No último episódio do Show da Virada (SdV) do Tripletta, os times solitários serão assunto. No Friuli, só dá Udinese. Na Ligúria, sobrou apenas o Genoa. E no Vêneto, o minúsculo Chievo continua representando o nome de Verona. Com o trio, fechamos a conta e passamos a régua:
Udinese (3º lugar, 32 pontos, 20 gols marcados e 9 sofridos em 16 jogos)

Antonio Di Natale
Vinho, seu nome é Antonio Di Natale. Aos 34 anos, o camisa 10 continua decisivo. Ele marcou gols em nove partidas diferentes da Serie A e a Udinese venceu oito delas. Na Liga Europa, onde Guidolin poupou as forças do time friulano, Di Natale fez dois jogos e dois gols. Frequentemente isolado no ataque de seu time, o artilheiro tomou as rédeas. Jogador que mais finaliza no campeonato (2,8 por jogo, em média), Di Natale fez metade dos gols de um time provinciano que está a dois pontos dos líderes.
A temporada tem mostrado que a Udinese é o melhor canteiro italiano para fazer um jovem crescer. Nenhuma compra histórica foi feita para substituir os até então insubstituíveis Zapata, Inler e Sánchez, vendidos em julho, mas Guidolin conseguiu se virar com contratações baratas e jogadores que estavam dentro do próprio elenco. Badu é o melhor exemplo. Em 2010-11, jogou 90 minutos apenas na última rodada. No campeonato atual, virou titular absoluto.
A tranquilidade no Friuli transformou até Pinzi em ídolo. Mais recuado do que nos últimos anos, o camisa 66 se tornou o motorzinho do meio-campo da Udinese. É o segundo que mais desarma na Serie A (4,9 desarmes por jogo) e completa boa parte dos passes que tenta. Um cuidado especial deverá ser tomado durante a disputa da Copa Africana de Nações, que vai até metade de fevereiro. A Udinese perderá os titulares Badu, Asamoah e Benatia. Somente um dos meias foi substituído, com a chegada de Gelson Fernandes.
Genoa (10º lugar, 21 pontos, 19 gols marcados e 24 sofridos em 16 jogos)

Sébastien Frey
A pretensa revolução no estádio Luigi Ferraris fracassou, mais uma vez. Dos 14 contratados, só um vingou até agora: o goleiro Frey, responsável direto pela situação ainda razoavelmente confortável do Genoa na tabela. Seguro sem ser espetacular, o goleiro tem salvado a retaguarda das pixotadas de Moretti, Dainelli e Kaladze – o georgiano, aliás, passou quatro das 16 rodadas até agora suspenso.
Além de Frey, há um recém-chegado que pode usar o returno para se firmar. O habilidoso chileno Jorquera muda a cara do time quando entra no segundo tempo, mas precisa ganhar consistência. De resto, só decepções. Caracciolo, Zé Love e Pratto, juntos, só marcaram dois gols. Constant e Seymour são motivo de piada, no meio-campo. Birsa e Bovo perderam quase todos os jogos do time, por lesão.
2011 terminou com um vexame. Para apagar aquela derrota por 6 x 1 sofrida para o Napoli, o que o presidente Preziosi resolveu fazer? Contratar! Já buscou Gilardino, a preço de ouro, e promete mais chegadas. Marino deverá ter em mãos, no fim de janeiro, um elenco um pouco diferente daquele que tinha Malesani. Do trabalho do recém-demitido, dá para salvar algumas coisas, como o aproveitamento ideal de Palacio, autor de seis gols e cinco assistências em 12 jogos, e a ressurreição de Miguel Veloso, que finalmente mostrou ter valdio o investimento para tirá-lo de Lisboa.
Chievo (12º lugar, 20 pontos, 13 gols marcados e 18 sofridos em 16 jogos)

Përparim Hetemaj
Os anos passam e o Chievo vai ficando. Depois de perder Marcolini, Mantovani e Constant e não contratar sequer um jogador com experiência razoável na Serie A, este blogueiro apostou que os burros alados não resistiriam na primeira divisão. Mas Di Carlo voltou para casa e arrumou a sala e a cozinha. O Chievo continua com seu jogo chato e eficiente: ótima defesa, péssimo ataque e um lugarzinho no meio da tabela, sem nem passar pela zona de rebaixamento.
Os números não são bons. O Chievo é o time que menos acerta passes no campeonato. Com 73% de aproveitamento no quesito, falha aproximadamente uma vez a cada quatro tentativas – o que explica parcialmente porque a equipe tem em média 44,4% de posse de bola por jogo e é o time que mais desarma na Serie A (26,3 vezes por partida). Hetemaj é o rei do meio-campo clivense. Ele chegou do Brescia sob desconfiança e se tornou titular absoluto. É o jogador do campeonato que mais acerta desarmes (5,5).
Di Carlo recuperou ao mundo dos vivos o brasileiro Luciano, que não jogava bem há meses. Desde a lesão de Rigoni, ele forma com Hetemaj e Bradley um trio de meio-campo complicado de ser ultrapassado. Na ligação, depois de testar Sammarco e Cruzado sem bons resultados, o treinador encontrou em Théréau uma ótima e inesperada opção nas últimas rodadas. Quem decepciona é o capitão Pellissier, que só marcou três gols até o fim de 2011. Na temporada passada, havia virado o ano com seis tentos.