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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 Histórias, Internazionale, Milan | 04:22

Tchau, Ronaldo: os anos “italianos”

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O maior atacante de uma geração encerra hoje a carreira, aos 34 anos. Autor de 420 gols em 620 partidas, Ronaldo passou boa parte da carreira na Itália. Foram cinco anos na Inter, que na época pagou quase 25 milhões de dólares ao Barcelona, e uma temporada e meia no Milan. Apesar de tanto tempo no Belpaese, o Fenômeno conquistou só um título por lá: a Copa Uefa de 1998, sobre a Lazio.

Ronaldo e Marchegiani

Ao lado da Recopa Europeia de 1997, a Copa Uefa foi o maior título por clubes na carreira de Ronaldo

A partida do título é tida pela torcida da Inter como a melhor prestação de Ronaldo em nerazzurro. O jogo foi a primeira final em partida única da Copa Uefa, o que só aumentava as expectativas. Alguns dias antes, a Lazio tinha acabado de garantir o título da Coppa Italia e a Inter havia perdido as chances de ser campeã italiana, apesar dos 25 gols de Ronaldo no decorrer da Serie A. O vice-campeonato ficou marcado pela polêmica do pênalti claro, mas não marcado de Mark Iuliano sobre Ronaldo, no confronto direto entre Juventus e Inter.

A Inter dominou aquela final da Copa Uefa com grande participação de Ronaldo nos lances ofensivos, vencendo todas sobre Nesta. Zamorano abriu o marcador em um lançamento de Simeone e a Beneamata quase ampliou num chutaço de Ronaldo, de fora da área, que acertou a trave. No segundo tempo, um jovem Zanetti marcou um golaço e Ronaldo (impedido) matou o jogo após um belíssimo drible em Marchegiani. Fim de jogo, Internazionale 3-0 Lazio no terceiro título interista da Copa Uefa.

Em 21 de novembro de 1999, Ronaldo começou sua via-crúcis. Contra o Lecce, rompeu um tendão do joelho direito. Passou por uma cirurgia e só voltou a jogar em 12 de abril, primeira partida final da Coppa Italia, de novo contra a Lazio. Ronaldo ficou sete minutos em campo. No primeiro drible que arriscou, viu o joelho se romper quase por completo. Desta vez, foram 15 meses de afastamento dos gramados até o retorno a conta-gotas.

A Lazio voltaria a entrar na história de Ronaldo em 5 de maio de 2002. A data até hoje é lamentada pelos torcedores da Inter porque marcou a perda de um scudetto já tido como vencido. Na última rodada do campeonato, o time perdeu por 4 a 2 para a Lazio e terminou a Serie A em terceiro lugar, ultrapassada por Juventus e Roma. Ronaldo foi substituído no segundo tempo daquele que seria o último jogo dele com a camisa da Inter. Saiu de campo às lágrimas e logo se mandou para o Real Madrid, quando a Copa do Mundo em Coreia do Sul e Japão provou que estava recuperado das lesões. Para a torcida, de fenômeno, virou fugitivo.

Ronaldo

Pelo Milan, foram apenas 20 jogos em 18 meses de contrato. Nove gols marcados

Depois de quatro temporadas e meia no Real Madrid, Ronaldo voltou a Milão por € 8 milhões. O início no Milan foi promissor, com sete gols em 14 jogos e papel fundamental na rimonta que botou a equipe na quarta posição. A boa fase terminou logo na pré-temporada seguinte. Em julho de 2007, Ronaldo sofreu um estiramento na coxa esquerda e demorou três meses para voltar. Em novembro, uma lesão na panturrilha. Em fevereiro do ano seguinte, um tendão rompido no joelho esquerdo. O suficiente para não ter o contrato renovado.

Ronaldo voltou ao Brasil, recuperou-se das lesões e assinou com o Corinthians. Foi essencial nas conquistas da Copa do Brasil e do Paulistão e depois viu o rendimento cair. Aquele que se despede dos gramados é um dos grandes gênios da história do futebol, tanto em campo quanto fora dele. Artilheiro nato que desbravou o marketing com a mesma força de vontade que enfrentava os zagueiros e, com ele e por ele, conseguiu dar tantas volta por cima.

