Inter e Lazio terão fôlego para tirar um time entre Juventus, Milan e Udinese da zona de classificação para a Liga dos Campeões. Quem vencer a partida deste domingo (22/1), pela última rodada do primeiro turno do Campeonato Italiano, ficará bem na fita. Dê uma olhada na tabela para ver a situação dos dois times!
No último encontro entre Inter e Lazio, em abril, Júlio César foi expulso e Eto'o decidiu
O time de Claudio Ranieri vem de sete vitórias consecutivas, levando em consideração Serie A e Coppa Italia, portanto não dá para não ser considerado favorito. Mas o problema de sequências vitoriosas é que, um dia, elas simplesmente vão pelo ralo.
E a Lazio é uma boa candidata para derrubar a Inter. Os comandados de Edy Reja são aqueles que têm conseguido a melhor campanha do campeonato jogando fora de casa: são cinco vitórias em oito partidas.
Inter? Lazio? Dê seu palpite no bolão do Tripletta, clica no link aí! Quem vencê-lo, como eu já escrevi algumas dezenas de vezes, leva para casa uma bela réplica da camisa do Genoa campeão ao 1915, oferecimento da parceira Liga Retrô. Já apostou?
Saiba o que vai passar na TV, veja a classificação e faça suas apostas:
Programação da TV Sábado, 21/1
às 17h45, Atalanta x Juventus – ESPN HD e RedeTV!
Domingo, 22/1
às 12h, Novara x Milan – ESPN Brasil, ESPN HD e RedeTV!
às 17h45, Inter x Lazio – ESPN Brasil e SporTV2 *A Rai ainda não atualizou sua programação em 2012, mas deve transmitir Roma x Cesena (sábado, às 15h) e Bologna x Parma (domingo, às 9h30)
O Tripletta aposta (valendo a camisa ao lado)
Roma 2 x 0 Cesena
Atalanta 1 x 2 Juventus
Bologna 1 x 1 Parma
Cagliari 1 x 0 Fiorentina
Lecce 0 x 0 Chievo
Novara 0 x 3 Milan
Palermo 1 x 2 Genoa
Siena 0 x 1 Napoli
Udinese 2 x 0 Catania
Inter 2 x 0 Lazio
“Ainda temos muito a trabalhar”, tergiversou o treinador da Inter, Claudio Ranieri, depois da derrota para o Catania. O rival atuou bastante recuado e deu espaço para que a Inter fizesse seu jogo. Enquanto o time de Milão jogou bem, fez só um gol. No segundo tempo, a turma siciliana virou a partida e poderia ter ampliado. Algo que tem sido típico: é a sexta derrota da Inter na temporada. A cada três partidas, o time perde duas – e leva seis gols.
Aproveita a chuva, Ranieri. Acredite, não vai adiantar nada se esquentar...
Dependendo dos jogos de domingo, o time de Júlio César, Sneijder, Samuel e Forlán pode voltar à zona de rebaixamento, três rodadas depois de ter saído de lá. O que o quarteto citado tem em comum? Todos estão lesionados, junto de coadjuvantes como Obi e Poli. Esperar que saiam do departamento médico é fundamental para que a Inter volte a disputar o título.
Para sair da luta contra o rebaixamento, porém, o que Ranieri tem em mãos é suficiente. “Estamos falando de outra derrota e de tantos gols sofridos. Devemos mudar a mentalidade”, resumiu o capitão Zanetti. Chama atenção a dificuldade que a Inter tem encontrado para reagir dentro das partidas. As vitórias em Bologna e Moscou são apenas um ponto fora da curva? Ou mostram uma evolução esquecida contra o Catania, que venceu a Inter mesmo com Legrottaglie no sacrifício e Izco improvisado na lateral?
