
Levar um gol no sétimo minuto de acréscimos pode ser o último balde de água fria na Sampdoria
O dérbi de Gênova foi um clichê. Teve confusão, erro de arbitragem, expulsão e gol aos 52 minutos (!) do segundo tempo. O que é até normal para um jogo como o derby della Lanterna, que costuma ser feio, exasperado, mas sempre emocionante. O Genoa venceu a Sampdoria e manteve a 10ª posição. Os dorianos continuam na zona de rebaixamento, dois pontos atrás do Lecce, a duas rodadas para o fim. Já é hora de rezar: basta um empurrãozinho e a Samp voltará à Serie B.
Com a palavra, Thiéres Rabelo:
Além dos jogos de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Goiás, o domingo também contou com um grande clássico na Itália. Genoa e Sampdoria fizeram o derby della Lanterna, em Gênova. E não foi um dérbi qualquer. Com a vitória por 2 a 1, o Genoa pode ter conseguido a vingança de um clássico de oito anos atrás.
Em 2003, com os dois times na Serie B, a Sampdoria bateu o rival por 2 a 0. O resultado ajudou a equipe vencedora a sagrar-se campeã e voltar para a Serie A e foi essencial para que o Genoa fosse rebaixado à Serie C1. Hoje, os papeis se inverteram. Com a vitória do Lecce sobre o Napoli, mais cedo, os blucerchiati foram para a zona de rebaixamento sem nem entrar em campo. Uma vitória os tiraria de lá. Mas não aconteceu.
Pelo que a Sampdoria tem mostrado durante a temporada, é difícil para a torcida acreditar em vitórias sobre Palermo (em casa) e Roma (fora). O time da capital, aliás, perdeu o scudetto por apenas dois pontos e foi derrotado pela própria Sampdoria, no Olímpico, na reta final do campeonato. A chance de tirarem o pé é nula.

A torcida do Genoa comemora: vitória no dérbi poderá representar uma vingança saborosa
Dentro de campo, não faltou nervosismo. Nas laterais, Mannini e Milanetto se estranhavam de um lado, Rafinha e Ziegler de outro. A cada falta marcada, e foram 19 só no primeiro tempo, todos protestavam. Palacio quase esbofeteou o auxiliar após uma falta perto da bandeira de escanteio.
A Sampdoria dominou o primeiro tempo, mas o Genoa precisou de um só escanteio para abrir o placar, já nos acréscimos. Após o cruzamento, a bola quicou e a fraca zaga doriana deixou que Floro Flores viesse de trás e, na cara do goleiro brasileiro Da Costa, cabeceasse.
No segundo tempo, a Samp aumentou a pressão, principalmente após a entrada de Guberti, aos 12 minutos. O empate foi questão de tempo: o capitão Palombo chutou, Eduardo deu rebote e Pozzi marcou, de joelho. Foi quando começou o sofrimento blucerchiato. O Genoa só se defendeu e resistiu ao fraco ataque da Samp. Uma briga no final ainda fez Mesto ser expulso, mas o time não aproveitou.
O golpe de misericórdia veio no último lance do jogo. A defesa da Sampdoria errou um corte e a bola foi lançada para o recém-entrado Boselli, que girou, chutou e definiu a partida. Para o Genoa, a vitória não significa tanto na tabela de classificação. A equipe não tem chance alguma de se classificar à Liga Europa ou ser rebaixada. Mas dar essa mão no rebaixamento rival é um modo bem interessante de comemorar os 113 anos do primeiro scudetto do clube.