Ex-jogador revela escândalos em passagem pelo Parma
O ex-jogador argentino Matías Almeyda resolveu contar algumas histórias até então desconhecidas sobre a passagem que teve pelo futebol italiano na sua autobiografia, intitulada “Almeyda: Life and Soul” (“Almeyda: Vida e Alma”, em tradução livre). Entre os relatos, chamam a atenção três referentes ao período em que defendeu o Parma.
Um deles é sobre o que o argentino imagina ter sido doping. “Tomávamos uma injeção antes dos jogos que nos diziam ser uma mistura de vitaminas. Mas antes de entrar em campo, eu era capaz de saltar a altura do teto. Os jogadores não fazem perguntas, mas depois, nos anos seguintes, há casos de ex-atletas que morrem de problemas cardíacos, sofrem de problemas musculares e outras coisas. Acho que isso tudo é consequência das substâncias que eram dadas a eles”, escreveu.
Almeyda conta também de uma atitude suspeita que alguns dos seus companheiros no Parma tiveram na última rodada do Campeonato Italiano na temporada 2000-01. A derrota da sua equipe para a Roma por 3 a 1 naquela oportunidade acabou fazendo com que o adversário se sagrasse campeão.
Sobre o que aconteceu naquele dia, Almeyda escreveu: “Alguns companheiros disseram que os jogadores da Roma queriam que a gente perdesse de propósito aquela partida. Eu disse não. (Roberto) Sensini (também argentino) e a maioria do grupo também disseram não. Dentro de campo, porém, percebi que alguns não estavam correndo da maneira que costumavam fazer. Então, pedi para ser substituído e fui para o vestiário. Se foi por dinheiro? Não sei, eles costumam chamar isso de favor…”.
Almeyda relata ainda uma briga que teve em 2002 com Stefano Tanzi, presidente do Parma na época. De acordo com argentino, um carro que tinha acabado de comprar sumiu da garagem da casa onde morava dias após o desentendimento.
“Minha mulher chegou em casa e escutou vozes lá dentro. Ela fugiu e chamou a polícia. Escreveram uma mensagem na nossa parede, uma mensagem da máfia. Minha mulher acabou dando à luz de forma prematura. Depois da Copa do Mundo, nunca mais voltei ao Parma”, contou Almeyda.
As acusações estão feitas. Almeyda botou ainda mais lenha na já ardente fogueira de desconfiança pela qual o futebol italiano tem passado ao longo dos últimos anos. Alguém mais vai se pronunciar a respeito do que disse o argentino? Veremos nos próximos dias.
Vida pessoal
A autobiografia não é feita apenas de acusações. Nas páginas do livro, o argentino também abre o jogo com relação à vida pessoal e fala de um problema que teve com álcool logo após se transferir do Parma para a Inter de Milão.
“Uma vez, quando estava no meu país, bebi cinco litros de vinho como se fosse Coca-Cola e acabei entrando em coma. Eu ainda corri cinco quilômetros para tentar tirar o álcool do meu corpo antes de ver o sol girando. Precisei tomar infusão durante cinco horas. Isso foi na época que eu jogava na Inter e teria sido um escândalo. Quando acordei, vi toda a minha família em volta de mim na cama e pensei que era meu funeral”, revelou o argentino, que disputou as Copas do Mundo de 1998 e 2002 e atualmente é técnico do River Plate.





