Como prometido, nesse dois últimos dias dei completo direito de resposta ao professor Valdemar Setzer, que o utilizou como achou melhor. Hoje eu publico o meu último parecer e a discussão com o professor acaba. Entendam, apenas o debate com Setzer se encerra hoje, pois a questão de games e games violentos irá se estender por muito tempo ainda, no GameOver e na mídia em geral.
Desculpem-me pela demora da resposta, hoje estou de folga da redação e não consegui outra maneira de postar antes. Então vamos lá, minhas considerações finais sobre o debate:
Primeiramente, devo dizer que minha opinião, após analisar mais profundamente, não é tão diferente do professor Setzer. Em nenhum momento eu acho interessante uma criança com menos de 6 anos ser exposta a qualquer tipo de violência, seja ela televisiva, física ou verbal. Algo em mim diz que isso, simplesmente, não é legal.
O meu problema com Setzer é o extremismo. Em seus estudos, artigos e palestras, o professor prega a “proibição” tanto dos videogames quanto da televisão. Para ele, se existe algum demônio, ele foi devidamente partilhado e industrializado por empresas como Toshiba, Sony, Microsoft, Nintendo, LG e por aí vai. Para o professor, a televisão deveria ser banida da sociedade e, no mínimo, trancada nos armários das casas, sendo retirada apenas para programas especiais e pontuais. Ele afirma isso em seu artigo “Os Efeitos Negativos dos Meios Eletrônicos em Crianças e Adolescentes”.
No mesmo artigo, Setzer afirma ter educado suas filhas para não assistirem TV, e que seus próprios rebentos, agora, dão continuidade aos ensinamentos para seus filhos, todos na Alemanha. Como Peter Griffin diria, “duas palavras fortes para vocês, pessoal: Qual é?”. Sinceramente, Setzer, você, um professor, que é uma das profissões que mais exige estar atualizado com o mundo, afirma não ter televisão em casa? E o senhor ainda acredita que suas filhas, assim que o senhor não está por perto, não deixam seus netos assistirem desenhos animados? Sinceramente, de todo o coração o senhor acha isso? Então, sinto muito, o superestimei quando propus nosso debate…
Voltando aos dados, pois todo o espaço que dei a Setzer, ele se limitou a CONTINUAR proferindo achismos e, como um adolescente, se defendendo de comentários dos leitores do GameOver. Que feio, Setzer, realmente me preparei melhor para um debate mais sério, com números, pesquisas e, enfim, exposições de ideias. Eu sinceramente achei que poderíamos fazer melhor do que o senhor fez na CBN, afinal, eu lhe dei TODO o espaço que o senhor precisasse.
Tenho de concordar com a leitora Cindy Dalfavo, que, em seu comentário no post de ontem praticamente inutilizou a minha resposta, os números são obtusos e fáceis de se manipular. Setzer fez isso em todo o seu artigo com mais de 70 páginas. Porém, ainda acho que eles merecem uma certa credibilidade, precisamos de uma base para encontrar respostas, e até mesmo, mais perguntas. Os números nos ajudam com isso, e por esse motivo, colocarei alguns aqui:
Estudos realizados pela Associação de Desenvolvedoras de Softwares para Entretenimento e Diversão (ELSPA), com as plataformas Nintendo Wii Sports e Sony EyeToy, indicam que se uma criança brincar com estas plataformas, 60 minutos por dia, emagrecerá mais de 3,4 kg em um ano. Organizações já pensam em utilizar este estudo para intervir em crianças obesas com estas plataformas. (estudo completo)
Os pesquisadores Douglas Gentile e Craig Anderson, da Universidade Estadual de Iowa, não gostam de games violentos. Então, eles decidiram fazer um estudo com games não-violentos e, pasmem, descobriram que estes jogos até ajudaram na vida social das “cobaias”. (estudo completo)
Os professores John Kilburn e Christopher Ferguson, da Texas A&M International University, fizeram um estudo sobre as pesquisas realizadas sobre videogames e declararam no Journal of Pediatrics o seguinte: “resultados sobre nossa última pesquisa não corroboram a conclusão de que mídia violenta leva a um comportamento agressivo. Ainda não se pode concluir afirmativamente que a mídia violenta é um risco real para a saúde pública”.
E eles continuam com números:
- Nos últimos 10 anos, estudos sobre videogames foram mais populares que os de qualquer outra mídia;
- Menos da metade dos estudos (41%) usaram dados sobre agressão bem avaliados;
- Meios mal formalizados e normalizados de como medir a agressão tendem a produzir os maiores efeitos, possivelmente porque o seu formato mal regulamentado permite que pesquisadores escolham e manipulem os resultados como quiserem;
- Estudos experimentais produzem efeitos muito mais altos do que estudos correlacionais e longitudinais. Como os estudos experimentais são mais propícios a usar a agressão como prova de medida, isso dificulta a avaliação real;
- Não há evidências reais que videogames produzem maiores efeitos do que outro tipo de mídia, mesmo com sua natureza interativa;
- No total, os efeitos (dos videogames) são mínimos, e nós concluímos que a mídia violenta, geralmente, influencia de maneira mínima no comportamento agressivo. (estudo completo)
Posso escutar um ALELUIA, senhores?
Eu ainda até coloquei uma pesquisa (Gentile) que vai contra o meu pensamento de que games não transformam pessoas em assassinos, só para mostrar que não, eu não enxergo só o meu lado, e sim, eu considero outros estudos. Ao contrários de outros… (mais estudos e notícias mais “sérias” sobre games no GamePolitics). Eu até poderia continuar com os dados, mas isso não nos daria muito mais conhecimento, pois, como Kilburn e Ferguson já disseram, “as pesquisas são feitas de maneira errada e não podemos concluir algo real delas”.
Continuo minha resposta final na segunda-feira, já que a maioria das pessoas, inclusive eu e Setzer, estarão viajando. Até!