concordar com a leitora Cindy Dalfavo, que, em seu comentário no post de ontem praticamente inutilizou a minha resposta, os números são obtusos e fáceis de se manipular. Setzer fez isso em todo o seu artigo com mais de 70 páginas. Porém, ainda acho que eles merecem uma certa credibilidade, precisamos de uma base para encontrar respostas, e até mesmo, mais perguntas. Os números nos ajudam com isso, e por esse motivo, colocarei alguns aqui:

Estudos realizados pela Associação de Desenvolvedoras de Softwares para Entretenimento e Diversão (ELSPA), com as plataformas Nintendo Wii Sports e Sony EyeToy, indicam que se uma criança brincar com estas plataformas, 60 minutos por dia, emagrecerá mais de 3,4 kg em um ano. Organizações já pensam em utilizar este estudo para intervir em crianças obesas com estas plataformas. (estudo completo)

Os pesquisadores Douglas Gentile e Craig Anderson, da Universidade Estadual de Iowa, não gostam de games violentos. Então, eles decidiram fazer um estudo com games não-violentos e, pasmem, descobriram que estes jogos até ajudaram na vida social das “cobaias”. (estudo completo)

Os professores John Kilburn e Christopher Ferguson, da Texas A&M International University, fizeram um estudo sobre as pesquisas realizadas sobre videogames e declararam no Journal of Pediatrics o seguinte: “resultados sobre nossa última pesquisa não corroboram a conclusão de que mídia violenta leva a um comportamento agressivo. Ainda não se pode concluir afirmativamente que a mídia violenta é um risco real para a saúde pública”.

E eles continuam com números:
- Nos últimos 10 anos, estudos sobre videogames foram mais populares que os de qualquer outra mídia;
- Menos da metade dos estudos (41%) usaram dados sobre agressão bem avaliados;
- Meios mal formalizados e normalizados de como medir a agressão tendem a produzir os maiores efeitos, possivelmente porque o seu formato mal regulamentado permite que pesquisadores escolham e manipulem os resultados como quiserem;
- Estudos experimentais produzem efeitos muito mais altos do que estudos correlacionais e longitudinais. Como os estudos experimentais são mais propícios a usar a agressão como prova de medida, isso dificulta a avaliação real;
- Não há evidências reais que videogames produzem maiores efeitos do que outro tipo de mídia, mesmo com sua natureza interativa;
- No total, os efeitos (dos videogames) são mínimos, e nós concluímos que a mídia violenta, geralmente, influencia de maneira mínima no comportamento agressivo. (estudo completo)

Posso escutar um ALELUIA, senhores?

Eu ainda até coloquei uma pesquisa (Gentile) que vai contra o meu pensamento de que games não transformam pessoas em assassinos, só para mostrar que não, eu não enxergo só o meu lado, e sim, eu considero outros estudos. Ao contrários de outros… (mais estudos e notícias mais “sérias” sobre games no GamePolitics). Eu até poderia continuar com os dados, mas isso não nos daria muito mais conhecimento, pois, como Kilburn e Ferguson já disseram, “as pesquisas são feitas de maneira errada e não podemos concluir algo real delas”.

Continuo minha resposta final na segunda-feira, já que a maioria das pessoas, inclusive eu e Setzer, estarão viajando. Até!

Notas relacionadas:

  1. Setzer & Eu
  2. Setzer & Eu: A Resposta
  3. Setzer & Eu: A Resposta (2ª parte)
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião Tags: , , ,
08/04/2009 - 12:31

Setzer & Eu: A Resposta (2ª parte)

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Caros,

Como prometido, hoje publico a segunda parte da resposta do professor Valdemar Setzer sobre a influência de games violentos na sociedade.

Mas antes de seguir com a resposta eu preciso admitir que estou, realmente, embasbacado com o número de comentários! Eu realmente subestimei os leitores, pensei que ninguém leria um texto mais extenso e, tampouco, se dariam ao trabalho de comentar, debater, discutir. Por este motivo, desculpo-me com vocês, leitores.

Para quem não acompanhou o debate desde o começo, ontem eu publiquei a primeira parte da resposta de Setzer junto de alguns links do começo da discussão.

