
Thiago Silva, o herdeiro predileto de Maldini
Dos 18 títulos italianos do Milan, seis foram conquistados com brasileiros em campo. Em 1959, José Altafini abriu a porteira e também venceu três anos depois, este na companhia de Dino Sani. Em 1968, foi a vez de Sormani ser campeão. Depois, o rubro-negro e o verde-e-amarelo só voltaram a se unir em 1999, quando André Cruz e Leonardo levaram o scudetto.
Agora, são 13 jogadores brasileiros que venceram a Serie A com o Milan: Thiago Silva, Alexandre Pato, Robinho e até Ronaldinho entraram na lista. Com exceção de André Cruz e do atual camisa 10 do Flamengo todos foram importantíssimos – jogaram ao menos metade dos jogos do Milan no torneio.
Berlusconi é um amante declarado dos jogadores daqui. Quando Lula visitou a Itália, em 2008, o primeiro-ministro fez com que os atletas brasileiros do Milan o visitassem na residência oficial. Demorou a concordar com a liberação de Ronaldinho, “o melhor jogador do mundo, não o trocaria por ninguém”. Depois do título deste fim de semana, prometeu contratar mais brasileiros, “campeões como Thiago Silva e Pato”.
Normal que o Milan “venha pescar no Brasil”, como dizem os jornalistas de lá. É muito mais fácil tirar um jogador dos times daqui. Juntos, Fluminense e Internacional ganharam 32 milhões de euros por Thiago Silva e Pato. Quase os 30,5 milhões que a Juventus pagou por Bonucci e Quagliarella, e menos que os 37,5 milhões da Internazionale por Ranocchia e Pazzini.
País de cultura latina, dá pra dizer que a Itália é o país mais similar ao Brasil, entre os grandes centros de futebol. Desde a culinária até o hábito da conversa alta, é normal que o jogador daqui tenha maior facilidade de adaptação por lá. No Milan, fica ainda mais fácil. Em entrevista ao iG, Thiago Silva disse que os brasileiros “são muito bem vistos entre jogadores, diretoria e a torcida”, por sempre terem feito parte da história do clube. Com esse clima, não é difícil sentir-se em casa e mostrar o melhor futebol.
Que o diga Robinho, brasileiro mais vitorioso nesta empreitada. Depois de sair pela porta dos fundos do Manchester City e fazer um início de 2010 turbinado no Santos, muitos diziam que o rei das pedaladas teria na Itália sua última oportunidade em um grande time europeu. Não foram poucos os detratores que diziam que era uma aposta destinada ao fracasso, mas ele os venceu. Desde que Allegri optou por apenas dois atacantes, Robinho ganhou espaço: jogou de centroavante, caiu pelos lados, fechou em diagonal e até fechou o losango do meio-campo, como armador.

Pato e Robinho, surpresas mais que positivas
Agora experiente, Robinho parece ter aprendido bastante com Dorival Júnior antes de seguir para a Europa. Mais consistente do que era em seus bons tempos de Real Madrid, se tornou um jogador disponível, taticamente obediente e bastante versátil. Apesar de ter perdido caminhões de gols durante as rodadas, criou inúmeras jogadas de perigo e mostrou ótimo entrosamento tanto com Ibrahimovic quanto com Alexandre Pato.
Pato, aliás, foi o atacante fundamental. Sim, mais do que Ibrahimovic. Aos 21 anos, marcou o mesmo número de vezes que o sueco, sem cobrar pênaltis ou faltas. Acima de tudo, marcou nas partidas decisivas. Foi dele o primeiro gol do Milan no campeonato, na estreia contra o Lecce, e foi ele o melhor em campo nas goleadas por 3 a 0 sobre Napoli e Inter. Ele sofreu com lesões, realmente. Mas, na hora H, conseguiu deixar sua marca.
A onipresença atende pelo nome de Thiago Silva, melhor jogador do Milan na campanha do título. Ágil, leal, bom na marcação, no desarme e na antecipação, virou a referência da defesa e foi comparado a Maldini pelo próprio Maldini. Em 31 jogos disputados, cometeu 25 faltas e levou só um cartão amarelo. Ano passado, Thiago sofria quando Nesta não estava em campo. Desta vez, foi ele o farol de Alexandria da defesa. Com sobras, Thiago Silva foi o melhor desta torre de Babel que é o Milan com jogadores de 16 países diferentes.