Trabalhar, mudar a cabeça… “Reencontrar a lucidez”, completou Cambiasso. Afinal, a vida do interista não ficará mais fácil. Nas próximas rodadas, em apenas oito dias, a Inter jogará contra o Chievo, que já foi pedra no sapato durante a pré-temporada, a ascendente Atalanta e a Juventus. Mesmo que os resultados não apareçam, é bom continuar de cabeça fria. Em momentos de pânico, ideias mirabolantes parecem soluções viáveis e aquele sussurro sobre um retorno de Eto’o por apenas dois meses pode ficar um pouco mais alto. E recaídas nunca são muito interessantes.
Depois das paradas para os jogos da Liga dos Campeões e da Liga Europa, a Serie A está de volta. Neste fim de semana, teremos a terceira rodada do campeonato – que na verdade é a segunda.
A rodada terá dois jogaços. Napoli e Milan, que conseguiram bons resultados na Liga dos Campeões, se enfrentarão no domingo. No sábado, a Inter receberá a Roma em uma partida tensa, que pode marcar a despedida do treinador que sair derrotado. E nosso bolão, valendo uma camisa retrô do Genoa (oferecimento da parceira Liga Retrô), também vai bombar. O Rodrigo Antonelli é quem mais pontuou na primeira rodada, mas será que vai aguentar tanta gente no cangote?
Na última vez em que a Inter recebeu a Roma, Eto'o marcou e Leonardo comemorou. Bons tempos?
Além das duas partidas que dispensam comentários, a TV ofertará boas opções para quem curte o Italianão. Cagliari e Novara, que abrirão a rodada tentando confirmar a boa imagem que causaram nas estreias, devem começar com os brasileiros Thiago Ribeiro e Jeda no banco.
No domingo, quem acordar a tempo de assistir a Atalanta x Palermo deve ver uma partida emocionante – apesar do horário terrível. A dona da casa tem que descontar os cinco pontos abaixo de zero e os visitantes podem garantir o jovem Mangia no comando palermitano, caso o time não seja batido.
Em um horário mais ortodoxo, a Juventus terá de confirmar no campo do Siena a ótima impressão da rodada passada. Se golear outra vez – o que não é difícil, pelos precedentes do confronto, – a “nova senhora” se credenciará, de vez, a lutar pelo título.
Programação da TV Sábado, 17/9
às 13h, Cagliari x Novara – ESPN HD e Rai
às 15h45, Inter x Roma – ESPN Brasil, SporTV2, RedeTV! e Rai
Domingo, 18/9
às 7h30, Atalanta x Palermo – Rai
às 10h, Siena x Juventus – ESPN e Rai
às 10h, Lazio x Genoa – RedeTV!
às 15h45, Napoli x Milan – ESPN, ESPN HD e Rai
O Tripletta aposta (valendo a camisa ao lado!)
Cagliari 1×0 Novara
Inter 1×2 Roma
Atalanta 1×1 Palermo
Bologna 2×0 Lecce
Catania 0×1 Cesena
Lazio 3×1 Genoa
Parma 0×0 Chievo
Siena 0×2 Juventus
Udinese 2×1 Fiorentina
Napoli 1×1 Milan
Mesmo em Pequim, na final da Supercoppa, o Milan que terminou o ano dominando a Itália manteve o posto. No terceiro dérbi de Allegri desde que assumiu a equipe, o treinador toscano conseguiu a terceira vitória. Gasperini, em seu primeiro, teve problemas maiores ao mudar demais um time que dominava o rival facilmente. Fez substituições ruins, desmontou o esquema de três zagueiros e saiu derrotado.
As notas
MILAN
Abbiati, 5,5 – só precisou fazer uma defesa, mas levou o gol de falta de Sneijder
Abate, 5,5 – sofreu demais na marcação, porém foi decisivo no gol da vitória
Nesta, 6 – no segundo tempo, se recuperou das incertezas
Thiago Silva, 7 – anulou Eto’o em todas as chances e coordenou a defesa
Zambrotta, 5 – alguém viu em campo?
