Dia De História | Futebol Italiano

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domingo, 9 de outubro de 2011 Histórias, Napoli | 11:03

Antes de Maradona, acertaram a trave

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Por algum tempo, domingo foi dia de história aqui no Tripletta. Como hoje não tem jogo, vamos a mais uma. Você sabia que o Napoli esteve bem perto de conquistar o primeiro título italiano, pouco antes da contratação de Maradona?

Ferrario (Panini)

De herói a vilão por uma cabeçada

Na temporada 1980-81, um gol contra acabou separando o time partenopeu daquele que seria seu primeiro scudetto da história. Um San Paolo lotado recebeu o jogo com o Perugia, a cinco rodadas do fim do campeonato. O Napoli liderava a Serie A e o Perugia já estava rebaixado. Mesmo assim, a torcida saiu com um gosto amargo na boca: o capitão Moreno Ferrario acertou uma cabeçada no próprio gol, com menos de dois minutos de jogo, e a partirda terminou em 1×0 para os visitantes.

O golpe foi fulminante: nos quatro jogos seguintes, o Napoli perdeu dois e só venceu um. De líder, caiu para a terceira posição. Uma maldição para o bom time montado por Rino Marchesi, que adiantou o holandês Krol e o viu se tornar um dos destaques daquele campeonato. No gol, Castellini teve uma de suas melhores temporadas, com 21 gols sofridos em 30 jogos.

Com uma ótima defesa, o Napoli pagou o preço de ter um ataque que deixava a desejar nos momentos mais importantes da campanha. Aquele 1981, ainda assim, foi o melhor ano napolitano até então. Se não havia sido campeão daquela vez, então jamais seria, disseram muitos. Mas, se o problema era o ataque, três anos depois surgiu a solução: Maradona, capaz de vencer o scudetto duas vezes.

O vídeo do gol contra:

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , ,

domingo, 15 de maio de 2011 Histórias, Serie A | 07:00

Domingo é dia de história: Corinthians, italiano por um dia

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Foto: LancenetNesta semana, o gerente de marketing do Corinthians confirmou que o clube estreará o terceiro uniforme na segunda rodada do Brasileirão, contra o Coritiba. Ninguém por lá confirma, mas a camisa deverá ser grená, uma homenagem ao Torino que far… mas peraí, por que raios o Torino?

A ligação entre os dois times é quase centenária. Em 15 de agosto de 1914, o Corinthians disputou o primeiro amistoso de sua história justamente contra o Torino, que fazia uma excursão pela América do Sul e bateu o Timão por 3 a 0. A vingança só veio 34 anos depois. Em 21 de julho de 1948, com gols de Baltazar e Colombo, o time do Parque São Jorge venceu o rival italiano por 2 a 1.

Dos treze jogadores que entraram em campo contra o Corinthians, dez morreriam menos de um ano depois: Rigamonti, Mazzola, Menti, Bacigalupo…. Na tarde de 4 de maio de 1949, o avião G.212 que voltava de Lisboa (Portugal) carregando o elenco e a comissão técnica do Torino atingiu a fachada da Basílica de Superga. Todos os tripulantes morreram, pondo fim no time histórico que venceu cinco títulos italianos consecutivos.

Quatro dias depois, o Corinthians “retribuiu” as visitas do Torino ao Brasil. Enfrentou a equipe da Portuguesa com uma camisa grená e o escudo italiano e ofereceu a renda da partida aos familiares dos jogadores vítimas da tragédia de Turim. Foi o Torino por um dia. Desta vez, o grená deve durar até o fim de 2011.

Foto: Gazeta Press

O time que enfrentou a Portuguesa. Em pé: Hélio, Noronha, Edélcio, Baltazar, Servílio e Colombo; Agachados: Rubens, Touguinha, Bino, Belacosa e Belfare

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , ,

domingo, 1 de maio de 2011 Histórias, Juventus | 00:53

Domingo é dia de história: O pecado da homossexualidade

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Carlo Carcano (Foto: Hurrà Juventus)

Perseguido pelo fascismo, Carcano passou 11 anos afastado do futebol

Carlo Carcano passou para a história como um dos treinadores mais importantes do futebol italiano. Pela Juventus, ele venceu a Serie A quatro vezes seguidas – recorde até hoje. Também foi auxiliar técnico de Vittorio Pozzo na Copa do Mundo de 1934, vencida pela Itália. Mas Carcano tinha uma característica inaceitável: era homossexual.

