Seleção Italiana | Futebol Italiano

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Posts com a Tag Seleção italiana

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011 Serie A | 22:35

Honestidade premiada

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Simone Farina (Repubblica)

Nessa época festiva, de natal e confraternizações, é bom ler histórias como a do zagueiro Simone Farina. Aos 29 anos, ele ainda sofre para se firmar no modesto Gubbio, antepenúltimo colocado da segunda divisão italiana. E recebeu uma convocação para fazer o próximo jogo da seleção, mesmo assim. O motivo? É honesto.

O zagueiro recusou 200 mil euros para fraudar o resultado de Gubbio x Cesena, na Coppa Italia. Ele recebe salários de pouco mais de 5 mil euros por mês. Além de recusar, Farina denunciou o fato, o que deve render punições severas a quem for descoberto – e ainda abrir investigações para tentar minar a banda podre do futebol italiano.

Farina está de parabéns. Cesare Prandelli, também. Convocar um atleta praticamente amador para a seleção italiana como prêmio pela honestidade mostra qual linha o esporte do país pretende tomar.

É legal ler casos como esse, mas devemos aproveitá-lo como reflexão. Nossa sociedade chegou a um ponto em que ser honesto é ótimo diferencial, em vez de parecer obrigação. Não é nem preciso sair do esporte para encontrar dezenas de casos de corrupção que jamais serão solucionados. E não é nem preciso ativar a memória para ver que a desonestidade tomou conta dos nossos dias.

Alguém pode chamar de “jeitinho”, quem sabe. Mas a desonestidade começa em pequenos momentos da vida, como na hora de pegar a fila do caixa rápido sabendo que o carrinho está cheio, ou ao entrar com um recurso inútil só para atrasar um processo perdido, ou na mentirinha contada para se livrar de um trabalho.

Não quero que o moralismo impere, longe disso. Farina não deve ser um desses moralistas e pode viver como qualquer um de nós, com pequenos luxos e tantas batalhas no dia a dia. Mas é honesto. Espero que um dia seja impossível premiar todos os que tenham princípios.

Fique aí!

O Tripletta dá uma parada e volta no dia 26, segunda-feira. Feliz natal a todos! Atualização: voltaremos no dia 27, por questões de saúde. Sim, este blogueiro é de vidro.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , ,

terça-feira, 15 de novembro de 2011 Seleção italiana | 23:28

Acabou a invencibilidade

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Cinco meses depois da última derrota, a seleção italiana percebeu que não é nada imbatível isso de jogar só pro gasto. No último amistoso do ano, no estádio Olímpico, perdeu para o Uruguai por 1 x 0. A onipresente Lilian Trigo se decepcionou com Prandelli e família, como não poderia deixar de ser:

Simone Pepe (Getty Images)

Pepe, o homem errado na hora mais errada ainda

“Um gol aos 4 minutos, cortesia do apagão de Ranocchia, Maggio e Chellini. Foi tudo que o Uruguai precisou pra demolir a seleção de açúcar de Prandelli. O jogo também não foi lá muito ‘amistoso’, com 30 faltas, uma expulsão e seis cartões amarelos. Quem sofreu mesmo foi a canela de Balotelli.

Eu e Balzaretti, certamente, não assistimos o mesmo jogo. Ele, no fim da partida, disse que a Itália merecia um empate. Eu achei que perder de 1 x 0 até foi um bom negócio. Numa noite apagada de Pirlo, Marchisio e De Rossi, ficou provado que, quando o meio de campo não está inspirado, a Itália não joga.

Prandelli segue apaixonado pelo 4-3-1-2, que só funciona quando o time adversário joga mais aberto e o meio de campo italiano pode tocar bola, mas não se acanhou em mudar o esquema, para 4-3-3, depois da entrada de Pepe. De boas intenções é acarpetado o piso do inferno e o treinador contribuiu hoje para a nova decoração do cafofo do Tinhoso.

