Para começar 2012 com os dois pés no otimismo, o Show da Virada (SdV) do Tripletta versará sobre o que os times da capital italiana têm realizado na temporada. É raro, mas tanto os torcedores da Roma quanto os da Lazio estão felizes. Entenda por quê:
Lazio (4º lugar, 30 pontos, 24 gols marcados e 13 sofridos em 16 jogos)

Miroslav Klose
Até poucos meses atrás, Reja era persona non grata para boa parte da torcida da Lazio. Depois de quatro ou cinco rodadas, o treinador teria inclusive chegado a entregar o cargo, sem sucesso. Renasceu. Montou o melhor time possível com o que tinha em mãos e alcançou até a vice-liderança da Serie A. Agora na quarta posição, a Lazio inspira confiança e tem um jogo mais estável do que o do ano passado, quando quase conseguiu uma vaga na Liga dos Campeões.
A experiência que os novos reforços trouxeram mostrou-se fundamental. O destaque é o alemão Klose, que chegou de graça, cercado de desconfiança, e logo se tornou o dono do time. Já marcou oito gols (seis deles fora de casa) e decidiu o dérbi de Roma. Cissé, mesmo com uma infindável seca de gols, também faz boa temporada – até lembrando um pouco o papel de Robinho no Milan. E o lado esquerdo do time se tornou outro com o bósnio Lulic, uma espécie de Kolarov mais avançado.
Quem destoa é Hernanes. Com o brasileiro em má fase técnica e física, o meio-campo perdeu em imprevisibilidade. Os passes decisivos se tornaram passes insossos e a maioria dos dribles é inútil. Se está mais fácil de ser marcado, ao menos o meio celeste ganhou em consistência com a entrada do uruguaio González, ótimo cão de guarda. Merece parabéns o fair play laziale: o time não teve ninguém expulso, recebeu só 25 amarelos e é o mais disciplinado do campeonato.
Roma (7º lugar, 24 pontos, 21 gols marcados e 19 sofridos em 16 jogos)

Daniele De Rossi
Pelo segundo ano seguido, a Roma está atrás da Lazio. Ainda assim, seu torcedor terminou o ano alegre. Fácil explicar: as vitórias nas duas últimas rodadas de 2011 elevaram o moral e fizeram renascer as esperanças sobre o planejamento de longo prazo pelo qual a equipe tem passado. O começo tortuoso era esperado por parte de um time que contratou dez jogadores e perdeu outros doze, mas a dificuldade de Luis Enrique em manter uma base titular atrapalhou ainda mais.
Apesar de ser cabeça dura, Luis Enrique não é bobo e conseguiu adaptar seu estilo de jogo ao elenco que possui. O 4-3-3 virou uma espécie de 4-3-1-2 com muita liberdade para seu armador – e, assim, Totti aceitou voltar a jogar recuado. O camisa 10 ainda não marcou gols no campeonato, mas continua desequilibrando partidas e dando ótimos passes. Para um time recém-montado, alguns números da Roma chamam bastante atenção. É a equipe com mais tempo de posse de bola em jogos fora de casa (média de 58,3% por jogo) e a segunda que mais acerta passes (84,9%). Boa parte dos méritos fica com De Rossi, que está na melhor fase da carreira e tem jogado bem até como zagueiro.
Para subir na tabela, porém, a Roma terá que ser mais eficiente. Os números de posse de bola impressionam, mas o time é o que menos desarma no campeonato (média de 19,1 por jogo) e o segundo que menos faz faltas (12,8). A Roma enrola para agir e tem muita dificuldade em recuperar a bola quando a perde. O que deixa o time de cabeça quente – dos 33 cartões recebidos até agora pelo elenco, cinco foram vermelhos, um número absurdo. Pjanic, Osvaldo, Stekelenburg e Heinze já mostraram a que vieram. Lamela, José Ángel e Gago estão no caminho. Se Bojan e Kjaer vingarem, a temporada estará bem encaminhada.
E amanhã…
Que tal uma passada pelo litoral toscano? Só três pontos separam Fiorentina e Siena, na tabela, mas quem vem atrás está mais feliz.