Derby D’Italia | Futebol Italiano

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domingo, 30 de outubro de 2011 Internazionale, Juventus, Serie A | 16:45

Você precisa de alguém que te dê segurança

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Senão você dança. A filosofia de boteco de Humberto Gessinger explica bem o que foi a vitória da Juventus no dérbi com a Inter, disputado no sábado (29/10). Com dez minutos de jogo, já dava para apostar numa vitória juventina. O time entrou em campo seguro de si e não se assustou com uma Inter organizada, que fez um bom primeiro tempo, acima do que tem mostrado na temporada. De nada adiantou: no intervalo, a Juventus vencia por 2 x 1, naquele que seria o resultado final do jogo.

Estigarribia, Conte e Marchisio (Reuters)

O camisa 8 tem eclipsado Pirlo e já é o melhor jogador do campeonato

E olha que o gol da Inter, numa bomba de Maicon, só saiu porque Antonio Conte até hoje não conseguiu resolver o lado esquerdo de seu time. É um dos poucos pontos fracos de uma Juventus que mostra muita personalidade nos grandes jogos: vitórias contra Milan, Fiorentina e Inter. A segurança passa pelos pés de um formidável Marchisio, artilheiro do time na temporada.

Mario Sconcerti, autor de ótimos livros sobre o futebol italiano, escreveu um editorial muito interessante no Corriere della Sera. Para ele, existe “uma euforia quase infantil no time de Conte, difícil de encontrar nestes níveis de profissionalismo” e o diferencial da Juve é a “segurança extraordinária, quase islâmica”.

O sábado foi interessante para que pudéssemos assistir aos três principais postulantes ao título italiano. O Napoli, com cinco reservas, foi dominado pelo Catania e mostrou que ainda não consegue jogar sem o time completo. O Milan e a Juventus venceram jogos dificílimos. O Milan mostrou mais qualidade, mas depende demais de Ibrahimovic. A Juventus, porém, não precisa que Pirlo brilhe, ou que Vucinic decida, ou que Del Piero jogue. Não precisa nem do melhor Chiellini. Depende só de si mesma e, se parar de desperdiçar pontos contra os times menores, tem tudo para reconquistar a Itália.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , ,

domingo, 13 de fevereiro de 2011 Internazionale, Juventus, Serie A | 21:21

Quando os craques não decidem

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Krasic e Matri

Com Krasic apagado, Matri resolveu resolver

Ao fim do campeonato, Krasic e Eto’o concorrerão ao posto de melhor jogador da temporada italiana. Mas não pelo que fizeram no jogo de hoje. O sérvio da Juventus até tentou dribles e tabelas, mas foi anestesiado por Zanetti e jamais conseguiu chegar vez à linha de fundo. O camaronês da Inter parou no jovem Sorensen e só teve duas boas chances, todas nos últimos minutos de jogo: furou uma delas e mandou a outra no travessão.

Como nenhum dos dois decidiu para o bem, aumentou a importância da turma de, digamos, menos “poderio técnico”. A vitória da Juventus por 1 a 0 foi construída em uma partida modorrenta e sem grandes oportunidades de gol. No duelo dos centroavantes recém-chegados, Matri levou a melhor sobre Pazzini. Foi ele o autor do gol da partida, um cabeceio que até pareceu simples depois do belo cruzamento de Sorensen.

O lance do gol de Matri foi mais uma prova das falhas clamorosas da defesa da Inter em bolas aéreas. Desta vez, Ranocchia marcou o homem errado, Córdoba pulou em falso e Maicon não chegou a tempo. Pazzini, por outro lado, se perdeu na marcação de Barzagli e só conseguiu finalizar uma vez, no início do segundo tempo: um cabeceio fraco parado por Buffon.

A Juve chegou a duas vitórias seguidas na competição, o que não acontecia desde 12 de dezembro. Com os três pontos e a moral conquistada no derby d’Italia, volta à luta por um lugar na Liga dos Campeões. O time que bateu a Inter não parece nem sombra daquele que caiu para o Palermo há duas rodadas. Barzagli, reforço recebido com desconfiança, tem surpreendido e já se tornou essencial na defesa. Com ele em campo, até o problema na lateral-esquerda parece resolvido em curto prazo, com o retono de Chiellini à posição. Outro que cresceu desde a última derrota foi Felipe Melo, que passou a jogar mais recuado para dar liberdade a Aquilani.

Para que a Inter continue na luta pelo scudetto, basta acreditar que a derrota foi apenas um tropeço e que tudo em breve voltará ao normal. Enquanto isso, Leonardo, não custa nada treinar a defesa de seu time nas bolas aéreas.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Histórias, Internazionale, Juventus | 02:03

Domingo é dia de história: Rei morto, rei posto

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Hoje é dia do derby d’Italia, apelido do encontro entre Juventus e Inter. Há uma certa lenda em torno desta nomenclatura. Costuma-se dizer que ela existe porque Juventus-Inter é a partida entre as duas maiores campeãs italianas da história. Falso. Surgiu no campeonato 1966-67, quando as duas disputaram o título. No encontro direto, a quatro rodadas do fim, dizia-se que ali seria a decisão. Foi aí que o jornalista Gianni Brera (o mesmo que chamou Berlusconi de Il Cavaliere pela primeira vez) criou a definição: quem vencesse, sairia praticamente como campeão italiano. A Juve levou.

Boniperti

Boniperti, 182 gols pela Juventus

Desde 1909, foram 215 jogos entre as equipes. A Juventus venceu 95 vezes, contra 67 da Inter. O que nos interessa hoje é a maior goleada da história do confronto, portanto voltemos a 10 de junho de 1961. Juventus 9-1 Inter.

Na época, o jogo ficou envolvido por polêmicas e conhecido como “a partida fantasma”. Na bagunça, ninguém esperava que aquele dia entrasse para a história por conta de uma grande coincidência. A goleada foi a despedida de Giampiero Boniperti, maior ídolo da história da Juventus, e marcou a estreia de Sandro Mazzola, um dos grandes da história da Inter.

Naquela temporada 1960-61, o mestre do catenaccio Helenio Herrera começava seu trabalho em Milão. O início foi ótimo e os nerazzurri viraram o ano na liderança da Serie A. Quando o fôlego acabou, em abril, vieram quatro derrotas seguidas e a Inter foi ultrapassada pela Juventus. A chance de recuperação seria o confronto direto, em Turim. Com o estádio Comunale lotado, havia gente até na pista atlética e ao lado do banco de Herrera. Com 31 minutos de jogo, o árbitro, temeroso, encerrou os trabalhos e entregou a causa aos tribunais. O regulamento era claro e a Inter foi, então, declarada vitoriosa por 2 a 0.

Nove jogos se passaram. Faltando um dia para a última rodada do campeonato, a federação italiana acatou o pedido da Juventus: a vitória da Inter foi revogada e a partida, marcada para a semana seguinte. Na época, não faltaram acusações, já que Umberto Agnelli era presidente da Juve e da própria federação. Desmotivada pela decisão, a Inter nem fez força contra o Catania e foi derrotada.

Sandro Mazzola

Mazzola, 160 gols pela Inter

Quando Juventus e Inter se reencontraram, na semana seguinte, a Velha Senhora já havia se sagrado campeã e os nerazzurri estavam classificados para a Copa das Feiras (a Liga Europa de hoje). Para protestar, o presidente Angelo Moratti mandou a Inter ir a campo com o time sub-19. Nenhum dos garotos havia estreado na Serie A até então. Sandro Mazzola estava entre eles e tinha um problema a mais: o jogo era na mesmo instante das provas finais de contabilidade. Ele insistiu para fazer os testes no início da manhã e um carro da Inter foi buscá-lo para que pudesse jogar naquela tarde.

A Juventus, por outro lado, escalou o time titular completo, inclusive Boniperti. Com 33 anos e problemas físicos crescentes, o artilheiro histórico atuou como meio-campista. Em campo, é claro que não houve emoção alguma. Aos 17 minutos, Sivori havia marcado três vezes e fechado as contas. A partida se encerrou com nove gols para a Juve, seis de Sivori. O zagueiro Morosi, responsável por marcá-lo, não voltou a jogar pela Serie A. Terminou a carreira rodando entre a terceira e a quarta divisões, em clubes como Fanfulla, Poggibonsi e Aglianese, de sua terra natal.

O único gol da Inter naquele dia foi marcado justamente por Mazzola, de pênalti. Dos jovens interistas, apenas ele conseguiu uma carreira de sucesso. Foram quatro títulos italianos, duas Copas dos Campeões e uma Eurocopa pela seleção. Quando a partida fantasma finalmente terminou, Boniperti entregou suas chuteiras ao massagista dizendo que não voltaria a jogar futebol. Encerrou a carreira com cinco títulos italianos. A vingança veio quatro meses depois. Novamente em Turim, a Inter bateu a Juventus por 4 a 2. O time da casa terminou aquele campeonato na 12ª posição, pior campanha de sua história.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,