Domingo é dia de história: O pecado da homossexualidade

Perseguido pelo fascismo, Carcano passou 11 anos afastado do futebol
Carlo Carcano passou para a história como um dos treinadores mais importantes do futebol italiano. Pela Juventus, ele venceu a Serie A quatro vezes seguidas – recorde até hoje. Também foi auxiliar técnico de Vittorio Pozzo na Copa do Mundo de 1934, vencida pela Itália. Mas Carcano tinha uma característica inaceitável: era homossexual.
O treinador chegou à Juventus no início da temporada 1930-31. Logo implantou o metodo (esquema tático baseado no 2-3-2-3) e passou a usar a psicologia a seu favor, algo quase inédito. Fez sucesso bem rápido. A história alvinegra de Carcano começou com oito vitórias consecutivas e evoluiu para a série de quatro títulos seguidos, entre 1931 e 1934.
Apesar das vitórias, Carcano era perseguido por causa de sua orientação sexual. Os boatos de que era homossexual eram inaceitáveis para a sociedade da época, dominada pelos ideais de virilidade impostos pelo regime fascista. “Os italianos são muito viris para serem gays”, dizia o mote da política anti-homossexual da Itália de Mussolini.
Em 16 de dezembro de 1934, Carcone foi demitido. A Juventus liderava a Serie A e se encaminhava para a conquista do quinto scudetto consecutivo (que realmente venceria ao fim do campeonato), mas ele foi “afastado por motivos pessoais”. Na prática, os boatos sobre sua homossexualidade eram insistentes demais para serem tolerados pelo fascismo. O técnico deixou o time com 111 vitórias em 161 jogos, 68,9% de aproveitamento dos pontos disputados – marca que só seria superada por Didier Deschamps, em 2007.
O regime fascista caiu de vez em 1945, com a captura de Mussolini. Não é coincidência que só depois disso é que Carcano tenha voltado a treinar. Foram duas passagens pela Inter, uma pela Fiorentina e uma pela Atalanta – e quatro demissões após maus resultados. Em 1949, como diretor técnico, ele voltou à Alessandria que havia o lançado ao futebol, mas foi rebaixado para a terceira divisão. Desconsolado, abandonou o futebol profissional. Carcano morreu em 1965, aos 74 anos.
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