A pergunta de 1 milhão de dólares é: ‘O que Pepe faz na seleção?’. Não pode ser pelo futebol, porque ele nunca teve intimidade com a coisa. Não pode ser pelo que está fazendo na Juventus, já que ele passa mais tempo nas acolchoadas poltronas da reserva que no gramado do estádio novo. Pepe é um espinho na carne. A mesma pergunta serve para Montolivo, que até é esforçado, mas não tem criatividade, visão de jogo e está em péssima fase. É uma bigorna, o que destoa no afinadinho meio-campo de Prandelli.

Não dá para falar muita coisa de um time que chutou oito vezes ao gol, sem nunca ser realmente perigoso. A culpa não é de Osvaldo, que não comprometeu na estreia como titular, nem de Balotelli, que teve alguns lampejos de craque. A Itália de hoje não foi muito diferente da que jogou contra a Polônia. Só esqueceram de avisar que o Uruguai não é a Polônia. Squadra Azzurra, agora, só em 2012. Com um futebol e uma camisa mais bonitos que o de hoje.”

E Balotelli entrou em campo com a camisa antiga, viram? Na foto abaixo, o detalhe:

Balotelli

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , ,

sábado, 12 de novembro de 2011 Seleção italiana | 11:10

O problema são os outros

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A Itália futebolística andou meio tensa nas últimas semanas, depois de a seleção perder seus dois atacantes titulares. Rossi teve de operar o joelho e Cassano se recupera de um acidente vascular cerebral. A dupla até corre o risco de perder a Eurocopa. Quem os substituiria? O amistoso com a Polônia mostrou que este é o menor problema de Cesare Prandelli.

Balotelli (Getty Images)

Balotelli chamou a responsabilidade e marcou o primeiro gol com a seleção

Balotelli assumiu o papel de Cassano e infernizou a defesa polonesa. Correu, marcou saída de bola, procurou o diferente – e achou, vale dizer. Para um primeiro gol com a camisa italiana, aquela bola por cobertura não está nada mal.

Com Pazzini no lugar de Rossi, o ataque perdeu velocidade e ficou um pouco mais previsível – e mais letal, vale ressaltar. O Pazzo só teve uma grande chance na partida. Tudo bem, estava impedido, mas botou entre as pernas do goleiro Szczesny.

A vitória por 2 x 0, mesmo assim, escancara as dificuldades criativas de um time que depende demais de Montolivo, escalado como armador no 4-3-1-2 de Prandelli pelo quinto jogo seguido. Em má fase perene, o camisa 18 até acerta um passe ou outro, mas é pouco para um time que, com alguém de qualidade no setor, poderia até pensar com carinho na final da Eurocopa.

Aquilani, que seria a outra opção para a vaga, tem atuado mais recuado no Milan e na própria seleção. Mauri se recupera de lesão. E termina aí. Faltou usar as três últimas convocações para testar alguém na posição. Cigarini foi chamado, mas nem chegou a estrear.

Alguém melhor que Montolivo levaria esta Itália a outro patamar. A defesa está bem ajustada e a linha dos três meio-campistas é uma das melhores do mundo, com De Rossi, Pirlo e Marchisio, aqueles que talvez sejam os três melhores jogadores italianos da Serie A. O ataque, que funcionou bem contra a Polônia, ainda tem ótimas opções, como Matri, Giovinco e Osvaldo.

Depois do amistoso com o Uruguai, que será disputado na terça-feira (22/11), a Itália ainda terá duas convocações e três amistosos antes da Euro. Talvez valha a pena testar alguém que mude a cara desta seleção, aumentando o nível de eficiência ao mesmo tempo em que a qualidade dê um passo a frente. Por enquanto, a imprevisibilidade fica só por conta de Balotelli. Fique com o gol dele:

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 11 de outubro de 2011 Seleção italiana | 20:20

