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domingo, 27 de março de 2011 Histórias, Roma | 14:29

Domingo é dia de história: Ascensão e queda da Era Sensi

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Franco Sensi e Rosella Sensi (Foto: AS Roma Live)

Pai e filha, Franco e Rosella Sensi comandaram o futebol romanista por 18 anos. Anos de ouro e no vermelho

Após anos de especulações, Thomas DiBenedetto será o novo proprietário da Roma. A venda foi fechada e, nos próximos dias, ele assinará os papéis que o confirmarão como sucessor da família Sensi, no poder desde 1993.

Em maio daquele ano, Franco Sensi e Pietro Mezzaroma compraram a Roma para salvá-la da falência – seis meses depois, só Sensi ficaria no barco. Tornou-se um dos grandes presidentes-torcedores da história do futebol italiano.

Por alguma coincidência do destino, a Era Sensi andou ao lado da Era Totti. O capitão romanista estreou poucas semanas antes que o empresário romano comprasse o time – e vive o eclipsar da carreira enquanto Rosella Sensi está prestes a deixar o cargo. Com o alívio financeiro que veio com aquele que era um dos homens mais ricos do país, a Roma pôde segurar os avanços de Milan, Real Madrid e Chelsea sobre seu camisa 10.

Mas a Era Sensi não foi pautada por sobriedade e profissionalismo. Conduzida pela família com auxílio de amigos próximos, como Pippo Marra, Ciro Di Martino e Cristina Mazzoleni, a Roma consumiu quase todo o patrimônio dos Sensi. O dinheiro serviu para cobrir o rombo que havia e depois para recolocar o time na luta por títulos. Franco Sensi estava sempre na mídia, comprando briga por diversos motivos: a luta com Zeman contra o doping, as guerras contra Moggi e Galliani, a delação de árbitros corruptos.

Maria Sensi (FOTO: AS Roma Live)

Maria Sensi, matriarca da família, tornou-se figura querida entre os torcedores da Roma

Franco Sensi investia, aos poucos, rumo ao sonho do scudetto. E eis que a Lazio venceu o título italiano em 2000. O patriarca romanista enlouqueceu com a conquista e deu carta branca ao diretor esportivo Franco Baldini. Com 120 bilhões de liras (cerca de 62 milhões de euros) na primeira janela de transferências, foram contratados Zébina e Samuel para a defesa, Emerson para o meio-campo e Batistuta para o ataque. Com Fabio Capello no comando, a Roma deu o troco e venceu o título um ano depois.

A festa pelo título levou ao Circo Massimo mais de um milhão de pessoas. Mais gente do que na vitória italiana na Copa do Mundo em 2006. Todos aos pés de Sensi, que colocou dinheiro de torcedor para vencer como presidente.

Financeiramente, o título gerou um rombo imenso. Desde então, grandes contratatados saíram de graça ou bem desvalorizados, como Emerson, Batistuta, Chivu, Cassano, Júlio Baptista e Cicinho. A Roma passou a consumir os lucros das outras empresas da família e fez a dívida da família beirar os 400 milhões de euros.

Apaixonados, os Sensi investiram bastante para buscar vitórias em curto prazo. Pecaram no planejamento, investiram pouco em infraestrutura e categorias de base e a austeridade fiscal só veio quando a Unicredit, principal credora dos Sensi, forçou que fosse assim. DiBenedetto promete um novo recomeço, com uma ou duas grandes contratações e diversas apostas, além de um novo estádio, investimento na base, em marketing e na internacionalização da marca. Para montar, quem sabe, uma Roma que poderá deixar o provincianismo no passado.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,