Gattuso, 5,5 – poderia ter sido expulso pelo menos duas vezes
Ambrosini (aos 30′ do 2º tempo), sem nota
van Bommel, 6 – venceu o confronto com Sneijder
Seedorf, 7 – grande segundo tempo, com o passe para o gol de empate
Boateng, 6,5 – mesmo muito mal fisicamente, marcou o gol do jogo
Emanuelson (aos 36′/2ºt), sem nota
Robinho, 6 – os gols perdidos continuam no repertório
Pato (aos 16′/2ºt), 6,5 – em meia hora, deixou sua marca Ibrahimovic, 7,5 – decisivo desde o começo da temporada
INTER
Júlio César, 5 – não faz defesa alguma e não é completamente isento de culpa nos dois gols
Ranocchia, 5,5 – ainda parece perdido nos esquemas de Gasperini
Samuel, 6 – o melhor da defesa a três, líder que a mantém de pé
Chivu, 5 – tudo passou pelo romeno. Tutto da rivedere, diriam os italianos
Zanetti, 5,5 – mesmo sem treinamentos antes do jogo, consegue defender bem
Motta, 5 – no segundo tempo, apareceu só para chutar Thiago Silva
Stankovic, 5,5 – o sérvio se recuperou de última hora, mas não conseguiu aguentar o segundo tempo
Pazzini (aos 29′/2ºt), 6 – entrou tarde demais Álvarez, 6 – melhor jogador da Inter, inacreditável ter sido substituído
Faraoni (aos 18′/2ºt), 6 – grandes qualidades, mas não suficientes para virar o jogo sozinho
Obi, 6 – venceu o duelo com Abate, mas, depois do intervalo, desapareceu
Castaignos (aos 36′/2ºt), sem nota
Sneijder, 6 – muito nervoso, se limitou ao gol de falta e a alguns bons passes
Eto’o, 5,5 – se bateu contra um muro chamado Thiago Silva e levou a pior
Na única partida de Grandolfo como titular, o promissor atacante do Bari marcou três gols. Poderia ter começado antes...
Como medir a capacidade de decisão de um atacante? Às vezes, comparar só o número de gols pode ser algo enganoso. Para escolher os grandes artilheiros da temporada, o Tripletta resolveu mostrar quantos minutos cada um deles gasta para fazer um gol – ah, e só um terço dos nove camisas 9 escolhidos realmente envergam este número nas costas.
9. Samuel Eto’o (Inter)
1 gol a cada 141 minutos. Matematicamente, foi a melhor temporada de Eto’o como profissional. O camaronês marcou 37 gols, mas na Serie A foram “apenas” 21. Regular durante boa parte do campeonato, a Inter penou justo quando o rendimento dele caiu. Na única vez em que Eto’o passou quatro jogos em branco, entre a 30ª e a 33ª rodadas, o time de Leonardo conseguiu vencer apenas duas vezes e deu tchau ao scudetto.
8. Fabrizio Miccoli (Palermo)
1 gol a cada 134 minutos. Lesionado no início da temporada, Miccoli só pôde estrar na 10ª rodada. A partir daí, sofreu para se manter fisicamente inteiro: fez apenas duas partidas completas. Dos nove gols que o baixinho marcou, alguns em momentos importantes, contra a Juventus e a Roma, mostraram que ele segue com o faro apurado. Não deve continuar no Palermo.