“Traição é traição, romance é romance”

Por conta de Ronaldo, Gian Oddi trouxe à Bola na Bota duas colunas do brilhante Candido Cannavò, ex-diretor de redação da Gazzetta dello Sport. A primeira delas foi escrita em 18 de janeiro de 2007, quando Ronaldo ainda nem tinha assinado pelo Milan. A segunda, pouco depois de ele fechar com os rossoneri. Quando um craque fala de outro, vale a pena dar uma olhada.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

domingo, 13 de fevereiro de 2011 Internazionale, Juventus, Serie A | 21:21

Quando os craques não decidem

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Krasic e Matri

Com Krasic apagado, Matri resolveu resolver

Ao fim do campeonato, Krasic e Eto’o concorrerão ao posto de melhor jogador da temporada italiana. Mas não pelo que fizeram no jogo de hoje. O sérvio da Juventus até tentou dribles e tabelas, mas foi anestesiado por Zanetti e jamais conseguiu chegar vez à linha de fundo. O camaronês da Inter parou no jovem Sorensen e só teve duas boas chances, todas nos últimos minutos de jogo: furou uma delas e mandou a outra no travessão.

Como nenhum dos dois decidiu para o bem, aumentou a importância da turma de, digamos, menos “poderio técnico”. A vitória da Juventus por 1 a 0 foi construída em uma partida modorrenta e sem grandes oportunidades de gol. No duelo dos centroavantes recém-chegados, Matri levou a melhor sobre Pazzini. Foi ele o autor do gol da partida, um cabeceio que até pareceu simples depois do belo cruzamento de Sorensen.

O lance do gol de Matri foi mais uma prova das falhas clamorosas da defesa da Inter em bolas aéreas. Desta vez, Ranocchia marcou o homem errado, Córdoba pulou em falso e Maicon não chegou a tempo. Pazzini, por outro lado, se perdeu na marcação de Barzagli e só conseguiu finalizar uma vez, no início do segundo tempo: um cabeceio fraco parado por Buffon.

A Juve chegou a duas vitórias seguidas na competição, o que não acontecia desde 12 de dezembro. Com os três pontos e a moral conquistada no derby d’Italia, volta à luta por um lugar na Liga dos Campeões. O time que bateu a Inter não parece nem sombra daquele que caiu para o Palermo há duas rodadas. Barzagli, reforço recebido com desconfiança, tem surpreendido e já se tornou essencial na defesa. Com ele em campo, até o problema na lateral-esquerda parece resolvido em curto prazo, com o retono de Chiellini à posição. Outro que cresceu desde a última derrota foi Felipe Melo, que passou a jogar mais recuado para dar liberdade a Aquilani.

Para que a Inter continue na luta pelo scudetto, basta acreditar que a derrota foi apenas um tropeço e que tudo em breve voltará ao normal. Enquanto isso, Leonardo, não custa nada treinar a defesa de seu time nas bolas aéreas.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Histórias, Internazionale, Juventus | 02:03

Domingo é dia de história: Rei morto, rei posto

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Hoje é dia do derby d’Italia, apelido do encontro entre Juventus e Inter. Há uma certa lenda em torno desta nomenclatura. Costuma-se dizer que ela existe porque Juventus-Inter é a partida entre as duas maiores campeãs italianas da história. Falso. Surgiu no campeonato 1966-67, quando as duas disputaram o título. No encontro direto, a quatro rodadas do fim, dizia-se que ali seria a decisão. Foi aí que o jornalista Gianni Brera (o mesmo que chamou Berlusconi de Il Cavaliere pela primeira vez) criou a definição: quem vencesse, sairia praticamente como campeão italiano. A Juve levou.

