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24/09/2006 - 19:21

Caindo na real

A sala estava escura. Não tenho idéia de quantas pessoas estavam presentes naquele auditório, mas o que levava a galera ao êxtase era a final de Counter-Strike do World Cyber Games 2006.

O ambiente era moderno, hi-tech, com muitos plasmas e crianças andando de um lado para o outro com portáteis, celulares e outras parafernálias tecnológicas quaisquer. Nada muito diferente do que costuma-se encontrar em grandes eventos de games dos quais pude participar.

Mas o que chamou a minha atenção não foram os gritos da torcida ou o clima de tensão típico de qualquer final. O que fez com que eu perdesse alguns minutos parada, olhando para o nada, questionando alguns princípios, foi a presença, quase que surreal, de uma mãe e duas crianças que olhavam perplexas para todas aquelas luzes, sentadas nos banquinhos vermelhos do local.

As personagens eram quase imperceptíveis, se não fosse a animação da menininha mais nova, que se agitava de um lado para o outro, contente por estar em lugar quente, longe da garoa e do vento gelado.

No lugar de um iPod, a mãe carregava uma sacola pequena de latinhas, provavelmente encontradas nos lixos do Porão das Artes, onde acontecia toda a festança.

Engraçado, e por que não dizer revoltante, como os games no Brasil fazem parte de uma realidade paralela e distante da maior parte da população.

Sempre me pergunto se o acesso a tecnologia e a todos os gêneros de entretenimento é mais “possível” em países desenvolvidos. Sempre me pergunto se algum dia alguém vai olhar para o Brasil consciente desse abismo cultural que separa em duas metades desiguais os que têm e os que não têm.

E as Eleições vêm aí!

Autor: Renata Honorato - Categoria(s): Sem categoria Tags:

5 comentários para “Caindo na real”

  1. Bruno Alexander Zerb disse:

    Eu também ví a mãe e as duas crianças. Ví eles com um ar de “não sabemos onde estamos” e, pior, desconfortáveis por saber que aquele não era lugar “para eles”.

    A mãe, principalmente, não queria ser notada. Sabia que o mundo high-tech estava longe de seu alcance. Seu semblante era de tristeza, não sei se pela situação em que estava ou por não poder proporcionar tudo aquilo aos filhos.

    Você não sabe, mas eu te ví lá duas vezes. Dentro do estande do Arena iG e nesse momento em que você estava parada, “olhando para baixo”. Eu percebi que você não olhava para “as 10 telas de plasma”. Mas não imaginava que estava notando nessa cena.

    Parabéns pelo post.

    Se um dia eu conseguir fazer o que quero, vou tentar dar atenção aos que sonham – e apenas isso – com esse mundo tão colorido, barulhento e divertido.

  2. Danela disse:

    Otimo post!

    “Sempre me pergunto se algum dia alguém vai olhar para o Brasil consciente desse abismo cultural que separa em duas metades desiguais os que têm e os que não têm.

    Penso como você!

  3. IN_RE_LO_EX disse:

    Tá…, dai depois de 5 mninutos voltou a sua realidade, e veio escrever no seu blog que o mundo ta todo errado…

    Mas o que vc efetivamente fez pela mãe e as crianças?

  4. Marcos Diniz disse:

    Pois é , talvez aquela mãe conseguiu esquecer durante algumas horas aquela vida que ela tem que conduzir. Seus filhos olhando toda aquela tecnologia, enchem os olhos, mesmo não entendo. A realidade dura mesmo, infelizmente eu vejo isso quase todo dia e você deve ver também, não em só em eventos de games, nas feiras populares, nas ruas. A miséria está em todo lugar e como você mesmo lembrou, eleições estão ai, mas infelizmente os miseráveis continuarão mais miseráveis ainda e a ignorância é tanta que reelegeremos novamente nossa cara.

    Mas a pergunta fica no ar, será que exista alguém que faça algo?

    Dia 1/10 deveria ser o dia da libertação, mas não será o dia em que cavaremos mais a cova dos miseráveis.

    É engraçado mas deveriamos escolher nos representantes igual ao trocar um jogo do PS2, segura o reset, aperta o eject. Pronto politico descartado.

    Até mais, parabéns pelo Blig.

  5. Livia disse:

    Oiiiii galera da ig girl
    aii eu adoro esse site pois quando tenho alguma duvida sobre algum coisa e não quero perguntar para ninguem venho aqui;
    Beijos

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