Pela porta dos fundos

Inter encerrou a campanha na Liga dos Campeões como pior defesa do torneio: foram 21 gols sofridos
Por compromissos profissionais, não pude assistir à queda definitiva da Inter para o Schalke 04, com mais uma derrota na Liga dos Campeões. Passo a palavra a quem pôde acompanhar de perto, Nelson Oliveira, editor do Quattro Tratti:
O roteiro já estava escrito e necessitava apenas de uma revisão para cortar excessos e acrescentar uma ou outra linha. Apagar tudo o que havia escrito e começar uma nova história, ainda que baseada na antiga, dependeria da Inter. Porém, a vontade e a confiança de virar o resultado negativo da semana passada parece ter ficado apenas no discurso. A boa organização defensiva do Schalke 04 logo calou o pequeno ímpeto interista, demonstrado só em alguns momentos da primeira etapa. No final, a vitória por 2 a 1 da equipe alemã foi mais que merecida.
Claramente cansado, o time de Leonardo quase não testou Neuer. A única vez que o goleiro teve trabalho foi em um chute forte de Stankovic, ainda no primeiro tempo. No mais, teve apenas de subir para defender os muitos cruzamentos da Inter, que não conseguia verticalizar seu jogo, tanto pelo bom entrosamento de Metzelder e Höwedes quanto pela partida apagadíssima de Sneijder, que chegou a ser substituído no fim do segundo tempo.
Leonardo voltou a ter responsabilidade pelo resultado. Depois de, no último sábado, acenar com a volta de Cambiasso ao vértice baixo do meio-campo nerazzurro, o técnico barrou o argentino e preferiu que Thiago Motta exercesse a função, por passar melhor a bola. O resultado? Com ou sem Stankovic em campo (o sérvio foi substituído no intervalo para a entrada de um nulo Pandev), Motta não apoiou o ataque e esteve mal posicionado no lance dos dois gols dos azuis-reais.

Fisicamente esgotado e pouco lúcido, Eto'o esteve longe do jogador decisivo que foi na primeira fase do torneio
O posicionamento da defesa continua sem correção. Sempre em linha, sofreu com Raúl, que se infiltrou por ela no primeiro gol sem a companhia de Lúcio para marcar seu gol e assistir para o de Höwedes. Com os gols da noite de hoje, a Beneamata chegou aos 21 sofridos – nove sob o comando de Leonardo – e fechou a participação na LC com a pior defesa do torneio. Com José Mourinho, o retrospecto era diametralmente oposto: apenas nove gols sofridos em treze partidas fizeram a Inter vencer o torneio no posto de melhor defesa.
Hoje, a Inter tem apenas dois motivos para se consolar: o primeiro é que, depois das semifinais da Coppa Italia, o time jogará apenas uma vez por semana e os jogadores poderão se recuperar com mais eficiência. O outro aspecto é que, mais uma vez, o melhor em campo pela equipe voltou a ser Nagatomo, talvez por estar em melhor condicionamento físico. O japonês fez a segunda partida consecutiva no lugar a Chivu e em ambas foi melhor do que o titular,. Mais um dado que Leonardo deve anotar, na tentativa de diminuir os espaços de sua defesa, ainda que na reta final da temporada – quando já pode ser tarde demais.