Boniperti

Boniperti, 182 gols pela Juventus

Desde 1909, foram 215 jogos entre as equipes. A Juventus venceu 95 vezes, contra 67 da Inter. O que nos interessa hoje é a maior goleada da história do confronto, portanto voltemos a 10 de junho de 1961. Juventus 9-1 Inter.

Na época, o jogo ficou envolvido por polêmicas e conhecido como “a partida fantasma”. Na bagunça, ninguém esperava que aquele dia entrasse para a história por conta de uma grande coincidência. A goleada foi a despedida de Giampiero Boniperti, maior ídolo da história da Juventus, e marcou a estreia de Sandro Mazzola, um dos grandes da história da Inter.

Naquela temporada 1960-61, o mestre do catenaccio Helenio Herrera começava seu trabalho em Milão. O início foi ótimo e os nerazzurri viraram o ano na liderança da Serie A. Quando o fôlego acabou, em abril, vieram quatro derrotas seguidas e a Inter foi ultrapassada pela Juventus. A chance de recuperação seria o confronto direto, em Turim. Com o estádio Comunale lotado, havia gente até na pista atlética e ao lado do banco de Herrera. Com 31 minutos de jogo, o árbitro, temeroso, encerrou os trabalhos e entregou a causa aos tribunais. O regulamento era claro e a Inter foi, então, declarada vitoriosa por 2 a 0.

Nove jogos se passaram. Faltando um dia para a última rodada do campeonato, a federação italiana acatou o pedido da Juventus: a vitória da Inter foi revogada e a partida, marcada para a semana seguinte. Na época, não faltaram acusações, já que Umberto Agnelli era presidente da Juve e da própria federação. Desmotivada pela decisão, a Inter nem fez força contra o Catania e foi derrotada.

Sandro Mazzola

Mazzola, 160 gols pela Inter

Quando Juventus e Inter se reencontraram, na semana seguinte, a Velha Senhora já havia se sagrado campeã e os nerazzurri estavam classificados para a Copa das Feiras (a Liga Europa de hoje). Para protestar, o presidente Angelo Moratti mandou a Inter ir a campo com o time sub-19. Nenhum dos garotos havia estreado na Serie A até então. Sandro Mazzola estava entre eles e tinha um problema a mais: o jogo era na mesmo instante das provas finais de contabilidade. Ele insistiu para fazer os testes no início da manhã e um carro da Inter foi buscá-lo para que pudesse jogar naquela tarde.

A Juventus, por outro lado, escalou o time titular completo, inclusive Boniperti. Com 33 anos e problemas físicos crescentes, o artilheiro histórico atuou como meio-campista. Em campo, é claro que não houve emoção alguma. Aos 17 minutos, Sivori havia marcado três vezes e fechado as contas. A partida se encerrou com nove gols para a Juve, seis de Sivori. O zagueiro Morosi, responsável por marcá-lo, não voltou a jogar pela Serie A. Terminou a carreira rodando entre a terceira e a quarta divisões, em clubes como Fanfulla, Poggibonsi e Aglianese, de sua terra natal.

O único gol da Inter naquele dia foi marcado justamente por Mazzola, de pênalti. Dos jovens interistas, apenas ele conseguiu uma carreira de sucesso. Foram quatro títulos italianos, duas Copas dos Campeões e uma Eurocopa pela seleção. Quando a partida fantasma finalmente terminou, Boniperti entregou suas chuteiras ao massagista dizendo que não voltaria a jogar futebol. Encerrou a carreira com cinco títulos italianos. A vingança veio quatro meses depois. Novamente em Turim, a Inter bateu a Juventus por 4 a 2. O time da casa terminou aquele campeonato na 12ª posição, pior campanha de sua história.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

sábado, 12 de fevereiro de 2011 Serie B | 12:19

Quem é que sobe?

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Assim como a luta pela Serie A, a disputa na Serie B também está apertada. Ontem, a abertura da 26ª rodada do campeonato teve o encontro entre os líderes Atalanta e Siena, que até pouco tempo atrás estavam na primeira divisão e devem voltar em breve. O resultado foi um empate sem gols.