A Itália que conta

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A seleção italiana já estava classificada para a Eurocopa, então não valeu para muita coisa a goleada sobre a Irlanda do Norte. Só mesmo para se despedir de forma invicta das eliminatórias, ao lado de Alemanha, Espanha, Grécia e Inglaterra, e para dar uma moral a Cassano, autor de dois gols e uma bela partida – para saber do jogo, vá ao final do post.

van Bommel (CDN)

Mark van Bommel: má fase no Milan, erro fatal na Holanda

Então vamos falar dos jogadores da Serie A que entraram em campo por outras seleções. Começando por quem não entrou, aliás: o milanista Ibrahimovic, que vinha decepcionando pela Suécia, não encarou a Holanda. Sorte da Suécia. Toivonen entrou no lugar dele e marcou o gol da virada que permitiu à sua seleção se classificar para a Euro sem jogar a repescagem. O único “italiano” em campo também era milanista. E se deu mal. Um corte errado de van Bommel, que tentou tirar de calcanhar, virou gol sueco.

Quem se deu bem foi Kjaer (Roma), autor de uma bela partida contra Portugal, o suficiente para levar sua Dinamarca à Euro. Os bosníacos Lulic (Lazio) e Pjanic (Roma) não tiveram a mesma sorte. A dupla jogou bem contra a França, mas a partida terminou empatada e a Bósnia terá de jogar a repescagem. A Grécia contou com outra boa apresentação de Tzorvas (Palermo) para passar pela Geórgia. Kaladze (Genoa) e Mchelidze (Empoli) não conseguiram furá-lo.

A partida com mais jogadores do Campeonato Italiano (oito!) também foi a maior zebra: já eliminada, a Eslovênia bateu a Sérvia, que acabou de fora até da repescagem. Handanovic (Udinese) deu show e fez quatro defesas que ajudaram a segurar o placar. A Eslovênia também contou com Bacinovic (Palermo), Krhin (Bologna), Birsa (Genoa), Jokic e Cesar (ambos do Chievo). Na Sérvia, Krasic (Juventus) foi banco e entrou no segundo tempo. Titular, Stankovic (Inter) deu adeus à camisa da seleção.

E também tivemos vários jogos inúteis. Stankevicius (Lazio) foi titular na sapatada que sua Lituãnia levou da República Tcheca. Kucka (Genoa) e Hamsík (Napoli) não conseguiram fazer com que a Eslováquia batesse a Macedônia. Ujkani (Novara), Cana (Lazio) e Bogdani (Cesena) conseguiram um bom empate para a Albânia, contra a Romênia de Mutu (Cesena) e Torje (Udinese). E, para fechar, uma Suíça recheada de “italianos” bateu Montenegro, já classificada e cheia de reservas. Lichtsteiner (Juventus) fez gol. Também jogaram Inler (Napoli), von Bergen (Cesena) e Behrami (Fiorentina).

Ah, Itália! – Lilian Trigo assistiu a Itália 3×0 Irlanda do Norte e conta como foi. Leia mais »

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 7 de outubro de 2011 Seleção italiana | 22:15

A Itália de Regina Duarte

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Como não pude ver o empate da Itália com a Sérvia, pelas Eliminatórias da Eurocopa, pedi que a sempre presente Lilian Trigo me contasse o que foi o jogo. Com uma Itália já classificada, imaginei que não pudesse sair muita coisa dali. Vamos para o papo do dia:

Cesare Prandelli (Getty Images)

Prandelli, o grande expoente da reginaduartização italiana

Tripletta: Então Prandelli continua só com duas derrotas, agora em 13 jogos. É uma boa Itália, certo?
Lilian: A “nova Itália” é a cara dele. Cesare Prandelli é a Regina Duarte do futebol (antes da viúva Porcina e de Clô Hayalla, nos tempos de namoradinha do Brasil). Cesare é moço pra casar. Cara bacana, sonho de toda sogra, alívio de todo sogro, certeza que não vai comer a sobremesa antes do jantar, nunca vai aparecer vestindo uma camisa de bicheiro e o máximo de ousadia que se pode esperar é que ele, num momento de extrema loucura, ande a 61 km/h. Enfim, é a garantia de uma vida sem emoção. A moça que namora Prandelli, com certeza, no silêncio da noite, no escuro do quarto, sonha com Lippi.