7. Libor Kozák (Lazio)
1 gol a cada 126 minutos. Amuleto da Lazio, o jovem tcheco fez sucesso: no início da temporada, marcou gols fundamentais para vitórias contra a Fiorentina e a Sampdoria, sempre entrando no finalzinho. No primeiro jogo como titular, já no returno, repetiu a dose em cima da Fiorentina: 2 a 0 com gols dele. Kozák ainda marcaria mais dois gols de bom augúrio. Sempre que ele foi às redes, a Lazio saiu de campo vitoriosa. Veja os gols neste vídeo:
6. Alexandre Pato (Milan)
1 gol a cada 114 minutos. Ibrahimovic, Robinho e Pato marcaram, cada um, 14 gols na campanha do título do Milan. O genro de Silvio Berlusconi foi o mais prolífico, pois fez seus golzinhos em menos oportunidades que os “rivais”. E, entre eles, Pato foi o mais pé quente. Dividiu seus gols em dez jogos e o Milan não perdeu nenhum destes: dois empates e oito vitórias.
5. Edinson Cavani (Napoli)
1 gol a cada 112 minutos. Não fosse a suspensão que o tirou dos últimos dois jogos da temporada, talvez Cavani pudesse ter alcançado Di Natale na tabela de artilheiros. Mesmo assim, o número de Cavani é impressionante e o uruguaio se tornou o maior artilheiro do Napoli em uma só edição da Serie A. Ah, e foram três triplette durante o torneio: três gols contra Juventus, Lazio e Sampdoria.
4. Antonio Di Natale (Udinese)
1 gol a cada 105 minutos. O artilheiro da Serie A atingiu uma média de quase um gol por jogo. Pudera: só na sequência de 13 jogos de invencibilidade da Udinese, o capitão marcou 15 vezes. No total, 28 gols foram marcados, para não falar das quatro assistências. No vídeo abaixo, estão todos os gols de Totò no campeonato:
3. Mauro Boselli (Genoa)
1 gol a cada 92 minutos. O artilheiro da Libertadores ‘09 parece não emplacar na Europa: não conseguiu ser titular no Málaga, no Wigan e nem no Genoa. Contratado em janeiro pelo Grifone, ele logo se machucou e levou quase dois meses para estrear. Com poucas oportunidades e quase sempre sem sair do banco, a melhor oportunidade do argentino foi contra a Sampdoria. Ele marcou o gol da vitória aos 51 minutos do segundo tempo, praticamente rebaixou a rival e se transformou em ídolo.
2. Filippo Inzaghi (Milan)
1 gol a cada 91 minutos. O eterno camisa 9 jogou pouco, mas mostrou que o faro de gol continua intacto. Na Serie A, foram só cinco partidas antes da operação no joelho que o tirou de quase toda a temporada – ele só voltou nos minutos finais da penúltima rodada, para comemorar o título. Mesmo sumido, ainda marcou duas vezes. E vale lembrar que ele também foi importante na Liga dos Campeões: na meia hora que jogou contra o Real Madrid, fez os gols milanistas do empate em 2 a 2.
1. Francesco Grandolfo (Bari)
1 gol a cada 39 minutos. O garoto de 18 anos, que só conseguiu ser titular na última rodada, foi o atacante de melhor média em todo o campeonato e deixou um gostinho de “quero mais”. Grandolfo fez uma grande temporada pelo time sub-20 do Bari, ao marcar 16 gols em 23 jogos. Na única chance como titular no profissional, fez três gols. Até para um canhoto, ele começou com o pé direito.
Inter encerrou a campanha na Liga dos Campeões como pior defesa do torneio: foram 21 gols sofridos
Por compromissos profissionais, não pude assistir à queda definitiva da Inter para o Schalke 04, com mais uma derrota na Liga dos Campeões. Passo a palavra a quem pôde acompanhar de perto, Nelson Oliveira, editor do Quattro Tratti:
O roteiro já estava escrito e necessitava apenas de uma revisão para cortar excessos e acrescentar uma ou outra linha. Apagar tudo o que havia escrito e começar uma nova história, ainda que baseada na antiga, dependeria da Inter. Porém, a vontade e a confiança de virar o resultado negativo da semana passada parece ter ficado apenas no discurso. A boa organização defensiva do Schalke 04 logo calou o pequeno ímpeto interista, demonstrado só em alguns momentos da primeira etapa. No final, a vitória por 2 a 1 da equipe alemã foi mais que merecida.