Torcida da Atalanta

A torcida apaixonada da Atalanta logo deve comemorar o retorno ao lugar de origem: a primeira divisão

A Atalanta, até aqui o melhor time da segundona, tomou as rédeas do jogo e atacou a partida inteira, com a dupla Tiribocchi e Marilungo. Parou apenas no goleiro Coppola, que fez pelo menos três defesaças. O Siena teve só uma boa chance em todo o jogo, com o brasileiro Reginaldo, mas a disperdiçou.

A partida foi marcada por provocações a Antonio Conte. Ele comandou o péssimo início da Atalanta na última temporada, que culminou no rebaixamento dos orobici. Cristiano Doni, que teve problemas com Conte, não perdoou antes do jogo: “Quem é Conte? Ah, o ex-jogador”. A torcida também cantou contra ele e levou faixas para o estádio. Frases criativas como “Conte, te odeio” deram o clima.

Na Serie B, os dois primeiros colocados sobem diretamente. Os quatro times seguintes disputam um play-off entre si, a não ser que a diferença entre terceiro e quarto lugares seja maior que dez pontos – o que pode ocorrer neste ano. Na segunda-feira, o Novara entrará em campo contra o Torino para poder reassumir a liderança do campeonato, perdida há algumas semanas. De agora em diante, é esperar e ver se a tradição pesará na reta final.

Os líderes: Atalanta (51 pontos) e Siena (49);
Os play-offers: Novara (48), Varese (43), Padova (35) e Livorno (35);
Quem ainda briga: Reggina (35), Torino (35), Vicenza (34) e Empoli (33).

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011 Bari, Serie A | 09:42

Permanência por um fio

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Giampiero Ventura

Antes herói, Ventura saiu pela porta dos fundos

No domingo, o lanterna Bari entrará no péssimo gramado do San Nicola para se dar uma última chance. A partida com o Genoa marcará a estreia de Bortolo Mutti no comando biancorosso. Ele assume um time mentalmente arrasado e tecnicamente inferior ao dos que lutam contra o rebaixamento, mas que ao menos afastou a onda de lesões. Durante o campeonato, todos os titulares passaram pelo departamento médico, mas já têm voltado: pela primeira vez em meses, nenhum jogador sub-20 terá de completar o time.

Mutti assume no lugar de Giampiero Ventura, que conseguiu o feito de perder sete jogos seguidos e deixar o Bari a nove pontos do primeiro time fora da zona de rebaixamento. Na última rodada, os galletti foram derrotados pelo Brescia e parecem ter dado adeus a qualquer chance anímica de salvação.

Ventura teve várias falhas, é claro. Contra o Brescia, teve a desfaçatez de escalar Castillo como titular. Durante o campeonato, pecou quando teve de improvisar no ataque, escolhendo o hondurenho Álvarez como centroavante. E como entender a titularidade absoluta do lento e nervoso lateral-esquerdo Parisi? Ventura fez milagres na temporada passada para dar ao Bari sua melhor campanha da história na Serie A, mas várias vezes esteve perdido no furacão que o clube se tornou nos últimos meses.

Mas o treinador não é o único culpado. O desinteresse da família Matarrese, dona do Bari, ficou escancarado nas duas últimas janelas de mercado. Tudo começou no fim da temporada passada, quando o bom diretor esportivo Giorgio Perinetti foi para o Siena. Para o lugar dele, chegou o contestável Guido Angelozzi, protagonista de um terrível calciomercato. O melhor exemplo está na dupla de zagueiros: os ótimos Ranocchia e Bonucci, hoje na seleção italiana, foram substituídos pelos inconstantes Raggi e Rossi. A capacidade ofensiva também se mostrou lastimável. Somados, Ghezzal, Kutuzov, Castillo e Caputo marcaram apenas três vezes até aqui.