Tripletta: Foi o primeiro jogo da Itália depois da classificação. Deu algum caldo?
Lilian: Hoje, contra a Sérvia, a Itália quase me enganou. Prandelli prometeu uma Itália com um ânimo diferente, que, apesar de entrar em campo já classificada, jogando no esquema 4-3-1-2, não iria se intimidar com o clima e a torcida sérvia. A coisa parecia bem, depois do gol de Marchisio aos 54 segundos e rendeu até 25 minutos de bom futebol. Aí, veio o gol de Ivanovic…

Tripletta: E acabou o jogo, imagino.
Lilian: O segundo tempo foi digno de um cochilo, com Montolivo fazendo um dos piores jogos da sua carreira. Cassano, brincando de homem invisível, não tocou na bola mais que meia dúzia de vezes. Sorte da Itália que Krasic gastou todo seu futebol naquele 4 x 2 de Juventus e Cagliari, em setembro do ano passado. Prandelli não soube nem aproveitar a oportunidade de testar Osvaldo. Pior que os que estavam em campo, certamente, não faria.

Tripletta: Não deu pra salvar nada? Vai ficar só na corneta?
Lilian: Barzagli voltou bem, depois de quatro anos longe da seleção. Chiellini na esquerda não comprometeu. O resto, da dimenticare (pra se esquecer).

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 29 de agosto de 2011 Seleção italiana | 11:38

A seleção joga

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Gilardino (iG)

Gilardino pode comemorar: ele voltou

A Serie A não tem data pra começar, mas a Squadra Azzurra entrará em campo no próximo fim de semana. Os  convocados por Cesare Prandelli disputarão duas partidas pelas eliminatórias da Euro 2012: sábado, dia 3, Ilhas Faroe, fora de casa; terça-feira, dia 6, Eslovênia, em Florença.

Se vencer as duas partidas, a Itália estará classificada para o torneio europeu com duas rodadas de antecedência. Com a animação garantida depois da vitória sobre a Espanha, no último amistoso disputado, a Itália nem parece aquela equipe que vinha em uma forte crise de resultados e de identidade.

No jogo contra a Eslovênia, Prandelli completará um ano no banco italiano. Até aqui, um trabalho exemplar. A Itália de Prandelli tem 63,6% de aproveitamento, melhor marca desde a geração de Arrigo Sacchi (1991-96). Os números são bons: média de 1,54 gol marcado por jogo e 0,64 sofrido – melhores que os da seleção brasileira de Mano Menezes, para efeito comparativo.

Da convocação, não há muito o que dizer. Há o retorno de Gilardino, que por sua vez está de saída da Fiorentina. Balotelli e Cassano, os bad boys, conseguiram evitar alguma cagada recente e continuam na lista. E chama atenção o número de convocados que atuam fora da Itália: quatro. É a convocação mais “estrangeira” desde aquela da Euro 2008, que contou com Grosso (Lyon), Toni (Bayern), De Sanctis (Sevilla) e Zambrotta (Barcelona). Só que agora os jogadores são do Villarreal, do Zenit, do Paris Saint Germain…

Goleiros: Buffon (Juventus), De Sanctis (Napoli), Sirigu (PSG)
Defensores: Astori (Cagliari), Balzaretti (Palermo), Bonucci (Juventus), Cassani (Fiorentina), Chiellini (Juventus), Criscito (Zenit), Maggio (Napoli), Ranocchia (Inter)
Meias: Aquilani (Milan), De Rossi (Roma), Marchisio (Juventus), Montolivo (Fiorentina), Motta (Inter), Nocerino (Palermo), Pirlo (Juventus)
Atacantes: Balotelli (Manchester City), Cassano (Milan), Gilardino (Fiorentina), Giovinco (Parma), Pazzini (Inter), Rossi (Villarreal)