Bom, sem mais delongas, senhoras e senhores, com vocês a segunda e última parte da resposta do professor Setzer:

Em segundo lugar, em minha opinião a CBN não fez nenhum erro. Ela teve a coragem de transmitir minhas idéias, sabendo que eu vou contra a onda. Minhas idéias são baseadas em muita reflexão, estudo e observação, e o Heródoto sabia disso, pois já me entrevistou várias vezes; ele até coordenou um debate em que participei como debatedor, no Centro Cultural Itaú. No entanto, estou plenamente de acordo com o fato de que teria sido ideal ouvir a opinião contrária, isto é, de alguém que seja fanático por vídeo games – mas isso é realmente essencial? A maioria das pessoas acha-os ótimos! Eu sou uma verdadeira “voz que clama no deserto”, (mas sinto-me uma pulga frente à infinita grandeza do autor dessas palavras). Finalmente, não acho que o Heródoto tenha me entrevistado só para aumentar audiência – conheço-o suficientemente para reconhecer sua honestidade; ele certamente queria informar.

> 13/03/2009 – 23:37 Enviado por: Gustavo

> Esse Valdemar Setzer é um hipócrita. Eu só queria fazer uma pergunta para ele na rádio que seria a seguinte: ‘Senhor Valdemar, eu como bacharel em Direito e com um certo conhecimento das leis e fã assíduo dos videogames pois jogo desde os 8 anos de idade (hoje com 25) lhe pergunto: como que eu jogando todos esses anos nunca matei ninguém e sequer tenho uma ‘ficha suja’ perante as autoridades? Do jeito que o senhor afirma quem joga videogame é um assassino’.<

Hipócrita? Qual é a impostura que eu faço? Eu vivo minhas idéias!

Quanto à sua pergunta, Gustavo, em primeiro lugar eu jamais afirmei eu todos os jogadores de vídeo games violentos tornam-se criminosos ou assassinos. Tenho uma teoria para o fato de, como eu falei na entrevista, os casos de homicídios serem apenas a pontinha do iceberg da agressividade induzida pela TV e pelos jogos violentos. Parece-me que o ser humano tem naturalmente uma ojeriza, uma repulsa de matar outra pessoa. Os vídeo games violentos foram desenvolvidos como simuladores de tiro e de batalhas para desensibilizar os soldados americanos. Como eu citei na entrevista, um soldado normal acerta 20% dos tiros, um desensibilizado acerta 90%, segundo uma das pessoas que desenvolveu esses simuladores, o coronel do exército americano Dave Grossman (vejam no google, e várias citações dele no artigo “Efeitos negativos…”). A repulsa que mencionei provavelmente não é totalmente eliminada com os video games violentos. Na entrevista, eu citei que, no entanto, em casos de inconsciência ou semiconsciência (devidos a stress, raiva, medo, emergência, impaciência extrema, sonolência, etc.) o condicionamento produzido pela TV e pelos jogos pode levar uma pessoa, e principalmente um jovem, que obviamente não é um adulto com plena capacidade de autocontrole, a fazer uma agressão mais violenta. No caso do Gutenberg-Gymnasium de Erfurt, em 26/4/02, o primeiro massacre escolar na Alemanha, o rapaz de 19 anos (Steinhäuser) foi andando pela escola e atirando principalmente nos professores, até que um professor olhou-o nos olhos e lhe disse “Agora você pode me matar”. Nesse momento, o garoto caiu em si (isso é o que mais importa aqui: ele estava claramente fora de si), disse “Sr. Heise, por hoje é suficiente” e abaixou a arma. O professor convidou-o para uma conversa, numa sala vizinha, na porta empurrou-o para dentro e trancou-a. Lá o garoto suicidou-se. Ele jogava Wolfenstein, Hitman e Half-life. Leis alemãs de porte de armas e leis escolares (Steinhäuser tinha sido expulso da escola por falsificação de atestado médico e por isso não tinha nenhuma possibilidade de formação profissional), foram mudadas por causa desse caso. Não houve mudança nas leis sobre video games.

Insisto: ainda bem que pouquíssimos jogadores viram assassinos. Mas todos, absolutamente todos, têm sua agressividade aumentada.