Gillet

O capitão Gillet tem sido um dos únicos a se salvar

Janeiro foi um mês para esquecer. Ventura sonhou com Kharja para o meio-campo, acordou com Bentivoglio. Pediu um centroavante que garantisse gols e recebeu os incógnitos Okaka, Rudolf e Huseklepp. Quis uma opção decente para a zaga, se deparou com o medíocre Glik. Sem esperanças, entregou o cargo, mas a família Matarrese pediu que continuasse. Mesmo assim, ficou na dela e não deu apoio público, deixando transparecer que o clube estava abandonado.

Só aí é que o Bari mergulhou de vez na crise. Sem apoio da torcida, a família Matarrese teria duas opções. Arquivou a mais difícil, que era aceitar o rebaixamento colhido merecidamente e manter Ventura para que o trauma não fosse tão grande. Escolheu a mais confortável: mudou de técnico no aguardo de uma injeção de ânimo.

Para continuar com uma mínima chance de se manter na Serie A, uma vitória já no domingo será fundamental.  Ou, na pior e mais provável das hipóteses, será apenas um número a mais na história dos Matarrese: o sexto rebaixamento em 34 anos de comando.

Se quiser continuar com uma mínima chance de permanência, será fundamental bater o Genoa – se aproveitando, quem sabe, de mais algum dos infindáveis frangos do goleiro Eduardo. Par aisso, terá de confiar nos dois únicos jogadores regulares do time na temporada: o meia Gazzi e o goleiro Gillet.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011 Azzurra | 22:23

Um passo de cada vez

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Ranocchia e Klose

Na segunda partida de Ranocchia com a camisa azzurra, o zagueiro superou expectativas: melhor italiano em campo

Do lado alemão, o empate com no amistoso com a Itália valeu apenas pelo primeiro tempo. Do italiano, valeu pela superação demonstrada depois do intervalo. O jogo é prova do contínuo crescimento da seleção de Cesare Prandelli, que ainda não saiu das fraldas, mas ganhou confiança por ter segurado uma Alemanha que, desta vez, entrou como favorita.

Inicialmente, Prandelli apostou no que era certo. E deu errado. Colocou Cassano e Pazzini como titulares no ataque, uma escolha óbvia para aproveitar os dois anos de entrosamento da dupla ex-Samdporia, mas o rendimento foi opaco. Pazzini até que enganou no início, com um toque de calcanhar, e Cassano apostou na correria para infernizar Mertesacker e Lahm. Mas não deu em nada: nenhum dos dois chegou a chutar a gol. No intervalo, Prandelli tirou a dupla e apostou em Borriello e Rossi. O crescimento foi notável e o atacante do Villarreal foi o responsável pelo gol do empate que valeu quase como vitória.

A Itália confirmou o 4-3-1-2 do único treinamento antes do jogo de Dortmund. Chiellini não decepcionou como lateral-esquerdo e até arriscou subir ao ataque. Do lado direito, porém, Cassani teve atuação mais burocrática. Thiago Motta estreou muito bem, jogando como homem mais recuado no meio-campo. Mauri, por outro lado, confirmou a queda de rendimento na temporada e fez um jogo bem apagado. Mas o melhor em campo, indiscutivelmente, foi o zagueiro Ranocchia, jovem com ares de veterano.

Prandelli começou seu trabalho do zero e tem colhido frutos melhores que os de Donadoni (2006) e Lippi (2008), que, em tese, já tinham uma base para começar. As eliminatórias para a Eurocopa, de certa forma, são só parte do planejamento que visa uma boa Copa do Mundo em 2014, aqui no Brasil. A Itália não tem nenhum fenômeno, e parece ter percebido isso a tempo. Com um time voluntarioso e humilde, como o de hoje, pode chegar mais longe.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

Extracampo, Roma | 12:54

Adriano e a auto-sabotagem

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Rosella Sensi e Adriano

Maior defensora de Adriano, nem a presidente Rosella Sensi deve ter engolido bem a história

Ontem, escrevi em defesa de Adriano e sua suposta “noitada de segunda-feira”. Não mudei de ideia: ele estava em uma churrascaria com os filhos, bebeu uma caneca de chope, assistiu a um show, foi para casa, nada de anormal.