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 10 de junho de 2011 Off-topic | 22:15

Cesare Battisti invadiu o futebol

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O caso Battisti é o episódio mais polêmico na relação entre Brasil e Itália, desde a Segunda Guerra Mundial. O Supremo Tribunal Federal validou a decisão do ex-presidente Lula: o ativista foi liberado e não será extraditado à Itália, onde está condenado à prisão perpétua. O ministro de Relações Exteriores de lá, Franco Frattini, bateu o pé e avisou que recorrerá ao Tribunal de Haia. Enquanto isso, o Belpaese segue indignado: o filho de um marechal assassinado em 1978 deu a ideia de a Itália boicotar a próxima Copa do Mundo, que será em nossas terras.

Parecia loucura de uma só pessoa, mas muita gente passou recibo. Mais de 80% das pessoas que responderam a uma enquete do Corriere della Sera disseram concordar com o boicote. Alguns políticos da dinastia Berlusconiana (como o ministro Roberto Calderoli, um dos que defendem que o norte da Itália se separe do resto do país…) também deram entrevistas concordando com a insanidade. A loucura chegou a tal ponto que a Fifa ameaçou que a Itália sofreria sanções se realmente levasse a ideia a sério.

Aqui, não discutirei se Battisti deveria ou não ser liberado, extraditado, vaiado, abraçado. Mas vale lembrar que, para um governo de direita como é o de Berlusconi, seria fantástico poder anunciar que um preso político de extrema-esquerda apodrecerá nas grades até o fim. E por isso a luta diplomática é interminável, afinal doeu a alguns italianos notar que o Brasil não é mais colônia europeia.

O absurdo é ver como a Itália não consegue separar política e esporte. Mais absurdo ainda é ver que existem tantas pessoas dispostas a topar a bizarrice de gente que só quer aparecer nos jornais – o que, quem sabe, talvez possa explicar por que é que Berlusconi ainda está no poder. Permitir que o caso Battisti deixe as esferas diplomáticas para se tornar objeto de negociação esportiva seria mais um exemplo da catastrófica política internacional de um primeiro-ministro que tem uma equipe pronta para apelar ao nacionalismo extremado sempre que alguém criticar como o caso tem sido gerido.

Ainda que seja utópico esperar que esporte e política se separem, é bom que a interferência seja a menor possível. O campo de futebol não é o lugar para que se resolvam conflitos intelectuais, como este se tornou. É agora que um pouco de bom senso seria necessário. Em fevereiro de 2009, Brasil e Itália disputaram um amistoso que já estava contaminado por esta discussão. O jogo fluiu tranquilamente, apesar do ministro da Defesa, Ignazio La Russa, ter anunciado um boicote fracassado.

A Itália participará da Copa do Mundo de 2014. Qualquer declaração midiática que diga o contrário terá cumprido seu papel: dar voz a quem só quer criar polêmica.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , ,

domingo, 20 de março de 2011 Seleção italiana | 17:49

Hipocrisia azzurra

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Daniele De Rossi (Foto: Getty Images)

Vice-capitão da seleção italiana, De Rossi é (ou era) pilar do time de Prandelli

Cesare Prandelli anunciou hoje a lista de convocados para os próximos jogos da seleção italiana: Eslovênia (eliminatórias para a Euro, em Ljubljana, dia 25) e Ucrânia (amistoso, em Kiev, dia 29). Como antecipado por todos os jornais do país, De Rossi e Balotelli ficaram de fora por motivos disciplinares.

O motivo? Violaram o código ético implantado por Prandelli quando o técnico chegou. As regras foram definidas junto de alguns “senadores” do elenco: Zambrotta, Pirlo, Palombo e o próprio De Rossi. “Quem joga na seleção representa todo o país e deve ser sempre um modelo, por isso comportamentos errados não serão mais tolerados”, garantiu Prandelli na época.