> Somente gostaria de fazer essa pergunta para esse professor. Esse tipo de comentário já não tem mais espeço no mundo moderno. É notório que o rapaz possuía problemas psicológicos e necessitava de um acompanhamento por psicólogos e/ou psiquiatras. Agora, culpar os videogames e não dizer um ‘a’ sobre o arsenal que o pai do rapaz possuía em casa é de doer hein!?<

Claro que se culpou o arsenal. Mas o importante é terem citado o fato de ele jogar video games violentos. Isso em geral não é divulgado. Acontece que, aqui na Europa, as pessoas estão caindo na realidade para a qual chamei a atenção há dezenas de anos, e estão começando a tomar atitudes mais drásticas para proibir jogos violentos. A consciência sobre os males dos meios eletrônicos está aumentando: na França, a Baby TV, para crianças até 2 anos, foi proibida (não o é no Brasil). Por que vocês acham que em todo lugar a propaganda de cigarros na TV foi proibida? Por que ela funciona, condicionando os vidiotas a fumarem (é muito cinismo não se ter proibido ainda propaganda de bebidas alcoólicas). Está havendo um movimento em toda a Europa para se impedir acesso a sites impróprios para crianças.

> 17/03/2009 – 10:12 Enviado por: Diogo Figueira

> Sabe qual o grande problema…… é mais fácil a mídia apontar ‘erros’ como a violencia dos games do que os problemas familiares, crianças com disturbio, criança que sofrem agressões dos pais (ou abuso), que é óbvio que uma criança que tem sérios problemas familiares quando exposta a uma quantidade excessiva de violência, não importa se for através da TV, games, na rua brigando, ou vendo o pai espancar a mãe será uma pessoa violenta ou completamente maluca.<

Tudo isso é muito ruim. Mas não se pode ignorar a influência da violência condicionada pela TV e pelos video games. Acontece que é muito fácil evitar isso, em grande parte: é só não tê-los em casa – como eu fiz com meus filhos (em relação à TV), e minhas filhas fazem com meus 6 netinhos (TV e vídeo games – a netinha mais velha tem 12 anos, e nenhum deles jamais jogou um video game). Há um cálculo de que, se a violência fosse banida da TV e dos video games, haveria uma diminuição de 15% na criminalidade.

> Perdeu-se o valor da sociedade, hoje as autoridades, gorverno, mídia e o que for , prefere apontar indústrias por seus problemas , do que ver a real sociedade em que vivemos.<

A real sociedade em que vivemos está destruindo a natureza, o indivíduo e a própria sociedade. É preciso mudar a visão de mundo para reverter essa tendência. Uma mudança essencial é a maneira de encarar os meios eletrônicos.

> Um filho que tem uma boa educação, um ambiente familiar bom, ele pode jogar o jogo que for que isso não servirá de influência, isso se chama CARATER e quem ensina isso é PAI e MÃE.<

Uma boa educação certamente ajuda, mas infelizmente você está ignorando o tremendo poder condicionador da TV e dos games. Acorde, Diogo! Mas não fique em minhas palavras, observe e estude.

Em relação aos meus livros e artigos, aguardo críticas objetivas sobre os dados que cito e sobre minhas próprias idéias, que são conceituais. Entrevistas em rádio ou TV não servem para se transmitir idéias, servem para chamar a atenção para certos problemas ou fatos, e incentivar o estudo do que se escreveu sobre o assunto. A palavra impressa é a que melhor reflete as idéias do transmissor, e a que mais preserva a liberdade do receptor.

6/4/09

Valdemar W Setzer – http://www.ime.usp.br/~vwsetzer

E, para acabar com este debate, amanhã eu publicarei minha resposta à justificativa do professor Setzer sobre sua teoria de que games violentos influenciam a sociedade. Ah, sim! Se você quiser acompanhar melhor esse debate e outras notícias do GameOver, assine o meu RSS.

Até amanhã, e aguardem…

Notas relacionadas:

  1. Tava demorando: Imprensa afirma que assassino alemão era jogador de “Counter-Strike”
  2. Setzer & Eu
  3. Setzer & Eu: A Resposta
Autor: Caio Teixeira - Categoria(s): Notícia, Opinião Tags: , ,
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