Claramente cansado, o time de Leonardo quase não testou Neuer. A única vez que o goleiro teve trabalho foi em um chute forte de Stankovic, ainda no primeiro tempo. No mais, teve apenas de subir para defender os muitos cruzamentos da Inter, que não conseguia verticalizar seu jogo, tanto pelo bom entrosamento de Metzelder e Höwedes quanto pela partida apagadíssima de Sneijder, que chegou a ser substituído no fim do segundo tempo.
Leonardo voltou a ter responsabilidade pelo resultado. Depois de, no último sábado, acenar com a volta de Cambiasso ao vértice baixo do meio-campo nerazzurro, o técnico barrou o argentino e preferiu que Thiago Motta exercesse a função, por passar melhor a bola. O resultado? Com ou sem Stankovic em campo (o sérvio foi substituído no intervalo para a entrada de um nulo Pandev), Motta não apoiou o ataque e esteve mal posicionado no lance dos dois gols dos azuis-reais.
Fisicamente esgotado e pouco lúcido, Eto'o esteve longe do jogador decisivo que foi na primeira fase do torneio
O posicionamento da defesa continua sem correção. Sempre em linha, sofreu com Raúl, que se infiltrou por ela no primeiro gol sem a companhia de Lúcio para marcar seu gol e assistir para o de Höwedes. Com os gols da noite de hoje, a Beneamata chegou aos 21 sofridos – nove sob o comando de Leonardo – e fechou a participação na LC com a pior defesa do torneio. Com José Mourinho, o retrospecto era diametralmente oposto: apenas nove gols sofridos em treze partidas fizeram a Inter vencer o torneio no posto de melhor defesa.
Hoje, a Inter tem apenas dois motivos para se consolar: o primeiro é que, depois das semifinais da Coppa Italia, o time jogará apenas uma vez por semana e os jogadores poderão se recuperar com mais eficiência. O outro aspecto é que, mais uma vez, o melhor em campo pela equipe voltou a ser Nagatomo, talvez por estar em melhor condicionamento físico. O japonês fez a segunda partida consecutiva no lugar a Chivu e em ambas foi melhor do que o titular,. Mais um dado que Leonardo deve anotar, na tentativa de diminuir os espaços de sua defesa, ainda que na reta final da temporada – quando já pode ser tarde demais.
Decisivos até pouco tempo atrás, Sneijder e Eto'o tiveram atuação fantasmagórica contra o Schalke
Difícil que, depois da goleada sofrida para o Schalke 04, algum torcedor da Inter admita que ficou animado com o sorteio que colocou os times frente a frente nas quartas-de-final da Liga dos Campeões.
Açoitada por Raúl, Edu e companhia, a Inter conseguiu passar por um vexame ainda maior do que a derrota para o Milan. Desta vez, todo o San Siro era nerazzurro e o time ainda abriu o placar, com um chute de Stankovic a 50 metros do gol. O 5 a 2 final ficou barato, depois do show alemão no segundo tempo.
Sobre o lado vitorioso, você lê no Blog do Alemão. Aqui, ficaremos só com o irreversível vexame da atual defensora do título europeu. Sim, irreversível. Esperar que Pandev volte a fazer milagres, em um 4 a 0 em Gelsenkirchen, é demais.
Antagonista no dérbi de Milão, o Judas Leonardo voltou a pecar. Repetiu a defesa que naufragou três dias antes, talvez achando que bastasse escalar outro meio-campista para segurar o adversário. Longe disso. A expulsão de Chivu depois do quarto gol foi só mais um episódio lamentável na noite do romeno, pior em campo, o que fez Ranocchia se desdobrar para (não) dar conta da marcação – nem Maicon ajudava. Antes do fim, o jovem zagueiro ainda falharia duas vezes.