O treinador chegou à Juventus no início da temporada 1930-31. Logo implantou o metodo (esquema tático baseado no 2-3-2-3) e passou a usar a psicologia a seu favor, algo quase inédito. Fez sucesso bem rápido. A história alvinegra de Carcano começou com oito vitórias consecutivas e evoluiu para a série de quatro títulos seguidos, entre 1931 e 1934.

Apesar das vitórias, Carcano era perseguido por causa de sua orientação sexual. Os boatos de que era homossexual eram inaceitáveis para a sociedade da época, dominada pelos ideais de virilidade impostos pelo regime fascista. “Os italianos são muito viris para serem gays”, dizia o mote da política anti-homossexual da Itália de Mussolini.

Em 16 de dezembro de 1934, Carcone foi demitido. A Juventus liderava a Serie A e se encaminhava para a conquista do quinto scudetto consecutivo (que realmente venceria ao fim do campeonato), mas ele foi “afastado por motivos pessoais”. Na prática, os boatos sobre sua homossexualidade eram insistentes demais para serem tolerados pelo fascismo. O técnico deixou o time com 111 vitórias em 161 jogos, 68,9% de aproveitamento dos pontos disputados – marca que só seria superada por Didier Deschamps, em 2007.

O regime fascista caiu de vez em 1945, com a captura de Mussolini. Não é coincidência que só depois disso é que Carcano tenha voltado a treinar. Foram duas passagens pela Inter, uma pela Fiorentina e uma pela Atalanta – e quatro demissões após maus resultados. Em 1949, como diretor técnico, ele voltou à Alessandria que havia o lançado ao futebol, mas foi rebaixado para a terceira divisão. Desconsolado, abandonou o futebol profissional. Carcano morreu em 1965, aos 74 anos.

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Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , ,

domingo, 24 de abril de 2011 Brescia, Histórias | 05:58

Domingo é dia de história: O time dos chocolates

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Jorge Cadete (Foto: Farpas)

Jorge Cadete marcou 68 gols em cinco anos de Sporting. Na Itália, só fez um

Com a derrota para a Sampdoria, o Bari se tornou o primeiro time matematicamente rebaixado para a Serie B. Com 21 pontos em 34 jogos, desde 2006 não havia um lanterna com aproveitamento tão fraco na Serie A, quando o Treviso caiu com cinco rodadas de antecipação. Mas quem levou mesmo chocolate (achou que o Tripletta não faria nenhuma piadinha de Páscoa?) foi o Brescia, uma década antes.

Na temporada 1994-95, o Brescia ganhou apenas dois de seus 34 jogos, nos quais marcou apenas 18 gols – não é coincidência que as vitórias tenham sido obtidas contra Reggiana (vice-lanterna) e Foggia (vice-vice-lanterna). Os rondinelle são, portanto, os donos da pior campanha da história da Serie A.

Difícil é entender o que levou o time a uma campanha tão desastrosa. Comandado pelo romeno Mircea Lucescu, o recém-promovido Brescia havia sido o melhor ataque da Serie B. Não à toa, perdeu Hagi e Lerda, as duas referências ofensivas. Para substituí-los, o presidente Luigi Corioni fechou com os experientes Borgonovo e Nappi e bateu a concorrência para levar o português Jorge Cadete, em litígio com o Sporting. Eles teriam a companhia de Maurizio Neri, autor de dez gols na temporada anterior.

O destino ainda foi irônico e deu ao Brescia um início promissor, com um empate com a Juventus na primeira rodada e outro com a Inter, na terceira. Depois, vieram oito derrotas em onze partidas e não demorou para que o vulcânico Corioni demitisse Lucescu, na 20ª rodada. E a troca, acredite, fez mal ao time. Gigi Maifredi foi contratado e perdeu as cinco partidas que disputou. Adelio Moro foi chamado a oito jogos do fim do campeonato. Foram outras oito derrotas.