O problema é que fica difícil manter este código ético acima do bom senso. De Rossi e Balotelli não foram convocados pela conduta violenta demonstrada em partidas pela Roma e pelo Manchester City. Digamos que os dois representam um modelo para o país. Mas o país preferiria ser representado por dois grandes jogadores, fundamentais no elenco de Prandelli, ou por seus reservas? A partida contra a Eslovênia, fora de casa, vale a primeira posição do grupo C das eliminatórias e pode ser decisiva.

Não há um grande nome no meio-campo azzurro e, hoje, pode-se dizer que De Rossi é imprescindível. A dupla da Juventus (Aquilani e Marchisio) vive má fase, Mauri tem ficado na reserva da Lazio, Montolivo faz sua pior temporada nos últimos anos e Thiago Motta ainda se adapta à “nova nacionalidade”. Os dois jogadores em melhor fase no setor são os novatos Nocerino e Parolo, que ainda buscam espaço – o último é estreante em convocações.

A ausência de Balotelli deve ser menos sentida. A seleção conta com Rossi e Pazzini, dupla em ótima fase, e ainda tem como opções Cassano e Giovinco para criar o jogo e Matri e Gilardino para finalizá-lo. Ainda assim, dá para justificar a ausência de Di Natale? Idade à parte, não dá para simplesmente descartar quem fez mais de 50 gols nos últimos dois anos.

Se qualquer “conduta violenta” for motivo para sacar jogadores da seleção italiana, o clima por lá pode ficar instável gratuitamente. O código ético é uma boa sacada de segurança, mas não seria melhor oferecer apoio psicológico aos jogadores que representariam um modelo ao país? Antes assim do que esbarrar na hipocrisia: antes dois “violentos” em campo do que uma derrota decisiva, convenhamos.

Os 25 de Prandelli
Goleiros: Buffon (Juventus), Sirigu (Palermo), Viviano (Bologna);
Defensores: Astori (Cagliari), Balzaretti (Palermo), Bonucci (Juventus), Chiellini (Juventus), Criscito (Genoa), Gastaldello (Sampdoria), Maggio (Napoli), Ranocchia (Inter), Santon (Cesena);
Meio-campistas: Aquilani (Juventus), Marchisio (Juventus), Mauri (Lazio), Montolivo (Fiorentina), Thiago Motta (Inter), Nocerino (Palermo, Parolo (Cesena);
Atacantes: Cassano (Milan), Gilardino (Fiorentina), Giovinco (Parma), Matri (Juventus), Pazzini (Inter), Rossi (Villarreal).

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 17 de março de 2011 Extracampo, Seleção italiana | 05:10

Lugar de jovem é na segundona

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Macheda (Foto: Getty Images)

Macheda é o principal nome da atual sub-21 italiana. Dá para imaginá-lo "rebaixado" à Serie B?

Preocupado com a falta de espaço para jovens jogadores, eis que Cesare Prandelli, treinador da seleção italiana, foi acometido por uma ideia inovadora. Já que não se pode obrigar os times a colocarem atletas sub-21 em campo, por que não botar a própria seleção sub-21 na disputa da Serie B? Pois o plano foi levado em frente por Albertini e Sacchi, homens fortes na federação, e será proposta ao conselho.

A proposta é baseada na realidade de Espanha e Alemanha, lugares em que times reservas disputam campeonatos inferiores – o Barcelona B, por exemplo, está na quarta posição e tem o melhor ataque da segunda divisão. Assim, as equipes põe os jovens em contato com o futebol profissional. Para não sair da Catalunha, Valdés, Puyol, Xavi, Iniesta e Pedro jogaram três anos no time B blaugrana antes do “salto de qualidade”. Como o estatuto italiano não prevê a existência deste tipo de equipe, a solução encontrada por Prandelli é colocar a própria seleção em campo.

