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domingo, 24 de abril de 2011 Brescia, Histórias | 05:58

Domingo é dia de história: O time dos chocolates

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Jorge Cadete (Foto: Farpas)

Jorge Cadete marcou 68 gols em cinco anos de Sporting. Na Itália, só fez um

Com a derrota para a Sampdoria, o Bari se tornou o primeiro time matematicamente rebaixado para a Serie B. Com 21 pontos em 34 jogos, desde 2006 não havia um lanterna com aproveitamento tão fraco na Serie A, quando o Treviso caiu com cinco rodadas de antecipação. Mas quem levou mesmo chocolate (achou que o Tripletta não faria nenhuma piadinha de Páscoa?) foi o Brescia, uma década antes.

Na temporada 1994-95, o Brescia ganhou apenas dois de seus 34 jogos, nos quais marcou apenas 18 gols – não é coincidência que as vitórias tenham sido obtidas contra Reggiana (vice-lanterna) e Foggia (vice-vice-lanterna). Os rondinelle são, portanto, os donos da pior campanha da história da Serie A.

Difícil é entender o que levou o time a uma campanha tão desastrosa. Comandado pelo romeno Mircea Lucescu, o recém-promovido Brescia havia sido o melhor ataque da Serie B. Não à toa, perdeu Hagi e Lerda, as duas referências ofensivas. Para substituí-los, o presidente Luigi Corioni fechou com os experientes Borgonovo e Nappi e bateu a concorrência para levar o português Jorge Cadete, em litígio com o Sporting. Eles teriam a companhia de Maurizio Neri, autor de dez gols na temporada anterior.

O destino ainda foi irônico e deu ao Brescia um início promissor, com um empate com a Juventus na primeira rodada e outro com a Inter, na terceira. Depois, vieram oito derrotas em onze partidas e não demorou para que o vulcânico Corioni demitisse Lucescu, na 20ª rodada. E a troca, acredite, fez mal ao time. Gigi Maifredi foi contratado e perdeu as cinco partidas que disputou. Adelio Moro foi chamado a oito jogos do fim do campeonato. Foram outras oito derrotas.

Mircea Lucescu (Foto: Reuters)

Badalado no Shakhtar, Lucescu não fez sucesso na Itália: foi rebaixado três vezes em sete anos

Como aquele Brescia conseguiu perder 15 vezes seguidas e ter a média de um gol marcado a cada duas rodadas? O elenco dos rondinelle era melhor que o dos rivais que acabaram rebaixados, mas as falhas individuais comprometeram o campeonato. Principalmente as do goleiro Ballotta, que colecionou falhas antológicas em alguns dos 60 gols que sofreu em uma só temporada.

A equipe tinha Francini e Battistini, ex-jogadores da seleção italiana, além de Corini, Adani e Baronio, que vestiriam azzurro nos anos seguinte, mas de nada adiantaria. O ataque era terrível. Borgonovo e Nappi conseguiram o feito de não marcar um golzinho sequer durante todo o campeonato. Neri foi o artilheiro da equipe, com quatro gols.

Mas o desastre real atendia pelo nome de Jorge Cadete. Em sete meses de Brescia, jogou 13 vezes, fez um gol e saiu “invicto”, sem vencer partida alguma. E ainda virou piada, pois era recebido pelos rivais com o cântico-trocadilho Cadete in B - Caia para a Serie B, em tradução livre.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,