Mircea Lucescu (Foto: Reuters)

Badalado no Shakhtar, Lucescu não fez sucesso na Itália: foi rebaixado três vezes em sete anos

Como aquele Brescia conseguiu perder 15 vezes seguidas e ter a média de um gol marcado a cada duas rodadas? O elenco dos rondinelle era melhor que o dos rivais que acabaram rebaixados, mas as falhas individuais comprometeram o campeonato. Principalmente as do goleiro Ballotta, que colecionou falhas antológicas em alguns dos 60 gols que sofreu em uma só temporada.

A equipe tinha Francini e Battistini, ex-jogadores da seleção italiana, além de Corini, Adani e Baronio, que vestiriam azzurro nos anos seguinte, mas de nada adiantaria. O ataque era terrível. Borgonovo e Nappi conseguiram o feito de não marcar um golzinho sequer durante todo o campeonato. Neri foi o artilheiro da equipe, com quatro gols.

Mas o desastre real atendia pelo nome de Jorge Cadete. Em sete meses de Brescia, jogou 13 vezes, fez um gol e saiu “invicto”, sem vencer partida alguma. E ainda virou piada, pois era recebido pelos rivais com o cântico-trocadilho Cadete in B - Caia para a Serie B, em tradução livre.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 17 de abril de 2011 Histórias | 02:45

Domingo é dia de história: Rivalidade marítima

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Estreito de Messina (Foto: Wikimedia)

Do alto de Messina, dá para avistar a colina de Pentimele, em Reggio Calabria

Se o futebol vingou, deve bastante aos clássicos regionais. A rivalidade entre times é o que tempera as competições, afinal de contas. Na Itália, essa nomenclatura não existe: por lá, os clássicos são chamados de dérbis. Dérbi de Gênova, de Milão, de Turim, mas não só. Também existem os confrontos de times de províncias diferentes, como o Dérbi do Sol, entre Roma e Napoli. Nosso tema de hoje é o Dérbi do Estreito, um dos mais charmosos do país.

Messina, no litoral da Sicília, e Reggio Calabria, no litoral calabrês, estão localizadas a menos de 4km de distância, divididas apenas pelo Estreito de Messina (u Strittu, para os moradores de lá). É o “pedaço” de água que liga os mares Jônico e Tirreno. O futebol chegou à região no início do século passado e as equipes passaram a se formar. Talvez cansadas de competirem entre si, alguém teve a ideia de cruzar o estreito para disputar torneios. Na década de 1920, a prática já era comum entre os clubes locais.

É provável que o primeiro dérbi oficial entre os times de Messina e Reggio Calabria tenha sido disputado em abril de 1924, no grupo calabrês-siciliano da segunda divisão nacional. No Estádio Enzo Geraci, de Messina, a US Peloro bateu o Reggio FC por 2 a 1. Na partida de volta, no Estádio Lanterna Rossa, vingança por 3 a 2.

Somente em 23 de dezembro de 1928 aquelas que se tornariam as duas maiores equipes da região se encontraram em uma partida oficial. Era o Campeonato Meridional 1928-29, disputado apenas por equipes do sul italiano. Messina e Reggina empataram por 2 a 2 e deram início à história do Dérbi do Estreito. Desde então, foram 65 encontros, com 26 vitórias do Messina, 23 da Reggina e 16 empates. O artilheiro do confronto é Erminio Bercarich (Reggina), que marcou seis vezes, todas na Serie C.

Di Napoli (Foto: Ansa)

Último ídolo do Messina, Di Napoli marcou em um dérbi de 2006

As dificuldades financeiras das equipes do sul da Itália fizeram com que este se tornasse um clássico de divisões inferiores. A Reggina só disputou a Serie A nove vezes, contra cinco do Messina. Na primeira divisão, a dupla esteve junta por três anos.

Na temporada 2004-05, o Messina foi a grande surpresa do campeonato e terminou na sétima posição, mas no ano seguinte só se livrou do rebaixamento porque a Juventus foi derrubada no escândalo do calciopoli. O último dérbi das equipes foi pela Serie A 2006-07 e a Reggina venceu por 3 a 1 uma partida quente, com gols de Amoruso e Bianchi. O time era comandado por Walter Mazzarri e terminaria o ano milagrosamente salvo do rebaixamento. O Messina não teve a mesma sorte.