Hoje, Adriano resolveu que derrubaria todos os que tentaram defendê-lo. No início da madrugada, foi parado numa blitz da Lei Seca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Como se recusou a fazer o teste do bafômetro, teve a carteira apreendida, pagará uma multa de quase mil reais e sofrerá processo administrativo. Quem estava lá garante que o ex-Imperador tinha “sinais visíveis de embriaguez”. O major responsável pela operação disse que “os olhos vermelhos e o hálito” entregaram Adriano.

Os problemas de Adriano com o álcool são de conhecimento público. Ele mesmo já confirmou ter enfrentado uma crise há cerca de dois anos, mesma época em que um ex-dirigente do Flamengo e uma ex-namorada trouxeram o assunto à tona. Não dá para afimar que o álcool vai (de novo) encerrar a carreira do atacante, mas este sentimento de impunidade que parece acometê-lo quando resolve que é o dono do mundo parece de difícil superação. E, aos poucos, Adriano vai provando que não precisa de detratores para queimar seu filme: ele sabota a carreira por contra própria.

Vale lembrar que o contrato que Adriano assinou com a Roma é bastante rígido. Há, por exemplo, uma cláusula rescisória acompanhada de multa, em caso de mau comportamento. O time da capital deve ser vendido no próximo mês e, com isso, a estrada de volta ao Brasil pode estar pavimentada. Adriano não é bem visto pela maioria dos dirigentes, incluindo aí o manda-chuva Gian Paolo Montali e o treinador Claudio Ranieri. Até hoje, apenas a presidente Rosella Sensi tem bancado sua continuidade. Sem ela, o adeus de Adriano pode estar próximo.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 Extracampo, Roma | 22:09

Adriano e a turma da patrulha

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Adriano

Flagra! Adriano tomou chope em encontro com a família

Câmeras fotográficas, definitivamente, não são amigas de Adriano. Desta vez, o atacante da Roma foi “flagrado” bebendo na noite carioca. Mais especificamente, tomando uma caneca de chope durante um jantar com os filhos Adrianinho e Sofia, na churrascaria Porcão da Barra da Tijuca. Coisa de nível. Na saída, foi “flagrado” em uma boate até altas horas. Mais especificamente, assistindo do palco ao show do grupo Pixote, do vocalista Dodô, amigo de longa data.

Adriano pediu à diretoria da Roma e conseguiu autorização para tratar perto da família uma lesão no ombro direito, sofrida na vitória contra a Lazio, no último dia 24. Os enésimos flagras da carreira do ex-Imperador repercutiram na imprensa italiana, como não poderia deixar de ser.  O Corriere dello Sport, de Roma, disse que Adriano “permitiu-se uma caneca clara de chope na expectativa de se recuperar da lesão”. Para o diário Il Messaggero, também da capital “a Roma não se saiu bem neste caso”. Sem contar parte da mídia brasileira, que também pegou pesado no caso.

Como estava previsto desde que chegou ao Brasil, Adriano começará a recuperação física amanhã. Ou seja, até então estava de folga. E, até segunda ordem, ele fica no Brasil até dia 26 e volta para a Itália antes do Carnaval. Ou seja, não adianta atirar pedras desde já. A turma da patrulha está sempre atenta, e Adriano costuma dar motivo. Mas pegar no pé por uma caneca de chope, convenhamos, é exagero.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , ,

Histórias, Serie B | 17:35

A volta do bigodão

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Mondonico

Mondonico, figuraça histórica do futebol bergamasco

Emiliano Mondonico, 63 anos, não é nem de longe o melhor treinador italiano. É até bem provável que seja desconhecido na maioria do país, fora de Bérgamo. Um dos técnicos mais simpáticos do futebol italiano, Mondonico tem como melhores resultados ter levado a Atalanta às semifinais da Recopa Europeia, em 1988, e o vice-campeonato do Torino na Copa Uefa, em 1992. Ele também é o recordista de acessos da Serie B à Serie A: cinco, o último em 2004, com a Fiorentina. Nesta temporada, guiava a Albinoleffe rumo a uma fuga tranquila do rebaixamento, até pedir afastamento.

