
Começou na última segunda-feira, 05, em São Francisco, Califórnia, Estados Unidos, a GDC, Game Developer Conference. O evento, atualmente, é considerado um dos mais importantes do segmento de games e deve, aos poucos, substituir a E3, mesmo tendo um foco bastante diferenciado; o público alvo, neste caso, são os desenvolvedores e não a imprensa.
Isso explica, em partes, o motivo pelo qual a cobertura dessa conferência não é tão intensa. O número de jornalistas brasileiros que se deslocam até a América é bem menor e o espaço dedicado ao evento em grandes veículos também.
Mas isso, em hipótese alguma, tira o prestigio do encontro que, a cada edição, cresce e chama a atenção de grandes players. Este ano uma das figuras mais importantes do mercado, o Shigeru Miyamoto, fará uma palestra onde, evidentemente, não contará aos convidados de onde tira tanta criatividade – e simpatia. No entanto não é preciso ser um gênio para afirmar que esse será um dos grandes momentos da conferência, né?
Uma das coisas legais que acontecem durante a GDC e que, sinceramente, gostaria de ver de perto é o Independent Games Festival (Festival de Games Independentes). A “festa” ocorre em paralelo ao evento principal e, segundo os próprios produtores, pode ser comparada ao Sundance Film Festival, renomado encontro no qual são exibidas algumas produções do cinema underground – e de baixo orçamento, conseqüentemente.
O festival, que já está em sua 9º edição, é dedicado, particularmente, a desenvolvedores que ainda não fazem parte do mainstream e que não possuem produtores/distribuidores para seus jogos. Os melhores trabalhos, todos julgados por uma equipe especializada de profissionais da área e acadêmicos, são premiados, de acordo com sua categoria, e divulgados durante uma apresentação solene.
O bacana de toda essa movimentação é a chance de conhecer títulos que jamais chegariam ao público final caso não existissem festivais segmentados. É mais ou menos como acontece com a música. A cena underground existe, todos sabem disso, mas o acesso de profissionais a esse material, mesmo com o advento da web, ainda é restrito graças a mentalidade retrógrada de algumas gravadoras.
Agora a batata-quente da democratização da criatividade “in-game” está em nossas mãos (vulgo imprensa). Afinal, se a música indie, de um jeito ou de outro, conquistou o seu espaço, agora só falta alocar em uma caixinha especial os indie games, não? Eu voto SIM!

Castle Crashers – game que concorre na categoria Arte Visual
Mais sobre o The 9th Annual Independent Games Festival aqui, oh!