Na frente, imperou a desordem. O 4-3-1-2 foi ressuscitado com um sério problema: Sneijder fez sua pior partida da temporada. Responsável pela ligação entre meio e ataque, foi pouco ajudado por Kharja e Thiago Motta. Mesmo Eto’o, que até se vira bem sozinho, teve uma participação omissa e desinteressante. Há sete dias, o sonho era repetir a Tríplice Coroa. Dois vexames depois, mesmo o interista mais animado há de convir que lutar até o fim pelo scudetto já estará ótimo.
Pandev levou o time nas costas e, se preciso fosse, levaria até Luiz Gustavo junto
Pandev não foi o melhor jogador contra o Bayern, longe disso. Fazia um jogo terrível, errava vários passes e, convenhamos, só não foi substituído antes porque Leonardo não tinha opção menos pior no banco. Mas o futebol tem essa coisa de consagrar pessoas inesperadas, como Adriano Gabiru. Foi o que aconteceu.
Faltando cinco minutos para o fim do jogo, Eto’o viu Pandev chegar livre, pela direita, e tocou para ele. O macedônio emendou de primeira e disparou para comemorar com a torcida. O mesmo Pandev que, com menos de cinco minutos de jogo, havia dado o passe para que Eto’o abrisse o placar. Em suas duas únicas boas jogadas na partida, se consagrou. Contra tudo e contra todos, é ele o homem-símbolo da classificação da Inter às quartas-de-final da Liga dos Campeões, única italiana a alcançar a fase.
Super Eto’o Melhor jogador da partida, o camaronês já fez oito gols e deu cinco assistências na Liga dos Campeões. Ou seja, participou de 13 dos 15 gols da Inter no torneio, inclusive os três de hoje. Com todo respeito, mas pensar que foi moeda de troca para que o Barcelona conseguisse Ibrahimovic…
Por centímetros A virada da Inter só foi possível porque o Bayern se cansou de perder gols no primeiro tempo: Júlio César fez um milagre em chute de Ribéry e Ranocchia salvou em cima da linha. O jogo poderia ter ido para o intervalo em 4 a 1. Mas não foi.
Brasil feliz… Philippe Coutinho e Lúcio têm muito o que comemorar. O meia entrou no segundo tempo, se movimentou bastante e deu outro fôlego ao time. O zagueiro se recuperou de última hora de uma lesão muscular e formou com Ranocchia uma zaga absurda, que segurou o tranco no segundo tempo.
…Brasil triste
Pelo lado do Bayern, Breno foi lastimável e Luiz Gustavo foi dominado por Sneijder no segundo tempo. Do lado da Inter, Júlio César cometeu uma falha tétrica no primeiro gol bávaro, Thiago Motta entregou o segundo e Maicon nem atacou nem defendeu. Ao menos os três últimos continuam na disputa.
Do lado de lá
Com foco no lado bávaro, Mário André Monteiro conta a história da partida em seu Blog do Alemão, confiram lá.
Na foto abaixo, uma cena inusitada. Neste fim de semana, Eto’o implorava a uma agente da polícia local para que não fosse multado. Um multa de 38 euros que nem faz cócegas no bolso de um dos jogadores mais bem pagos do mundo. E que há poucos meses comprou uma cobertura de luxo em frente à sede do Milan e a reformou completamente, num custo de 17 milhões de euros.
Ainda assim, Eto’o pediu clemência por ter estacionado seu utilitário em local proibido, na principal avenida de compras de Milão, a via Monte Napoleone. Ele deixou o veículo para pedir um café e, antes de fazer o pedido, foi avisado por um pedestre que estava sendo multado. Eto’o argumentou o carro ficara ali por apenas um minuto. Não adiantou. Vida que segue.