Hoje, o Messina disputa a Serie D, quinta divisão nacional, e não tem esperanças de ser promovido nesta temporada. A Reggina está na Serie B e tem lutado para voltar à Serie A. Neste ritmo, o dérbi ainda deve levar alguns anos para voltar a ser disputado. Confira a ficha técnica do último encontro:

Reggina 3-1 Messina
Estádio Oreste Granillo, 18 de abril de 2007
Gols: Bianchi (aos 13′pt), Riganò (pênalti, 26′pt), Amoruso (8’st) e Amoruso (pênalti, 27’st)
Reggina (3-4-2-1): Campagnolo; Aronica, Lucarelli, Lanzaro; Mesto, Amerini, Tedesco, Modesto; Foggia (33’st Tognozzi), Amoruso (43’st Nardini); Bianchi (15’st Vigiani). Treinador: Walter Mazzarri.
Messina (4-4-2): Paoletti; Zanchi, Morello, Iuliano, Giallombardo; Álvarez (27’st Lavecchia), Pestrin, Candela, Masiello (23’st Parisi); Riganò, Bakayoko (23’st Floccari). Treinador: Bruno Giordano.
Árbitro: Nicola Rizzoli (Bolonha).
Cartões amarelos: Iuliano, Riganò, Modesto, Pestrin, Candela e Parisi.
Expulsões: Morello e D’Aversa (estava no banco).

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 10 de abril de 2011 Histórias | 06:20

Domingo é dia de história: O primeiro gol desmascarado

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Gianni Rivera (Foto: Calciopro)

Ídolo milanista durante as décadas de 60 e 70, Gianni Rivera foi a primeira vítima da moviola

A polêmica vitória da Roma sobre a Udinese gerou muita reclamação nas bandas do Friuli. O presidente Giampaolo Pozzo reclamou de um pênalti não-marcado e do gol anulado aos 47 minutos do segundo tempo – segundos depois, Totti desempataria a partida.

As mesas-redondas peninsulares se esbaldaram com o replay dos lances e ainda se esbaldarão nos próximos dias. Na Itália, estes replays são chamados de moviola e representam boa parte dos programas esportivos.

A moviola nasceu em 1967. Ironicamente, por causa de Gianni Rivera, o “garoto de ouro” do Milan, uma espécie de Kaká dos anos 60. Desde então, causa polêmica, divide torcidas e gera tensões.

Em outubro de 1967, em um dérbi com a Internazionale, o Milan marcou o gol de empate em um chutaço de Rivera aos 33 minutos do segundo tempo. O camisa 10 bateu de fora da área, a bola acertou o travessão, quicou perto da linha e foi afastada dali por Burgnich. Tarde demais: o árbitro já havia assinalado o gol rossonero. De nada adiantariam as reclamações.

Mais tarde, a Domenica Sportiva foi ao ar com uma surpresa. Ao vivo, na Rai, Carlo Sassi mostrava para todo o país que a bola não havia cruzado a linha do gol. Foi assim que Rivera tornou-se o autor do primeiro gol “oficialmente” fantasma em terras italianas. Após algumas horas de esforço e muito trabalho, o lance foi exibido em câmera lenta e diversos ângulos em um aparelho usado para fazer montagem cinematográfica, a tal da moviola.

Hoje, o replay é praticamente automático, mas o nome continuou o mesmo. Em 2004, Rivera daria uma entrevista à Gazzetta dello Sport dizendo que a moviola deveria sumir da TV: “Seria melhor se naquele dia a bola tivesse acertado a trave e voltado pro campo. Melhor se não tivessem me dado o gol. Assim talvez isso jamais teria nascido”.

