Osvaldo | Futebol Italiano

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domingo, 1 de janeiro de 2012 Lazio, Roma | 22:50

SdV, parte 3: A capital da felicidade

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Para começar 2012 com os dois pés no otimismo, o Show da Virada (SdV) do Tripletta versará sobre o que os times da capital italiana têm realizado na temporada. É raro, mas tanto os torcedores da Roma quanto os da Lazio estão felizes. Entenda por quê:

Lazio (4º lugar, 30 pontos, 24 gols marcados e 13 sofridos em 16 jogos)

Miroslav Klose (Reuters)

Miroslav Klose

Até poucos meses atrás, Reja era persona non grata para boa parte da torcida da Lazio. Depois de quatro ou cinco rodadas, o treinador teria inclusive chegado a entregar o cargo, sem sucesso. Renasceu. Montou o melhor time possível com o que tinha em mãos e alcançou até a vice-liderança da Serie A. Agora na quarta posição, a Lazio inspira confiança e tem um jogo mais estável do que o do ano passado, quando quase conseguiu uma vaga na Liga dos Campeões.

A experiência que os novos reforços trouxeram mostrou-se fundamental. O destaque é o alemão Klose, que chegou de graça, cercado de desconfiança, e logo se tornou o dono do time. Já marcou oito gols (seis deles fora de casa) e decidiu o dérbi de Roma. Cissé, mesmo com uma infindável seca de gols, também faz boa temporada – até lembrando um pouco o papel de Robinho no Milan. E o lado esquerdo do time se tornou outro com o bósnio Lulic, uma espécie de Kolarov mais avançado.

Quem destoa é Hernanes. Com o brasileiro em má fase técnica e física, o meio-campo perdeu em imprevisibilidade. Os passes decisivos se tornaram passes insossos e a maioria dos dribles é inútil. Se está mais fácil de ser marcado, ao menos o meio celeste ganhou em consistência com a entrada do uruguaio González, ótimo cão de guarda. Merece parabéns o fair play laziale: o time não teve ninguém expulso, recebeu só 25 amarelos e é o mais disciplinado do campeonato.

Roma (7º lugar, 24 pontos, 21 gols marcados e 19 sofridos em 16 jogos)

Daniele De Rossi (Reuters)

Daniele De Rossi

Pelo segundo ano seguido, a Roma está atrás da Lazio. Ainda assim, seu torcedor terminou o ano alegre. Fácil explicar: as vitórias nas duas últimas rodadas de 2011 elevaram o moral e fizeram renascer as esperanças sobre o planejamento de longo prazo pelo qual a equipe tem passado. O começo tortuoso era esperado por parte de um time que contratou dez jogadores e perdeu outros doze, mas a dificuldade de Luis Enrique em manter uma base titular atrapalhou ainda mais.

Apesar de ser cabeça dura, Luis Enrique não é bobo e conseguiu adaptar seu estilo de jogo ao elenco que possui. O 4-3-3 virou uma espécie de 4-3-1-2 com muita liberdade para seu armador – e, assim, Totti aceitou voltar a jogar recuado. O camisa 10 ainda não marcou gols no campeonato, mas continua desequilibrando partidas e dando ótimos passes. Para um time recém-montado, alguns números da Roma chamam bastante atenção. É a equipe com mais tempo de posse de bola em jogos fora de casa (média de 58,3% por jogo) e a segunda que mais acerta passes (84,9%). Boa parte dos méritos fica com De Rossi, que está na melhor fase da carreira e tem jogado bem até como zagueiro.

Para subir na tabela, porém, a Roma terá que ser mais eficiente. Os números de posse de bola impressionam, mas o time é o que menos desarma no campeonato (média de 19,1 por jogo) e o segundo que menos faz faltas (12,8). A Roma enrola para agir e tem muita dificuldade em recuperar a bola quando a perde. O que deixa o time de cabeça quente – dos 33 cartões recebidos até agora pelo elenco, cinco foram vermelhos, um número absurdo. Pjanic, Osvaldo, Stekelenburg e Heinze já mostraram a que vieram. Lamela, José Ángel e Gago estão no caminho. Se Bojan e Kjaer vingarem, a temporada estará bem encaminhada.