Há dez dias, após um empate com o Ascoli, Mondonico surpreendeu a todos ao anunciar que tinha um tumor que já pesava 5kg. Após três décadas e 1.051 partidas como técnico, lutaria contra o câncer e “deixaria temporariamente” o cargo na Albinoleffe. Passou rápido. O afastamento durou apenas duas rodadas na Serie B. Hoje, Mondo surpreendeu mais ainda: disse que já voltará ao clube na próxima terça-feira. Dia 19, comandará o time contra o Padova.

Durão, Mondonico não contou nem ao time que estava doente. Preferiu dizer que passaria duas semanas nas ilhas Maldivas. “E alguns até acreditaram”, garantiu. Segundo os médicos, o técnico ainda passará por um exame histológico, mas a recuperação foi absurdamente rápida e é “exemplo para todos os pacientes”. Mondonico continuará na Serie B e dificilmente sairá de lá nos próximos anos. Mas a batalha-relâmpago contra o câncer é só mais um capítulo da vida daquele que os italianos gostam de chamar de uomo vero in un mondo di merda.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , ,

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011 Internazionale, Milan, Serie A | 19:55

Jogando contra o próprio time

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Allegri

Pode se preocupar, Allegri. Só o título interessa

“É verdade que a Inter está recuperando terreno, mas nós ainda lideramos o campeonato e continuamos na pole. A luta pelo título será dura, mas eu acho que somos favoritos. A Inter não é problema, absolutamente. O Milan ainda tem o controle do próprio destino, a Inter terá de fazer coisas extraordinárias.”

E é assim que, numa entrevista ao diário Corriere dello Sport, Massimiliano Allegri jogou contra o próprio time. Com as declarações, queira ou não, pôs uma pressão absurda nas costas de uma equipe que não conquista um título desde o Mundial de Clubes, em dezembro de 2007. Em terras italianas, o última conquista relevante foi o scudetto de 2004.

Faltando 14 rodadas para o fim do campeonato, 42 pontos ainda estão em jogo. A Inter ainda tem um jogo a recuperar, contra a Fiorentina, e pode fazer a diferença para o Milan cair para apenas dois pontos. Ou seja: nada que o confronto direto, agendado para 3 de abril, não resolva. A Inter de Leonardo tem 87,5% de aproveitamento na Serie A, algo bem superior aos 68% de Allegri no Milan.

Não dá simplesmente para descartar do páreo a maior rival e atual pentacampeã, ainda mais com esta campanha recente. Allegri deu, de bandeja, material para Leonardo motivar uma Inter que parece disparar rumo a mais um título italiano. Entre os jogadores recuperados por Leonardo, Júlio César tem repetido as defesas do auge da carreira, Maicon e Thiago Motta estão a anos-luz do que eram nos tempos de Rafa Benítez, Stankovic recuperou fôlego e até Cambiasso conseguiu evoluir.

Enquanto isso, o Milan sofre para se livrar de uma dependência crônica de Ibrahimovic. Como o sueco segue indiscutível, Alexandre Pato perdeu espaço por uma suposta “incompatibilidade tática”. O meio-campo segue em um rodízio de lesões e sente falta demais da vivacidade de Boateng, que só deve sair do departamento médico nas próximas semanas. E o elenco ainda tem que conviver com as pressões de Silvio Berlusconi, que há alguns meses disse que o scudetto viria “agora ou nunca mais”. Caro Allegri, se hoje existe favoritismo na luta pelo título, este pertence à Inter.

Dica de Nelson Oliveira, do Quattro Tratti.

Autor: Braitner Moreira Tags: , , , , , , , , , , , ,

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