Seria formado um elenco de 25 a 30 jovens de 19 a 21 anos, emprestados gratuitamente por clubes da Serie A que topassem a ideia. Ao menos num primeiro momento, porém, o plano parece completamente impraticável. Em que estádio os azzurrini jogariam? Poderiam ser chamados de volta pelos clubes? As convocações respeitariam as janelas de mercado? As partidas seriam levadas a sério, já que a seleção não poderia subir ou cair de divisão? Os clubes da Serie B aceitariam mais duas datas em um calendário inchado? Muitas dúvidas.

Talvez fosse o caso de investir dinheiro e discussão em planos mais concretos. Em breve deve ser anunciada a queda da idade limite no Campeonato Primavera (o Brasileiro Sub-20 de lá, digamos), que hoje é de 21 anos. Com isso, os clubes serão forçados a subir jogadores mais cedo para o elenco profissional, nem que seja para emprestá-los a equipes mais modestas. O ato pode ser um bom primeiro passo. Mas de quantos primeiros passos o futebol italiano tem vivido?

Itália 150
Só para não passar batido, nesta quinta-feira (17/03) a Itália completa 150 anos de unificação. O país todo está envolvido na comemoração, mas tem torcedor que chia: a Sky de lá passou o início da semana anunciando que “a Itália torce pela Inter” na Liga dos Campeões. Forçado.

O dia virou com muita festa pelo país, numa Itália que vive aquela que talvez seja sua maior crise política neste século e meio, para não falar da economia estagnada e do enfraquecimento de alguns dos principais pilares da sociedade local: família e religião. A festa é bonita, mas a oportunidade de discussão não pode passar batida. O site 150 Propostas para a Itália está reunindo as melhores ideias em vários planos, que vão da música ao combate à máfia. Vale dar uma olhada.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 Azzurra | 22:23

Um passo de cada vez

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Ranocchia e Klose

Na segunda partida de Ranocchia com a camisa azzurra, o zagueiro superou expectativas: melhor italiano em campo

Do lado alemão, o empate com no amistoso com a Itália valeu apenas pelo primeiro tempo. Do italiano, valeu pela superação demonstrada depois do intervalo. O jogo é prova do contínuo crescimento da seleção de Cesare Prandelli, que ainda não saiu das fraldas, mas ganhou confiança por ter segurado uma Alemanha que, desta vez, entrou como favorita.

Inicialmente, Prandelli apostou no que era certo. E deu errado. Colocou Cassano e Pazzini como titulares no ataque, uma escolha óbvia para aproveitar os dois anos de entrosamento da dupla ex-Samdporia, mas o rendimento foi opaco. Pazzini até que enganou no início, com um toque de calcanhar, e Cassano apostou na correria para infernizar Mertesacker e Lahm. Mas não deu em nada: nenhum dos dois chegou a chutar a gol. No intervalo, Prandelli tirou a dupla e apostou em Borriello e Rossi. O crescimento foi notável e o atacante do Villarreal foi o responsável pelo gol do empate que valeu quase como vitória.

A Itália confirmou o 4-3-1-2 do único treinamento antes do jogo de Dortmund. Chiellini não decepcionou como lateral-esquerdo e até arriscou subir ao ataque. Do lado direito, porém, Cassani teve atuação mais burocrática. Thiago Motta estreou muito bem, jogando como homem mais recuado no meio-campo. Mauri, por outro lado, confirmou a queda de rendimento na temporada e fez um jogo bem apagado. Mas o melhor em campo, indiscutivelmente, foi o zagueiro Ranocchia, jovem com ares de veterano.

Prandelli começou seu trabalho do zero e tem colhido frutos melhores que os de Donadoni (2006) e Lippi (2008), que, em tese, já tinham uma base para começar. As eliminatórias para a Eurocopa, de certa forma, são só parte do planejamento que visa uma boa Copa do Mundo em 2014, aqui no Brasil. A Itália não tem nenhum fenômeno, e parece ter percebido isso a tempo. Com um time voluntarioso e humilde, como o de hoje, pode chegar mais longe.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

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