E amanhã…

Que tal uma passada pelo litoral toscano? Só três pontos separam Fiorentina e Siena, na tabela, mas quem vem atrás está mais feliz.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

terça-feira, 22 de novembro de 2011 Roma, Vídeos | 00:58

O gol que foi, mas não foi

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Caros leitores, não abandonei o espaço. Mas, nestes dias que têm sido os mais corridos do ano para este que vos bloga, ficarei devendo algo além do vídeo abaixo, do gol mais absurdamente anulado da rodada. Foi marcado (?) pelo romanista Osvaldo, em uma bela bicicleta após linha de passe entre Totti, Lamela e Gago. Onde está o impedimento?

Aliás, os árbitros auxiliares da Serie A já foram melhores, hein? No sábado (19/11), o gol de Thiago Motta era irregular, mas foi aceito; o de Seedorf, regular, acabou anulado. No domingo (20/11), pararam um provável gol do Napoli ao marcar impedimento inexistente de Maggio. Que fase.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , ,

domingo, 9 de outubro de 2011 Seleção italiana | 20:34

O perigo que vem do norte

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A Itália tem um partido difícil de entender, chamado Liga Norte (Lega Nord, no original). O grupo é composto por parlamentares ultrarregionalistas do norte do país, gente que têm como maior bandeira a independência da Padânia. Em busca da tal identidade local, o que querem mesmo é se separar do sul do país, que estaria atrapalhando o avanço econômico de Milão, Turim e Gênova. Muitos deles nem se consideram italianos: são padanos e ponto final.

Pablo Osvaldo (CDN)

Osvaldo com a camisa italiana, em 2007. Liga Norte chegou atrasada

O ultrarregionalismo europeu tem provado ser ainda mais delicado do que o ultranacionalismo – esta foi a ideia que deu no fascismo e no nazismo, lembra? Infelizmente, são sentimentos que ganham espaço em momentos de grave crise econômica, como a que a Itália vive hoje, inclusive com pequenas cidades sendo extintas. Cheios de xenofobia, os ideais da Liga Norte chegaram ao futebol. A vítima? O atacante Pablo Daniel Osvaldo, presente na última convocação de Cesare Prandelli para a seleção italiana.

“A convocação de Osvaldo é a prova do fracasso da política da federação. O projeto de Prandelli, que deveria ter levado nossos jovens talentos a vestir a camisa azzurra, está se transformando em uma pensão para imigrantes”, criticou o deputado leghista Davide Cavallotto. Argentino de nascimento, Osvaldo se mudou para a Itália aos 19 anos. Logo se casou com uma italiana e hoje tem dois filhos. Um ano depois de chegar ao Belpaese, o atacante foi chamado para a seleção sub-21. Isso deve ter passado despercebido a eles.

Osvaldo poderia ter ficado calado, mas detonou Cavallotto. “Ouvir certas críticas me faz rir, talvez eu seja mais italiano do que alguns políticos da Liga Norte”, disparou. Perguntado se cantará o hino antes da partida, foi ainda mais enfático: “Eu sempre cantei, inclusive na seleção sub-21, inclusive sexta-feira, em Belgrado, quando fiquei no banco”.

Há quem seja completamente contra a convocação de jogadores estrangeiros. Eu tenho a mesma posição há anos: fronteiras querem dizer cada vez menos. Como dizer que Osvaldo não é identificado com a Itália, que inclusive defendeu na base? Argumentos contrários sempre serão aceitos. A não ser que venham contaminados pela xenofobia leghista.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , ,

sexta-feira, 7 de outubro de 2011 Seleção italiana | 22:15

A Itália de Regina Duarte

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Como não pude ver o empate da Itália com a Sérvia, pelas Eliminatórias da Eurocopa, pedi que a sempre presente Lilian Trigo me contasse o que foi o jogo. Com uma Itália já classificada, imaginei que não pudesse sair muita coisa dali. Vamos para o papo do dia:

Cesare Prandelli (Getty Images)