3 em 1: o gol de Ranocchia/Kharja/Canini (contra) definiu a partida
A dupla personalidade da Inter versão 2011 segue a todo vapor. Os nerazzurri fizeram um bom primeiro tempo: marcaram um gol, não sofreram riscos, pouparam o time para a Liga dos Campeões. Depois do intervalo, foram completamente dominados, mas conseguiram se safar bem na primeira vitória por 1 a 0 na gestão de Leonardo.
Tudo bem que o gol, como diriam os italianos, estava “viciado” por um impedimento não marcado de Ranocchia. Mesmo assim, foi suficiente para a nona vitória de Leo em onze jogos disputados na Serie A. E s suficiente para encher de pressão o Milan, que enfrentará o Chievo em Verona com a missão de aumentar a distância para a Inter, que agora é só de dois pontos. As notas do jogo, com os melhores em negrito:
INTER
Júlio César, 6,5 – boas defesas em dois chutes de Lazzari e um de Conti
Maicon, 6 – defendeu bem, atacou pouco e levou um cartão bobo que o suspendeu da próxima partida Ranocchia, 7 – zagueiro frio e calculista, o melhor da Inter ainda levou um gol de presente
Córdoba, 5,5 – sofreu demais para segurar o ímpeto de Nenê e amigos
Nagatomo, 6 – corre muito, muito. Tem melhorado, mas ainda é pouco, pouco Zanetti, 7 – duvide do homem que disser que o argentino já tem 37 anos
Thiago Motta, 5,5 – errou um passe na intermediária que quase valeu o empate rossoblù
Cambiasso (aos 27’st), 6 – a luta de sempre, cheia da categoria habitual
Kharja, 6 – o chute para o gol e pouco mais que isso: ainda erra passes demais em jogadas decisivas
Mariga (33’st), sem nota
Eto’o, 5,5 – causa perigo mesmo se joga mal. Passar direto por Leonardo quando saiu gerou climão
Stankovic (16’st), 5,5 – entrou em um momento tenso da partida e não comprometeu
Pazzini, 5,5 – sofreu a falta que originou o gol e se degladiou com Astori, nada mais que isso
Pandev, 5 – antes do intervalo, tentou chamar o jogo para si. Depois, sumiu da partida
Leonardo, 5,5 – arriscou o 4-2-1-3 fracassado em seu Milan, com direito a Eto’o de volta ao lado direito. Com as substituições, acabou cercado pelo Cagliari. A cabeça já estava no Bayern, certamente
CAGLIARI
Agazzi, 6 – uma defesa tranquila no início, depois assistiu à partida Pisano, 7 – fisicamente recuperado, é um dos melhores laterais italianos da atualidade
Canini, 6,5 – discreto como sempre Astori, 7 – anulou Pazzini por conta própria e nem precisou sofrer
Agostini, 6 – venceu o duelo com Maicon, mas errou passes demais no ataque
Biondini, 5,5 – é só cuore e grinta. Isolou uma bola a minutos do fim de jogo Conti, 7 – capitão e melhor em campo. A imagem do time: grande prestação e outra derrota
Lazzari, 6 – só melhorou ao ser adiantado. Não lembra aquele meia que quase foi para o Milan
Cossu, 6 – bom nas bolas paradas, tentou apitar a partida e se esqueceu de jogá-la
Nainggolan (25’st), 6 – entrou calmo e tomou conta do meio-campo, logo retomará o lugar de Biondini
Nenê, 6 – correu por todo campo, chamou o time para o ataque. Quase não finalizou, mas é detalhe
Acquafresca, 4,5 – parece ter sentido a atmosfera de San Siro. Pior em campo, com méritos
Ragatzu (19’st), 6 – veloz, técnico e cheio de personalidade, entrou e apanhou bastante
Donadoni, 6,5 – escalou bem e fez as substituições corretas. Por muito pouco não conseguiu o empate
Luís Araújo é jornalista do iG Esporte. Gosta de escrever e de acompanhar o futebol italiano. Por isso, assume este espaço dedicado ao futebol tetracampeão do mundo. No Twitter, é @luis_araujo_