Quarenta e três anos depois, a moviola ainda é protagonista dos programas esportivos, mas não ganhou espaço dentro de campo, onde seria mais útil. Quando provas televisivas são utilizadas, servem apenas para análises em tribunal de lances violentos e nada mais.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , ,

domingo, 27 de março de 2011 Histórias, Roma | 14:29

Domingo é dia de história: Ascensão e queda da Era Sensi

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Franco Sensi e Rosella Sensi (Foto: AS Roma Live)

Pai e filha, Franco e Rosella Sensi comandaram o futebol romanista por 18 anos. Anos de ouro e no vermelho

Após anos de especulações, Thomas DiBenedetto será o novo proprietário da Roma. A venda foi fechada e, nos próximos dias, ele assinará os papéis que o confirmarão como sucessor da família Sensi, no poder desde 1993.

Em maio daquele ano, Franco Sensi e Pietro Mezzaroma compraram a Roma para salvá-la da falência – seis meses depois, só Sensi ficaria no barco. Tornou-se um dos grandes presidentes-torcedores da história do futebol italiano.

Por alguma coincidência do destino, a Era Sensi andou ao lado da Era Totti. O capitão romanista estreou poucas semanas antes que o empresário romano comprasse o time – e vive o eclipsar da carreira enquanto Rosella Sensi está prestes a deixar o cargo. Com o alívio financeiro que veio com aquele que era um dos homens mais ricos do país, a Roma pôde segurar os avanços de Milan, Real Madrid e Chelsea sobre seu camisa 10.

Mas a Era Sensi não foi pautada por sobriedade e profissionalismo. Conduzida pela família com auxílio de amigos próximos, como Pippo Marra, Ciro Di Martino e Cristina Mazzoleni, a Roma consumiu quase todo o patrimônio dos Sensi. O dinheiro serviu para cobrir o rombo que havia e depois para recolocar o time na luta por títulos. Franco Sensi estava sempre na mídia, comprando briga por diversos motivos: a luta com Zeman contra o doping, as guerras contra Moggi e Galliani, a delação de árbitros corruptos.

Maria Sensi (FOTO: AS Roma Live)

Maria Sensi, matriarca da família, tornou-se figura querida entre os torcedores da Roma

Franco Sensi investia, aos poucos, rumo ao sonho do scudetto. E eis que a Lazio venceu o título italiano em 2000. O patriarca romanista enlouqueceu com a conquista e deu carta branca ao diretor esportivo Franco Baldini. Com 120 bilhões de liras (cerca de 62 milhões de euros) na primeira janela de transferências, foram contratados Zébina e Samuel para a defesa, Emerson para o meio-campo e Batistuta para o ataque. Com Fabio Capello no comando, a Roma deu o troco e venceu o título um ano depois.

A festa pelo título levou ao Circo Massimo mais de um milhão de pessoas. Mais gente do que na vitória italiana na Copa do Mundo em 2006. Todos aos pés de Sensi, que colocou dinheiro de torcedor para vencer como presidente.

Financeiramente, o título gerou um rombo imenso. Desde então, grandes contratatados saíram de graça ou bem desvalorizados, como Emerson, Batistuta, Chivu, Cassano, Júlio Baptista e Cicinho. A Roma passou a consumir os lucros das outras empresas da família e fez a dívida da família beirar os 400 milhões de euros.

Apaixonados, os Sensi investiram bastante para buscar vitórias em curto prazo. Pecaram no planejamento, investiram pouco em infraestrutura e categorias de base e a austeridade fiscal só veio quando a Unicredit, principal credora dos Sensi, forçou que fosse assim. DiBenedetto promete um novo recomeço, com uma ou duas grandes contratações e diversas apostas, além de um novo estádio, investimento na base, em marketing e na internacionalização da marca. Para montar, quem sabe, uma Roma que poderá deixar o provincianismo no passado.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 20 de março de 2011 Histórias, Milan | 08:49

Domingo é dia de história: O título fantasma do Milan

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Elenco Milan 1981-82 (Foto: Maglia Rossonera)

O elenco campeão da Mitropa - e rebaixado à Serie B - tinha Baresi, Tassotti, Maldera, Jordan, Evani e Galli

O Milan é o clube com mais títulos internacionais no mundo. A diferença para o Boca Juniors é de apenas um troféu: são quatro Mundiais e Intercontinentais, sete Copas e Ligas dos Campeões, duas Recopas Europeias e sete Supercopas Europeias, além do troféu que costuma passar batido até para o torcedor mais fanático: a Copa Mitropa.

Aquela que foi a primeira copa europeia de clubes começou em 1927, mudou o regulamento diversas vezes e desapareceu há duas décadas. Em 1979, com espaço cada vez menor, a Copa Mitropa passou a ser disputada por campeões da segunda divisão de Itália, Tchecoslováquia, Hungria e Iugoslávia. Foi quando o Milan ganhou seu título.

A edição 1981-92 da Mitropa foi disputada por quatro equipes, em turno e returno. Seis jogos espalhados por sete meses. É bem provável que você jamais tenha ouvido falar nos concorrentes do Milan: o tchecoslovaco TJ Vítkovice, o iugoslavo NK Osijek e o húngaro Haladás. O time rossonero era treinado por Gigi Radice, que decidiu usar o torneio para dar espaço a jovens que não jogavam. A estreia veio com uma derrota de virada para o Vítkovice, com um pênalti no último minuto do segundo tempo. O gol italiano foi marcado pelo meia Roberto Antonelli, pai de Luca Antonelli, lateral do Genoa.

Nas partidas seguintes vieram três vitórias e um empate. O jogo de volta com o Vítkovice, no San Siro, seria fundamental. Os tchecoslovacos estavam um ponto à frente e o Milan precisava de uma vitória para conseguir o título. Mas, na Serie A, a campanha milanista era devastante e o time teria apenas mais uma rodada para tentar se livrar do retorno à Serie B. A disputa com o Vítkovice foi levada a sério para que valesse como motivação na luta pela permanência.

Gol de Jordan contra o Cesena (Foto: Maglia Rossonera)

Jordan marcou nos últimos dois jogos da temporada contra Vítkovice e Cesena (foto). Um título e um rebaixamento

Como a última rodada da Serie A seria disputada quatro dias depois, Antonelli e Sergio Battistini foram poupados. Em campo, a partida com o Vítkovice foi mais fácil do que o esperado e terminou em goleada. Aos 12 minutos, Franco Baresi converteu um pênalti e, antes do intervalo, Alberto Cambiaghi, que jamais chegaria a estrear na Serie A, marcou um golaço de fora da área. O terceiro e último gol foi anotado pelo escocês Joe Jordan, aquele que quase apanhou de Gattuso. Baresi já havia pegado a bola para cobrar, mas os cerca de 10 mil torcedores presentes no estádio começaram a gritar o nome do centroavante que, oito meses depois do início da temporada, dobrou seu número pessoal: terminaria 1981-82 com três gols, dois deles nos dois últimos jogos da temporada.

Ao fim da partida, a torcida gritava emocionada que ficaria na Serie A e, por um dia, o San Siro se esqueceu dos pesadelos. No domingo seguinte, pela última rodada do campeonato, o Milan bateu o Cesena por 3 a 2. Não foi suficiente: até os 40 minutos do segundo tempo, o time se livrava do rebaixamento. Foi quando, em Nápoles, o goleiro do time da casa cometeu um erro bobo que mandou a bola para escanteio. Luciano Castellini errou uma saída de bola e, segundos depois, sofreu o gol de empate do Genoa, que com o resultado se salvou do rebaixamento. Quatro dias depois do título europeu, o Milan voltou para a Serie B.

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domingo, 13 de março de 2011 Histórias, Lazio, Roma | 02:19

Domingo é dia de história: Romanos contra o resto da Itália

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Viola (meia laziale, de costas) e Rocca (lateral romanista) trocam flores antes do início da partida

Semanas de dérbi são sempre tensas. Não é raro que discussões pré-jogo culminem em problemas no campo – e fora dele. A disputa entre Roma e Lazio foi palco da segunda vítima italiana da violência nos estádios, em 28 de outubro de 1979. Naquele dia, Vincenzo Paparelli, 33 anos, torcedor da Lazio, morreu.

Pouco antes do dérbi, Giovanni Fiorillo, 18 anos, torcedor da Roma, atravessou todo o campo do Estádio Olímpico disparando sinalizadores. Um deles acertou o olho esquerdo de Paparelli, que comia um sanduíche ao lado da esposa. Ele era um homem tranquilo, tinha uma oficina em sociedade com o irmão e seus principais luxos eram uma TV a cores e uma BMW de segunda mão. Passou uma semana no hospital, em estado grave, antes se ser enterrado. Todo o elenco da Lazio esteve presente no velório.