Prandelli, o grande expoente da reginaduartização italiana

Tripletta: Então Prandelli continua só com duas derrotas, agora em 13 jogos. É uma boa Itália, certo?
Lilian: A “nova Itália” é a cara dele. Cesare Prandelli é a Regina Duarte do futebol (antes da viúva Porcina e de Clô Hayalla, nos tempos de namoradinha do Brasil). Cesare é moço pra casar. Cara bacana, sonho de toda sogra, alívio de todo sogro, certeza que não vai comer a sobremesa antes do jantar, nunca vai aparecer vestindo uma camisa de bicheiro e o máximo de ousadia que se pode esperar é que ele, num momento de extrema loucura, ande a 61 km/h. Enfim, é a garantia de uma vida sem emoção. A moça que namora Prandelli, com certeza, no silêncio da noite, no escuro do quarto, sonha com Lippi.

Tripletta: Foi o primeiro jogo da Itália depois da classificação. Deu algum caldo?
Lilian: Hoje, contra a Sérvia, a Itália quase me enganou. Prandelli prometeu uma Itália com um ânimo diferente, que, apesar de entrar em campo já classificada, jogando no esquema 4-3-1-2, não iria se intimidar com o clima e a torcida sérvia. A coisa parecia bem, depois do gol de Marchisio aos 54 segundos e rendeu até 25 minutos de bom futebol. Aí, veio o gol de Ivanovic…

Tripletta: E acabou o jogo, imagino.
Lilian: O segundo tempo foi digno de um cochilo, com Montolivo fazendo um dos piores jogos da sua carreira. Cassano, brincando de homem invisível, não tocou na bola mais que meia dúzia de vezes. Sorte da Itália que Krasic gastou todo seu futebol naquele 4 x 2 de Juventus e Cagliari, em setembro do ano passado. Prandelli não soube nem aproveitar a oportunidade de testar Osvaldo. Pior que os que estavam em campo, certamente, não faria.

Tripletta: Não deu pra salvar nada? Vai ficar só na corneta?
Lilian: Barzagli voltou bem, depois de quatro anos longe da seleção. Chiellini na esquerda não comprometeu. O resto, da dimenticare (pra se esquecer).

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

sábado, 17 de setembro de 2011 Internazionale, Roma, Serie A | 18:04

Sobe e desce

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Muito se discutiu sobre as tais “filosofias de jogo” de Gasperini e Luis Enrique, nos últimos dias. Inter e Roma empataram sem gols, na noite deste sábado, mas a partida foi suficiente para mostrar avanços e recuos nas duas equipes.

Kjaer e Forlán (AP)

Kjaer, o melhor em campo, contra Forlán, que não é Eto'o

A Roma sobe. Há o que criticar, é claro. A fase ofensiva precisa ser trabalhada, pois o time ainda se movimenta pouco quando tem a bola. Mas já dá para notar que o passe tem sido valorizado e que até gente como Lobont se esforçou para não entregar a bola de graça. E algumas escolhas parecem inacreditáveis: por que Taddei e Osvaldo continuaram em campo?

Personalidade não faltou para o time giallorosso, que marcou bem, fez do Giuseppe Meazza sua casa e conseguiu tocar a bola por quase um minuto, sem grandes problemas. De Rossi e Kjaer, melhores em campo, deram a consistência defensiva que faltava numa espécie de 3-4-1-2 que lembra um pouco aquele esquema do último título italiano da capital, há dez anos. Agora “basta” acertar o ataque. Com um pouco de tempo, será uma bela Roma.

A Inter desce. Bastante. Se os jogadores pareciam perdidos, o que dizer do treinador? A última escolha de Gasperini é difícil de entender. Tudo bem, o meio-campo nerazzurro estava frágil, mas a entrada de Muntari no lugar de Forlán não ajudou muito. Até porque o ganês teve que atuar bem mais avançado do que o habitual. Fracassou, é claro.

Taddei mostrou sérios problemas ao jogar improvisado como lateral esquerdo, mas a Inter não conseguiu forçar tanto o jogo por ali. Gasperini optou por Jonathan e o brasileiro acabou se centralizando demais. Lobont não deu segurança alguma ao gol romanista, ainda assim ninguém tentava dividir com ele. Uma Inter sem ideias, com pouco jogo e muitas vaias. O fim da linha está próximo para Gasperini. E ele fez por onde.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , ,