Domingo é dia de história: O ‘novo Romário’ parou no Lecce

Carismático, Jeda conquistou as torcidas por onde passou. Mas ainda está longe do milésimo gol
O Torneio de Viareggio é a principal competição europeia de categorias de base e conta com times de todos os continentes. O campo da cidadezinha litorânea já revelou gente do naipe de Zoff, Conti, Baresi, Prosinecki, Baggio e Batistuta. Amanhã (segunda, dia 7) será disputada a final da 63ª edição, entre Fiorentina e Inter. Dois jovens atacantes brasileiros devem ser titulares: do lado viola, Ryder Matos; de camisa nerazzurra, Daniel Bessa.
Já havia uma certa expectativa sobre Matos e Bessa, mas não é raro que brasileiros desconhecidos façam fama em Viareggio. Neste quesito, o ano de 2000 foi o mais prolífico, quando oito times daqui participaram do torneio – recorde até hoje. Destacaram-se os atacantes Amauri, do Santa Catarina, que marcou dois gols contra o futuro campeão Empoli logo na estreia, e Jeda, do Campinas, principal nome do time recém-criado pelo ex-centroavavante Careca.
A história de Amauri é razoavelmente conhecida no Brasil: ele nem chegou a voltar ao país. Foi emprestado ao Bellinzona, da segunda divisão suíça, mas lesionou o joelho e foi dispensado. Negociado outra vez, então com o Parma, começou a subir de vida. Estourou por Chievo e Palermo, chegou à Juventus e à seleção italiana e agora voltou a seu primeiro clube italiano.
Jeda parecia ter um futuro mais promissor. Poucos dias depois de o Campinas bater a Inter na disputa pelo terceiro lugar de Viareggio, a Gazzetta dello Sport noticiava que o clube de Appiano Gentile tentaria contratar a maior estrela da companhia. Dizia o jornal: “Jeda, segundo Careca, se parece com Romário, característica sublinhada também por outros observadores mais neutros: marcou cinco gols, nenhum de pênalti”.

Uma expulsão, três gols, jogadas espetaculares: Matos tem se destacado em Viareggio e deve subir para o profissional
Na época, falou-se que Careca negociava com a Inter e recebia sondagens de Milan, Juventus e Roma. Por alguma ironia do destino, quem sabe, Jeda foi parar no modesto Vicenza junto do zagueiro André Leone, hoje no Sport. As negociações nebulosas levantaram muita especulação no interior paulista.
Em sua primeira temporada no Vicenza, Jeda não conseguiu espaço e ficou no banco de Kallon e Toni. Na campanha que culminou no rebaixamento da equipe vêneta, só marcou um gol em onze jogos, poucos como titular. Para que ganhasse experiência, foi emprestado ao Siena. Quando voltou ao Vicenza, se firmou. Subindo um degrau de cada vez, Jeda chegou ao Rimini e quase conseguiu um acesso histórico à Serie A. Em 2008, foi negociado com o Cagliari, onde viveu a melhor fase da carreira.
O ‘novo Romário’, atualmente, está no Lecce. Tem jogado com frequência, mas está longe de ser titular absoluto. Destaca-se nos dribles curtos, tem boa visão de jogo, é xodó da torcida, corre os 90 minutos, participa bastante das jogadas… Mas, para ser o sucessor do Baixinho, faltou aprimorar um fundamento em especial: a finalização.
