Honestidade premiada

Nessa época festiva, de natal e confraternizações, é bom ler histórias como a do zagueiro Simone Farina. Aos 29 anos, ele ainda sofre para se firmar no modesto Gubbio, antepenúltimo colocado da segunda divisão italiana. E recebeu uma convocação para fazer o próximo jogo da seleção, mesmo assim. O motivo? É honesto.
O zagueiro recusou 200 mil euros para fraudar o resultado de Gubbio x Cesena, na Coppa Italia. Ele recebe salários de pouco mais de 5 mil euros por mês. Além de recusar, Farina denunciou o fato, o que deve render punições severas a quem for descoberto – e ainda abrir investigações para tentar minar a banda podre do futebol italiano.
Farina está de parabéns. Cesare Prandelli, também. Convocar um atleta praticamente amador para a seleção italiana como prêmio pela honestidade mostra qual linha o esporte do país pretende tomar.
É legal ler casos como esse, mas devemos aproveitá-lo como reflexão. Nossa sociedade chegou a um ponto em que ser honesto é ótimo diferencial, em vez de parecer obrigação. Não é nem preciso sair do esporte para encontrar dezenas de casos de corrupção que jamais serão solucionados. E não é nem preciso ativar a memória para ver que a desonestidade tomou conta dos nossos dias.
Alguém pode chamar de “jeitinho”, quem sabe. Mas a desonestidade começa em pequenos momentos da vida, como na hora de pegar a fila do caixa rápido sabendo que o carrinho está cheio, ou ao entrar com um recurso inútil só para atrasar um processo perdido, ou na mentirinha contada para se livrar de um trabalho.
Não quero que o moralismo impere, longe disso. Farina não deve ser um desses moralistas e pode viver como qualquer um de nós, com pequenos luxos e tantas batalhas no dia a dia. Mas é honesto. Espero que um dia seja impossível premiar todos os que tenham princípios.
Fique aí!
O Tripletta dá uma parada e volta no dia 26, segunda-feira. Feliz natal a todos! Atualização: voltaremos no dia 27, por questões de saúde. Sim, este blogueiro é de vidro.