Menos de um mês depois do evento trágico, em 19 de novembro, foi disputada uma espécie de dérbi. Por ideia de Angelo Paparelli, irmão da vítima, os líderes dos elencos dos dois times decidiram fazer uma partida mista, com jogadores de Lazio e Roma em campo com a mesma camisa. Nenhum deles se recusou a disputar Romanos x Resto da Itália. O jogo ganhou notoriedade, afinal servia como combate à violência nos estádios. Mas, como todas as iniciativas do gênero, logo caiu no esquecimento.

ROMANOS 1×2 RESTO DA ITÁLIA
Data: 19 de novembro de 1979, em Roma
Gols: Pruzzo (RI, aos 8′ do 2º tempo), Giordano (R, aos 13′ do 2º tempo, de pênalti) e Pruzzo (RI, aos 41′ do 2º tempo)
Romanos: Cacciatori, Tassotti (Amenta), Peccenini, (Manzoni), Spinosi, Manfredonia, Rocca, Conti (Scarnecchia), Montesi (Lopez), Giordano, Di Bartolomei, D’Amico. Treinador: Lovati
Resto da Itália: Tancredi, Santarini (Maggiora), Citterio (Pighin), Wilson, Turone, Benetti (De Nadai), Garlaschelli, Viola, Pruzzo, Nicoli, Ancelotti (Ugolotti). Treinador: Liedholm

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Romanos, à esquerda, com Conti e Di Bartolomei, Tassotti e Giordano. Resto do mundo, à direita, com Wilson e Garlaschelli, Ancelotti e Pruzzo. Clique na imagem para ampliar

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Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 27 de fevereiro de 2011 Histórias | 02:46

Domingo é dia de história: O avô de Rogério Ceni

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Sentimenti

Lucidio Sentimenti, 90 anos, pode ter inaugurado a moda dos goleiros-artilheiros, na década de 40

A figura do goleiro-artilheiro é notória no futebol. Sempre que um destes deixa sua marca, vira notícia. Dia desses, Aranzubia, do Deportivo La Coruña, se consagrou num lance desesperado de fim de partida. Mas fato é que poucos goleiros conseguem fazer mais de um gol.

Rogério Ceni é o maior goleiro-artilheiro da história, com 98 gols. Há quem diga que ele é o “herdeiro” do paraguaio Chilavert, que fez mais de 60 na carreira. Menos conhecidos, porém, são os italianos que também deixaram os deles nas redes. Dois goleiros do país marcaram mais de uma vez na carreira: Antonio Rigamonti e Lucidio Sentimenti. Rigamonti converteu seis pênaltis nos três anos em que passou no Como, na década de 70. E Sentimenti, ao que tudo indica, foi o primeiro goleiro-goleador da história.

Este “avô” de Rogério Ceni, um baixinho emiliano de 1,70m, disputou uma Copa do Mundo pela seleção italiana. Ele marcou oito gols, todos de pênalti, por Modena, Juventus e Lazio. Entre as décadas de 40 e 50, era tido como cobrador imbatível. A habilidade com os pés inclusive o levou a jogar como atacante em duas partidas, pela Juve, no campeonato 1945-46.

Mas os gols não deram só alegria: a artilharia de Sentimenti gerou até problema familiar. Durante a Serie A 1941-42, ganhou confiança para tentar converter pênaltis durante os jogos. Seria a arma a mais de um Modena desesperado, às portas do rebaixamento. Seu primeiro gol veio em 17 de maio de 1942, na derrota para o Napoli.

Por ironia do destino, este gol foi marcado sobre seu irmão mais velho, Arnaldo Sentimenti, então goleiro do Napoli. Numa ironia ainda maior, foi Lucidio a encerrar a imbatibilidade de Arnaldo, que vinha de uma sequência de nove pênaltis defendidos, até sofrer o do irmão. Enfurecido, o mais velho correu atrás do mais jovem por todo o campo, até ser contido. A “ofensa” só foi perdoada anos mais tarde. Ao fim do campeonato, os dois acabaram rebaixados à Serie B.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

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